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terça-feira, 22 de abril de 2014

ZÉ DO CAIXÃO




[Editado a partir de uma reportagem de Karla Monteiro publicada no Segundo Caderno do jornal O GLOBO em 12.02.2011]


Cultuado mais fora do Brasil, onde é conhecido como 'Coffin Joe', do que aqui, Mojica rende histórias sem fim. Barcinski e Finotti, autores da biografia publicada pela Editora 34, receberam menção especial do júri no festival de Sundance de 2001, com o documentário "Maldito - O estranho mundo de José Mojica Marins".

O personagem Zé do Caixão nasceu "no dia 11 de outubro de 1963, praticamente". Mojica adora duas palavras, que repete em quase todas as frases: praticamente e realmente. Zé do Caixão baixou num sonho. Ou num pesadelo. Na época, Mojica já era um cineasta com vários filmes no currículo, do faroeste à pornochanchada. O primeiro curta metragem é de 1945: "A mágica do mágico". E o primeiro longa, de 1958: "Sina de aventureiro".

Zé do Caixão estreou no hoje clássico "À meia-noite levarei sua alma". Por falta de atores, Mojica foi obrigado a incorporar o personagem, que, aliás, nunca desencorporou. Segundo ele, o Zé do Caixão tem até um nome de batismo: Josefel Zanatas. Nos sonhos do diretor, ele era um vulto que o arrastava até o próprio túmulo.

Mojica tornou-se famoso pelo estilo rude de filmar, baseado na improvisação, na falta de recursos técnicos e em histórias objetivas. Antes de iniciar a saga do Zé do Caixão, já flertava com o suspense. Havia fundado o estúdio Companhia Cinematográfica, depois Companhia Cinematográfica Apolo, no bairro do Brás, onde dava aulas de cinema e fazia testes, utilizando bichos como ratazanas e baratas, para "tirar a emoção, o horror dos atores". "À meia-noite levarei sua alma" marca o nascimento do gênero terror no Brasil.

De 1963 até meados dos anos 70, Mojica viveu o auge. Ganhou um programa na TV Tupi, era personagem de quadrinhos e possuía vários produtos licenciados com a marca Zé do Caixão. Em 1969, porém, começou a descer a ladeira. O marco foi a proibição pela censura do filme "O despertar da besta", considerado por muitos sua grande obra. Produtores e investidores desapareceram. Mojica não conseguia mais trabalhar. Entrou em depressão, passou a beber muito, em 1977 teve um enfarto que o deixou em coma por cinco dias e, nos anos 80, sumiu.


POST-SCRIPTUM:



   




terça-feira, 15 de abril de 2014

STAN LEE



Este ano a MARVEL COMICS completa 53 anos. Na verdade ela é bem mais antiga, pois é a continuação natural de uma editora chamada "Timely" que começou suas atividades no final dos anos 1930, depois mudou o nome para "Atlas" nos anos 1950 e, só então, à partir dos anos 1960, passou a se chamar "Marvel", quando Stan Lee e Jack Kirby começaram a lançar novos personagens, super-heróis com personalidade e que viviam problemas cotidianos como a maioria de nós, pobres mortais.

Com exceção do Capitão América (criado em 1941 por Joe Simon e Jack Kirby), a MARVEL COMICS passou a ser conhecida como tal em virtude das criações (Quarteto Fantástico, Homem-Aranha, Thor, Hulk, X-Men, Homem de Ferro, etc.) daquela dupla genial (Lee & Kirby).


Por incrível que pareça, aquele que pode ser considerado um dos grupos de heróis mais populares da editora (ao lado dos Vingadores) não teve inicialmente a mesma sorte que as outras criações da mesma; a revista dos X-Men chegou a ser cancelada no fim dos anos 1960, até retornar triunfante no início dos anos 1970 com uma nova formação e novos autores, a ponto de hoje deter o recorde de vendas de um único gibi: sete milhões de exemplares.



Apresentamos agora um trecho de uma entrevista com Stan Lee, concedida por telefone ao repórter Eduardo Souza Lima do jornal O GLOBO, em 1993:

P: Como surgiu a idéia de criar Os Vingadores e os X-Men?

R: Em relação aos Vingadores, eu tinha uma série de heróis, todos com características distintas, mas achava que poderiam funcionar bem juntos. Algo como eles se encontrassem e dissessem: "vamos trabalhar juntos?". Felizmente a ideia funcionou. Já com os X-Men, o que eu queria era criar um time de heróis, mas que tivesse características diferentes. Por isso eles teriam que ter adquirido seus poderes de forma diferente do, digamos, usual. Pensei então em heróis mutantes e quis chamar a história de "Os Mutantes". Mas meu editor não gostou do nome, ele achou que ninguém saberia o significado do nome. Como eram homens com extra-power (poder extra), resolvi chamá-los X-Men. Foi o que ficou.



P: Por que acha que os X-Men originais não deram certo?

R: É uma história estranha. Eles eram populares na época em que foram criados, mas eu tinha outras revistas para fazer, outras ocupações. Assim sendo, acabei tendo que parar de escrever os X-Men e delegando essa função para outras pessoas. Foi quando houve a queda. É como um filme. Não adianta ter uma boa história se você não tem um bom diretor.

P: Você acha que existe algum artista hoje em dia que seja capaz de criar um novo universo como o da Marvel?

R: Não sei, não quero parecer pretensioso, mas acho que seria uma tarefa difícil. Tivemos sorte, eu, Steve Ditko, Jack Kirby...

 

P: Já que o cinema o atrai, já pensou em dirigir um filme basado num personagem seu?

R: Eu adoraria, sabia? Mas pensando bem, não tenho mais idade para aprender as técnicas da direção. Seria muita pretensão minha, com tantos bons diretores em atividade, querer fazer o trabalho deles... Mas talvez eu pudesse dar um bom diretor assistente (risos).  



POST-SCRIPTUM:


Como diria Stan the Man: EXCELSIOR!



sábado, 15 de março de 2014

A CONTRACULTURA E O CINEMA AMERICANO



[Texto de autoria de PETER BISKIND, autor do livro 'COMO A GERAÇÃO SEXO-DROGAS-E-ROCK'N'ROLL SALVOU HOLLYWOOD']

Em meados dos anos 1960, os estúdios americanos não estavam indo bem. Os filmes tinham um público cada vez menor. Simplesmente não conseguiam se comunicar com a juventude daquela época. Afinal de contas, eles eram produzidos por pessoas de 60 anos ou mais que não compreendiam o comportamento da rapaziada. A contracultura era algo que os horrorizava.




Pessoas bêbadas, drogadas e violentas como Dennis Hopper, na época com 20 e poucos anos, os assustavam. E foi justamente um filme dirigido por Hopper, 'Sem Destino' (Easy Rider), que deu novo fôlego ao cinema ianque. De repente, essa geração de rebeldes começou a ingressar nas escolas de cinema e a fazer filmes. O público adorava. Os estúdios não tiveram outra opção a não ser abraça-los.


Gente como Martin Scorsese, Francis Ford Coppola, Warren Beatty, Peter Bogdanovich e Robert Altman tinha uma atitude diferente da dos velhos produtores. Não queriam fazer filmes óbvios, se recusavam a filmar em estúdios, estavam cansados das composições perfeitas, iluminação e artificialidade. Mesmo os atores dessa época eram diferentes. Saíam de cena os anglo-saxões perfeitos, entravam os atores étnicos como Robert De Niro, Al Pacino e Dustin Hoffman.


As drogas foram uma parte importante dessa cultura. Enquanto todos os pais tomavam álcool, a juventude fumava maconha. Os cineastas diziam que a erva aumentava sua criatividade e sensibilidade artística. Depois de um tempo, a cocaína virou a droga principal em Hollywood. Ela dava energia, podiam filmar a noite toda. Foi o começo do declínio dessa geração. Na década de 80, quando finalmente perceberam o quanto a droga era perigosa, todo mundo já estava usando. Teve um efeito terrível entre os cineastas. 




Quanto mais essa geração dava certo mais Hollywood lucrava. Os lançamentos eram cada vez maiores. Foi aí que outros dois expoentes dessa geração, George Lucas e Steven Spielberg, começaram a liderar uma contra-revolução. 'Tubarão' e 'Star Wars' fizeram tanto dinheiro, tiveram tanto público, licenciaram tantos produtos, que os estúdios não quiseram mais fazer filmes contraculturais. Tinha início a era dos blockbusters, com investimentos astronômicos, muita propaganda e efeitos especiais.

 

O tipo de filme que está hoje nos cinemas é resultado das portas que a contracultura abriu em Hollywood. Os grandes diretores do cinema mataram os filmes autorais. Se hoje você vai a um multiplex, põe o óculos 3-D e assiste a duas horas e quarenta e cinco minutos de efeitos especiais estonteantes, é porque lá, nos anos 60, uns hippies tiveram a coragem de tirar os filmes das mãos dos produtores e bater de frente com os estúdios.

Só que Hollywood ganhou a guerra.  




POST-SCRIPTUM:

É isso aí, bicho!


segunda-feira, 26 de agosto de 2013

EU NÃO SOU KAL PENN!



Não tenho certeza, mas acredito que algumas pessoas possam estar me confundindo com esse tal de KAL PENN, ator americano de origem indiana e ex-relações públicas do governo Barack Obama, devido a um equívoco que ocorre quando se buscam imagens no 'GOOGLE' referentes a mim, THEORYKAL: de repente, misturada à minha preciosa iconografia, lá está a cara dele com a bandeira norte-americana ao fundo junto com algumas outras imagens que eu não faço idéia de onde vieram ('a very Harold & Kumar Christmas'?? Que diabo é isso??)...

Porra, que fique bem claro: EU NÃO SOU KAL PENN, nem tenho nada a ver com sua "Big Brain Theory"!!!


POST-SCRIPTUM:

Se o equívoco ainda fosse com o SEAN PENN eu nem ligava...                                                                                             
                                     

domingo, 4 de agosto de 2013

STAR WARS: UMA HISTÓRIA SEM FIM


[PUBLICADO ORIGINALMENTE EM ROLLING STONE (BRASIL)#75; DEZEMBRO DE 2012]



George Lucas anunciou no dia 30 de outubro (2012) a venda de seu império para a Disney, que produzirá uma aparentemente infinita série de novos filmes de STAR WARS, começando com Episódio VII, previsto para 2015. Lucas não vai escrever ou dirigir os filmes, o que liberará a franquia para novos criadores. Mas como criar uma nova trilogia à altura da sequencia encerrada em O Retorno do Jedi? Fizemos essa pergunta a alguns de nossos roteiristas e diretores favoritos.







DAMON LINDELOF (criador de LOST)

"Gosto da idéia de que algo aconteceu entre O Retorno do Jedi e estes novos filmes, algo que separou todo mundo e causou algum grande problema. O filme seria sobre reunir o elenco original para um encontro final, em parceria com quem quer que vá carregar a tocha de lá para a frente. Sei que Harrison Ford fez um lobby para que Hans Solo fosse morto, por isso ele seria o primeiro a quem eu ligaria, caso estivesse produzindo: 'Finalmente podemos tornar o seu sonho realidade, mas não podemos matá-lo sem você'."






VINCE GILLIGAN (criador de BREAKING BAD)

"Acho que você teria que criar um novo vilão e um novo herói, e deixar que isso se desenrolasse de um jeito novo. Sou da velha guarda - adoraria ver o roteirista Lawrence Kasdan na franquia novamente, porque ele escreveu o melhor dos três episódios, O Império Contra-Ataca."







JON FAVREAU (diretor de IRON MAN)

"Na trilogia original havia essa sensação da Força como um segredo mágico. Gosto da idéia de que, mais à frente no futuro, ela se torna ainda mais bem guardada. Assim, você tem a situação após a destruição da segunda Estrela da Morte, o que está acontecendo com a Rebelião e com o Império, e a questão de como a ordem dos Jedis renascerá. Tudo se reduz a histórias muito pessoais e emocionais, dentro do que com certeza será épico."







KEVIN SMITH (diretor de CLERKS)

"Minha idéia é 'Star Wars: Exército de Fett' - um filme inteiro com Bobba Fett. Eu tinha 9 anos quando inventei isso. Bobba Fett arruma uma tecnologia de viagem no tempo e passa por toda a história da série. Ele poderia matar Jar Jar antes que encontrasse Anakin. E no fim ele luta contra Darth Vader. Viu? É por isso que eles não me chamam. Eles deveriam contratar o Jon Favreau."







POST-SCRIPTUM:

Só espero que não façam nenhuma cagada com os honoráveis Cavaleiros Jedi...




quarta-feira, 20 de março de 2013

VIDA FORA DA TERRA




A análise de uma amostra de rocha pelo robô Curiosity encontrou evidências de que Marte pode ter sido ambiente propício para a vida microbiana em eras passadas, afirmou a agência espacial americana (Nasa). Cientistas descobriram nitrogênio, hidrogênio, oxigênio, fósforo, carbono e enxofre, alguns dos elementos essenciais para a presença da vida, em uma amostra de rocha sedimentar coletada e triturada.
Segundo a equação de Drake, as chances de existir vida fora da Terra são de 50%. Muitos ficam com a metade que não autoriza esta possibilidade e consideram perda de tempo e recursos as pesquisas nesse campo.
Entretanto, determinar percentuais nessa área é algo bem arriscado. Por exemplo, se você considerar as variações daquela mesma equação os resultados podem ser tanto entusiásticos quanto decepcionantes.
De qualquer forma, uma experiência de "contato imediato" com vida inteligente fora da Terra ou mesmo a descoberta de vida primitiva (bactérias, por exemplo) transformaria profundamente nosso modo de ver o mundo, talvez alterando imprevisivelmente nossa civilização ou, pelo menos, nos dando uma nova perspectiva com relação às pesquisas biológicas, entre outras consequências (filosóficas, científicas ou religiosas) que tal acontecimento porventura poderia desencadear.

E só isso (é pouco?) já é o bastante para se considerar o assunto importante e digno de pesquisas.




POST-SCRIPTUM:




Sou dos que torcem pelos 50% a favor da existência de vida extraterrestre (seja de que tipo for) e que apoiam tanto a discussão quanto a pesquisa científica sobre o tema, desde que com a devida seriedade e, por favor, sem superficialidades ou proposições absurdas (exceção feita ao cinema, à literatura e aos 'comics').

Opa, acho que me expressei mal: nem sempre os filmes e livros de ficção científica (ou mesmo alguns gibis) são superficiais ou absurdos. Já houve diversos casos em que o assunto foi tratado com seriedade nestas mídias. O que eu quis dizer é que o artista pode 'viajar na maionese' sem se preocupar tanto com detalhes de ordem técnica ou científica. 

"Nictu Klaatu Barada!", como diria o alienígena do filme 'O Dia Em Que A Terra Parou' (o original, bem entendido, de 1951), dirigido por Robert Wise.








sexta-feira, 8 de março de 2013

FRIDA KHALO



Como hoje é o Dia Internacional da Mulher aqui vai minha homenagem através da lembrança desta que foi uma das maiores mulheres do século XX.


Para quem quiser saber mais sobre ela indico o filme "FRIDA", que conta a história de superação e talento desta magnífica artista.



POST-SCRIPTUM:
[CHUPADO DESCARADAMENTE DA WIKIPÉDIA]



SINOPSE:
O filme mostra a vida de Kahlo desde a sua adolescência até a morte. Frida Kahlo foi um dos principais nomes da história artística do México. Conceituada e aclamada como pintora, ela teve também um casamento aberto com Diego Rivera, seu companheiro também nas artes, e ainda um controverso caso com o político Leon Trostky e com várias outras mulheres.

ELENCO:
  • Salma Hayek .... Frida Kahlo
  • Alfred Molina .... Diego Rivera
  • Geoffrey Rush .... Leon Trotsky
  • Ashley Judd .... Tina Modotti
  • Antonio Banderas .... David Alfaro Siqueiros
  • Edward Norton .... Nelson Rockfeller
  • Valeria Golino .... Lupe Marín
  • Mía Maestro .... Cristina Kahlo
  • Roger Rees .... Guillermo Kahlo
  • Patricia Reyes Spíndola .... Matilde Kahlo
  • Saffron Burrows .... Gracie
  • Margarita Sanz .... Natalia Trotsky
  • Diego Luna .... Alejandro Gonzalez Arias
  • Jorge Valdés Garcia .... Médico

PRINCIPAIS PRÊMIOS E INDICAÇÕES:

OSCAR 2003 (EUA)

  • Venceu nas categorias de melhor maquiagem e melhor trilha sonora
  • Indicado nas categorias de melhor atriz (Salma Hayek), melhor direção de arte, melhor figurino e melhor canção original ('Burn It Blue')
GLOBO DE OURO 2003 (EUA)
  • Venceu na categoria de melhor trilha sonora - cinema
  • Indicado na categoria de melhor atriz de cinema - drama (Salma Hayek)
BAFTA 2003 (Reino Unido)
  • Venceu na categoria de melhor maquiagem
  • Indicado nas categorias de melhor atriz (Salma Hayek), melhor figurino e melhor ator coadjuvante (Alfred Molina)


sábado, 9 de fevereiro de 2013

INDIGNAÇÃO



Quando comentei a tragédia do incêndio na boate "Kiss" em Sta. Maria, no RGS, já não aguentava mais ver/ouvir a 'mídia' falar no assunto numa busca acintosa de audiência ou de aumento de vendas como se a coisa toda fosse mais um "Big Brother" da vida!

Naquela ocasião citei sentimentos de ódio e vingança para caracterizar um estado de espírito que se resumia em indignação profunda, indignação esta que me recusei a comentar por vergonha, não por mim, mas em decorrência de uma espécie de culpa coletiva que se proliferasse por ressonância num país onde o cinismo é praticado como arte.





No filme "Vanilla Sky" o psiquiatra interpretado por Kurt Russell se dirige ao protagonista, Tom Cruise (numa atuação surpreendente; e não vou contar a trama, quem quiser que veja: só digo que vale à pena) e, numa conversa quase informal, diz-lhe que só existem cinco emoções básicas - e não vem ao caso se tal declaração se baseia em alguma pesquisa científico-acadêmica ou se é mera invenção do roteirista, para o objetivo desta argumentação - , as quais seriam: culpa, ódio, vingança, vergonha e  amor.

Talvez pelo filme ter me causado, à época de sua exibição (2001), um impacto considerável (isso eu não posso negar) - além de tê-lo revisto há relativamente pouco tempo - , reconheço o 'ato falho' na menção inconsciente aos tais estados emocionais, do que só tomei consciência por estes dias ao reler meu próprio artigo.

O interessante é que dos cinco, o único não mencionado por mim foi o amor. Não me parece difícil compreender sua ausência, seja no contexto particular daquela tragédia, seja ao reportarmo-nos à triste situação política do Brasil.

Refiro-me, no caso, especificamente a dois fatos do cenário político que por si só justificam, explicam e amplificam o sentimento de indignação que inevitavelmente teima em instaurar-se com insistência inescapável.

Um deles é a eleição por seus pares do senhor RENAN CALHEIROS como presidente do Senado Federal. 'Ficha Limpa' pra que?





O outro é o descaso com que estes mesmos cavalheiros premiam-se com nove dias de "férias carnavalescas", logo após retornarem do recesso parlamentar. Afinal é Carnaval, né?       

Não deixa de ser significativo o comentário do apresentador de um telejornal, ao divulgar a notícia, de que talvez seja até melhor e mais barato para o contribuinte que os parlamentares não trabalhem mesmo, pois assim corre-se menos riscos deles fazerem MERDA! 

(Esta é uma interpretação livre e pessoal do que foi dito pelo jornalista; a palavra "merda" é por minha conta e eu assumo...).

Voltando aos cinco "sentimentos básicos": culpa, ódio, vingança, vergonha e amor.

Amor? É ruim, hein!

Onde encaixá-lo nesse contexto esdrúxulo? Só sendo patologicamente ingênuo e otimista...





POST-SCRIPTUM:


No âmbito pessoal ainda vá lá, não discuto que o amor é a força que nos mantém de pé, mas como falar de amor onde impera o mais deslavado descaramento e um egoísmo abjeto que faz fronteira com o desprezo e a indiferença pela coisa pública?

Dá licença que eu também vou pular o Carnaval antes que eu fique louco!




quarta-feira, 10 de agosto de 2011

INCOMPETÊNCIA DA POLÍCIA MILITAR (DE NOVO)



Na noite de ontem, terça-feira, dia 09 de agosto, ocorreu um sequestro de ônibus em plena Av. Presidente Vargas, uma das mais movimentadas do Rio de Janeiro, e a Polícia Militar mais uma vez mostrou sua incompetência ao abrir fogo contra os bandidos, colocando em perigo a vida dos reféns. 


Não vou discutir aqui o motivo do aumento da criminalidade urbana no Rio, mas parece óbvio para qualquer um que a política de segurança pública da cidade (e do estado) é completamente equivocada. 



No presente caso, o comando da PM disse estar aliviado em virtude das consequências poderem ter sido piores. Ora, faça-me o favor! É claro que elas poderiam ter sido muito, mas muito piores ("179" lembra alguma coisa?), mas, evidentemente, também poderiam ter sido muito melhores. Vamos ter que contar com a sorte sempre que uma situação semelhante acontecer?


Assistam o vídeo até o fim e constatem os depoimentos de testemunhas confirmando que os disparos que feriram vários reféns partiram DE FORA DO ÔNIBUS, portanto de fuzis e pistolas da Polícia Militar.





Infelizmente, com toda a certeza por ordem direta do prefeito Eduardo Paes ou mesmo do governador Sérgio Cabral, dois reconhecidos 'picaretas' pela população do Rio de Janeiro, este vídeo com a reportagem da TV Bandeirantes foi inexplicavelmente 'caçado' dos arquivos do YouTube e não pode mais ser acessado; fica aqui registrada, entretanto, sua existência e meu veemente protesto contra tal arbitrariedade! Filhos da puta fascistas!    




POST-SCRIPTUM:



Semana passada, dia 02 de agosto, a PM confirmou a exoneração de 30 (trinta) agentes da corporação por desvio de conduta.


Entre os expulsos estão um sargento, soldados e cabos. As acusações vão de crimes como formação de quadrilha até tortura e tentativa de homicídio. 



Os casos de atuações equivocadas ou criminosas por parte de policiais militares nos últimos anos tem aumentado de forma alarmante, com diversas acusações de extorsão, assassinato, ocultação de cadáveres e desrespeito puro e simples à direitos básicos dos cidadãos, além da ostentação absurda e desnecessária de armamentos pesados nas vias públicas, de dentro dos carros de patrulha (numa atitude fascista que só pode ser compreendida como partindo de homens despreparados em uma acintosa tentativa de intimidação à população em geral, que só pode assistir impotente a tais 'desfiles de carros alegóricos'). 



Se a cortina de fumaça das UPPs resolve o problema da criminalidade de forma pontual e provisória, não pode ser encarada como uma solução definitiva para uma questão muito mais complexa e que extrapola os limites de uma supostamente meritória e inevitável "guerra às drogas". 


Quem assistiu ao filme "Tropa de Elite 2" sabe do que eu estou falando. Apesar de ser uma obra de 'ficção', o discurso do 'coronel Nascimento', no 'Congresso Nacional', no final da fita, resume de forma bem contundente e satisfatória minha opinião a respeito do assunto: 

"CHEGA DE POLÍCIA MILITAR!"




O próprio termo é um oximoro: a instituição militar é, por definição, destinada a combater inimigos externos, enquanto que à polícia, necessariamente civil, cabe proteger a população de ameaças à vida e ao patrimônio, no âmbito interno, sem apelar para atitudes truculentas e desrespeitosas ao cidadão ou à parafernálias descabidas e exageradas como, por exemplo, uniformes camuflados, símbolos funestos (caveiras e afins) e armamento pesado de combate, usados geralmente por comandos especiais de forças armadas para atuação em contextos específicos, ou seja, GUERRA declarada entre exércitos (querem nos convencer de que vivemos num estado de guerra civil e não numa situação obviamente decorrente, em grande parte, das desigualdades sociais e do descaso do poder público para com a população mais carente). 



Uma polícia exclusivamente civil que, isto sim, atue dentro dos limites da Constituição, com um trabalho competente de inteligência e investigação, em estreita colaboração com o ministério público, bem como com um preparo psicológico e técnico da melhor qualidade aliado à uma formação acadêmica do mais alto nível para seus quadros, além da garantia mínima de comprometimento da instituição como um paradigma ético do tipo "proteger e servir", levado muito à sério e não apenas como letra morta. 


A preocupação com bons salários não deve ser subestimada, mas deve vir como corolário a toda uma política de segurança pública comprometida acima de tudo com o bem-estar de TODA a população e não como consequência do mais abjeto corporativismo. 


Quanto a questão dos desvios de conduta, o exemplo tem de vir de cima: punição rápida e pesada no âmbito da justiça civil (chega dos privilégios da justiça militar para bandidos fardados) como consequência da comprovação de quaisquer excessos cometidos por policiais (ou, à propósito, por qualquer funcionário público, inclusive e principalmente, aqueles que se arvoram possuidores de mandatos eletivos).


Que fique bem claro que o que estou defendendo é o mesmo tipo de rigor, sempre dentro da lei, para com ladrões e corruptos de todos os matizes e classes sociais - ricos, pobres ou remediados, pessoas físicas ou jurídicas - que ameacem a segurança da população trabalhadora ou que se locupletem indevidamente com o dinheiro público. 



O que defendo acima de tudo é o estado de direito e os princípios éticos que deveriam ser a base de sustentação de todo regime democrático e republicano, nada mais, nada menos, e isso, gostem ou não alguns, inclui as garantias constitucionais ao cidadão. 



Isso não impede - pelo contrário -, que eu defenda também uma política carcerária mais eficiente e que trate o preso como ser humano, com vistas a sua efetiva reintegração na sociedade, assim como uma política de combate às drogas mais coerente, e eu me refiro a drogas realmente perigosas como o CRACK e não à quase inocente cannabis sativa, por exemplo, que não pode ser comparada ao álcool ou ao tabaco (ambos legais e socialmente tolerados) em termos de prejuízos em todos os sentidos, além de penas BEM mais duras e longas - trabalhos forçados em regiões inóspitas seriam uma opção interessante -, sem recursos ou reduções, aplicadas evidentemente em casos excepcionais bem definidos pela legislação (crimes realmente hediondos, cometidos com requintes de crueldade e por motivo torpe). 


Tudo isso sem falar na ampliação do direito legítimo à autodefesa pela população civil contra ameaças específicas à vida e ao patrimônio, por quaisquer meios que se mostrem convenientes, letais (armas de fogo) ou não-letais (bastões de combate usados por praticantes de artes marciais, 'spray' de pimenta, 'tasers', etc.); apesar de apoiar o desarmamento de uma forma geral, não posso compactuar com uma situação em que o cidadão torne-se refém indefeso de criminosos armados "até os dentes": há que observar-se critérios mais realistas para uma situação extremamente complexa. 

Situação esta para a qual não defendo a aplicação legal da pena de morte nos casos em que a mesma poderia ser aplicada sem constrangimentos - e, admitamos ou não, todos sabemos muito bem quais seriam estes casos (com pequenas variações, é claro) - pelo simples e sempre lembrado motivo de que, neste país, apenas os pobres e negros seriam condenados à tal penalidade em última e definitiva instância.

Voltando à questão dos maus policiais, não pode haver lenitivo no que se refere ao combate e ao extermínio das assim-chamadas 'milícias', esta praga que infesta a sociedade brasileira e que se arvora do poder de vida e morte sobre vastas camadas da população, tão seguras de sua impunidade que são capazes de assassinar juízes, testemunhas ou mesmo colegas de farda com a mais desprezível e indigna desfaçatez. 

Já dizia o ditado: "quem cala consente". Não acredito que muita coisa vá mudar no curto prazo, mas ninguém vai me impedir de expressar minha opinião. CHEGA DE IMPUNIDADE!


quinta-feira, 21 de abril de 2011

'RIO' IN RIO



O tapete da pré-estréia de "Rio", animação de Carlos Saldanha, em um cinema da Lagoa (bairro da zona sul do Rio de Janeiro), foi azul em vez do tradicional vermelho, em referência à ararinha Blu, personagem principal do filme, uma declarada homenagem à cidade.




Fui ver a fita e, após a exibição, me pareceu que, no geral, a aprovação por parte de quem assistiu era realmente quase unânime.  Sem dúvida é uma propaganda positiva sem precedentes, mas, sem querer ser chato, há que se fazer algumas ressalvas, em minha opinião.



É tudo muito lindo e maravilhoso, mas não se pode esquecer que é só um desenho animado feito para entreter (não só inclusive, mas especialmente, as crianças) e que a realidade do Rio de Janeiro é, para ser bem gentil, "um pouquinho" mais dura e menos colorida.


E também não há como alguém discordar a respeito do aspecto meio folclórico da coisa toda, além da trilha sonora calcada em “samba de gringo”. Mas talvez esse seja o preço a pagar quando se quer agradar cariocas e americanos ao mesmo tempo.




Meu medo era que a fita fosse um arremedo hollywoodiano da realidade, algo bizarro e excessivamente artificial que causasse vergonha aos moradores do Rio. 




Entretanto, dentro do que se propõe, a trama até que é razoável (ponto para a denúncia ao tráfico de animais silvestres) e bem engraçada, apesar de certa sensação de desconforto que me transmitiu em alguns momentos, talvez pela simplificação e redução da realidade social e psicológica dos cariocas - perfeitamente compreensível, evidentemente, dadas as exigências da mídia, mas, mesmo assim, exagerada, em minha opinião. 




Outro ponto positivo se refere à acuidade geográfica, por exemplo, que é de uma perfeição inatacável. Lá estão, compondo o cenário, os Arcos da Lapa, a Catedral Metropolitana, o prédio da Petrobrás, as ladeiras de Santa Teresa, a Baía de Guanabara, a praia de Copacabana, a Vista Chinesa na Floresta da Tijuca e o Sambódromo na avenida Marquês de Sapucaí, alguns com participação maior outros menor, mas sempre presentes.






Bom, mas aí vem a grande questão: vale mesmo a pena dar-se ao trabalho de ir ao cinema assistir ao filme em tela grande? 






Antes de responder quero abrir um parênteses para declarar algo que nada tem a ver com as qualidades (ou falta das mesmas) da fita: fiquei com uma baita de dor de cabeça ao sair da sessão! Aliás, isso sempre me acontece quando acompanho minhas filhas ao cinema para assistir desenhos-animados em 3-D...  




Admito que prefiro este artifício em filmes live action de ação ou fantasia à la 'Piratas do Caribe' ou 'Alice no País das Maravilhas'; em animações, não sei bem explicar por que, mas me cansa um pouco, principalmente quando muito coloridas e feéricas. 




Voltando ao filme, confesso que eu e as crianças adoramos, mas mesmo assim não deixamos de concordar em que faltou "algo mais". Na verdade, qualquer um dos filmes da trilogia 'Era do Gelo' (Ice Age) é indiscutivelmente superior. 






Pensando bem acho que dava para esperar sair em DVD, principalmente levando-se em conta o preço do ingresso: tá caro pra caramba, parceiro (pelo menos pra nós, meros proletários do pensamento)!



POST-SCRIPTUM:


Será que, eventualmente, veremos um 'RIO 2'? Apesar de tudo, espero sinceramente que sim (e que seja melhor que o primeiro...).