Mostrando postagens com marcador Copa do Mundo. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Copa do Mundo. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 13 de maio de 2014

COPA 2014


[Texto editado da coluna de Artur Xexéo, publicado na Revista O GLOBO]


Sou escolado em Copa do Mundo. Estive na dos Estados Unidos, em 1994; na da França, em 1998; na da dobradinha Coréia e Japão, em 2002; e, finalmente, na da Alemanha, em 2006. E acho graça quando vejo preocupação com a qualidade de nossos hotéis ou até mesmo com a não existência de nossos hotéis.

Quem disse que na Coréia foi melhor? Ulsan, a cidade que abrigou alguns jogos em 2002, não tinha muitos hotéis e, aparentemente, não construiu nenhum para a Copa. O jeito foi acomodar jornalistas em motéis de alta rotatividade. E cara alegre.

Reclama-se que nossos taxistas, pessoal de restaurante, trabalhadores da área de serviços não falam inglês. Não saberemos nos comunicar com os turistas que estarão aqui. Pode ser. Mas sou testemunha de que, apesar da boa vontade da população local, sempre disposta a ajudar, no Japão só era compreendido quem falasse japonês. E todo mundo andava com cartãozinho do hotel no bolso. Pelo menos o caminho de volta estava assegurado.


 


Critica-se muito a nossa mobilidade (ou imobilidade) urbana e o fato de os metrôs espalhados pelo país terem pretensões tão humildes. Quem vê como ficam as estações da Zona Sul do Rio nas noites de réveillon já pode antecipar o caos nas estações que levam ao Maracanã.

Garanto que nada será pior que o metrô de Marselha na Copa de 98. Quem foi à cidade para assistir ao jogo entre as seleções de Brasil e da Noruega sabe do que estou falando. Era impossível o acesso a qualquer estação. Não havia nenhum esquema especial só porque era Copa do Mundo. E o Brasil ainda perdeu!



Mas houve uma coisa em comum entre as Copas que eu vivi e que, por enquanto, não faz parte da Copa do Brasil: os estádios eram impecáveis. Estavam todos prontos. Com os serviços funcionando perfeitamente. Não havia cadeiras inexistentes. Não havia filas nas lanchonetes. Não havia banheiros fechados. Não havia coberturas despencando.

Dizem que, com medo das vaias, Dilma não fará discurso antes do jogo de abertura. Dizem que a FanFest de Recife talvez não aconteça. Dizem que os taxistas de Salvador não aprimoraram seu inglês. Sem problemas. Ninguém vai a uma Copa do Mundo para ouvir discursos de presidentes, assistir a jogos em telões na FanFest ou conversar com taxistas. Mas todos os turistas esperam um estádio perfeito, confortável, com serviços funcionando e um gramado impecável. É por isso que eles pagam. E pagam caro.


POST-SCRIPTUM:






RUMO AO HEXA!




terça-feira, 15 de abril de 2014

A INVASÃO ARGENTINA


[Editado de uma reportagem de Janaína Figueiredo, publicada no jornal O GLOBO em 01.03.2014]


A Copa de 2014 chegou num mau momento para muitos argentinos. A crise financeira conspira contra o sonho de acompanhar a seleção de Lionel Messi no Brasil.

Mas nem todos os argentinos renunciaram ao sonho de participar da festa mundial do futebol.
Na cidade de Paraná, capital da província de Entre Rios, a 500 quilômetros de Buenos Aires, dez amigos decidiram desafiar as adversidades. Em maio de 2013, compraram um ônibus usado e, desde então, trabalham para transformá-lo num motorhome que os levará às cidades brasileiras.



Eles tiveram de negociar com seus chefes  e, também, mulheres e namoradas, uma ausência de pelo menos um mês fora de casa. Todos foram compreensivos, segundo eles, e ficaram encantados com o projeto. Nos últimos meses, o grupo se encontra nos fins de semana para montar o ônibus, que terá sala, cozinha e um quarto com 12 camas.

Um dos obstáculos é a compra de ingressos. apesar de se inscreverem em todos os sorteios, não conseguiram ingresso. Eles pretendem partir rumo ao Brasil em 7 de junho, para chegar a São Paulo no dia 12, a tempo da abertura. Depois vão acompanhar a seleção argentina.


POST-SCRIPTUM:






CUIDADO GALERA! ELES ESTÃO CHEGANDO!!!



domingo, 16 de março de 2014

A COPA DO CU DO MUNDO



[Editado a partir de um artigo publicado no jornal O GLOBO em 01.03.2014 da autoria de José Miguel Wisnik]


Numa sequência ao mesmo tempo divertida e contundente, na base do programa de auditório, joga-se com a iminência da realização, no Brasil, desse maior espetáculo da Terra, que é chamado nada mais nada menos do que a Copa do Cu do Mundo.

Todo o sentido crítico que se possa, toda a virada pelo avesso do padrão Fifa, exibido pela culatra, toda a remissão às misérias, às derrisões e aos terrores da doença brasileira, tudo está aí, nesse nome.

Mas também, no reconhecimento disso, a capacidade de afirmar a potência da cultura (com trocadilho), de rir das máscaras canastronas, de exercer o apetite de viver e, por incrível que pudesse ser e é, de marcar um lugar original no planeta. É claro que isso só pode ser afirmado em vista da grandeza artística do todo, e no modo como o espetáculo vai fundo na experiência social e vital do país.

A discutida camiseta da Adidas para a Copa, onde se estampa "I love Brazil" na forma de um coração-bunda, é uma versão limitada, mercadológica pitoresca e não assumida do fato de que se olha difusamente a Copa do Brasil como uma espécie de Copa do Cu do Mundo.

Não o quarto mundo, não o cu do mundo, mas a quarta dimensão do cu do mundo.

POST-SCRIPTUM:

"O futuro do Brasil é tão grandioso que não há abismo em que caiba." - Agostinho da Silva

Será mesmo? Espero sinceramente que sim, senão corremos o sério risco de atolar num esgoto metafórico...



terça-feira, 4 de fevereiro de 2014

MACONHA LIBERADA!



Sei que é notícia velha, mas foda-se: nunca é tarde demais para comemorar o bom-senso!

O Uruguai regulamentou (ou está prestes a fazê-lo) o uso da cannabis e, paralelamente, vários estados nos EUA também, ao longo do último ano.

Até que enfim está entrando na cabeça dos políticos que a proibição é o pior caminho para encarar o problema do eventual abuso e dependência.

Com a regulamentação legal torna-se muito mais fácil o controle da venda (com as respectivas vantagens fiscais decorrentes) e do uso desta erva que "ameniza a pressão", como diria o bom e velho RAPPA.
      
Agora só resta esperar que no Brasil os políticos e falsos moralistas abram os olhos e "façam a cabeça".


POST-SCRIPTUM:

Não tem nada a ver com o assunto, mas, mesmo assim, lá vai: tô com uma leve desconfiança de que essa Copa do Mundo vai ser, no mínimo, complicada. 

Isso se não for um fracasso total, com tanta roubalheira, atraso em obras e descaso com a população.   

Até que seria uma boa lição pra quadrilha do Congresso...