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segunda-feira, 2 de junho de 2014

"VITÓRIA" A QUALQUER CUSTO


[Editado de um texto de Ignacio Cano, sociólogo e professor da UERJ, publicado no jornal O GLOBO]


Os moradores de áreas carentes são as principais vítimas da criminalidade violenta. Por isso, e também pelo fato de que eles não têm acesso à segurança privada, o Estado deveria considerar a proteção dessas populações a sua primeira prioridade. 

Entretanto, as políticas tradicionais de segurança pública historicamente visaram à nossa proteção, à dos moradores do asfalto, contra os perigos provenientes das favelas.

É justamente por isso que as autoridades manifestam-se constantemente no sentido de que a morte de alguns inocentes na luta contra o crime é lamentável, mas inevitável para travar essa "guerra".

O fato é que esses inocentes sempre tombam nos mesmos lugares, lugares em que a vida vale bem menos e o braço do Estado nem sempre respeita a lei.

Façamos o exercício de imaginar uma porta de uma casa no Leblon ensanguentada por um menino morto por um disparo de policial. Talvez possamos imaginar também pedidos de desculpas de autoridades e até alguma renúncia.

A questão real que se coloca é se a política de segurança tem como objetivo a minimização dos tiroteios e, sobretudo, a proteção dos moradores de áreas violentas, ou uma suposta vitória militar sem importar o custo.

Essa "vitória" alcançada a despeito da insegurança e mesmo da integridade daqueles que supostamente se pretende proteger seria o equivalente de uma Delegacia Antissequestro que, regularmente, acabasse com a vida dos reféns junto com a dos sequestradores.



POST-SCRIPTUM:


E a guerra civil continua...



segunda-feira, 12 de maio de 2014

OS CADERNOS NEGROS


[Editado do artigo 'C'est Paris' ou pra chorar? de autoria de Arnaldo Bloch publicado no Segundo Caderno do jornal O GLOBO]


Os "Cadernos Negros" ("Schwartze Hefte") de Heidegger foram editados recentemente na Alemanha, os quais o filósofo legou para publicação póstuma, reunindo pensamentos escritos entre 1931 e o início da década de 1970.

Morto em 1976, Heidegger não teve nenhum constrangimento de, três décadas após o fim das Segunda Guerra, deixar que viessem à luz, sem revisão ou prefácio de contextualização, notas que constroem um edifício teórico destinado a adaptar sua visão revolucionária do "ser no mundo" às idéias do Nacional-Socialismo, do qual foi partidário durante todo o período de vigência do regime hitlerista.

Assim, o indivíduo encorajado a enfrentar e superar a morte em vida para encontrar a esfera essencial do ser é transmutado num ser-nação que não conhece limites em sua batalha contra o grande inimigo: o judaísmo internacional.

Nessa nova configuração, o ser judeu é uma dimensão existencial conectada a uma "sabedoria do cálculo" que lhe serve de instrumento para destruir a civilização alemã, nisso se resumindo a dinâmica da natureza humana em seu processo no espaço e no tempo.

Deixar como herança o resultado da metamorfose de um sistema filosófico fundamental para o livre-pensar num chiclete de propaganda eugenista: Heidegger, no crepúsculo da Guerra Fria, estava consciente desse feito? 

Seja como for, um levante romântico, mitológico, da humanidade contra os demônios imaginários que figuram na grande panacéia dos "Protocolos dos Sábios do Sião" é um discurso que faz Heidegger soar, de repente, equivocado e superficial como os líderes atuais de grupúsculos neofascistas que pipocam Europa afora e adentro.

Pode-se fazer um paralelo com as décadas de 1930 e 1940? Os cadernos de Heidegger são munição para novos e tristes tempos?


POST-SCRIPTUM:





domingo, 13 de abril de 2014

O LIVRO NEGRO DO CAPITALISMO




[Editado a partir de um texto da autoria de EMIR SADER]



Em tempos de regressão conservadora como os atuais, a "baderna" voltou ao vocabulário cotidiano, não pela voz dos militares - que, depois de cumprir seu papel de "restabelecimento da ordem e da disciplina", deixaram a função na mão de civis - mas de órgãos da grande imprensa e de ex-comunistas, em guerra contra os pobres.

Bradar pela ordem é um dos mecanismos básicos da direita - aquela que privilegia a ordem em detrimento da justiça, segundo Norberto Bobbio - e portanto a "baderna" é parte integrante do vocabulário da direita. Faz parte do mecanismo de buscar bodes expiatórios para o fracasso de sua civilização, vitoriosa na virada do século.

Se a esquerda assume o que foi a URSS como proposta fracassada de sociedade socialista, assume e tira consequências, a direita se esquiva dos monstros que criou.


Afinal de contas, as duas guerras mundiais foram guerras interimperialistas e, portanto, seus milhões de mortos, pertencem, com justiça, ao Livro Negro do Capitalismo, porque foram uma expressão da feroz disputa de mercados entre as potências capitalistas. Assim como o nazismo, o fascismo, o franquismo, o salazarismo foram expressões exacerbadas de sociedades capitalistas.

Ou foram o que?


POST-SCRIPTUM:

Esta postagem é em "homenagem" ao ex-governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral, que renunciou ao cargo e que já vai tarde.

E que não volte tão cedo!






segunda-feira, 17 de fevereiro de 2014

FIM OU COMEÇO?


[Adaptado de uma notícia publicada no jornal EXTRA]

A delegacia do Catete continua investigando a agressão a um adolescente espancado e preso, nu, a um poste com um a trava de bicicleta, na Av. Rui Barbosa, no Flamengo. A delegada Monique Vidal, abriu inquérito para apurar o crime de lesão corporal.

Nas redes sociais, internautas apoiaram a ação: "Acordem seus tapados... quem anda no Flamengo sabe... isso aí é ladrão que assalta senhoras e mulheres todos os dias... ele tem uma gangue... fizeram foi pouco... faltou álcool e isqueiro para 'esterilizar' o meliante..."

Pelas ruas do bairro da Zona Sul, moradores também reclamaram que a quantidade de usuários de 'crack' no Flamengo aumentou consideravelmente, trazendo a sensação de insegurança e desconforto:

   - A polícia não faz nada. Aí, chega um grupo de pessoas, que deve ter sido assaltada por alguns deles, e mete a porrada. É o jeito que arrumaram para se defender. Fazer o que? - afirmou um morador do bairro, que preferiu não se identificar.

POST-SCRITUM:

"Os Vingadores" tupiniquins? 

O fim não virá numa explosão pirotécnica de fogos de artifício, mas talvez num surdo gemido de agonia, melancólico e agonizante, lento e interminável...

Ou quem sabe um improvável cruzamento do "super-homem" de Nietzsche com o "cristo cósmico" de Teilhard de Chardin virá salvar a todos no último instante?

Não percam os próximos episódios!

quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014

MANIFESTAÇÃO POPULAR OU GUERRA CIVIL?



Antes de tudo quero esclarecer que não apoio a velha tradição do "olho por olho, dente por dente". 

A morte do cinegrafista da Rede Bandeirantes, Santiago Andrade, foi um acontecimento lamentável que poderia ter sido evitado.



A "autoridade" pública provocou, em certa medida, novas manifestações de protesto ao aumentar o preço das passagens de ônibus municipais para R$ 3,00, mesmo sabendo que existem estudos que comprovam que o valor de R$ 2,50 já seria suficiente para cobrir as despesas das empresas. Ou seja, deveria, isto sim, BAIXAR o preço anterior de R$ 2,75 para R$2,50 e não AUMENTAR para R$ 3,00!!!

Quer dizer que foi uma provocação? Claro! E não esperava-se consequências? É óbvio que sim, até mesmo contava-se com elas.


 


O que os governos municipal e estadual do Rio de Janeiro queriam era só uma desculpa para endurecer contra os manifestantes, "descer o cacete", lançar bombas de gás e dar tiros com balas de borracha (que podem aleijar e até mesmo matar, sabiam?).

Só que eles não sonhavam que seus desejos seriam atendidos com tanta precisão. Os dois idiotas que participaram do atentado com o tal "rojão" que matou o jornalista "entregaram de bandeja" tudo que as "autoridades" queriam e muito mais.



O resultado é um inocente morto, os dois patetas na cadeia por uma boa temporada e o governo tirando uma de "bom moço", levando sua pseudojustiça "até as últimas consequências".

E A PASSAGEM CONTINUA A TRÊS REAIS!!! Maravilha, né? Fala sério...

 

Quando de minha postagem sobre o livro "Groucho-Marxismo", de Bob Black, ao conclamar os anarquistas a se unirem, estava naturalmente sendo irônico (pra quem não entendeu), até mesmo porque o anarquismo não possui uma única vertente, uma "doutrina codificada" (axé, Bakunin!) que una todos os que pensam diferente da mesmice entranhada nos corações e mentes das massas.

É, na verdade, um paradoxo, conclamar os anarquistas a se unirem, a não ser por breves momentos e por causas específicas. E é claro que eu sei disso.



  


Que ninguém se iluda: o sistema não vai cair se você jogar uma bomba nele. Ele simplesmente te joga 10, 100, 1.000 bombas e ainda conta com o apoio natural da mídia e da população, chocadas com a morte de alguém cujo único interesse era registrar fatos, informar no interesse até mesmo e principalmente dos manifestantes nos casos de violência policial.

Estes rapazes que agora serão tratados como criminosos comuns não passam de "bucha de canhão" numa estratégia imbecil e equivocada, incentivada sabe-se lá por quais interesses escusos.




Quanto pior, melhor? É, o PT já pensou assim também e olha aonde ele chegou. Bem alto, né? Só que, quanto maior a altura, maior a queda...

Resumindo, tudo tem sua hora e seu lugar. O movimento de rebelião tem sangue nas mãos e deu vários passos atrás com todo esse quadro lamentável.

O sistema ainda vai cair. Mas será de podre, sob seu próprio peso, e não sob pauladas e pedradas ou mesmo em consequência de "coquetéis moltov" ou fogos de artifício.

Li, não me lembro onde, que dar a outra face não é sinal de fraqueza, mas de protesto; pode bater o quanto quiser: daqui não saio, daqui ninguém me tira!

Que o exemplo de Gandhi e de Nelson Mandela nos inspirem no futuro e não o de uma dupla de garotos irresponsáveis e mal orientados.


POST-SCRIPTUM:

A luta continua. Mas é uma luta de consciências e não uma guerra civil. Infelizmente, parece que tem gente interessada na segunda opção...

E, com certeza, não é com isso que o povo brasileiro sonha.  



segunda-feira, 29 de julho de 2013

AMARILDO ESTÁ MORTO?






Amarildo Dias da Silva, pedreiro por profissão, apelidado  de 'o Boi', 47 anos e morador na Favela da Rocinha, em São Conrado, bairro da Zona Sul do Rio de Janeiro, foi visto pela última vez num domingo, dia 14 de julho de 2013, quando foi preso pelos policiais da UPP daquela comunidade, supostamente para prestar 'esclarecimentos', não sendo mais visto desde então.





Elisabete Gomes de Souza, mulher de Amarildo, não tem mais esperanças de que ele esteja vivo, o que realmente é bem pouco provável devido ao tempo já decorrido desde seu desaparecimento. Segundo a Polícia Militar, Amarildo teria sido liberado horas depois, só que não existem testemunhas da saída do mesmo das dependências da UPP.





"Já procuramos e não há resposta para o desaparecimento dele. Mataram meu primo. Podem devolver o corpo?" - desabafou Luiz Antônio Mota, primo de Amarildo, durante manifestação no último dia 19 por pelo menos 50 moradores da Rocinha na Autoestrada Lagoa-Barra. O delegado da décima-quinta delegacia de Polícia Civil (Gávea) é o responsável pelo caso.



POST-SCRIPTUM:



MAIS UMA VÍTIMA DA PM ASSASSINA! DEVOLVAM PELO MENOS O CORPO À FAMÍLIA, SEUS COVARDES!

  


FORA!

quinta-feira, 27 de junho de 2013

A BATALHA DO RIO DE JANEIRO

Um pequeno exemplo da 'guerra urbana' que eclodiu no Rio de Janeiro, mais especificamente na Avenida Presidente Vargas, no dia 20 de junho de 2013:


A



POST-SCRIPTUM:

Assista e desafie-se a não ficar indignado com a atuação covarde da PM carioca!

quarta-feira, 10 de agosto de 2011

INCOMPETÊNCIA DA POLÍCIA MILITAR (DE NOVO)



Na noite de ontem, terça-feira, dia 09 de agosto, ocorreu um sequestro de ônibus em plena Av. Presidente Vargas, uma das mais movimentadas do Rio de Janeiro, e a Polícia Militar mais uma vez mostrou sua incompetência ao abrir fogo contra os bandidos, colocando em perigo a vida dos reféns. 


Não vou discutir aqui o motivo do aumento da criminalidade urbana no Rio, mas parece óbvio para qualquer um que a política de segurança pública da cidade (e do estado) é completamente equivocada. 



No presente caso, o comando da PM disse estar aliviado em virtude das consequências poderem ter sido piores. Ora, faça-me o favor! É claro que elas poderiam ter sido muito, mas muito piores ("179" lembra alguma coisa?), mas, evidentemente, também poderiam ter sido muito melhores. Vamos ter que contar com a sorte sempre que uma situação semelhante acontecer?


Assistam o vídeo até o fim e constatem os depoimentos de testemunhas confirmando que os disparos que feriram vários reféns partiram DE FORA DO ÔNIBUS, portanto de fuzis e pistolas da Polícia Militar.





Infelizmente, com toda a certeza por ordem direta do prefeito Eduardo Paes ou mesmo do governador Sérgio Cabral, dois reconhecidos 'picaretas' pela população do Rio de Janeiro, este vídeo com a reportagem da TV Bandeirantes foi inexplicavelmente 'caçado' dos arquivos do YouTube e não pode mais ser acessado; fica aqui registrada, entretanto, sua existência e meu veemente protesto contra tal arbitrariedade! Filhos da puta fascistas!    




POST-SCRIPTUM:



Semana passada, dia 02 de agosto, a PM confirmou a exoneração de 30 (trinta) agentes da corporação por desvio de conduta.


Entre os expulsos estão um sargento, soldados e cabos. As acusações vão de crimes como formação de quadrilha até tortura e tentativa de homicídio. 



Os casos de atuações equivocadas ou criminosas por parte de policiais militares nos últimos anos tem aumentado de forma alarmante, com diversas acusações de extorsão, assassinato, ocultação de cadáveres e desrespeito puro e simples à direitos básicos dos cidadãos, além da ostentação absurda e desnecessária de armamentos pesados nas vias públicas, de dentro dos carros de patrulha (numa atitude fascista que só pode ser compreendida como partindo de homens despreparados em uma acintosa tentativa de intimidação à população em geral, que só pode assistir impotente a tais 'desfiles de carros alegóricos'). 



Se a cortina de fumaça das UPPs resolve o problema da criminalidade de forma pontual e provisória, não pode ser encarada como uma solução definitiva para uma questão muito mais complexa e que extrapola os limites de uma supostamente meritória e inevitável "guerra às drogas". 


Quem assistiu ao filme "Tropa de Elite 2" sabe do que eu estou falando. Apesar de ser uma obra de 'ficção', o discurso do 'coronel Nascimento', no 'Congresso Nacional', no final da fita, resume de forma bem contundente e satisfatória minha opinião a respeito do assunto: 

"CHEGA DE POLÍCIA MILITAR!"




O próprio termo é um oximoro: a instituição militar é, por definição, destinada a combater inimigos externos, enquanto que à polícia, necessariamente civil, cabe proteger a população de ameaças à vida e ao patrimônio, no âmbito interno, sem apelar para atitudes truculentas e desrespeitosas ao cidadão ou à parafernálias descabidas e exageradas como, por exemplo, uniformes camuflados, símbolos funestos (caveiras e afins) e armamento pesado de combate, usados geralmente por comandos especiais de forças armadas para atuação em contextos específicos, ou seja, GUERRA declarada entre exércitos (querem nos convencer de que vivemos num estado de guerra civil e não numa situação obviamente decorrente, em grande parte, das desigualdades sociais e do descaso do poder público para com a população mais carente). 



Uma polícia exclusivamente civil que, isto sim, atue dentro dos limites da Constituição, com um trabalho competente de inteligência e investigação, em estreita colaboração com o ministério público, bem como com um preparo psicológico e técnico da melhor qualidade aliado à uma formação acadêmica do mais alto nível para seus quadros, além da garantia mínima de comprometimento da instituição como um paradigma ético do tipo "proteger e servir", levado muito à sério e não apenas como letra morta. 


A preocupação com bons salários não deve ser subestimada, mas deve vir como corolário a toda uma política de segurança pública comprometida acima de tudo com o bem-estar de TODA a população e não como consequência do mais abjeto corporativismo. 


Quanto a questão dos desvios de conduta, o exemplo tem de vir de cima: punição rápida e pesada no âmbito da justiça civil (chega dos privilégios da justiça militar para bandidos fardados) como consequência da comprovação de quaisquer excessos cometidos por policiais (ou, à propósito, por qualquer funcionário público, inclusive e principalmente, aqueles que se arvoram possuidores de mandatos eletivos).


Que fique bem claro que o que estou defendendo é o mesmo tipo de rigor, sempre dentro da lei, para com ladrões e corruptos de todos os matizes e classes sociais - ricos, pobres ou remediados, pessoas físicas ou jurídicas - que ameacem a segurança da população trabalhadora ou que se locupletem indevidamente com o dinheiro público. 



O que defendo acima de tudo é o estado de direito e os princípios éticos que deveriam ser a base de sustentação de todo regime democrático e republicano, nada mais, nada menos, e isso, gostem ou não alguns, inclui as garantias constitucionais ao cidadão. 



Isso não impede - pelo contrário -, que eu defenda também uma política carcerária mais eficiente e que trate o preso como ser humano, com vistas a sua efetiva reintegração na sociedade, assim como uma política de combate às drogas mais coerente, e eu me refiro a drogas realmente perigosas como o CRACK e não à quase inocente cannabis sativa, por exemplo, que não pode ser comparada ao álcool ou ao tabaco (ambos legais e socialmente tolerados) em termos de prejuízos em todos os sentidos, além de penas BEM mais duras e longas - trabalhos forçados em regiões inóspitas seriam uma opção interessante -, sem recursos ou reduções, aplicadas evidentemente em casos excepcionais bem definidos pela legislação (crimes realmente hediondos, cometidos com requintes de crueldade e por motivo torpe). 


Tudo isso sem falar na ampliação do direito legítimo à autodefesa pela população civil contra ameaças específicas à vida e ao patrimônio, por quaisquer meios que se mostrem convenientes, letais (armas de fogo) ou não-letais (bastões de combate usados por praticantes de artes marciais, 'spray' de pimenta, 'tasers', etc.); apesar de apoiar o desarmamento de uma forma geral, não posso compactuar com uma situação em que o cidadão torne-se refém indefeso de criminosos armados "até os dentes": há que observar-se critérios mais realistas para uma situação extremamente complexa. 

Situação esta para a qual não defendo a aplicação legal da pena de morte nos casos em que a mesma poderia ser aplicada sem constrangimentos - e, admitamos ou não, todos sabemos muito bem quais seriam estes casos (com pequenas variações, é claro) - pelo simples e sempre lembrado motivo de que, neste país, apenas os pobres e negros seriam condenados à tal penalidade em última e definitiva instância.

Voltando à questão dos maus policiais, não pode haver lenitivo no que se refere ao combate e ao extermínio das assim-chamadas 'milícias', esta praga que infesta a sociedade brasileira e que se arvora do poder de vida e morte sobre vastas camadas da população, tão seguras de sua impunidade que são capazes de assassinar juízes, testemunhas ou mesmo colegas de farda com a mais desprezível e indigna desfaçatez. 

Já dizia o ditado: "quem cala consente". Não acredito que muita coisa vá mudar no curto prazo, mas ninguém vai me impedir de expressar minha opinião. CHEGA DE IMPUNIDADE!