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quinta-feira, 9 de abril de 2015

DESERTO DO SAARA ENCHE A AMAZÔNIA DE POEIRA


[Notícia publicada no jornal O GLOBO]


A transferência de poeira do deserto do Saara para a Amazônia já era conhecida, mas agora cientistas mediram o volume de material transportado.

Usando satélites, a NASA estimou que, por ano, 182 milhões de toneladas de poeira são carregados pelo vento e cruzam os 2,5 mil quilômetros que separam a América do Sul da África, sendo que 27,7 milhões de toneladas da poeira, o suficiente para encher 105 mil caminhões, são depositadas na floresta.

 


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Esse é o tipo de notícia que me deixa particularmente perplexo.

Quem sabe que tipo de consequência potencialmente danosa pode advir para a floresta amazônica ao longo do tempo?



sábado, 4 de abril de 2015

SOMOS VIÁVEIS? (2)


[ARNALDO BLOCH; O GLOBO - SEGUNDO CADERNO; 07.03.2015]


Pouco tempo atrás, acreditávamos que havíamos chegado a um estágio em que o arsenal nuclear se reduziria até ser coisa do passado. O que vemos hoje? Chantagem nuclear e potências armadas até os dentes. Acreditávamos que a democracia era o caminho definitivo, universal.

O que vemos? Opositores sendo assassinados na Rússia, um juiz que investiga o governo sendo baleado na Argentina, um governo democrata nos EUA que espiona seus parceiros, colossos de corrupção por toda a parte e um esforço por debelá-la menos associado à pura justiça e mais a serviço do puro interesse político, num jogo de troca de posto que se eterniza.




Acreditávamos que o racismo e a xenofobia seriam em breve varridos do chamado velho mundo. O que vemos? A Europa em crise, polvilhada de poderosos partidos de extrema direita que ganham popularidade ano a ano, fechando os olhos para a exploração sanguinária que promoveram contra os povos que hoje querem expulsar.





Acreditávamos que os países de maioria muçulmana rumavam para uma discussão profunda sobre suas sociedades, assinalada pela Primavera Árabe. O que vemos um ano depois? A ascensão do Estado Islâmico, enterrando populações vivas e empreendendo um programa de expansão com tentáculos invisíveis pelo mundo inteiro, usando a tecnologia digital para uma campanha de recrutamento planetária.

 

Acreditávamos que a cultura continuaria a dialogar com a ciência e a filosofia em busca de uma boa interseção entre a razão e os mistérios que ainda (talvez nunca) decifraremos. O que vemos? A ciência demonizada e um crescimento cada vez maior da escravidão às crendices e às religiões, numa marcha que arrisca jogar a Humanidade de volta à Idade Média. E, paralelamente, um paradoxal culto cientificista em busca de respostas objetivas para tudo. É a era dos especialistas: tenta-se assassinar o mistério, inclusive a subjetividade da arte, que se institucionaliza.



Nós, porta-vozes dos feitos e desfeitos da Humanidade, que se crê no topo da evolução, deveríamos nos perguntar, antes mesmo de nos situarmos no ranking evolucionário, se a espécie é, simplesmente, viável, ou não.

Se não está destinada a se extinguir muito antes que milhões de outras espécies desapareçam. Se isto acontecer, quem decidirá, divulgará e publicará notícias sobre o nosso papel na História do Universo?


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É preciso dizer mais?



sexta-feira, 20 de março de 2015

SOMOS VIÁVEIS? (1)

    




  [ARNALDO BLOCH; O GLOBO - SEGUNDO CADERNO; 07.03.2015]

Um dos traços característicos da espécie humana é a crença de que, entre os demais seres vivos conhecidos, estamos no topo da evolução. Nossas capacidades de refletir sobre nós mesmos, formular hipóteses, destrinchar as causas naturais para os fenômenos e nossa consciência, que permite transcender o simples viver, são consideradas valiosas. Mas nunca perguntamos: valiosas para quem e para quê?
O planeta se lixa para nós. O Cosmo não está nem aí. Os animais são esculachados. As florestas, montanhas, geleiras; os mares, os rios - estão indo para o brejo. Resta, então, a hipótese de que somos valiosos para nós mesmos. De que nossa busca é o estágio em que o Universo toma consciência de si, num processo que ainda está na infância, mas resultará, um dia, em algo grande para nós e para o todo.


Mas, se olharmos com cuidado, a julgar pelo ponto a que chegamos, nem essa hipótese (sermos valiosos para nós) se sustenta. No máximo, pode-se considerar que um indivíduo pode ser feliz por um tempo determinado, mas nem isso é uma obra que a espécie realizou: é um benefício que a vida, a natureza, conferem a um ser, e pelo qual deveríamos agradecer humildemente.

De resto, que evolução é esta que o humano alcançou? Mesmo dentro de nossas conceituações do que seja bom ou mal para a Humanidade, qualquer progresso que se verifique está, sempre, sub judice. A própria ideia de progresso vive em xeque: o crescimento irrefreado, que é o ideal de qualquer pensamento econômico aceito, é obviamente destinado ao desastre. Mesmo se deixarmos de lado os sinais claros de que esse paradigma está destruindo a vida em sociedade, é uma questão de matemática rudimentar: a Terra tem uma determinada extensão. Logo, a multiplicação de objetos, edificações, veículos, propriedades, e da população, tem um limite. De espaço, de recursos, de energia, de meios, de motivação.

Mesmo assim, o crescimento, puro e simples, infinito, é o único que vale para qualquer índice que calcule a prosperidade de uma nação, como se não houvesse um horizonte final (em outras palavras, danem-se as próximas gerações, o que importa é o mundo agora). Se há um discurso e um movimento planetários em prol da preservação ou até conceitos malucos como o do descrecimento, a comunidade das nações não dá qualquer sinal de que possa haver uma concórdia sobre as providências no sentido de uma decisiva mudança de postura global.

Falam mais alto as paixões, a sede de potência e de acúmulo, guiados pela certeza da morte, e a compulsão pela otimização do gozo numa corrida contra o relógio que leva a tumba.

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Resultado de imagem para capitalismo selvagem




terça-feira, 20 de janeiro de 2015

JE SUIS CHARLIE

[Editado de um artigo de autoria de ARNALDO BLOCH, publicado no jornal O GLOBO em 17.01.2015]


Saiu uma tirinha de humor no Facebook (não descobri autoria nem fonte) em que um sujeito pergunta: "Quem somos?". Um grupo responde: "Somos todos Charlie." O sujeito retruca: "Mas o que queremos?". O grupo: "A verdade, a justiça, a liberdade de imprensa e a paz mundial". O sujeito: " "Como vamos conseguir?". No último quadrinho só um texto: "Com a ajuda do Obama,da CIA, do Pentágono, do FBI, do serviço secreto israelense, dos maiores fabricantes de armas do mundo, da mídia ocidental, dos países que colonizaram a África, dos sheiks árabes, da extrema-direita francesa, da Grã-Bretanha".

Estamos ferrados? Bem possível que sim, pois ainda não se provou que a espécie humana, com Deus ou sem Deus, é viável. Porém, por má-fé ou ingenuidade, cria-se a ideia de que os agentes da salvaguarda são um Ocidente malvado, onde toda a mídia é inimiga. Tesouram-se os pacifistas, a ONU, os diplomata que dão o sangue para impedir guerras piores, as conversas multilaterais, os moderados, as campanhas que, nas redes sociais, sobrevivem à estupidez, e a esquerda francesa que chocada com a própria submissão ao lobby extremista, liderou a marcha na Republique.



Óbvio que, na configuração da geopolítica atual, é impossível que a CIA, a Alemanha, o Mossad, os líderes árabes, os sheiks, as ex-colônias na África do Norte e tantas outras esferas não estejam na luta contra o avanço que ameaça o pouco que se conseguiu de coesão entre as nações do mundo. Um mundo que busca um status em que suas terríveis contradições,  suas injustiças, sua loucura corporativa, seu cassino financeiro (que esmaga toda força produtiva) se inspiram em certa ideia de democracia.

Contudo, é terrorismo ideológico dizer que esta é apenas uma guerra entre o perverso Ocidente e a malvada cultura islâmica. Os "malvados" estão dos dois lados, ou de todos os lados que formam o poliedro da grande confusão. Lados que formam alianças tácitas, às vezes inconscientes, com seus inimigos.


O judeu que matou Rabin não integrava qualquer grupo organizado. Era como o louco que matou Lennon. O que se combate, hoje, é, sim, o terrorismo islâmico, como se combateria qualquer terrorismo pancontinental, que reunisse método, massa e distribuição global de células explosivas. De resto Islã é paz, e o diálogo é o antídoto da guerra. Um diálogo paralelo e a longo prazo. Pois, agora, o que temos, que pena, é a batalha.



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Tudo está perdoado. Ou não?








quarta-feira, 14 de maio de 2014

MUITA MERDA!




É tanta merda acontecendo que dá até ânsia de vômito acompanhar. São demonstrações de racismo, gente inocente sendo espancada até a morte, desvio de verbas em obras públicas, a Petrobras indo pro buraco por conta de administradores corruptos e/ou incompetentes, prenúncios de guerra civil no leste europeu, o mundo árabe sob a constante ameaça de terrorismo, ufa! 

Como eu disse no começo, haja merda!

Mas tá tranquilo, a gente se acostuma com o tempo... só que não!

O século XXI caminha para uma nova Idade Média, com a diferença de ser informatizada. Dizem que até o fim do ano existirão tantos aparelhos celulares quanto seres humanos no mundo. E daí? Sei lá, era de se esperar que a humanidade tivesse evoluído um pouco mais após tanto tempo habitando esse planetinha, em todos os sentidos e não apenas tecnologicamente.

Enfim, quem sabe eu não esteja sendo pessimista e as coisas sejam assim mesmo. Ou quem sabe a salvação virá de repente, de onde menos se espera, como naquela música do Caetano Velloso.

Só não dá é pra ficar calado enquanto afundamos na merda. Se depender de mim vou continuar protestando, mesmo que não dê em nada.

Será que os governos em geral não enxergam que, por exemplo, a criminalização das drogas, sejam elas quais forem, só traz morte e decadência cada vez maior? Haja visto a quantidade de gente presa por envolvimento com o tráfico.

A manutenção dos sistemas judiciário e carcerário tem um custo altíssimo que seria melhor aplicado na saúde e na educação da população. Aí sim, poder-se-ia falar em condições mais humanas para os presos, que também são gente. Ou não?

Mas o que os políticos querem mesmo é aparecer na TV como celebridades, falando, falando, e não fazendo nada...


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POLÍTICOS: VÃO TODOS SE FUDER!








  

terça-feira, 13 de maio de 2014

NEGRITUDE (2)


[Editado de uma reportagem de Bolívar Torres publicada no caderno Prosa & Verso do jornal O GLOBO]


A ausência de rostos negros na esfera pública brasileira, seja nas capas de revistas ou em cargos políticos importantes, impressionou o americano Henry Louis Gates Jr., considerado um dos principais especialistas em culturas africanas e afro-americanas.

O professor de Harvard visitou Rio, Diamantina, Recife e Salvador em 2010 para a série de documentários "Os negros na América Latina", transformada em livro homônimo que acaba de ser lançado no Brasil. Durante a rápida passagem, se decepcionou ao ver como o país mais mestiço do mundo - e o primeiro a se afirmar isento de racismo, segundo o autor - sufoca suas raízes africanas.

No livro, Gates percorreu diversas nações da América Latina para investigar os efeitos da diáspora africana, entrevistando artistas, acadêmicos e outras personalidades ligadas à questão negra (entre os brasileiros está Abdias Nascimento, um de seus heróis de juventude). Uma pergunta permeia toda a obra: o que significa ser negro nessas culturas? Quem é considerado negro, em quais circunstâncias, e por quem?

 


Presente nos principais debates sobre raça nos Estados Unidos, o autor ficou conhecido dos brasileiros em 2009, por causa de um polêmico episódio: enquanto tentava forçar a porta de sua própria casa, foi abordado bruscamente por um policial que desconfiou do seu gesto.

Os dois discutiram - e o professor acabou preso, se dizendo vítima de racismo. A questão foi resolvida com uma cerveja na Casa Branca, em companhia do presidente Obama.

O autor se mostra atento às contradições do Brasil e, embora encantado com a aparente harmonia, avalia que os afrodescendentes continuam excluídos socialmente. E dispara: quanto mais "negra" a aparência de um indivíduo, pior é sua condição econômica.


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Nas palavras do próprio professor Gates: "O Brasil é o país que mais renega sua negritude". Tá na hora de mudar esse quadro...



COPA 2014


[Texto editado da coluna de Artur Xexéo, publicado na Revista O GLOBO]


Sou escolado em Copa do Mundo. Estive na dos Estados Unidos, em 1994; na da França, em 1998; na da dobradinha Coréia e Japão, em 2002; e, finalmente, na da Alemanha, em 2006. E acho graça quando vejo preocupação com a qualidade de nossos hotéis ou até mesmo com a não existência de nossos hotéis.

Quem disse que na Coréia foi melhor? Ulsan, a cidade que abrigou alguns jogos em 2002, não tinha muitos hotéis e, aparentemente, não construiu nenhum para a Copa. O jeito foi acomodar jornalistas em motéis de alta rotatividade. E cara alegre.

Reclama-se que nossos taxistas, pessoal de restaurante, trabalhadores da área de serviços não falam inglês. Não saberemos nos comunicar com os turistas que estarão aqui. Pode ser. Mas sou testemunha de que, apesar da boa vontade da população local, sempre disposta a ajudar, no Japão só era compreendido quem falasse japonês. E todo mundo andava com cartãozinho do hotel no bolso. Pelo menos o caminho de volta estava assegurado.


 


Critica-se muito a nossa mobilidade (ou imobilidade) urbana e o fato de os metrôs espalhados pelo país terem pretensões tão humildes. Quem vê como ficam as estações da Zona Sul do Rio nas noites de réveillon já pode antecipar o caos nas estações que levam ao Maracanã.

Garanto que nada será pior que o metrô de Marselha na Copa de 98. Quem foi à cidade para assistir ao jogo entre as seleções de Brasil e da Noruega sabe do que estou falando. Era impossível o acesso a qualquer estação. Não havia nenhum esquema especial só porque era Copa do Mundo. E o Brasil ainda perdeu!



Mas houve uma coisa em comum entre as Copas que eu vivi e que, por enquanto, não faz parte da Copa do Brasil: os estádios eram impecáveis. Estavam todos prontos. Com os serviços funcionando perfeitamente. Não havia cadeiras inexistentes. Não havia filas nas lanchonetes. Não havia banheiros fechados. Não havia coberturas despencando.

Dizem que, com medo das vaias, Dilma não fará discurso antes do jogo de abertura. Dizem que a FanFest de Recife talvez não aconteça. Dizem que os taxistas de Salvador não aprimoraram seu inglês. Sem problemas. Ninguém vai a uma Copa do Mundo para ouvir discursos de presidentes, assistir a jogos em telões na FanFest ou conversar com taxistas. Mas todos os turistas esperam um estádio perfeito, confortável, com serviços funcionando e um gramado impecável. É por isso que eles pagam. E pagam caro.


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RUMO AO HEXA!




segunda-feira, 12 de maio de 2014

NEGRITUDE (1)




[Trecho editado do artigo "A beleza de ser o que é" de autoria de Suzana Velasco publicado na Revista O GLOBO]


A eleição da atriz negra Lupita Nyong'o, 31 anos, como a mulher mais bonita do mundo pela revista "People", no fim do mês passado, não tem o poder de acabar com o preconceito nem em Hollywood nem no resto do mundo.

Não muda o fato de que, no Brasil, há o dobro de negras e pardas no serviço doméstico em comparação às mulheres brancas, de acordo com a Pesquisa Mensal de Emprego do IBGE de 2013.

Tampouco transforma a diferença no rendimento mensal das mulheres negras - que corresponde a 56% da renda das brancas, e não chega à metade daquela dos homens brancos, segundo o "Dossiê mulheres negras", elaborado no ano passado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). 

Mas a escolha de Lupita, vencedora do Oscar 2014 de atriz coadjuvante pelo filme "12 anos de escravidão", de Steve  McQueen, causou, em mulheres do mundo todo, orgulho de ver no pódio da beleza uma negra de cabelo natural, pele reluzente, boca e nariz grossos.

Negras, jovens e bonitas, elas conhecem o preconceito, mas abandonaram os produtos químicos para os fios e assumiram seus traços - como a própria atriz de origem queniana, que disse estar feliz porque outras meninas como ela se sentiriam "mais vistas".

Em discurso no prêmio Mulheres Negras em Hollywood, em fevereiro deste ano, Lupita contou como foi importante se espelhar em outras mulheres para se sentir bonita, como a modelo anglo-sudanesa Alek Wek.


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OS CADERNOS NEGROS


[Editado do artigo 'C'est Paris' ou pra chorar? de autoria de Arnaldo Bloch publicado no Segundo Caderno do jornal O GLOBO]


Os "Cadernos Negros" ("Schwartze Hefte") de Heidegger foram editados recentemente na Alemanha, os quais o filósofo legou para publicação póstuma, reunindo pensamentos escritos entre 1931 e o início da década de 1970.

Morto em 1976, Heidegger não teve nenhum constrangimento de, três décadas após o fim das Segunda Guerra, deixar que viessem à luz, sem revisão ou prefácio de contextualização, notas que constroem um edifício teórico destinado a adaptar sua visão revolucionária do "ser no mundo" às idéias do Nacional-Socialismo, do qual foi partidário durante todo o período de vigência do regime hitlerista.

Assim, o indivíduo encorajado a enfrentar e superar a morte em vida para encontrar a esfera essencial do ser é transmutado num ser-nação que não conhece limites em sua batalha contra o grande inimigo: o judaísmo internacional.

Nessa nova configuração, o ser judeu é uma dimensão existencial conectada a uma "sabedoria do cálculo" que lhe serve de instrumento para destruir a civilização alemã, nisso se resumindo a dinâmica da natureza humana em seu processo no espaço e no tempo.

Deixar como herança o resultado da metamorfose de um sistema filosófico fundamental para o livre-pensar num chiclete de propaganda eugenista: Heidegger, no crepúsculo da Guerra Fria, estava consciente desse feito? 

Seja como for, um levante romântico, mitológico, da humanidade contra os demônios imaginários que figuram na grande panacéia dos "Protocolos dos Sábios do Sião" é um discurso que faz Heidegger soar, de repente, equivocado e superficial como os líderes atuais de grupúsculos neofascistas que pipocam Europa afora e adentro.

Pode-se fazer um paralelo com as décadas de 1930 e 1940? Os cadernos de Heidegger são munição para novos e tristes tempos?


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VAGINOTERAPIA


[Publicado na coluna de Tony Bellotto no Segundo Caderno do jornal O GLOBO]



O terapeuta Zé Ricardo Zenim, mais conhecido como Zenão, notabilizou-se pela criação do sistema de Conhecimento Uterino e pelas técnicas de Vaginoterapia e Despertar Clitoridiano, com que fazia fluir a energia estagnada de mulheres frustadas e desiludidas.

Flagrado por um marido desconfiado enquanto aplicava numa paciente seu revolucionário método de estimulação clitorídea com língua de sapo verde amazônico, Zenão levou uma surra e nunca mais deu as caras em seu consultório no Leblon.


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Putz, esse ganha o prêmio de 'cara-de-pau' de todos os tempos! E ainda tem gente que cai numa dessas...


RACISMO NO FUTEBOL


[Editado de uma artigo de Leonardo Cazes publicado no caderno Prosa e Verso do jornal O GLOBO]


Aos 30 minutos do segundo tempo do jogo contra o Villareal, no dia 27 de abril, o lateral-direito do Barcelona e de seleção brasileira Daniel Alves pegou e comeu uma banana atirada por um torcedor do time adversário antes de cobrar um escanteio. 

Em março, durante o jogo entre Esportivo e Veranópolis, em Bento Gonçalves, pelo Campeonato Gaúcho, torcedores gritaram insultos racistas contra o juiz Márcio Chagas e, depois da partida, jogaram bananas no seu carro.

Os atos motivaram campanhas artirracista em campo e na internet, e colocaram em debate o preconceito no futebol.


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Parece inacreditável que em pleno século XXI este tipo de atitude ainda se repita. É, entre outras coisa, profundamente lamentável, além de ser de uma imbecilidade impar.


quinta-feira, 1 de maio de 2014

A OUTRA GUERRA DA CRIMÉIA


[Editado de um texto de autoria de Flávio Henrique Lino publicado no jornal O GLOBO]


Embora o mundo olhe com preocupação para a República Autônoma da Crimeia, a península secessionista ucraniana não é nenhuma novata no palco dos imbróglios internacionais. Travada principalmente na região, entre 1853 e 1856, a Guerra da Crimeia opôs o Império Russo, de um lado, a uma aliança entre o Império Otomano, o Reino Unido, a França e o Reino de Piemonte e Sardenha, de outro.

   

É considerada por historiadores como a primeira guerra da era moderna, levando para o campo de batalha - e fora dele também - inovações da Revolução Industrial precursoras dos avanços tecnológicos que permitiram as grandes carnificinas dos conflitos armados do século XX.

Na Crimeia novas armas se desenvolveram, com usos mais letais. Mas também foi lá que o mundo viu nascer a figura lendária do correspondente de guerra, responsável por aproximar o público de longínquos teatros de guerra. Aproximação essa facilitada pela utilização do recém-inventado telégrafo para o envio das notícias do front, cortando em dias ou até semanas o trajeto das histórias do campo de batalha às páginas dos jornais.

Tais relatos ficaram ainda mais vívidos com outra inovação recente, a fotografia, que começou ali a tomar o lugar das ilustrações nas publicações, dando início ao fotojornalismo. No campo humanitário, nos hospitais militares da Crimeia forjou-se uma nova forma de atendimento médico, com maior ênfase na higiene e nas condições sanitárias das instalações, diminuindo a mortalidade por doenças.

E também foi das necessidades da guerra que surgiram peças de vestuário amplamente conhecidas em nossos dias.


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Agora só nos resta torcer para que a sanha expansionista do novo "império" russo e os interesses econômicos dos EUA e da União Européia não nos levem a uma nova guerra mundial...




  

segunda-feira, 28 de abril de 2014

PACIFICAÇÃO?


[Texto de autoria de Márvio dos Anjos publicado no jornal DESTAK em 25.04.2014]



O termo "pacificação" se consagrou, mesmo representando mais um desejo do que um fato. Houve redução da criminalidade em certas áreas da cidade. Mas ainda temos casos como o do bailarino DG, morto pelas costas no Pavão-Pavãozinho.

À lúcida mãe de DG, quem poderá falar que o morro está pacificado?

Precisamos lidar com o fato de que essas comunidades ocupadas vivem em estado de sítio. O sucesso seria que elas se transformassem em bairros, que tivessem vida de bairros, e não a impressão de uma normalidade patrocinada por uma contenção armada de fuzis.

O sempre ponderado secretário de Segurança José Mariano Beltrame jamais vendeu sua pacificação como milagrosa, mas já é tempo de vermos que o resultado da ocupação militar ainda não é paz, não efetuou prisões suficientes - o que fez os traficantes migrarem para outras regiões, como Niterói e a Baixada - e não merece o termo consagrado.

Não seria leviano a ponto de condenar totalmente a implantação das UPPs porque se trata do único programa que realmente diminuiu os índices de criminalidade. Mas a vida não se conta só por números. Histórias como a de DG mostram que a polícia ainda sobe um morro pacificado pronta para a guerra, num desmentimento categórico dessa paz armada.


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Pacificação ou ocupação militar? Estamos em guerra civil?


  

sábado, 26 de abril de 2014

"GENTE COMO A GENTE" QUEM, CARA-PÁLIDA?


[Texto editado de autoria de Guilherme Fiuza]


Dilma Rousseff certa vez declarou que "queremos um país de classe média". Já estava na hora de eliminar a elite da vida brasileira. E não só pelo aspecto econômico. Foi profundamente incômodo ao país ser presidido por um intelectual cultivado, cheio de títulos acadêmicos. Dentre outros comportamentos elitistas, esse presidente acabou com o compadrio na área econômica do governo, impondo a virtude como critério. Ou seja: um desumano, insensível aos apelos de um amigo, parente, afilhado ou cabo eleitoral.

Nesse período, a economia brasileira saiu das trevas, mas o país só ficou à vontade quando foi entregue a um ex-peão. A nação ficou aliviada sob um presidente que empregava os companheiros, que não se importava em maltratar a língua, que se orgulhava de não ler jornais, que fazia o elogio da ignorância - ufanando-se da sua própria falta de estudos, ao cantar vitória sobre o antecessor diplomado.

Fora um certo sotaque fascista, até que a ideia do nivelamento geral de um povo poderia ter seus encantos. A erradicação da elite, a partir do postulado de Dilma Rousseff, traria benefícios imediatos ao funcionamento do país. Seria um país muito mais tolerante. Além das liberalidades no uso da língua portuguesa e do dinheiro público, a mentalidade média que emerge da sociologia governamental muda inteiramente o conceito de responsabilidades.

Tudo normal. Tudo médio. Inclusive os parâmetros de civilidade e honestidade.



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E que venha logo essa bendita CPI da Petrobrás: vergonha pouca é bobagem...





sábado, 19 de abril de 2014

ÍCONE DO ROCK


[Editado de uma reportagem de Carlos Albuquerque publicada no jornal O GLOBO em 12.04.2014]


A mitológica guitarra 'Fender Stratocaster' está completando 60 anos.

Criado pelo americano Leo Fender em 1954, o instrumento se tornou, ao longo dos anos, o maior ícone do rock, graças ao seu uso por superastros como Jimi Hendrix, Eric Clapton, Jeff Beck, David Gilmore, Stevie Ray Vaughan, Ritchie Blackmore e The Edge, entre muitos outros. 

Celebrada graças ao seu design cheio de estilo e à sua sonoridade única, a 'Fender Stratocaster' - amada no Brasil por craques como Lulu Santos e Roberto Frejat - tem sua importância resumida numa declaração do próprio Clapton: "Se pudesse voltar no tempo diria a ele que realmente criou algo insuperável". Trata-se, sem dúvida, de um dos instrumentos mais marcantes da História.



Sua construção, seus recursos e sua sonoridade revelam um momento único de inspiração. Mas quando foi visto pela primeira vez em público, durante uma apresentação de Buddy Holly, no programa de televisão de Ed Sullivan, em dezembro de 1957, a 'Fender Stratocaster' parecia algo do outro mundo. Numa época em que a concorrência oferecia instrumentos que, em sua maioria, pareciam nada mais que violões elétricos, alguns detalhes causaram espanto e até dúvida se aquilo era mesmo uma guitarra, como seu desenho único (com um recorte duplo), sem buracos, a fixação dos captadores, as tarraxas só de um lado do braço e a alavanca de vibrato, para "torcer" as cordas.

 


E, de 1954 para cá, não faltaram individualidades ao corpo da 'Strato'. Foi o som dela que marcou a surf music dos Beach Boys e de Dick Dale, no começo dos anos 1960. Foi empunhando uma que Bob Dylan fez sua famosa virada elétrica, no festival de Newport, em 1965. Foi com um modelo desses que Hendrix subverteu o hino americano, no festival de Woodstock, em 1969, Clapton gravou o clássico "Layla", em 1970, e Ritchie Blackmore fez o imortal riff de "Smoke on the Water", em 1971. 



E, num pulo no tempo, foi com uma 'Stratocaster' que John Frusciante, dos Red Hot Chili Peppers, brilhou em "Californication", em 1999, e John Mayer tocou no funeral de Michael Jackson, em 2009.



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Um solo de aniversário em homenagem aos 60 anos do maior ícone do rock'n'roll pelas mãos de Jimi Hendrix! (sem comentários...)







terça-feira, 15 de abril de 2014

A INVASÃO ARGENTINA


[Editado de uma reportagem de Janaína Figueiredo, publicada no jornal O GLOBO em 01.03.2014]


A Copa de 2014 chegou num mau momento para muitos argentinos. A crise financeira conspira contra o sonho de acompanhar a seleção de Lionel Messi no Brasil.

Mas nem todos os argentinos renunciaram ao sonho de participar da festa mundial do futebol.
Na cidade de Paraná, capital da província de Entre Rios, a 500 quilômetros de Buenos Aires, dez amigos decidiram desafiar as adversidades. Em maio de 2013, compraram um ônibus usado e, desde então, trabalham para transformá-lo num motorhome que os levará às cidades brasileiras.



Eles tiveram de negociar com seus chefes  e, também, mulheres e namoradas, uma ausência de pelo menos um mês fora de casa. Todos foram compreensivos, segundo eles, e ficaram encantados com o projeto. Nos últimos meses, o grupo se encontra nos fins de semana para montar o ônibus, que terá sala, cozinha e um quarto com 12 camas.

Um dos obstáculos é a compra de ingressos. apesar de se inscreverem em todos os sorteios, não conseguiram ingresso. Eles pretendem partir rumo ao Brasil em 7 de junho, para chegar a São Paulo no dia 12, a tempo da abertura. Depois vão acompanhar a seleção argentina.


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CUIDADO GALERA! ELES ESTÃO CHEGANDO!!!