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domingo, 13 de abril de 2014

FREUD JÁ NÃO EXPLICA MAIS


[Texto de autoria de Miguel Falabella]



Sarita abandonou a psicanálise. Telefonou-me de madrugada, parecendo muito feliz com a decisão.

- Freud já não explica mais nada, meu anjo - ela disse, mais ansiosa do que o habitual. - Era um escritor muito habilidoso, mas eu não posso mais perder tempo investigando nada.

- Você não gosta mais de fazer terapia?

- Não se trata disso. Tenho o outro tipo de urgência.

Ela, agora, segundo suas próprias palavras, repõe substâncias químicas que seu organismo é incapaz de produzir. Tem dormido bem e a angústia mudou-se para endereço ignorado.

Depois, disse que com a medicação vive constantemente numa frequência baixa, que lhe proporciona grande bem estar.




Sarita não está mais conseguindo absorver o mundo e a rapidez com que se desenrola o novelo das civilizações, eu penso. Ela está paralisada, como muitos de nós, tentando adivinhar um mundo que ela já não conhece e que é rápido demais para seu entendimento.

Digo a ela que não concordo. Quer dizer, concordo, em parte, mas gosto das interpretações e dos caminhos da psicanálise. Gosto de percorrer as vielas escuras da mente, quase sempre se encontra alguém interessante com quem você gostaria de trocar uma ou duas palavras.

- Literatura, meu bem. Literatura - ela disse, do outro lado da linha. Uma prática das elites, não tem nada a ver com gente normal.

Eu achei melhor não me estender, mas Sarita não se deu por vencida e ainda falou por um longo tempo. Em determinado momento, eu deixei de ouvir e fui visitar o futuro assombrado que ela anunciava, povoado por uma humanidade dopada e feliz.

Freud já não explica mais nada, então? A aventura do conhecimento interior dissolve-se com a pílula, na saliva amarga das bocas. Um mundo novo, sem dúvida.

Adormeci olhando para os céus, com medo de um meteoro perdido qualquer viesse a se chocar com a Terra, na noite mesma em que eu descobri que felicidade podia-se não desejar, ainda que estivesse ali, ao alcanca de todos.


POST-SCRIPTUM:

      

quinta-feira, 6 de março de 2014

DEPRESSÃO



O indivíduo é acometido por uma tristeza profunda. O que antes era sinônimo de prazer passa a não ter mais importância. Falta disposição para tudo - trabalho, família, lazer, a pessoa perde a disposição de viver.

Projetada para ser a segunda causa de incapacitação na população mundial em 2020, a depressão, um distúrbio médico, crônico e recorrente, hoje ocupa o quinto lugar entre as causas de incapacidade por doença, segundo dados da Organização Mundial de Saúde (OMS).



O tratamento consiste na combinação da farmacoterapia (antidepressivos combinados ou não com ansiolíticos ou calmantes) com aporte da psicoterapia, com tempo definido e limitado. Um grande avanço no tratamento da depressão foi o desenvolvimento dos inibidores seletivos de recaptura de serotonina (ISRS).

A depressão altera a função das substâncias cerebrais serotonina e noradrenalina - responsáveis pelo equilíbrio emocional.  O medicamento vai modificar a maneira como o cérebro produz e aproveita essas substâncias, sendo que o mais conhecido é a fluoxetina. Os efeitos colaterais são menores do que os dos remédios anteriores.

 


POST-SCRIPTUM:

Estamos acostumados a pensar que depressão não é doença grave, mas a verdade é que ela leva à incapacidade e afeta a qualidade de vida de forma mais grave do que muitas doenças que têm risco maior de morte.