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sábado, 2 de maio de 2015

O SER E O EVENTO (6)



[ALAIN BADIOU; O SER E O EVENTO; INTRODUÇÃO; JZE; EDITORA UFRJ]


Se a realização da tese "as matemáticas são a ontologia" é a base deste livro, não é de modo algum sua finalidade. Por mais radical que seja, essa tese não faz senão delimitar o espaço próprio possível da filosofia. Sem dúvida, ela mesma é uma tese metaontológica, ou filosófica, tornada necessária pela situação atual acumulada das matemáticas (após Cantor, Gödel e Cohen) e da filosofia (após Heidegger). Mas sua função é abrir para os temas específicos da filosofia moderna, e em particular - pois que do ser-enquanto-ser a matemática é guardiã - para o problema d'"o-que-não-é-o-ser-enquanto-ser", a cujo respeito é precipitado, a bem dizer estéril, declarar desde já que se trata do não-ser. O domínio (que não é um domínio, é antes um inciso, ou um suplemento) d'o-que-não-é-o-ser-enquanto-ser se organiza, para mim, em torno de dois conceitos, emparelhados e essencialmente novos, que são os de verdade e de sujeito.

Não há dúvida de que o vínculo entre a verdade e o sujeito pode parecer antigo, ou, em todo caso, selar o destino da primeira modernidade filosófica, cujo nome inaugural é Descartes. Afirmo, no entanto, que é de um ângulo inteiramente diverso que são aqui reativados esses termos, e que este livro funda uma doutrina efetivamente pós-cartesiana, e até pós-lacaniana, daquilo que, para o pensamento, ao mesmo tempo des-liga a conexão heideggeriana do ser e da verdade e institui o sujeito, não como suporte ou origem, mas como fragmento do processo de uma verdade. 

Do mesmo modo, se uma categoria devesse ser designada como emblema de meu empreendimento, não seria nem o múltiplo puro de Cantor, nem o construtível de Gödel, nem o vazio, pelo qual o ser é nomeado, nem mesmo o evento, onde se origina a suplementação pelo o-que-não-é-o-ser-enquanto-ser. Seria o genérico.

Essa própria palavra, "genérico", eu a tomo de um matemático, Paul Cohen. Com as descobertas de Cohen (1963), conclui-se o grande monumento de pensamento começado por Cantor e Frege no final do século XIX. Gostaria de dizer aqui que os conceitos de Cohen (genericidade e forçamento) constituem, a meu ver, um topos intelectual pelo menos tão fundamental quanto o foram, em seu tempo, os famosos teoremas de Gödel. Eles atuam muito além de sua validade técnica, que até o momento os confinou na arena acadêmica dos últimos especialistas da teoria dos conjuntos. De fato, eles regram em sua ordem própria o velho problema dos indiscerníveis, refutam Leibniz e abrem o pensamento para a captura subtrativa da verdade e do sujeito.

É, portanto, ao que chamarei de procedimentos genéricos (há quatro deles: o amor, a arte, a ciência e a política), que se prendem tanto a reunião ideal de uma verdade quanto a instancia finita de tal reunião, que é, a meus olhos, um sujeito. O pensamento do genérico supõe a completa travessia das categorias do ser (múltiplo, vazio, natural, infinito...) e do evento (ultra-um, indecidível, intervenção, fidelidade...). São tantos os conceitos que ele cristaliza que é difícil dar-lhe uma imagem. Direi, contudo, que ele se prende ao problema profundo do indiscernível, do inominável, do absolutamente qualquer. Um múltiplo genérico (e tal é sempre o ser de uma verdade) é subtraído ao saber, desqualificado, inapresentável. No entanto, ele se deixa pensar.

O que se passa na arte, na ciência, na verdeira e rara política, no amor (se é que ele existe), é a vinda à luz de um indiscernível do tempo, que não é, por isso, nem um múltiplo conhecido ou reconhecido, nem uma singularidade inefável, mas que detém em seu ser-múltiplo todos os traços comuns do coletivo considerado, e, nesse sentido, é verdade de seu ser. O mistério desses procedimentos foi, em geral, remetido seja às suas condições representáveis (o saber do social, do sexual, do técnico...), seja ao além transcendente de seu Um (a esperança revolucionária, a fusão amorosa, o ek-stase poético...). Na categoria do genérico, proponho um pensamento contemporâneo desses procedimentos, que mostra que eles são simultaneamente indeterminados e completos, porque, no furo de todas as enciclopédias disponíveis, eles certificam o ser-comum, o fundo múltiplo, do lugar de onde procedem.

Um sujeito é então um momento finito desse certificado. Um sujeito certifica localmente. Ele só se sustenta por um procedimento genérico, e não há, portanto, stricto sensu, senão sujeito artístico, amoroso, científico ou político.

A matemática é citada aqui para que se torne manifesta sua essência ontológica. Assim como as ontologias da Presença citam e comentam os grandes poemas de Hölderlin, de Trakl ou de Celan, e ninguém condena que o texto poético seja ao mesmo tempo exposto e incisado, também é preciso conceder-me, sem fazer a empresa pender para o lado da epistemologia (não mais que a de Heidegger para o lado da simples estética), o direito de citar e incisar o texto matemático. Pois o que é esperado dessa operação é menos um saber das matemáticas do que a determinação do ponto em que o dizer do ser advém, em excesso temporal sobre si mesmo, como uma verdade, sempre artística, científica, política ou amorosa. 

É uma imposição da época que a possibilidade de citar as matemáticas seja exigível para que verdade e sujeito sejam pensáveis no seu ser. Que me seja permitido dizer que essas citações são, no fim das contas, mais universalmente acessíveis, e unívocas, do que as dos poetas.

As matemáticas têm um poder próprio de fascinar e de apavorar que a meu ver é socialmente agenciado e não tem nenhuma razão intrínseca. Nada é pressuposto aqui, salvo uma atenção livre e isenta desse pavor a priori.



domingo, 25 de maio de 2014

FARIAS BRITO E O RISCO DO PENSAMENTO


[Texto editado de autoria de Sérgio de Oliveira Souza publicado em TRAMA - Revista dos pós-graduandos em Filosofia pela UERJ]


A história do pensamento no Brasil é enriquecida pelas inegáveis contribuições de um cearense obstinado, Raimundo de Farias Brito (1862-1917), que assume seu amor pelo saber, elevando-o à paixão. 

É de fato apaixonadamente que ele se dedica à filosofia, por mais que tentem desestimulá-lo ou até impedi-lo. Queixa-se da influência positivista que passa a dominar com Benjamin Constant e que retira a filosofia dos currículos oficiais do ensino brasileiro.

Mas a sua paixão é mais forte e ele resolve que tem o direito de dedicar-se a esta "inutilidade", assim como os outros se dedicam às suas preferências.

Através dele, enquanto procura da "finalidade do mundo", pensadores como Voltaire, Schopenhauer, Kant, Hegel, Feuerbach, Renan, Hamilton, Stuart Mill, Bergson e outros vão sendo apresentados aos leitores (talvez poucos) da época.

Farias Brito trabalha com dois pontos principais: natureza e consciência. Seleciona três pares de diferenças para os quais entende que se deve buscar, pela filosofia, explicação nos universais: vida e morte, prazer e dor, direito e dever. Não era um pessimista, mas estudou essa corrente.

Volta a Sócrates para falar da morte como necessária e a Salomão - citando o Eclesiastes (12,8): "vaidade das vaidades, tudo vaidade". Considera as recíprocas relações entre moral, filosofia e direito. Afirma que a metafísica é uma necessidade  fundamental do espírito humano. Acusa o erro positivista de tentar eliminar a metafísica.

A filosofia é conhecimento em desenvolvimento (in fieri) e a ciência é conhecimento já feito. Entende que filosofia e Poesia andam juntas, pois têm as mesmas fontes ocultas no espírito, sendo que a primeira tem maior extensão, maior alcance.

O nosso organismo dá origem a dois tipos de fenômeno: físicos e psíquicos. Os primeiros dependem das leis do movimento, espaço e tempo e os outros dos fenômenos da consciência (sentimento e conhecimento). A morte é apresentada como solução e garantia de continuidade para a vida e também tem a sua lógica. No entanto, a vida é a verdadeira finalidade do mundo. Toda evolução do cosmo tende para ela, mas em certa ordem: mecanismo, vegetação, animalidade e homem.

O homem, porém, apesar de citado por último na ordem acima, é elemento indispensável para a filosofia, pois nele "se manifesta o fenômeno fundamental da consciência (...) a ação com suas condições formais - o sentimento e o conhecimento."

Para Farias Brito, a filosofia, a religião e a ciência não devem se hostilizar umas às outras, pois têm papéis definidos na sociedade e na formação da consciência e na finalidade universal, mas não são excludentes. A corrente positivista, dominante, está errada ao tentar impor apenas a ciência como referência para o desenvolvimento humano.

A filosofia é "o espírito interrogando a realidade e elaborando o conhecimento". A ciência, por sua vez, tem por fim "estabelecer o domínio do homem sobre a natureza". Para filosofar é necessário imaginação, tem-se que ler "no fundo da consciência", na busca do ideal e no sonho mais legítimo, "a verdade no pensamento, em correspondência com a luz da natureza".

A luz porém não será alcançada sem o auxílio da fé. Mas a fé também é um dos alvos da falsa ciência que tenta matá-la. Então é preciso mantê-la viva. Com que autoridade? Da consciência que sou. Aí está uma "Psicologia Transcendente" que também inclui o questionamento dos questionamentos: "O que há após a morte?" A ciência aqui revela-se incapaz e desautorizada, mas a filosofia auxilia a fé viva que responde através de seus fatos inegáveis ainda que inexplicáveis para a razão.


POST-SCRIPTUM:


A filosofia da consciência de Farias Brito nada perde em seriedade e capacidade argumentativa a qualquer outro pensador que possa ser tomado como referência (a grande maioria estrangeira e imposta aos alunos dos cursos de filosofia).

   

segunda-feira, 14 de abril de 2014

AGENDA OCULTA


[Editado a partir de um texto de STEPHEN KANITZ]



Muitos escritores, cientistas e formadores de opinião usam e abusam de nossa confiança. Sutilmente nos enganam para defender os próprios interesses. É o que em epistemologia chamamos de "agenda oculta". Quanto mais velhos ficamos, mais percebemos quanta agenda oculta existe por trás de quase tudo o que é escrito hoje em dia no Brasil e no mundo. É simplesmente desanimador.

Prefiro sempre artigos que apresentam tabelas, números e outras informações concretas em vez de "idéias", opiniões e indignações. É justamente isso que editores de livros no mundo inteiro nos aconselham a evitar, porque senão "ninguém lê", o que infelizmente é verdade. Mas é justamente isso que deveria ser lido.



Ignoramos solenemente os que fazem parte de nossa Academia Brasileira de Ciências, que descobrem a essência do que ocorre na prática, as causas de seus efeitos, os que usam o método científico de análise. O último acadêmico de ciências nem sequer foi noticiado pela imprensa brasileira.

"Imortais" no Brasil são aqueles bons de bico, que nos seduzem com belas frases e palavras, pois somos um país do "me engana que eu gosto". Nosso descaso com ciência, estatísticas, equações, dados, números, análise científica é a causa de nosso atraso. Porque não nos preocupamos com ciência, viramos o país da mentira.



Muito do que se escreve, até em livros de filosofia, vem, na realidade, de pessoas justificando sua vida, seus erros e suas limitações. Elas têm uma agenda oculta que cabe a você descobrir. Quando alguém sai propondo maiores gastos em educação, sempre indago se não é mais um professor querendo maiores salários, pagos por impostos, "impostos" à sociedade.

Notem como 95% desses artigos pedem verbas, vinculações de verbas e mais verbas, e nenhum discute quais as novas matérias que seriam ensinadas. Omitem invariavelmente o fato de que hoje, nas universidades, algo em torno de 50% dos alunos nem terminam o curso - e por volta de 50% dos que terminam não exercem a profissão. Este é um problema resolvido com mais verbas ou com uma urgente reforma no conteúdo educacional?




Se não mudarmos nossa mentalidade, se não nos preocuparmos em detectar a agenda oculta de todos aqueles que nos pregam alguma coisa, pagaremos caro pela nossa falta de vigilância epistêmica.

Seremos sempre presas fáceis dos que falam bonito e escrevem melhor ainda.


POST-SCRIPTUM:

Concordo em boa parte com o autor, mas não podemos perder de vista que nem tudo que é literatura ou filosofia é "conversa prá boi dormir", senão corremos o risco de descartar muita coisa pertinente como desimportante, certo?

 




sexta-feira, 28 de março de 2014

POLUIÇÃO



[Publicado no jornal DESTAK em 11.04.2011]


Ratos de laboratório expostos à poluição do ar causada por automóveis tiveram danos cerebrais semelhantes à perda de memória e à doença de Alzheimer. Foi o que demonstrou uma pesquisa realizada nos EUA.

Cientistas recriaram os poluentes que vêm da queima de combustíveis fósseis e expuseram ratos ao ar poluído por 15 horas por semana durante dez semanas.

As pequenas partículas de ar tinham o tamanho de 1 milésimo da largura de um cabelo humano, sendo muito pequenas para serem retidas pelo sistema de filtro dos automóveis. No entanto, exerceram danos consideráveis nos cérebros dos ratos expostos, informou o estudo. 

Cientistas concluíram que a exposição resultou em um "dano significativo" para os neurônios envolvidos na aprendizagem e na memória, e eles detectaram "sinais de inflamação associados ao envelhecimento precoce e a doença de Alzheimer".

Mais pesquisas são necessárias para determinar se os mesmos efeitos podem ser vistos em humanos. "É claro que isso leva à questão: 'como podemos proteger os moradores das cidades desse tipo de toxidade?'. Isso ainda não é sabido", concluiu o autor do estudo, Caleb Finch.


POST-SCRIPTUM:






Vamos aderir à bicicleta e ao transporte público e deixar o carro em casa minha gente! 

domingo, 23 de março de 2014

EXISTEM ZUMBIS?


[Publicado originalmente em GALILEU Nº 223 de fevereiro de 2010]


Existem zumbis? Sim, de acordo com o antropólogo canadense Wade Davis. Ele ficou amigo do haitiano Clairvius Narcisse, que teve sua morte documentada em 1962, mas reapareceu vivo 16 anos depois.

"Muitos haitianos acreditam que os zumbis são criados por feiticeiros, que retiram a alma da vítima para controlar o seu corpo", afirma. Ele descobriu que o procedimento era baseado em um pó que continha veneno, plantas e insetos em sua composição. "Após retirar várias amostras, descobri que uma neurotoxina chamada tetrodoxina predominava nesses 'pós de zumbi'. ela vem do baiacu, peixe que é uma iguaria no Japão e pode ser mortal se não for preparado corretamente".

O pó irritante era aplicado na pele da vítima até entrar em sua corrente sanguínea, paralisando a pessoa e causando sua morte aparente. Após o enterro, o sacerdote retirava o corpo do túmulo e o transformava em escravo para trabalhar em plantações.

Para deixar a vítima em estado de alucinação após o efeito do veneno, a comida distribuída aos zumbis era uma pasta feita de uma planta chamada "pepino de zumbi". Conhecida como figueira-do-diabo no Brasil, ela provoca febre, alucinações e amnésia.



POST-SCRIPTUM:

Interessante, não? Mais interessante ainda (e até assustador) é constatar que existem incontáveis pessoas andando por aí, obviamente vivas no sentido biológico mas aparentemente mortas em qualquer outro sentido da palavra... 

sábado, 15 de março de 2014

PARALISIA



[Publicado no jornal O DIA em 19.02.2014]


Uma pesquisa realizada em Boston (EUA) fez com que um macaco controlasse movimentos de outro pelo pensamento.

Os pesquisadores conectaram o cérebro do animal principal à espinha do outro através de uma prótese. A experiência é uma boa notícia para pacientes com paralisia. 

O objetivo é usar a atividade cerebral para controlar o próprio membro paralisado da pessoa com deficiência. O estudo foi publicado na 'Nature Communications'.


POST-SCRIPTUM:




Notícia legal esta. É o futuro se materializando no presente para trazer esperança no tratamento de pessoas que sofrem de paralisia. Parabéns a estes pesquisadores. E aos macacos.




VIDEOGAMES




[Publicado no jornal O DIA em 19.02.2014]


Jogos eletrônicos podem fazer bem a jovens. A conclusão é da Associação Americana para o Avanço da Ciência (AAAS). Em testes, verificou-se que 'games' desenvolveram a habilidade do cérebro, como a percepção de contraste, útil para quem dirige à noite.

Ao contrário do que se pensava, a diversão pode tratar uma deficiência visual chamada ambliopia, que causa a perda de visão de profundidade. Jogos de ação tiveram os melhores resultados.


POST-SCRIPTUM:

Taí mais um motivo para infindáveis discussões. Nada contra os videogames, mas tem uma molecada por aí que exagera na dose e esquece da vida. 

quinta-feira, 6 de março de 2014

DEPRESSÃO



O indivíduo é acometido por uma tristeza profunda. O que antes era sinônimo de prazer passa a não ter mais importância. Falta disposição para tudo - trabalho, família, lazer, a pessoa perde a disposição de viver.

Projetada para ser a segunda causa de incapacitação na população mundial em 2020, a depressão, um distúrbio médico, crônico e recorrente, hoje ocupa o quinto lugar entre as causas de incapacidade por doença, segundo dados da Organização Mundial de Saúde (OMS).



O tratamento consiste na combinação da farmacoterapia (antidepressivos combinados ou não com ansiolíticos ou calmantes) com aporte da psicoterapia, com tempo definido e limitado. Um grande avanço no tratamento da depressão foi o desenvolvimento dos inibidores seletivos de recaptura de serotonina (ISRS).

A depressão altera a função das substâncias cerebrais serotonina e noradrenalina - responsáveis pelo equilíbrio emocional.  O medicamento vai modificar a maneira como o cérebro produz e aproveita essas substâncias, sendo que o mais conhecido é a fluoxetina. Os efeitos colaterais são menores do que os dos remédios anteriores.

 


POST-SCRIPTUM:

Estamos acostumados a pensar que depressão não é doença grave, mas a verdade é que ela leva à incapacidade e afeta a qualidade de vida de forma mais grave do que muitas doenças que têm risco maior de morte.

domingo, 1 de setembro de 2013

INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL



O Instituto de Tecnologia de Tóquio desenvolveu um robô que consegue aprender, 'pensar' e agir por conta próopria.

A invenção utiliza um sistema de inteligência artificial chamado "self-replicating neural network" (rede neural autorreplicante).

Segundo os cientistas, a máquina consegue fazer atividades que nunca realizou antes, do mesmo modo que um ser humano agiria na mesma situação, ou seja, ela é capaz de tomar decisões e fazer tentativas baseadas em suas experiências prévias.

A cada nova situação, a inteligência artificial cria um registro, como se o robô a 'aprendesse'.



 



POST-SCRIPTUM:

Parece que o mundo de "Eu, Robô", imaginado por Isaac Asimov, está cada vez mais próximo de nossa realidade cotidiana.

Fico torcendo (sinceramente, com pouca esperança) para que tal invenção não venha a ser usada para fins militares, mas tenho minhas dúvidas se as "Três Leis da Robótica" algum dia sairão dos livros e serão aplicadas no mundo real...




sexta-feira, 30 de agosto de 2013

A IMPORTÂNCIA DA ÁGUA




Eu sabia que a água era importante, mas nunca soube sobre as horas especiais para bebê-la. Você sabia?

Beber água na hora correta maximiza sua efetividade no corpo humano:

- 1 copo pela manhã ao acordar ajuda a ativar o metabolismo;

- 1 copo 30 minutos antes das refeições ajuda na digestão;

- 1 cpo antes de tomar banho ajuda a baixar a pressão sanguínea;  

- 1 copo a noite antes de ir dormir ajuda a evitar um derrame cerebral ou ataque cardíaco.



POST-SCRIPTUM:

Passe adiante, especialmente para as pessoas que lhe são queridas. Você estará certamente contribuindo para a preservação da saúde delas.

quarta-feira, 20 de março de 2013

VIDA FORA DA TERRA




A análise de uma amostra de rocha pelo robô Curiosity encontrou evidências de que Marte pode ter sido ambiente propício para a vida microbiana em eras passadas, afirmou a agência espacial americana (Nasa). Cientistas descobriram nitrogênio, hidrogênio, oxigênio, fósforo, carbono e enxofre, alguns dos elementos essenciais para a presença da vida, em uma amostra de rocha sedimentar coletada e triturada.
Segundo a equação de Drake, as chances de existir vida fora da Terra são de 50%. Muitos ficam com a metade que não autoriza esta possibilidade e consideram perda de tempo e recursos as pesquisas nesse campo.
Entretanto, determinar percentuais nessa área é algo bem arriscado. Por exemplo, se você considerar as variações daquela mesma equação os resultados podem ser tanto entusiásticos quanto decepcionantes.
De qualquer forma, uma experiência de "contato imediato" com vida inteligente fora da Terra ou mesmo a descoberta de vida primitiva (bactérias, por exemplo) transformaria profundamente nosso modo de ver o mundo, talvez alterando imprevisivelmente nossa civilização ou, pelo menos, nos dando uma nova perspectiva com relação às pesquisas biológicas, entre outras consequências (filosóficas, científicas ou religiosas) que tal acontecimento porventura poderia desencadear.

E só isso (é pouco?) já é o bastante para se considerar o assunto importante e digno de pesquisas.




POST-SCRIPTUM:




Sou dos que torcem pelos 50% a favor da existência de vida extraterrestre (seja de que tipo for) e que apoiam tanto a discussão quanto a pesquisa científica sobre o tema, desde que com a devida seriedade e, por favor, sem superficialidades ou proposições absurdas (exceção feita ao cinema, à literatura e aos 'comics').

Opa, acho que me expressei mal: nem sempre os filmes e livros de ficção científica (ou mesmo alguns gibis) são superficiais ou absurdos. Já houve diversos casos em que o assunto foi tratado com seriedade nestas mídias. O que eu quis dizer é que o artista pode 'viajar na maionese' sem se preocupar tanto com detalhes de ordem técnica ou científica. 

"Nictu Klaatu Barada!", como diria o alienígena do filme 'O Dia Em Que A Terra Parou' (o original, bem entendido, de 1951), dirigido por Robert Wise.








segunda-feira, 4 de março de 2013

RELIGIÃO X CIÊNCIA: A "OUTRA LÓGICA"


                                                                                            "Noli foras ire, in interiore homine habitat veritas" 

         (adágio alquimista) 




Pois é, a visão estritamente científica (vide tópico anterior) dá a entender que não se deve misturar "alhos com bugalhos". Até aí nenhuma surpresa: é o que se deve esperar da ciência convencional. O que não quer dizer que esta seja a dona da verdade e que outras posições até mesmo opostas não devam ser consideradas.








Que fique bem claro e que não haja margem para mal-entendidos: no contexto geral eu concordo com  grande parte das declarações do professor (novamente, vide tópico anterior); evidentemente a pesquisa científica deve continuar. A descoberta do 'bóson de Higgs' é uma peça fundamental para o desenvolvimento da física na medida em que o próximo passo das pesquisas de alto nível envolverá muito provavelmente um maior empenho no sentido da tentativa de confirmação empírica da 'Teoria das Cordas', por exemplo (uma das consequências inevitáveis dos atuais experimentos).









Além do que, paralelamente traz um benefício extra e imprevisto (ainda que, sou forçado a admitir, este seja um insight pessoal): o de "abrir portas" inéditas à especulação filosófica. Talvez até no sentido de reabilitar e consolidar o estudo da metafísica em bases estritamente científicas, tanto na teoria (uma 'mitofísica') quanto, - quem sabe? -, na prática (hein!?!), mesmo admitindo-se as evidentes dificuldades inerentes ao manuseio de partículas tão elusivas (calma gente, humor e credibilidade não precisam necessariamente ser auto excludentes).








Mas isso ainda é assunto para ficção-científica, apesar de pertinente. A questão é outra: tem a ver com a guerra surda que a cultura oficial vem travando a séculos contra os poderes da imaginação e que pode levar, eventualmente, à falência do sistema educacional institucionalizado em nível global - alguns sintomas sociais e políticos ao redor do mundo já dão sinais disso - e consequentemente a uma 'desvalorização dos ativos', digamos assim, da assim-chamada Civilização Ocidental (com letras maiúsculas, por favor!). Num paralelo talvez não muito feliz, pode-se dizer que, na bolsa de valores cósmica, as ações do empreendimento CIVILIZATION INC. estão certamente em baixa...






Mas o que isso tem a ver com o título desta postagem? Nada? Talvez tudo. Ignoremos por um momento o 'nada' e concentremo-nos no 'tudo'. Para quem não percebeu ainda e indo além das consequências óbvias, completar o quadro de partículas do 'Modelo Padrão' também significa dar sentido, dar autenticidade, dar legitimidade, enfim, admitir sem dúvidas ou restrições a verdade incontestável desta 'jornada sagrada', a Ciência, que se representa com total isenção e consciência tranquila (alguém aí falou em bomba atômica?).








Em imperfeita sincronia temos a trama paralela e profana que é a vida política, social e econômica não-oficiais, este drama quase shakespeariano que experimentamos como a tão decantada - e decadente - vida cotidiana. 'Deus não joga dados'? Pode apostar que sim! 









Tudo parece muito confuso (e quem disser que não, é muito ingênuo ou está de má fé). Mas ao mesmo tempo é divertido e surpreendente. Quem pode negar a semelhança simbólica - dentro dos parâmetros de uma abordagem apoiada nas mais recentes descobertas de campo de diversas especialidades acadêmicas tão zelosamente cientes de seu positivismo e de sua razão "ciumenta e poderosa" (que Iavé não nos ouça!) - quem pode negar, repetimos, que essa pretensão cientificista a uma verdade única e soberana não tem conotações nítidas e nada sutis com um fenômeno de dimensões religiosas?









O que é a busca científica da tão propalada 'Teoria de Tudo' - que reconhecidamente resolveria problemas importantes como conciliar a teoria quântica com a relatividade geral - do que, também, a renovação do ciclo mítico do Santo Graal?  







"Lógica única?" - poderíamos perguntar a Aristóteles, usando a imaginação a fim de libertar o potencial criativo de uma "outra lógica". Essa mesma imaginação tantas vezes defenestrada, desqualificada e desmoralizada ao longo de uma história do pensamento que se acredita muito correta e, em decorrência, séria demais.








Tudo isso para finalmente dizer que, sim, é possível fazer ciência da religião, bem como ter um sentimento de religiosidade autêntica na nossa relação com a physis, incluindo "no pacote" o respeito ao meio-ambiente, a produção responsável de riquezas e bem-estar para usufruto mútuo de toda a humanidade, a prática de atividades intelectuais e/ou lúdicas (as artes, a matemática, o ócio irresponsável ou a mera diversão), bem como, e acima de tudo, o respeito pelos outros seres humanos, vivos ou mortos.









Neste devir que o dia-a-dia confirma como ciclos dentro de ciclos há que se dar um crédito quase arquetípico à matemática de Cantor e à sua Teoria dos Conjuntos, com seus infinitos dentro de infinitos ainda maiores, ou ao Teorema da Incompletude de Godel, por exemplo, bem como às intuições geniais de homens como Heráclito, Sócrates, Platão, Aristóteles, DaVinci, Giordano Bruno, Galileu, Newton, Freud, Jung, Hegel, Marx, Durkheim, Weber, Nietzsche, Darwin, Plank, Einstein, Bohr e Teilhard de Chardin (entre tantos outros) para citar apenas alguns gigantes aparentemente tão díspares entre si. 







"Samba do crioulo doido?" A Escola de Samba Unidos do Paradoxo apresenta seu enredo para este ano...









Religião? Ciência? Arte? Política? Tais conceitos, assim como os de lógica, racionalidade, evolução, acaso, complexidade, caos, estrutura, ser, vida, morte e Deus, por exemplo, entre tantos outros, já estão há algum tempo passando por revisões inevitavelmente necessárias, desde que as sementes de tal iniciativa foram plantadas nos dois últimos séculos (XIX e XX) por artistas, acadêmicos, filósofos, escritores e até mesmo cientistas que, cada um a seu modo, nos dias de hoje, podemos considerar legítimos herdeiros culturais de movimentos como o Romantismo, o Simbolismo e o Surrealismo, por exemplo, ainda que necessariamente num contexto de pós-modernidade "barroca".








Mas o que é isso que me dizem? O pós-modernismo é uma moda ultrapassada que não chegou realmente a lugar nenhum? O desconstrutivismo é um beco sem saída dentro de um labirinto onde o Minotauro joga cartas com Sísifo? Não importa: como se dizia no século passado, "a luta continua". O problema é a dificuldade cada vez maior em identificar contra quem e o que lutar...






Tá feia a coisa? Tá. Só que não adianta ficar se lamentando ou pondo a culpa nos outros; todos somos responsáveis, em maior ou menor grau, por este vazio inconveniente (digamos assim, para não sermos acusados de exagerados) que já se instalou há um bom tempo nos corações e mentes dos homens e mulheres de nosso tempo. 







Inconveniente este que só se agrava na medida em que o liberalismo triunfante e sem adversários enreda a tudo e a todos, inclusive a si mesmo, nas armadilhas da lógica de mercado, e que não tem pudores ou preconceitos contra a ciência ou a religião.








Que o digam Bill Gates ou o 'bispo' Macedo, para citar dois exemplos bem afastados tanto em termos geográficos quanto em relação às atividades em questão, numa comparação aparentemente estapafúrdia mas ainda assim que remete ao mesmo raciocínio financeiro-especulativo. Vai dizer que não?








Não nos deixemos iludir por nossa própria miopia intelectual: qualquer coisa que poderia ser designada como "espírito" (seja no sentido filosófico quanto religioso), há muito se retirou da nossa realidade mundana e diuturna, ou daquilo a que ainda poderíamos nos referir como "alma do mundo". O dinheiro é o único Deus que é levado a sério: temos que admitir isso se não quisermos passar por hipócritas.








Tal desencantamento funesto, seja em que sentido se prefira acolher, vai continuar nos levando à falência civilizatória e não há argumentos que possam negá-lo. A esperança, de uma forma geral, está em vias de se tornar moribunda, já que o futuro só é considerado no curto prazo dos investimentos monetários, enquanto que a preocupação com as gerações vindouras insensivelmente se dilui num 'projeto às avessas', embasado numa ilusão consumista imediata e idiota.







O fato é que a Modernidade não cumpriu as promessas do Iluminismo e cabe a todos nós darmos uma parada estratégica e analisarmos em profundidade e com consciência crítica (a mais radical possível) os eventuais desvios e as possíveis correções de rumo. 






Aprender com o erro e não ter vergonha de tentar de novo! Pois não podemos continuar nos enganando: vivemos uma intensa crise civilizatória que exige, antes de mais nada e acima de tudo, uma refundação de nossas raízes judaico-cristãs, helenísticas e romanas, conforme sugere Jean-Claude Guillebaud em seu livro "A REINVENÇÃO DO MUNDO", não sem levar em conta toda a autocrítica que se processou no século XX e que precisa continuar, num processo que não pode prescindir das contribuições do Islã, das culturas orientais, da África negra e dos povos indígenas que sobrevivem a duras penas.







Uma refundação de princípios, mas não por um viés nostálgico, ou na aposta sempre provada como ineficaz pela História numa 'terceira via' apaziguante e condescendente, ou muito menos numa derrelição total que conduziria invariavelmente (como já está fazendo lentamente, mas em aceleração constante) a um 'vale-tudo' estúpido que é, em última instância, genocida e suicida. Alguém se habilita a discordar?   







Refundação, sim, pois como diria Nietzsche, "como pudemos nós esvaziar o mar? Quem nos deu a esponja para apagar todo o horizonte?". Ou de forma menos poética Pierre Legendre: "A humanidade está sendo acossada pela necessidade de se alicerçar para poder viver".  









Imbuídos de uma compreensão sagaz ou de uma intuição inconsciente, sabemos que a informação sofre necessariamente um processo comprovado e contínuo de disseminação que não pode ser detido, e cuja flecha do tempo corre oposta àquela que orienta a inevitável decadência decorrente da entropia; assim sendo, temos que manter acesa a chama da Imaginação, acima de toda controvérsia ilusória entre Ciência e Religião, propondo e apresentando um diálogo fecundo entre idéias, algumas geniais, outras "mucho locas", mas acima de tudo visando um maior e melhor entendimento do homem e do mundo.







Mais sobre o assunto futuramente, quando pretendo discutir as idéias do físico indiano Amit Goswami em seu livro "O UNIVERSO AUTOCONSCIENTE". Paz à todos!







POST-SCRIPTUM:




"O que está embaixo é igual ao que está em cima e o que está em cima é igual ao que está embaixo, para realizar o milagre de uma só coisa." (A Tábua de Esmeralda)