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segunda-feira, 2 de junho de 2014

"VITÓRIA" A QUALQUER CUSTO


[Editado de um texto de Ignacio Cano, sociólogo e professor da UERJ, publicado no jornal O GLOBO]


Os moradores de áreas carentes são as principais vítimas da criminalidade violenta. Por isso, e também pelo fato de que eles não têm acesso à segurança privada, o Estado deveria considerar a proteção dessas populações a sua primeira prioridade. 

Entretanto, as políticas tradicionais de segurança pública historicamente visaram à nossa proteção, à dos moradores do asfalto, contra os perigos provenientes das favelas.

É justamente por isso que as autoridades manifestam-se constantemente no sentido de que a morte de alguns inocentes na luta contra o crime é lamentável, mas inevitável para travar essa "guerra".

O fato é que esses inocentes sempre tombam nos mesmos lugares, lugares em que a vida vale bem menos e o braço do Estado nem sempre respeita a lei.

Façamos o exercício de imaginar uma porta de uma casa no Leblon ensanguentada por um menino morto por um disparo de policial. Talvez possamos imaginar também pedidos de desculpas de autoridades e até alguma renúncia.

A questão real que se coloca é se a política de segurança tem como objetivo a minimização dos tiroteios e, sobretudo, a proteção dos moradores de áreas violentas, ou uma suposta vitória militar sem importar o custo.

Essa "vitória" alcançada a despeito da insegurança e mesmo da integridade daqueles que supostamente se pretende proteger seria o equivalente de uma Delegacia Antissequestro que, regularmente, acabasse com a vida dos reféns junto com a dos sequestradores.



POST-SCRIPTUM:


E a guerra civil continua...



quarta-feira, 14 de maio de 2014

MUITA MERDA!




É tanta merda acontecendo que dá até ânsia de vômito acompanhar. São demonstrações de racismo, gente inocente sendo espancada até a morte, desvio de verbas em obras públicas, a Petrobras indo pro buraco por conta de administradores corruptos e/ou incompetentes, prenúncios de guerra civil no leste europeu, o mundo árabe sob a constante ameaça de terrorismo, ufa! 

Como eu disse no começo, haja merda!

Mas tá tranquilo, a gente se acostuma com o tempo... só que não!

O século XXI caminha para uma nova Idade Média, com a diferença de ser informatizada. Dizem que até o fim do ano existirão tantos aparelhos celulares quanto seres humanos no mundo. E daí? Sei lá, era de se esperar que a humanidade tivesse evoluído um pouco mais após tanto tempo habitando esse planetinha, em todos os sentidos e não apenas tecnologicamente.

Enfim, quem sabe eu não esteja sendo pessimista e as coisas sejam assim mesmo. Ou quem sabe a salvação virá de repente, de onde menos se espera, como naquela música do Caetano Velloso.

Só não dá é pra ficar calado enquanto afundamos na merda. Se depender de mim vou continuar protestando, mesmo que não dê em nada.

Será que os governos em geral não enxergam que, por exemplo, a criminalização das drogas, sejam elas quais forem, só traz morte e decadência cada vez maior? Haja visto a quantidade de gente presa por envolvimento com o tráfico.

A manutenção dos sistemas judiciário e carcerário tem um custo altíssimo que seria melhor aplicado na saúde e na educação da população. Aí sim, poder-se-ia falar em condições mais humanas para os presos, que também são gente. Ou não?

Mas o que os políticos querem mesmo é aparecer na TV como celebridades, falando, falando, e não fazendo nada...


POST-SCRIPTUM:


POLÍTICOS: VÃO TODOS SE FUDER!








  

segunda-feira, 28 de abril de 2014

PACIFICAÇÃO?


[Texto de autoria de Márvio dos Anjos publicado no jornal DESTAK em 25.04.2014]



O termo "pacificação" se consagrou, mesmo representando mais um desejo do que um fato. Houve redução da criminalidade em certas áreas da cidade. Mas ainda temos casos como o do bailarino DG, morto pelas costas no Pavão-Pavãozinho.

À lúcida mãe de DG, quem poderá falar que o morro está pacificado?

Precisamos lidar com o fato de que essas comunidades ocupadas vivem em estado de sítio. O sucesso seria que elas se transformassem em bairros, que tivessem vida de bairros, e não a impressão de uma normalidade patrocinada por uma contenção armada de fuzis.

O sempre ponderado secretário de Segurança José Mariano Beltrame jamais vendeu sua pacificação como milagrosa, mas já é tempo de vermos que o resultado da ocupação militar ainda não é paz, não efetuou prisões suficientes - o que fez os traficantes migrarem para outras regiões, como Niterói e a Baixada - e não merece o termo consagrado.

Não seria leviano a ponto de condenar totalmente a implantação das UPPs porque se trata do único programa que realmente diminuiu os índices de criminalidade. Mas a vida não se conta só por números. Histórias como a de DG mostram que a polícia ainda sobe um morro pacificado pronta para a guerra, num desmentimento categórico dessa paz armada.


POST-SCRIPTUM:


Pacificação ou ocupação militar? Estamos em guerra civil?


  

quinta-feira, 20 de março de 2014

DEIXAI TODA ESPERANÇA, VÓS QUE ENTRAIS!





[Foto de Napoleão F. da Silva]



Entrevista com o líder do PCC, Marco Willians Herbas Camacho, o Marcola, ao jornal O Globo. Estamos todos no inferno. Não há solução, pois não conhecemos nem o problema.




O GLOBO: Você é do PCC?


- Mais que isso, eu sou um sinal de novos tempos. Eu era pobre e invisível… vocês nunca me olharam durante décadas… E antigamente era mole resolver o problema da miséria… O diagnóstico era óbvio: migração rural, desnível de renda, poucas favelas, ralas periferias… A solução é que nunca vinha… Que fizeram? Nada. O governo federal alguma vez alocou uma verba para nós? Nós só aparecíamos nos desabamentos no morro ou nas músicas românticas sobre a “beleza dos morros ao amanhecer”, essas coisas… Agora, estamos ricos com a multinacional do pó. E vocês estão morrendo de medo… Nós somos o início tardio de vossa consciência social… Viu? Sou culto… Leio Dante na prisão…


O GLOBO: – Mas… a solução seria…


- Solução? Não há mais solução, cara… A própria idéia de “solução” já é um erro. Já olhou o tamanho das 560 favelas do Rio? Já andou de helicóptero por cima da periferia de São Paulo? Solução como? Só viria com muitos bilhões de dólares gastos organizadamente, com um governante de alto nível, uma imensa vontade política, crescimento econômico, revolução na educação, urbanização geral; e tudo teria de ser sob a batuta quase que de uma “tirania esclarecida”, que pulasse por cima da paralisia burocrática secular, que passasse por cima do Legislativo cúmplice (Ou você acha que os 287 sanguessugas vão agir? Se bobear, vão roubar até o PCC…) e do Judiciário, que impede punições. Teria de haver uma reforma radical do processo penal do país, teria de haver comunicação e inteligência entre polícias municipais, estaduais e federais (nós fazemos até conference calls entre presídios…). E tudo isso custaria bilhões de dólares e implicaria numa mudança psicossocial profunda na estrutura política do país. Ou seja: é impossível. Não há solução.


O GLOBO: – Você não têm medo de morrer?


- Vocês é que têm medo de morrer, eu não. Aliás, aqui na cadeia vocês não podem entrar e me matar… mas eu posso mandar matar vocês lá fora…. Nós somos homens-bomba. Na favela tem cem mil homens-bomba… Estamos no centro do Insolúvel, mesmo… Vocês no bem e eu no mal e, no meio, a fronteira da morte, a única fronteira. Já somos uma outra espécie, já somos outros bichos, diferentes de vocês. A morte para vocês é um drama cristão numa cama, no ataque do coração… A morte para nós é o presunto diário, desovado numa vala… Vocês intelectuais não falavam em luta de classes, em “seja marginal, seja herói”? Pois é: chegamos, somos nós! Ha, ha… Vocês nunca esperavam esses guerreiros do pó, né? Eu sou inteligente. Eu leio, li 3.000 livros e leio Dante… mas meus soldados todos são estranhas anomalias do desenvolvimento torto desse país. Não há mais proletários, ou infelizes ou explorados. Há uma terceira coisa crescendo aí fora, cultivado na lama, se educando no absoluto analfabetismo, se diplomando nas cadeias, como um monstro Alien escondido nas brechas da cidade. Já surgiu uma nova linguagem.Vocês não ouvem as gravações feitas “com autorização da Justiça”? Pois é. É outra língua. Estamos diante de uma espécie de pós-miséria. Isso. A pós-miséria gera uma nova cultura assassina, ajudada pela tecnologia, satélites, celulares, internet, armas modernas. É a merda com chips, com megabytes. Meus comandados são uma mutação da espécie social, são fungos de um grande erro sujo.


O GLOBO: – O que mudou nas periferias?


- Grana. A gente hoje tem. Você acha que quem tem US$40 milhões como o Beira-Mar não manda? Com 40 milhões a prisão é um hotel, um escritório… Qual a polícia que vai queimar essa mina de ouro, tá ligado? Nós somos uma empresa moderna, rica. Se funcionário vacila, é despedido e jogado no “microondas”… ha, ha… Vocês são o Estado quebrado, dominado por incompetentes. Nós temos métodos ágeis de gestão. Vocês são lentos e burocráticos. Nós lutamos em terreno próprio. Vocês, em terra estranha. Nós não tememos a morte. Vocês morrem de medo. Nós somos bem armados. Vocês vão de três-oitão. Nós estamos no ataque. Vocês, na defesa. Vocês têm mania de humanismo. Nós somos cruéis, sem piedade. Vocês nos transformam em superstars do crime. Nós fazemos vocês de palhaços. Nós somos ajudados pela população das favelas, por medo ou por amor. Vocês são odiados. Vocês são regionais, provincianos. Nossas armas e produto vêm de fora, somos globais. Nós não esquecemos de vocês, são nossos fregueses. Vocês nos esquecem assim que passa o surto de violência.


O GLOBO: – Mas o que devemos fazer?


- Vou dar um toque, mesmo contra mim. Peguem os barões do pó! Tem deputado, senador, tem generais, tem até ex-presidentes do Paraguai nas paradas de cocaína e armas. Mas quem vai fazer isso? O Exército? Com que grana? Não tem dinheiro nem para o rancho dos recrutas… O país está quebrado, sustentando um Estado morto a juros de 20% ao ano, e o Lula ainda aumenta os gastos públicos, empregando 40 mil picaretas. O Exército vai lutar contra o PCC e o CV? Estou lendo o Klausewitz, “Sobre a guerra”. Não há perspectiva de êxito… Nós somos formigas devoradoras, escondidas nas brechas… A gente já tem até foguete anti-tanques… Se bobear, vão rolar uns Stingers aí… Pra acabar com a gente, só jogando bomba atômica nas favelas… Aliás, a gente acaba arranjando também “umazinha”, daquelas bombas sujas mesmo. Já pensou? Ipanema radioativa?


O GLOBO: – Mas… não haveria solução?


- Vocês só podem chegar a algum sucesso se desistirem de defender a “normalidade”. Não há mais normalidade alguma. Vocês precisam fazer uma autocrítica da própria incompetência. Mas vou ser franco…na boa… na moral… Estamos todos no centro do Insolúvel. Só que nós vivemos dele e vocês… não têm saída. Só a merda. E nós já trabalhamos dentro dela. Olha aqui, mano, não há solução. Sabem por quê? Porque vocês não entendem nem a extensão do problema. Como escreveu o divino Dante: “Lasciate ogna speranza voi cheentrate!” Percam todas as esperanças. Estamos todos no inferno.

REFERÊNCIAS (Wikipédia):

O Inferno é a primeira parte da "Divina Comédia" de Dante Alighieri, sendo as outras duas o Purgatório e o Paraíso. Está dividido em trinta e quatro cantos (uma divisão de longas poesias), possuindo um canto a mais que as outras duas partes, que serve de introdução ao poema. A viagem de Dante é uma alegoria através do que é essencialmente o conceito medieval de Inferno, guiada pelo poeta romano Virgílio. No poema, o inferno é descrito com nove círculos de sofrimento localizados dentro da Terra. Foi escrito no início do século XIV.

O Portal do Inferno não tem portas ou cadeados, somente um arco com um aviso que adverte: uma vez dentro, deve-se abandonar toda a esperança de rever o céu, pois de lá não se pode voltar. A alma só tem livre-arbítrio enquanto viva, portanto, viva se decide pelo céu ou pelo inferno. Depois de morta, perde a capacidade de raciocinar e tomar decisões.



POST-SCRIPTUM:


A entrevista é meio antiga, do tempo do Lula, mas a realidade é a mesma até hoje. E como é!


O que fazer? Chorar???


VOTE NULO! ESTAMOS TODOS NO INFERNO!

quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014

MANIFESTAÇÃO POPULAR OU GUERRA CIVIL?



Antes de tudo quero esclarecer que não apoio a velha tradição do "olho por olho, dente por dente". 

A morte do cinegrafista da Rede Bandeirantes, Santiago Andrade, foi um acontecimento lamentável que poderia ter sido evitado.



A "autoridade" pública provocou, em certa medida, novas manifestações de protesto ao aumentar o preço das passagens de ônibus municipais para R$ 3,00, mesmo sabendo que existem estudos que comprovam que o valor de R$ 2,50 já seria suficiente para cobrir as despesas das empresas. Ou seja, deveria, isto sim, BAIXAR o preço anterior de R$ 2,75 para R$2,50 e não AUMENTAR para R$ 3,00!!!

Quer dizer que foi uma provocação? Claro! E não esperava-se consequências? É óbvio que sim, até mesmo contava-se com elas.


 


O que os governos municipal e estadual do Rio de Janeiro queriam era só uma desculpa para endurecer contra os manifestantes, "descer o cacete", lançar bombas de gás e dar tiros com balas de borracha (que podem aleijar e até mesmo matar, sabiam?).

Só que eles não sonhavam que seus desejos seriam atendidos com tanta precisão. Os dois idiotas que participaram do atentado com o tal "rojão" que matou o jornalista "entregaram de bandeja" tudo que as "autoridades" queriam e muito mais.



O resultado é um inocente morto, os dois patetas na cadeia por uma boa temporada e o governo tirando uma de "bom moço", levando sua pseudojustiça "até as últimas consequências".

E A PASSAGEM CONTINUA A TRÊS REAIS!!! Maravilha, né? Fala sério...

 

Quando de minha postagem sobre o livro "Groucho-Marxismo", de Bob Black, ao conclamar os anarquistas a se unirem, estava naturalmente sendo irônico (pra quem não entendeu), até mesmo porque o anarquismo não possui uma única vertente, uma "doutrina codificada" (axé, Bakunin!) que una todos os que pensam diferente da mesmice entranhada nos corações e mentes das massas.

É, na verdade, um paradoxo, conclamar os anarquistas a se unirem, a não ser por breves momentos e por causas específicas. E é claro que eu sei disso.



  


Que ninguém se iluda: o sistema não vai cair se você jogar uma bomba nele. Ele simplesmente te joga 10, 100, 1.000 bombas e ainda conta com o apoio natural da mídia e da população, chocadas com a morte de alguém cujo único interesse era registrar fatos, informar no interesse até mesmo e principalmente dos manifestantes nos casos de violência policial.

Estes rapazes que agora serão tratados como criminosos comuns não passam de "bucha de canhão" numa estratégia imbecil e equivocada, incentivada sabe-se lá por quais interesses escusos.




Quanto pior, melhor? É, o PT já pensou assim também e olha aonde ele chegou. Bem alto, né? Só que, quanto maior a altura, maior a queda...

Resumindo, tudo tem sua hora e seu lugar. O movimento de rebelião tem sangue nas mãos e deu vários passos atrás com todo esse quadro lamentável.

O sistema ainda vai cair. Mas será de podre, sob seu próprio peso, e não sob pauladas e pedradas ou mesmo em consequência de "coquetéis moltov" ou fogos de artifício.

Li, não me lembro onde, que dar a outra face não é sinal de fraqueza, mas de protesto; pode bater o quanto quiser: daqui não saio, daqui ninguém me tira!

Que o exemplo de Gandhi e de Nelson Mandela nos inspirem no futuro e não o de uma dupla de garotos irresponsáveis e mal orientados.


POST-SCRIPTUM:

A luta continua. Mas é uma luta de consciências e não uma guerra civil. Infelizmente, parece que tem gente interessada na segunda opção...

E, com certeza, não é com isso que o povo brasileiro sonha.  



segunda-feira, 29 de julho de 2013

AMARILDO ESTÁ MORTO?






Amarildo Dias da Silva, pedreiro por profissão, apelidado  de 'o Boi', 47 anos e morador na Favela da Rocinha, em São Conrado, bairro da Zona Sul do Rio de Janeiro, foi visto pela última vez num domingo, dia 14 de julho de 2013, quando foi preso pelos policiais da UPP daquela comunidade, supostamente para prestar 'esclarecimentos', não sendo mais visto desde então.





Elisabete Gomes de Souza, mulher de Amarildo, não tem mais esperanças de que ele esteja vivo, o que realmente é bem pouco provável devido ao tempo já decorrido desde seu desaparecimento. Segundo a Polícia Militar, Amarildo teria sido liberado horas depois, só que não existem testemunhas da saída do mesmo das dependências da UPP.





"Já procuramos e não há resposta para o desaparecimento dele. Mataram meu primo. Podem devolver o corpo?" - desabafou Luiz Antônio Mota, primo de Amarildo, durante manifestação no último dia 19 por pelo menos 50 moradores da Rocinha na Autoestrada Lagoa-Barra. O delegado da décima-quinta delegacia de Polícia Civil (Gávea) é o responsável pelo caso.



POST-SCRIPTUM:



MAIS UMA VÍTIMA DA PM ASSASSINA! DEVOLVAM PELO MENOS O CORPO À FAMÍLIA, SEUS COVARDES!

  


FORA!

quinta-feira, 27 de junho de 2013

A BATALHA DO RIO DE JANEIRO

Um pequeno exemplo da 'guerra urbana' que eclodiu no Rio de Janeiro, mais especificamente na Avenida Presidente Vargas, no dia 20 de junho de 2013:


A



POST-SCRIPTUM:

Assista e desafie-se a não ficar indignado com a atuação covarde da PM carioca!

segunda-feira, 24 de junho de 2013

E FEZ-SE A LUZ...




Ao que tudo indica o povo brasileiro finalmente acordou de seu sono letárgico de tantos séculos (!!!). Tal expressão já está até virando lugar-comum, mas é a manifestação da mais pura verdade: é só ter olhos para ver e ouvidos para ouvir as reivindicações mais do que justas das ruas.




Apesar de algumas declarações infelizes e por que não dizer imbecis de algumas figuras públicas, a verdade está aí, na cara de todos, e não adianta tentar "tapar o sol com a peneira". Chupa, cambada de proxenetas exploradora do suor alheio! A hora do acerto de contas tarda mas chega...






A seguir uma lista de reivindicações bem práticas e objetivas numa resposta óbvia e fácil àqueles que 'acusam' este movimento espontâneo de indignação do povo brasileiro de não ter direção ou pautas concretas. Que fique claro que são apenas sugestões, mas acredito que qualquer pessoa sensata e bem intencionada há de concordar pelo menos com a maioria delas:







1) Transporte público subsidiado, com reduções gradativas no preço das passagens de ônibus, metrô e trem até o patamar de R$ 1,50, no máximo. Tal redução poderia ir-se processando ao longo de um período determinado razoável, digamos aproximadamente uns cinco anos, acompanhada de um projeto emergencial tipo 'economia de guerra' planificada (como feito, por exemplo, na Alemanha pós-guerras mundiais ou na antiga União Soviética), objetivando a substituição, também gradativa, dos veículos de transporte coletivo movidos a combustíveis fósseis por outros, mais modernos e não poluentes, movidos por energia elétrica (tipo trens suspensos em tubos ou monotrilho); ampliação e modernização das linhas de metrô já existentes nas metrópoles de todo o país e criação de novas; implantação imediata dos ônibus elétricos articulados, com mais conforto e segurança; organização mais inteligente do trânsito de carros particulares através da determinação de escalas, com dias determinados para finais de placas pré-selecionadas, além da criação e ampliação de (muito) mais ciclovias;










2) Intensificação dos investimentos públicos na educação formal com a construção de mais escolas e a contratação de mais professores, como também incentivo maciço à criação de escolas especiais voltadas à criação e desenvolvimento de novas tecnologias, mais baratas e mais eficientes, que visem prioritariamente o bem-estar da população trabalhadora em geral. Idem no que se refere à saúde pública, com a construção de mais hospitais federais, estaduais e municipais com atendimento digno e de 'padrão FIFA', além da contratação de mais médicos e de outros profissionais da saúde;








3) Aumento gradativo porém substancial no salário dos professores de todos os níveis, mas com prioridade aos do ensino fundamental e médio, bem como dos outros servidores públicos ligados à educação;







4) Extinção gradativa porém IRREVOGÁVEL da Polícia Militar, uma instituição arcaica e dispensável, na medida em que já existe uma Polícia Civil;








5) Redução imediata dos impostos em todos os níveis, acompanhada da extinção gradativa daqueles considerados abusivos;








6) Criação de uma comissão apartidária, composta por representantes notáveis e eminentes da sociedade civil, convidados a participar por seu saber notório e moral comprovadamente ilibada, bem como por representantes eleitos diretamente nas comunidades e bairros das maiores cidades do país e membros indicados do Ministério Público, visando a cobrança e a fiscalização de toda e qualquer medida que afete direta ou indiretamente a população em geral (como transporte público, saúde e educação, por exemplo);








7) Demissão imediata do presidente da Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara, o deputado federal Marco Feliciano (PSC-SP) e o fim da notória e constrangedora, além de claramente inconstitucional, "cura gay";







8) Prisão imediata dos condenados no "Mensalão" e em outras falcatruas com o dinheiro público, bem como, e em caráter emergencial, a convocação de julgamento sumário pelo STF por crimes contra o povo de notórios salafrários como os senhores Paulo Maluf, José Sarney, Fernando Collor de Mello e Lula, entre outros;





  

9) Rejeição imediata da PEC-37, que viria a cercear o poder de investigação do Ministério Público e legitimar a roubalheira institucional;







10) Convocação de plebiscitos regulares (de preferência mensais ou, pelo menos, semestrais), visando a revogação e/ou a criação de leis que afetem a vida da população brasileira.




Aí estão dez reivindicações que, em minha opinião, impõem-se como mais urgentes e consequentes para o apaziguamento da justa ira de um povo que já não aguenta mais ser explorado e enganado por uma elite econômica e política sem o mínimo de consciência social e ética.






(E se der pra incluir no "pacote" a legalização da cannabis sativa, vulgo maconha, melhor ainda...)







Quanto ao 'vandalismo', não passa de um sintoma temporário, inevitável e periférico, resultado de uma situação patológica que a maioria dos governantes deste país ignorou por mais de 500 anos e que os poderosos querem usar como justificativa para esvaziar e combater um movimento autêntico, justo e espontâneo, calando a voz indignada do povo.








Solicitando humildemente uma 'licença poética' para responder a todo este estado de coisas deixo aqui e agora as palavras imortais de Chico Buarque: "Apesar de você, amanhã há de ser outro dia...". Ou de uma forma menos educada e mais contundente, como diria o 'rapper' Emicida: "Fodam-se vocês!". Com todo o respeito...








POST-SCRIPTUM:


E você? Vai ficar aí parado? 






VAI PRÁ RUA!!!

quarta-feira, 10 de agosto de 2011

INCOMPETÊNCIA DA POLÍCIA MILITAR (DE NOVO)



Na noite de ontem, terça-feira, dia 09 de agosto, ocorreu um sequestro de ônibus em plena Av. Presidente Vargas, uma das mais movimentadas do Rio de Janeiro, e a Polícia Militar mais uma vez mostrou sua incompetência ao abrir fogo contra os bandidos, colocando em perigo a vida dos reféns. 


Não vou discutir aqui o motivo do aumento da criminalidade urbana no Rio, mas parece óbvio para qualquer um que a política de segurança pública da cidade (e do estado) é completamente equivocada. 



No presente caso, o comando da PM disse estar aliviado em virtude das consequências poderem ter sido piores. Ora, faça-me o favor! É claro que elas poderiam ter sido muito, mas muito piores ("179" lembra alguma coisa?), mas, evidentemente, também poderiam ter sido muito melhores. Vamos ter que contar com a sorte sempre que uma situação semelhante acontecer?


Assistam o vídeo até o fim e constatem os depoimentos de testemunhas confirmando que os disparos que feriram vários reféns partiram DE FORA DO ÔNIBUS, portanto de fuzis e pistolas da Polícia Militar.





Infelizmente, com toda a certeza por ordem direta do prefeito Eduardo Paes ou mesmo do governador Sérgio Cabral, dois reconhecidos 'picaretas' pela população do Rio de Janeiro, este vídeo com a reportagem da TV Bandeirantes foi inexplicavelmente 'caçado' dos arquivos do YouTube e não pode mais ser acessado; fica aqui registrada, entretanto, sua existência e meu veemente protesto contra tal arbitrariedade! Filhos da puta fascistas!    




POST-SCRIPTUM:



Semana passada, dia 02 de agosto, a PM confirmou a exoneração de 30 (trinta) agentes da corporação por desvio de conduta.


Entre os expulsos estão um sargento, soldados e cabos. As acusações vão de crimes como formação de quadrilha até tortura e tentativa de homicídio. 



Os casos de atuações equivocadas ou criminosas por parte de policiais militares nos últimos anos tem aumentado de forma alarmante, com diversas acusações de extorsão, assassinato, ocultação de cadáveres e desrespeito puro e simples à direitos básicos dos cidadãos, além da ostentação absurda e desnecessária de armamentos pesados nas vias públicas, de dentro dos carros de patrulha (numa atitude fascista que só pode ser compreendida como partindo de homens despreparados em uma acintosa tentativa de intimidação à população em geral, que só pode assistir impotente a tais 'desfiles de carros alegóricos'). 



Se a cortina de fumaça das UPPs resolve o problema da criminalidade de forma pontual e provisória, não pode ser encarada como uma solução definitiva para uma questão muito mais complexa e que extrapola os limites de uma supostamente meritória e inevitável "guerra às drogas". 


Quem assistiu ao filme "Tropa de Elite 2" sabe do que eu estou falando. Apesar de ser uma obra de 'ficção', o discurso do 'coronel Nascimento', no 'Congresso Nacional', no final da fita, resume de forma bem contundente e satisfatória minha opinião a respeito do assunto: 

"CHEGA DE POLÍCIA MILITAR!"




O próprio termo é um oximoro: a instituição militar é, por definição, destinada a combater inimigos externos, enquanto que à polícia, necessariamente civil, cabe proteger a população de ameaças à vida e ao patrimônio, no âmbito interno, sem apelar para atitudes truculentas e desrespeitosas ao cidadão ou à parafernálias descabidas e exageradas como, por exemplo, uniformes camuflados, símbolos funestos (caveiras e afins) e armamento pesado de combate, usados geralmente por comandos especiais de forças armadas para atuação em contextos específicos, ou seja, GUERRA declarada entre exércitos (querem nos convencer de que vivemos num estado de guerra civil e não numa situação obviamente decorrente, em grande parte, das desigualdades sociais e do descaso do poder público para com a população mais carente). 



Uma polícia exclusivamente civil que, isto sim, atue dentro dos limites da Constituição, com um trabalho competente de inteligência e investigação, em estreita colaboração com o ministério público, bem como com um preparo psicológico e técnico da melhor qualidade aliado à uma formação acadêmica do mais alto nível para seus quadros, além da garantia mínima de comprometimento da instituição como um paradigma ético do tipo "proteger e servir", levado muito à sério e não apenas como letra morta. 


A preocupação com bons salários não deve ser subestimada, mas deve vir como corolário a toda uma política de segurança pública comprometida acima de tudo com o bem-estar de TODA a população e não como consequência do mais abjeto corporativismo. 


Quanto a questão dos desvios de conduta, o exemplo tem de vir de cima: punição rápida e pesada no âmbito da justiça civil (chega dos privilégios da justiça militar para bandidos fardados) como consequência da comprovação de quaisquer excessos cometidos por policiais (ou, à propósito, por qualquer funcionário público, inclusive e principalmente, aqueles que se arvoram possuidores de mandatos eletivos).


Que fique bem claro que o que estou defendendo é o mesmo tipo de rigor, sempre dentro da lei, para com ladrões e corruptos de todos os matizes e classes sociais - ricos, pobres ou remediados, pessoas físicas ou jurídicas - que ameacem a segurança da população trabalhadora ou que se locupletem indevidamente com o dinheiro público. 



O que defendo acima de tudo é o estado de direito e os princípios éticos que deveriam ser a base de sustentação de todo regime democrático e republicano, nada mais, nada menos, e isso, gostem ou não alguns, inclui as garantias constitucionais ao cidadão. 



Isso não impede - pelo contrário -, que eu defenda também uma política carcerária mais eficiente e que trate o preso como ser humano, com vistas a sua efetiva reintegração na sociedade, assim como uma política de combate às drogas mais coerente, e eu me refiro a drogas realmente perigosas como o CRACK e não à quase inocente cannabis sativa, por exemplo, que não pode ser comparada ao álcool ou ao tabaco (ambos legais e socialmente tolerados) em termos de prejuízos em todos os sentidos, além de penas BEM mais duras e longas - trabalhos forçados em regiões inóspitas seriam uma opção interessante -, sem recursos ou reduções, aplicadas evidentemente em casos excepcionais bem definidos pela legislação (crimes realmente hediondos, cometidos com requintes de crueldade e por motivo torpe). 


Tudo isso sem falar na ampliação do direito legítimo à autodefesa pela população civil contra ameaças específicas à vida e ao patrimônio, por quaisquer meios que se mostrem convenientes, letais (armas de fogo) ou não-letais (bastões de combate usados por praticantes de artes marciais, 'spray' de pimenta, 'tasers', etc.); apesar de apoiar o desarmamento de uma forma geral, não posso compactuar com uma situação em que o cidadão torne-se refém indefeso de criminosos armados "até os dentes": há que observar-se critérios mais realistas para uma situação extremamente complexa. 

Situação esta para a qual não defendo a aplicação legal da pena de morte nos casos em que a mesma poderia ser aplicada sem constrangimentos - e, admitamos ou não, todos sabemos muito bem quais seriam estes casos (com pequenas variações, é claro) - pelo simples e sempre lembrado motivo de que, neste país, apenas os pobres e negros seriam condenados à tal penalidade em última e definitiva instância.

Voltando à questão dos maus policiais, não pode haver lenitivo no que se refere ao combate e ao extermínio das assim-chamadas 'milícias', esta praga que infesta a sociedade brasileira e que se arvora do poder de vida e morte sobre vastas camadas da população, tão seguras de sua impunidade que são capazes de assassinar juízes, testemunhas ou mesmo colegas de farda com a mais desprezível e indigna desfaçatez. 

Já dizia o ditado: "quem cala consente". Não acredito que muita coisa vá mudar no curto prazo, mas ninguém vai me impedir de expressar minha opinião. CHEGA DE IMPUNIDADE!