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quarta-feira, 20 de março de 2013

VIDA FORA DA TERRA




A análise de uma amostra de rocha pelo robô Curiosity encontrou evidências de que Marte pode ter sido ambiente propício para a vida microbiana em eras passadas, afirmou a agência espacial americana (Nasa). Cientistas descobriram nitrogênio, hidrogênio, oxigênio, fósforo, carbono e enxofre, alguns dos elementos essenciais para a presença da vida, em uma amostra de rocha sedimentar coletada e triturada.
Segundo a equação de Drake, as chances de existir vida fora da Terra são de 50%. Muitos ficam com a metade que não autoriza esta possibilidade e consideram perda de tempo e recursos as pesquisas nesse campo.
Entretanto, determinar percentuais nessa área é algo bem arriscado. Por exemplo, se você considerar as variações daquela mesma equação os resultados podem ser tanto entusiásticos quanto decepcionantes.
De qualquer forma, uma experiência de "contato imediato" com vida inteligente fora da Terra ou mesmo a descoberta de vida primitiva (bactérias, por exemplo) transformaria profundamente nosso modo de ver o mundo, talvez alterando imprevisivelmente nossa civilização ou, pelo menos, nos dando uma nova perspectiva com relação às pesquisas biológicas, entre outras consequências (filosóficas, científicas ou religiosas) que tal acontecimento porventura poderia desencadear.

E só isso (é pouco?) já é o bastante para se considerar o assunto importante e digno de pesquisas.




POST-SCRIPTUM:




Sou dos que torcem pelos 50% a favor da existência de vida extraterrestre (seja de que tipo for) e que apoiam tanto a discussão quanto a pesquisa científica sobre o tema, desde que com a devida seriedade e, por favor, sem superficialidades ou proposições absurdas (exceção feita ao cinema, à literatura e aos 'comics').

Opa, acho que me expressei mal: nem sempre os filmes e livros de ficção científica (ou mesmo alguns gibis) são superficiais ou absurdos. Já houve diversos casos em que o assunto foi tratado com seriedade nestas mídias. O que eu quis dizer é que o artista pode 'viajar na maionese' sem se preocupar tanto com detalhes de ordem técnica ou científica. 

"Nictu Klaatu Barada!", como diria o alienígena do filme 'O Dia Em Que A Terra Parou' (o original, bem entendido, de 1951), dirigido por Robert Wise.








sábado, 26 de março de 2011

LEONARD 'SPOCK' NIMOY FAZ 80 ANOS





Leonard Nimoy,  o  ator  que  encarnou  um  dos personagens  mais  icônicos  da TV, do cinema e da cultura popular em geral  a  partir da década de 1960  e  até os dias de hoje,  o legendário Sr. Spock  de  'Jornada   nas   Estrelas'   (Star Trek), completa 80 anos  de  uma vida plena em que se destacou não  somente como ator e diretor, mas também como um talentoso fotógrafo e escritor.


Nimoy nasceu em 26 de março de 1931 em Boston, Massachusetts, apenas quatro dias depois de William Shatner (seu parceiro de aventuras, o capitão James Kirk, em Star Trek), tendo estreado no cinema no início da década de 1950 fazendo pequenas aparições em filmes como Zombies of the Stratosphere e em seriados de TV como Gunsmoke e Dragnet.






O sucesso veio com a série televisiva de ficção-científica 'Jornada nas Estrelas' (Star Trek), que foi ao ar entre 1966 e 1969 (e que completa, portanto, também neste ano de 2011, seu quadragésimo-quinto aniversário) e logo depois com 'Missão Impossível' (Mission Impossible), seriado de ação ambientado no mundo da espionagem, entre 1969 e 1971. Em 1977 ele estrelou a peça Equus, na Broadway, além de ter apresentado um episódio da série televisiva "In Search Of...", do History Channel, que abordava a vida e a obra do trágico e genial pintor Vincent Van Gogh. No cinema, além de atuar em diversos filmes, foi o diretor de Star Trek III (1984) e Star Trek IV (1986), bem como da comédia de sucesso 'Três Solteirões e Um Bebê' (Three Men and a Baby), em 1987, entre outros.







Autor de diversas coleções de poesia, três livros sobre fotografia e duas autobiografias – 'Eu Não Sou Spock' (I Am Not Spock), de 1975, e 'Eu Sou Spock' (I Am Spock), de 1997 – , Leonard Nimoy não pensa em se aposentar, e há boatos de que estaria no elenco de The Hobbit, 'prequel' de 'O Senhor dos Anéis' (The Lord of The Rings), se não de corpo presente pelo menos dublando a voz do dragão Smaug.







Meus sinceros parabéns a este carismático ator que deixou uma marca indelével no inconsciente coletivo de diversas gerações e na cultura popular do século XX. Seu personagem mais marcante, o mestiço comandante Spock, oficial de ciências da nave estelar Enterprise, filho de mãe terráquea e pai alienígena (um embaixador do povo extraterrestre que habita o fictício planeta Vulcano, localizado fora do sistema solar), tornou-se notável por seu comportamento ditado pela mais pura lógica e supostamente desprovido de emoções. Uma de suas citações favoritas era a exclamação “Fascinante!” quando diante do inesperado ou surpreendente.

Como diria o próprio Sr. Spock em sua saudação tipicamente vulcana: “Vida longa e próspera!”.







POST-SCRIPTUM:


Meus mais sinceros parabéns, Sr. Leonard 'Spock' Nimoy! (Eu adoro esse cara...)



quarta-feira, 14 de julho de 2010

HÁ VIDA FORA DA TERRA OU ESTAMOS SÓS?



["NOVOS MUNDOS - EM BUSCA DE NOVAS TERRAS" por Timothy Ferris; publicado em 'National Geographic Brasil', no. 117, de dezembro de 2009]



Foram necessários milhares de anos para que nós, seres humanos, explorássemos nosso próprio planeta, e séculos para que aprendêssemos algo a respeito dos planetas vizinhos, mas hoje novos mundos estão sendo descobertos toda semana. Até agora os astrônomos já identificaram mais de 370 “exoplanetas”, ou seja, corpos celestes girando em torno de outras estrelas além do Sol. Alguns são tão estranhos que confirmam um famoso comentário do biólogo J. B. S. Haldane, segundo o qual “o universo não é só mais bizarro do que imaginamos, mas também mais bizarro do que conseguimos imaginar”.

A 260 anos-luz da Terra, há, por exemplo, uma espécie de “Saturno quente”, que gira em torno de sua estrela com tal velocidade que um ano ali dura menos de três dias. Em volta de outra estrela, a 150 anos-luz, descobriu-se um “Júpiter quente” cuja atmosfera superior está sendo arrancada com tanta força que o planeta exibe uma cauda como se fosse um cometa.

Em meio a esses exemplares exóticos, os cientistas estão empenhados em descobrir indícios de planetas semelhantes à Terra, que giram em torno de suas estrelas a uma distância conveniente – com uma temperatura nem muito alta nem muito baixa – para manter a vida tal como a conhecemos. Identificar um planeta tão pequeno e pálido como o nosso em meio ao brilho de sua estrela é como tentar distinguir um vagalume em uma explosão de fogos e detectar sua influência gravitacional sobre a estrela é como ouvir um grilo durante um tornado. No entanto, aperfeiçoando sem cessar as tecnologias já disponíveis, os astrônomos estão cada vez mais próximos do dia em que vão topar com uma outra Terra.

Apenas 11 exoplanetas, todos eles de grande porte, brilhantes e distantes de suas estrelas, foram até hoje fotografados. A maioria dos outros foi detectada graças ao uso de uma técnica baseada no efeito Doppler, que analisa o espectro da luz emitida pela estrela a fim de detectar indícios de que ela está sendo deslocada pela força gravitacional de seus planetas. Os astrônomos hoje podem dizer quando uma estrela altera sua posição normal em apenas 1 metro por segundo – a velocidade de um ser humano caminhando. Isto é suficiente para identificar a presença de um planeta gigante em órbita distante ou de um planeta pequeno próximo da estrela, mas não algo parecido com a Terra, em órbita a 150 milhões de quilômetros do Sol. A Terra altera a posição do Sol em 10 centímetros por segundo, ou seja, a velocidade de um bebê engatinhando. E uma diferença tão ínfima ainda não pode ser distinguida na luz emitida por estrelas distantes.

Outra técnica se baseia na verificação de ligeiras variações periódicas no brilho da estrela, que devem ocorrer sempre que um planeta do sistema passa diante dela e bloqueia uma fração de sua luminosidade. No máximo, um décimo de todos os sistemas planetários está orientado de tal modo que esses minieclipses, os “trânsitos”, sejam visíveis da Terra. Isso significa que os pesquisadores precisam monitorar muitas estrelas a fim de captar apenas alguns trânsitos. O satélite francês Corot descobriu assim sete exoplanetas – um deles é apenas 70% maior que o nosso.

O satélite americano Kepler é o sucessor mais ambicioso do Corot. Lançado do cabo Canaveral em março de 2009, o Kepler é basicamente uma grande câmera digital com uma abertura de 95 centímetros e um detector de 95 megapixels. Ele faz fotos a cada 30 minutos, captando a luz de mais de 100 mil estrelas em uma única região do céu, entre as estrelas de Deneb e Vega. Computadores monitoram o brilho desses milhares de estrelas ao longo do tempo, alertando os pesquisadores quando ocorre ligeiro obscurecimento que poderia indicar o trânsito de algum planeta.

Os cientistas que trabalham com o Kepler só anunciam a presença de algum planeta depois de o trânsito ter sido registrado pelo menos três vezes. Se conseguirem descobrir um planeta rochoso com o tamanho aproximado ao da Terra e numa órbita habitável – nem tão próxima da estrela, a ponto de toda sua água ser vaporizada, nem tão distante, a ponto de ela congelar –, eles terão encontrado o que, de acordo com os biólogos, poderia ser um refúgio propício à vida.

As candidatas mais promissoras talvez sejam as estrelas anãs, menores que o Sol. Há uma profusão dessas estrelas, e suas vidas são longas e estáveis, emitindo um fluxo constante de radiação para qualquer planeta dotado de vida que esteja orbitando nas zonas habitáveis do sistema. Quanto menos brilhante é a estrela, mais próximas ficam as zonas habitáveis, de modo que a observação dos trânsitos pode dar resultado em bem menos tempo. Um planeta mais próximo também exerce uma atração gravitacional mais forte sobre a estrela, o que torna mais fácil confirmar sua presença com a técnica Doppler. Na verdade, o planeta mais promissor já encontrado – a “super-Terra” Gliese 581 d, com massa sete vezes maior que a do nosso planeta – orbita na zona habitável de uma estrela anã vermelha que tem apenas um terço da massa de nosso Sol.

Caso planetas similares à Terra sejam achados no interior das zonas habitáveis de outras estrelas, um telescópio espacial específico, projetado para detectar sinais de vida, poderia no futuro captar o espectro da luz emitida por tais planetas e examiná-lo em busca de possíveis “bioassinaturas”, como a presença na atmosfera de metano, ozônio e oxigênio. Não seria uma tarefa fácil.

Enquanto se debatem com o intimidante desafio de efetuar análises químicas de planetas que nem sequer conseguem ver, os cientistas empenhados na busca de vida extraterrestre não podem descartar a possibilidade de que ela seja muito diferente daquela que conhecemos. A evolução biológica é tão intrinsecamente imprevisível que mesmo se a vida surgisse em um planeta idêntico ao nosso na mesma época em que apareceu aqui, a vida nesse planeta certamente seria hoje muito diversa da terrestre.

Como disse certa vez o biólogo Jacques Monod, a vida evolui não apenas em função da necessidade – do funcionamento universal das leis naturais – como também do acaso, da intervenção imprevisível de incontáveis acidentes. O acaso manifestou-se muitas vezes na história de nosso planeta, e de forma dramática no caso das várias extinções em massa, criando assim espaço para o desenvolvimento de novas formas de vida. Alguns desses acidentes parecem ter sido causados pela colisão de cometas e asteróides com a Terra – o mais recente desses acidentes foi o impacto, há 65 milhões de anos, que exterminou os dinossauros. Por esse motivo, os cientistas não buscam apenas por exoplanetas parecidos com a Terra atual mas por aqueles que se assemelhem a versões passadas. “A Terra moderna pode ser o pior modelo para usarmos na busca de vida em outras partes”, diz Caleb Scharf, diretor do Centro de Astrobiologia da Universidade Colúmbia.

Não foi nada fácil aos primeiros exploradores fazer uma idéia da profundeza dos oceanos, mapear o lado oculto da Lua ou distinguir indícios da presença de oceanos sob as superfícies congeladas das luas de Júpiter – e também não será fácil encontrar vida nos planetas de outras estrelas. Mas agora temos bons motivos para crer que devem haver bilhões de tais planetas, e eles guardam a promessa de expansão não só do horizonte do conhecimento humano mas também da imaginação humana.

Durante milhares de anos, nós conhecíamos tão pouco a respeito do universo que priorizamos nossas fantasias, em detrimento da realidade. (Como escreveu o filósofo espanhol Miguel de Unamuno, o misticismo dos visionários religiosos do passado surgiu de uma “intolerável disparidade entre a imensidão de seus desejos e a estreiteza da realidade”.) Agora, com os avanços da ciência, tornou-se mais que evidente que a assombrosa criatividade da natureza supera em muito a nossa. E já se descortinam inumeráveis mundos novos, cada qual com a sua história.

Sempre se achou, ao longo da história, que só havia um planeta como a Terra no universo. Mas logo talvez haja outra Terra. E outra. E mais outra. No fim de 2009, o número de exoplanetas (que giram em torno de uma estrela que não seja o Sol) conhecidos era de 373. Nos últimos anos, foram achados 13 planetas rochosos com dimensões similares à Terra e girando em torno de estrelas parecidas com o Sol.

Além de nosso Sol, já se comprovou que 316 outras estrelas são orbitadas por um ou mais planetas. Não é fácil imaginar suas distâncias: com exceção das mais próximas, a luz delas levou séculos para chegar até nós. Os planetas se formam do disco de gás e resíduos sólidos que circunda uma estrela recém-formada. Entre os diversos tipos de estrela, algumas são ainda muito jovens e quentes para que haja a possibilidade de contarem com planetas parecidos com a Terra.

Os braços de nossa galáxia espiralam a partir de uma barra central de estrelas com 27 mil anos-luz de comprimento. Nosso sistema solar está situado em um braço menor, o de Órion, assim chamado por estar próximo dessa constelação. A maioria dos exoplanetas até agora encontrados gira em torno de estrelas situadas a uma distância de até 400 anos-luz do sistema solar. O satélite Kepler, da NASA, agora está monitorando estrelas até 6 mil anos-luz distantes do braço de Órion. Estrelas parecidas com o Sol, situadas no intervalo de 600 a 1,8 mil anos-luz da Terra, são consideradas as mais promissoras.

“Não há nada que impeça uma infinidade de mundos”, escreveu o filósofo grego Epicuro 23 séculos atrás. Hoje, com as imagens cada vez mais nítidas de regiões remotas do espaço, essa idéia voltou a ganhar peso. Uma visão panorâmica de nossa galáxia, a Via Láctea, refulge com mais de 100 bilhões de estrelas – e bilhões delas provavelmente contam com seus próprios sistemas solares. Com instrumentos precisos, os astrônomos esperam descobrir planetas semelhantes à Terra – alguns, talvez, com todas as condições para a vida.




POST-SCRIPTUM:




'The Truth Is Out There'. Ou não?

Eu não diria a "Verdade" - existiria tal quimera, a não ser num sentido metafórico e exclusivamente pessoal? -, mas pelo menos mais uma parte do quebra-cabeça que permitirá ao homem compreender melhor este Universo surpreendente em que vivemos.  


quarta-feira, 14 de abril de 2010

NOVOS PLANETAS

























O universo está coalhado de estrelas e de planetas que orbitam ao redor delas. Segundo os astrônomos, aproximadamente 400 já foram descobertos e estima-se como praticamente certo que eles sejam, na verdade, bilhões.

Parece-nos impossível, à luz da lei das probabilidades, que muitos desses planetas não apresentem condições favoráveis à vida.

À parte seu extraordinário valor científico, a descoberta dos exoplanetas (planetas exteriores ao nosso sistema solar) deveria servir também para outro tipo de reflexão: não apenas é altamente improvável que estejamos sós no universo, como, diante da pluralidade quase infinita de corpos celestes existentes, nós e nossa Terra parecemos apenas pequenos grãos de poeira vagando no espaço.

Que isso nos faça refletir sobre o quanto é relativa nossa existência e o quanto nossa arrogância de senhores do mundo é descabida e ridícula.