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quarta-feira, 30 de abril de 2014

SAUDADES DO FUTURO (2)




[Editado de um texto de Arnaldo Jabor publicado no Segundo Caderno do jornal O GLOBO]


A cultura patriarcal/estatal desde a colônia nos garantiu durante o populismo janguista até 64, que o Estado faria uma revolução tropical e transcendental (vide os delírios de Darcy Ribeiro, por exemplo), de modo a tirar o país da "alienação" e salvar, pela arte, os oprimidos. A cultura era uma política. O golpe de 64 foi uma porrada na utopia. Mas houve uma vantagem: a derrota nos "ajudou" a ver o atraso de nossas certezas. A ditadura e a depressão dos derrotados nos mostraram que o buraco era mais embaixo e que as forças da História eram mais labirínticas. A esquerda começou a se autocriticar (nem toda, claro - vide os soviéticos que ainda vicejam por aí).

Nos anos 1970, a contracultura ampliou repertórios e códigos artísticos, pela loucura do "desbunde" e da subcultura hippie. Houve uma virada mais antropológica que ideológica.



De cabeça para baixo, vimos mais. Valíamos pelo que "não" tínhamos e, se antes éramos vítimas imaginárias do capitalismo, agora éramos vítimas reais da ditadura e passamos a ter uma nova meta: a liberdade.

Surgiu um novo ente: o mercado. Se Lênin disse que nada existe fora do poder, o capital respondia que nada existia fora do mercado. Para onde ir? O trauma da globalização foi mais profundo que a derrota de 64; ficamos mais informados politicamente, mais cultos, embora, para os mais burros, tenha renascido um neonacionalismo rancoroso e feroz, a ideologia cultural do "bode-preto" reforçando conceitos superados: um "mix" de farrapos de esquerda, azedume "punk", pálida tristeza e anseios regressistas.

De repente, outra porrada no voluntarismo de intelectuais e artistas: não há mais futuro. Subitamente o presente nos atacou com uma enxurrada de vida liberada pela era digital na internet.

Sempre falávamos na democratização da cultura, das artes... Pois ela está aí... e não foi o Estado nem o ministério, nem anseios neorromânticos. 

Ela está aí... Bill Gates, Jobs, as redes, os microchips mudaram o mundo... Quem diria?



E agora a mutação é mais intrincada porque não há "uma" ideia nova, uma escola, uma tendência. A mutação atual é a "contribuição milionária" de todos os desejos expressivos. Mudaram todos os suportes, as formas se multiplicam sem parar criando novas significações.

Sabíamos que a era digital mudaria tudo, desde o mundo árabe até a poesia de Shakespeare? Mais uma vez, as coisas criam os homens... Todo mundo pode fazer arte, poesia e a internet é o novo parnaso digital.

Reação romântica: como fazer arte sem futuro, sem finalidade? Sem a ideia de "eterno"? Que será do artista demiurgo, aqueles "poucos falando para muitos"? Agora, em que todos criam para todos, o que é "importante", como dizíamos? O que terá hoje ou amanhã o prefixo"Ur" (alemão) - as coisas fundadoras? Onde está a totalidade?

  

Há uma revolução de meios sem uma clareza de fins. Como será o mundo árabe? Como será a grande arte? Ainda haverá? Os meios justificam fins desconhecidos. E, vamos combinar, que mesmo na louvação das irrelevâncias, ainda dorme talvez o desejo de um sentido. Olha a encrenca... A própria ideia de um debate sobre esta dúvida já é antiga.

Se fosse proposta a um jovem blogueiro, ele diria: "Pra quê?"


POST-SCRIPTUM:


 




terça-feira, 29 de abril de 2014

SAUDADES DO FUTURO (1)


[Editado de um texto de Arnaldo Jabor publicado no Segundo Caderno do jornal O GLOBO]


Sempre falamos em "cultura brasileira", mas não sabemos exatamente o que é isso, hoje em dia. Cultura é o que? Uma senhora grega, de camisola, segurando uma tocha? Cultura é uma índia, negra e portuguesa, de cocar e saiote? Cultura é um museu erudito e paralítico que rima com "sepultura"? Fazemos boquinha elegante para falar em "cultura" mas sempre sobra um gosto de alguma coisa em crise, que deve ser salva.

Na tradição de bacharéis colonizados de cartola e fraque, sempre amamos as "coisas do espírito", "a alma minha gentil" ou o "vai-se a primeira pomba despertada", as poesias com que nos embriagávamos nos botequins da República Velha, em meio à febre amarela e à varíola. 

A impotência política para superar nosso atraso endêmico nos levou a uma supervalorização da "cultura artística". Era nossa ilusão e consolo: "somos pobres, mas com uma cultura rica...". Senti isso em minha juventude, quando um companheiro me disse: "Não temos nada, mas somos o sal da terra". Fazíamos arte, filmes, música como se salvássemos o país. Agora a web é uma cachoeira de criações artísticas. Acabam os poucos artistas criando para muitos.

Antes, o subdesenvolvimento nos dava uma "superioridade" sobre os "falsos problemas europeus", como o absurdismo do teatro de Beckett ou Ionesco, o "existencialismo alienado do social" ou o sinistro comercialismo americano. A pobreza era nossa maior riqueza. Vivíamos na divisão simplista entre "centro e periferia", colonia e metrópole, vítimas santificadas do imperialismo cruel.

Nossos defeitos institucionais seculares ficavam ocultos, já que a culpa era "dos outros". Chegamos a fazer a glamourização da incompetência. Era a poética da precariedade contra a técnica dos países ricos e "decadentes". Achávamos a miséria uma nova estética - o mito de que o tosco, o povo simples e até o burro são ungidos por uma "verdade sagrada".

Essa ideia reacionária rola até hoje, haja visto o carisma triunfal do ex-presidente operário. Minha geração, no cinema e na esquerda, achávamos que teríamos um futuro cultural que nos salvaria; havia um geist artístico em marcha a uma harmonia libertadora. Éramos os "sujeitos" que moldariam a História. Éramos hegelianos e não sabíamos.

No entanto, as mutações culturais mais visíveis (que não enxergávamos) vieram por "irrupções" de causas materiais, de relações de produção industriais e comerciais: a cultura do café e o Modernismo; o crash da bolsa em 29 contribuindo para nossa "identidade" na revolução de 30; a indústria fonográfica americana e o rádio projetando a música popular dos anos de ouro; a industrialização juscelinista possibilitando a arquitetura, a bossa nova, o Cinema Novo; a Philips e outras gravadoras veiculando a música dos anos 1960; a TV ensinando o povo a falar e a ver o país. Não éramos marxistas e não sabíamos.


POST-SCRIPTUM:





 Continua...

 

segunda-feira, 14 de abril de 2014

AGENDA OCULTA


[Editado a partir de um texto de STEPHEN KANITZ]



Muitos escritores, cientistas e formadores de opinião usam e abusam de nossa confiança. Sutilmente nos enganam para defender os próprios interesses. É o que em epistemologia chamamos de "agenda oculta". Quanto mais velhos ficamos, mais percebemos quanta agenda oculta existe por trás de quase tudo o que é escrito hoje em dia no Brasil e no mundo. É simplesmente desanimador.

Prefiro sempre artigos que apresentam tabelas, números e outras informações concretas em vez de "idéias", opiniões e indignações. É justamente isso que editores de livros no mundo inteiro nos aconselham a evitar, porque senão "ninguém lê", o que infelizmente é verdade. Mas é justamente isso que deveria ser lido.



Ignoramos solenemente os que fazem parte de nossa Academia Brasileira de Ciências, que descobrem a essência do que ocorre na prática, as causas de seus efeitos, os que usam o método científico de análise. O último acadêmico de ciências nem sequer foi noticiado pela imprensa brasileira.

"Imortais" no Brasil são aqueles bons de bico, que nos seduzem com belas frases e palavras, pois somos um país do "me engana que eu gosto". Nosso descaso com ciência, estatísticas, equações, dados, números, análise científica é a causa de nosso atraso. Porque não nos preocupamos com ciência, viramos o país da mentira.



Muito do que se escreve, até em livros de filosofia, vem, na realidade, de pessoas justificando sua vida, seus erros e suas limitações. Elas têm uma agenda oculta que cabe a você descobrir. Quando alguém sai propondo maiores gastos em educação, sempre indago se não é mais um professor querendo maiores salários, pagos por impostos, "impostos" à sociedade.

Notem como 95% desses artigos pedem verbas, vinculações de verbas e mais verbas, e nenhum discute quais as novas matérias que seriam ensinadas. Omitem invariavelmente o fato de que hoje, nas universidades, algo em torno de 50% dos alunos nem terminam o curso - e por volta de 50% dos que terminam não exercem a profissão. Este é um problema resolvido com mais verbas ou com uma urgente reforma no conteúdo educacional?




Se não mudarmos nossa mentalidade, se não nos preocuparmos em detectar a agenda oculta de todos aqueles que nos pregam alguma coisa, pagaremos caro pela nossa falta de vigilância epistêmica.

Seremos sempre presas fáceis dos que falam bonito e escrevem melhor ainda.


POST-SCRIPTUM:

Concordo em boa parte com o autor, mas não podemos perder de vista que nem tudo que é literatura ou filosofia é "conversa prá boi dormir", senão corremos o risco de descartar muita coisa pertinente como desimportante, certo?

 




quarta-feira, 19 de março de 2014

MICHEL FOUCAULT



[Adaptado de uma reportagem publicada no caderno 'Prosa & Verso' do jornal O GLOBO, em 11.01.2014]


No ano em que se completam três décadas da morte do filósofo francês Michel Foucault (1926-1984) presto aqui minha homenagem aquele que foi o pensador libertário das marginalidades sociais e das minorias culturais, raciais e sexuais.

Foucault expunha uma visão da cultura e da História que não pretendia explicar o presente pelo passado. Preferia investigar os discursos que condicionam as formas de ver e julgar, e analisar a maneira pela qual a cultura contemporânea determina as condições de possibilidade do novo. Construiu assim sua arqueologia da cultura ocidental.


POST-SCRIPTUM:


A seguir um trecho de declarações feitas pelo filósofo, em entrevista concedida ao "Jornal da Tarde", numa visita ao Brasil poucos dias depois do assassinato do jornalista Vladimir Herzog por agentes da ditadura militar em 1975:

"A dialética mestre-escravo, segundo Hegel, é o mecanismo pelo qual o poder do mestre se esvazia pelo fato mesmo de seu exercício. A certa altura ele se encontra na dependência do escravo, não tendo mais poder porque cessou de exercê-lo. 

Quero mostrar o oposto: que o poder se reforça pelo seu próprio exercício - não passa sub-repticiamente para o outro lado. Desde 1831, a Europa não parou de pensar que a derrubada do capitalismo era iminente. Isso muito antes de Marx. E ele está aí. Não digo que ele nunca será desenraizado. Mas que o custo de sua derrubada não é o que imaginamos.

Se essas lutas são feitas em nome de alguma essência do homem, tal como ela foi construída no pensamento do século XVIII, eu diria que essas lutas estão perdidas. Porque elas serão conduzidas em nome do homem abstrato, do homem 'normal', do homem 'de boa saúde', que é o precipitado de uma série de poderes.

Agora, se quisermos fazer a crítica desses poderes, não se deve efetuá-la em nome de uma ideia do homem construída a partir desses poderes. Quando o marxismo vulgar fala do homem completo, do homem reconciliado com ele mesmo, de que se trata? Do homem 'normal', do homem 'equilibrado'. Quando se formou a imagem desse homem? A partir de um saber e de um poder psiquiátrico, médico, um poder 'normalizador'. 

Fazer crítica política em nome desse humanismo significa reintroduzir na arma do combate aquilo contra o qual combatemos."



segunda-feira, 24 de junho de 2013

E FEZ-SE A LUZ...




Ao que tudo indica o povo brasileiro finalmente acordou de seu sono letárgico de tantos séculos (!!!). Tal expressão já está até virando lugar-comum, mas é a manifestação da mais pura verdade: é só ter olhos para ver e ouvidos para ouvir as reivindicações mais do que justas das ruas.




Apesar de algumas declarações infelizes e por que não dizer imbecis de algumas figuras públicas, a verdade está aí, na cara de todos, e não adianta tentar "tapar o sol com a peneira". Chupa, cambada de proxenetas exploradora do suor alheio! A hora do acerto de contas tarda mas chega...






A seguir uma lista de reivindicações bem práticas e objetivas numa resposta óbvia e fácil àqueles que 'acusam' este movimento espontâneo de indignação do povo brasileiro de não ter direção ou pautas concretas. Que fique claro que são apenas sugestões, mas acredito que qualquer pessoa sensata e bem intencionada há de concordar pelo menos com a maioria delas:







1) Transporte público subsidiado, com reduções gradativas no preço das passagens de ônibus, metrô e trem até o patamar de R$ 1,50, no máximo. Tal redução poderia ir-se processando ao longo de um período determinado razoável, digamos aproximadamente uns cinco anos, acompanhada de um projeto emergencial tipo 'economia de guerra' planificada (como feito, por exemplo, na Alemanha pós-guerras mundiais ou na antiga União Soviética), objetivando a substituição, também gradativa, dos veículos de transporte coletivo movidos a combustíveis fósseis por outros, mais modernos e não poluentes, movidos por energia elétrica (tipo trens suspensos em tubos ou monotrilho); ampliação e modernização das linhas de metrô já existentes nas metrópoles de todo o país e criação de novas; implantação imediata dos ônibus elétricos articulados, com mais conforto e segurança; organização mais inteligente do trânsito de carros particulares através da determinação de escalas, com dias determinados para finais de placas pré-selecionadas, além da criação e ampliação de (muito) mais ciclovias;










2) Intensificação dos investimentos públicos na educação formal com a construção de mais escolas e a contratação de mais professores, como também incentivo maciço à criação de escolas especiais voltadas à criação e desenvolvimento de novas tecnologias, mais baratas e mais eficientes, que visem prioritariamente o bem-estar da população trabalhadora em geral. Idem no que se refere à saúde pública, com a construção de mais hospitais federais, estaduais e municipais com atendimento digno e de 'padrão FIFA', além da contratação de mais médicos e de outros profissionais da saúde;








3) Aumento gradativo porém substancial no salário dos professores de todos os níveis, mas com prioridade aos do ensino fundamental e médio, bem como dos outros servidores públicos ligados à educação;







4) Extinção gradativa porém IRREVOGÁVEL da Polícia Militar, uma instituição arcaica e dispensável, na medida em que já existe uma Polícia Civil;








5) Redução imediata dos impostos em todos os níveis, acompanhada da extinção gradativa daqueles considerados abusivos;








6) Criação de uma comissão apartidária, composta por representantes notáveis e eminentes da sociedade civil, convidados a participar por seu saber notório e moral comprovadamente ilibada, bem como por representantes eleitos diretamente nas comunidades e bairros das maiores cidades do país e membros indicados do Ministério Público, visando a cobrança e a fiscalização de toda e qualquer medida que afete direta ou indiretamente a população em geral (como transporte público, saúde e educação, por exemplo);








7) Demissão imediata do presidente da Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara, o deputado federal Marco Feliciano (PSC-SP) e o fim da notória e constrangedora, além de claramente inconstitucional, "cura gay";







8) Prisão imediata dos condenados no "Mensalão" e em outras falcatruas com o dinheiro público, bem como, e em caráter emergencial, a convocação de julgamento sumário pelo STF por crimes contra o povo de notórios salafrários como os senhores Paulo Maluf, José Sarney, Fernando Collor de Mello e Lula, entre outros;





  

9) Rejeição imediata da PEC-37, que viria a cercear o poder de investigação do Ministério Público e legitimar a roubalheira institucional;







10) Convocação de plebiscitos regulares (de preferência mensais ou, pelo menos, semestrais), visando a revogação e/ou a criação de leis que afetem a vida da população brasileira.




Aí estão dez reivindicações que, em minha opinião, impõem-se como mais urgentes e consequentes para o apaziguamento da justa ira de um povo que já não aguenta mais ser explorado e enganado por uma elite econômica e política sem o mínimo de consciência social e ética.






(E se der pra incluir no "pacote" a legalização da cannabis sativa, vulgo maconha, melhor ainda...)







Quanto ao 'vandalismo', não passa de um sintoma temporário, inevitável e periférico, resultado de uma situação patológica que a maioria dos governantes deste país ignorou por mais de 500 anos e que os poderosos querem usar como justificativa para esvaziar e combater um movimento autêntico, justo e espontâneo, calando a voz indignada do povo.








Solicitando humildemente uma 'licença poética' para responder a todo este estado de coisas deixo aqui e agora as palavras imortais de Chico Buarque: "Apesar de você, amanhã há de ser outro dia...". Ou de uma forma menos educada e mais contundente, como diria o 'rapper' Emicida: "Fodam-se vocês!". Com todo o respeito...








POST-SCRIPTUM:


E você? Vai ficar aí parado? 






VAI PRÁ RUA!!!

terça-feira, 12 de fevereiro de 2013

CARNAVAL 2013



E lá se vai mais um Carnaval. Admito que não sou fanático pela festa, mas costumo sair todo ano num bloco que reúne uma galera da minha adolescência. Além de ser uma boa desculpa pra rever muita gente boa às vezes dá até pra conhecer umas caras novas e... (deixa prá lá!).

Quanto ao desfile das Escolas de Samba, pra mim não tem mais muita graça não, parece que todo ano é sempre a mesma coisa, apesar de torcer pro Salgueiro. Aliás, foi uma das poucas que eu tive paciência de assistir pela TV, além da Unidos da Tijuca, Mangueira, Beija-Flor e São Clemente, até porque estavam entre as primeiras a desfilar no domingo e na segunda-feira.





Sem querer ser chato, vou ousar fazer algumas críticas, tanto ao desfile quanto à transmissão da TV Globo. O Salgueiro veio “arrebentando”, com muito luxo e abusando da tecnologia. Nada contra, até porque o desfile é cada vez mais para gringo ver.

Unidos da Tijuca, idem, muito bonita e cheia de truques tecnológicos. Pena que pecou num detalhe nem tão pequeno assim. A homenagem à Alemanha foi original, mas a Escola cometeu um equívoco logo na Comissão de Frente ao exaltar a mitologia germânica. Thor e Odin, apesar de terem sido reverenciados na antiga Alemanha, eram conhecidos como Donar ou Doner e Wotan ou Woden. Thor e Odin são os nomes pelos quais estas divindades eram conhecidas na Escandinávia (Dinamarca e Noruega, principalmente). Não chegou a tirar o brilho do espetáculo (legal a mágica com o martelo!), mas que foi um tremendo “vacilo” isso foi.






Mangueira e Beija-Flor: ambas como sempre dignas e belas, candidatas indiscutíveis ao título. Entretanto a Escola de Nilópolis também teve seu equívoco, e não foi pequeno. Um dos destaques foi uma fantasia muito bonita e luxuosa chamada “Dario, Rei da Babilônia”. Hein?!? Dario foi Imperador da Pérsia, gente. Tudo bem que suas conquistas também alcançaram a região entre os rios Tigre e Eufrates (atual Iraque), onde localizava-se a antiga Babilônia, mas, pelo amor de Zaratustra, essa foi imperdoável!





Outro equívoco, até engraçado, veio de um dos comentaristas da TV Globo. O tema da Beija-Flor era uma homenagem ao cavalo, animal que, desde pelo menos a última Era Glacial, tem sido um parceiro indispensável da humanidade na construção das civilizações. Acontece que uma certa alegoria focalizava a evolução do animal desde seus ancestrais mais longínquos, entre eles o "eohippus", que existiu mais ou menos entre 10 e 20 milhões de anos atrás. Era um animal pequeno em comparação com nosso cavalo, mais ou menos do tamanho de um cachorro médio atual. Durante o desfile, a certa altura, o comentarista declarou que devia ter sido mais fácil para o “homem das cavernas” caçar aqueles “cavalinhos” do que os dinossauros. Putz! Essa foi hilária! Alguém andou vendo desenhos animados demais! Entre a extinção dos últimos dinossauros e o surgimento dos primeiros hominídeos existe um intervalo de, pelo menos, 50 milhões de anos!!! Fala sério...






Quanto a São Clemente, pessoalmente detestei. Veio homenageando as novelas da TV Globo, num demonstração descarada de “puxa-saquismo” típico. Por sinal, por que só a Globo pode transmitir o desfile das Escolas de Samba? Ah é, muito dinheiro...

E pra quem não sabe o desfile agora tem patrocínio de empresas privadas. Quem não gosta de dinheiro?



POST-SCRIPTUM:



Anyway, parabéns a todas as Escolas de Samba que desfilaram no Sambódromo da Av. Marquês de Sapucaí. E que vença a melhor!

segunda-feira, 11 de abril de 2011

KARL MARX E 'A MISÉRIA DA FILOSOFIA'





Em fins do século XIX as reflexões de Karl Marx (1818-1883) sobre a história levaram-no a reconhecer a importância fundamental das questões ligadas à produção: não há sociedade que não consuma para sobreviver; e, para consumir, ela precisa, de algum modo, produzir.

Assim, não há como compreender a complexidade inerente a qualquer sociedade se não levarmos em conta os problemas ligados ao modo pelo qual ela organiza a sua produção e ao modo pelo qual nela se dá a apropriação da riqueza produzida. 






Esta é, em essência, a concepção da história elaborada por Marx, a qual corresponde com perfeita coerência à sua concepção do homem, cujos aspectos essenciais ele desenvolveu numa polêmica com o socialista utópico francês, Proudhon.

Advertia Marx, então, que "as relações de produção formam um todo" e que certa visão de conjunto torna-se indispensável para a avaliação do verdadeiro alcance de cada fenômeno observado na história. Marx se contrapunha, portanto, à ilusão que levava Proudhon a se basear, não na totalidade dinâmica das relações de produção, mas numa pretensa natureza humana imutável, para avaliar os problemas históricos da sociedade de seu tempo.






"O Sr. Proudhon não sabe que toda a história tem sido apenas uma transformação constante da natureza humana", escreveu Marx em seu livro 'A MISÉRIA DA FILOSOFIA'. 

Desde o seu nascimento, a Filosofia tratou de assuntos cruciais: a natureza das coisas, a natureza do homem, a ética, as formas de governo, a felicidade, o trabalho, o átomo, a economia, a liberdade, a justiça, o amor, a verdade, a vida, a morte, etc. Todos estes problemas são ainda hoje atuais. Nunca, nenhum deles foi equacionado definitivamente. Isso mostra que as questões realmente importantes são sempre retomadas e articuladas de modo novo ao longo da história humana.






A Filosofia é, portanto, um discurso vivo e inacabado, justamente porque se origina nas questões radicais de nossa existência, bem com da ciência, da política, da arte e da religião. Assim sendo, ela não pode ser neutra. Pelo contrário, deve revestir-se de um profundo sentido transformador e crítico da realidade, que surge a partir de concepções revolucionárias do homem e do mundo.

Tais concepções se colocam como contraponto ao discurso praticado pela tradição filosófica que situava a discussão no nível exclusivo de uma visão metafísica da realidade ou permanecia presa à estreiteza de um ponto de vista puramente contemplativo; em outras palavras, "a miséria da filosofia".






“Os filósofos têm se limitado a interpretar o mundo de diferentes maneiras; trata-se, entretanto, de transformá-lo”, escreveu Marx. Ou seja, sua proposta era de rompimento com práticas anteriores caracterizadas pela inércia e pelo conformismo com a situação que se apresentava e de participação no sentido de um engajamento em um verdadeiro movimento transformador das consciências em geral, e do curso de filosofia em particular, instaurando, assim, o pensar que quer ser agente e ator da transformação da realidade.

Alguns poderiam questionar, e muitos o fazem, a respeito da relevância do pensamento de Karl Marx para os dias de hoje, pelo menos fora dos meios acadêmicos. Nestes vetustos santuários da ortodoxia marxista, até onde sei, ele vai muito bem, obrigado (ou, pensando bem, talvez nem tanto...). Mas e no caldeirão da cultura globalizada, território por excelência do genérico, do virtual e do fugaz (qualidades essas que – e isto deve ser sempre enfatizado – não merecem à priori o rótulo de 'negativas', diga-se de passagem)?






Eu diria que, como tudo, depende. Depende, entre outros aspectos que se possa pensar, principalmente da interpretação que se dê a seus escritos e da relação dessa interpretação com a transformação das circunstâncias históricas, desde a época em que foram concebidos até os dias atuais.

Se o ponto de partida for o marxismo ortodoxo, ou seja, aquela velha ladainha maniqueísta dos partidos de esquerda tradicionais, não vale nem a pena começar a discutir, é pura perda de tempo. Esse tipo de ‘pensamento’ não vai além de alguns clichês e palavras de ordem decoradas em cartilhas fomentadoras do ódio e do ressentimento. E, além do mais, extremamente hipócritas.







Entretanto, se o ponto de partida for o pensamento vivo desse que foi, antes de tudo, um filósofo, e só depois um economista e um político, ou seja – como diria o mestre José Arthur Giannoti – , não o ‘marxismo’ (que diria respeito a tudo que foi feito, devida ou indevidamente, em nome de Karl Marx), mas o pensamento ‘marxiano’ (que nos remeteria ao que ele efetivamente escreveu), então a resposta só pode ser um sonoro sim, pois não há como entender o século XX e entrar no século XXI sem conhecer as revolucionárias idéias de Marx.



POST-SCRIPTUM:


Não obstante que, em sua maior parte, a doutrina marxista seja de 'segunda mão' – originária de interpretações dadas por dirigentes soviéticos como Lênin, Trotsky e Stálin, ou o chinês Mao Tsé-Tung –, a obra de Marx, incontestavelmente, trouxe contribuições originais para a filosofia, a sociologia, a economia política e a história, ainda que discordemos pontualmente de algumas (ou mesmo de muitas) de suas colocações. 







E, se há que se admitir que poucos, na verdade, ousaram desbravar a complexidade de sua obra, não há como negar que, toda vez que achamos que alguma coisa está errada em uma sociedade em que uma minoria tem muito dinheiro e a maior parte da população vive em dificuldade, e que os sonhos de consumo nos tornam apenas mais vazios, estamos pensando na companhia de Marx, de uma forma ou de outra.


(Agradecimentos especiais aos professores LEANDRO KONDER e OLINTO PEGORARO)






sábado, 11 de dezembro de 2010

QUEM SOU EU?




Aviso aos navegantes: a leitura a seguir, dependendo do temperamento e/ou da (in)formação de cada um, pode parecer completamente incoerente ou uma fonte de surpresas inesperadas e muito agradáveis; fica a critério do freguês:

Quem sou eu?  







Tudo e Nada; Ser e Não-Ser; Caos e Ordem; Silêncio e Som; Sentido e Nonsense; Retórica e Sofística; Dialética e Paradoxo; Simetria e Terceiro Excluído; Eternidade e Devir; Infinito e Singularidade; Vácuo e Verbo; Unidade e Multiplicidade; Espaço e Tempo; Duração e Simultaneidade; Real e Virtual; Harmonia e Dissonância; Coerência e Insensatez; Yin e Yang; Onda e Partícula; Posição e Momentum; Energia e Entropia; Hádron e Lépton; Totalidade e Incompletude; Absoluto e Incerteza; Relatividade e Axiomática; Dúvida e Dogma; Teoria e Práxis; Coração e Mente; Eu e Outro; Sim e Não; Lá e Aqui; Espírito e Matéria; 






Ciência e Arte; Teatro e Política; Logos e Mito; Matemática e Poesia; Música e Pintura; Escultura e Arquitetura; Astronomia e Dança; Estrutura e Acaso; Tragédia e Comédia; Id e Superego; Nous e Psyché; Métron e Hybris; Arethé e Epoché; Capricho e Vontade; Se e Talvez; Classissismo e Hiperrealismo; Impressionismo e Cubismo; Romantismo e Surrealismo; Simbolismo e Realismo; Holismo e Mecânica Quântica; Transfinito e Infinitesimal; Pré-socrático e Pós-moderno; 




Futurista e Anacrônico; Bipolar e Aleatório; Psicodélico e Paranormal; Autodidata e Diletante; Lírico e Satírico; Irônico e Fraterno; Cínico e Crédulo; Indiferente e Heróico; Sublime e Ridículo; Sonhador e Pragmático; Lógico e Louco; Coerente e Caótico; Simples e Complexo; Modesto e Maravilhoso; Arrogante e Humilde; Melhor e Pior; Igual e Diferente; Nós e Eles; Céu e Inferno; Místico e Iconoclasta; Racionalista e Romântico; Sentimental e Cruel; Irascível e Razoável; Distraído e Compenetrado; Superficial e Profundo; Monarquista e Republicano; Anarquista e Totalitarista; Democrático e Tirânico; Multicultural e Tribal; Socialista e Fascista; Liberal e Conservador; Revolucionário e Conformista; Libriano e Cão Chinês; 






Flamengista e Salgueirense; Carioca e Brasileiro; Latino-Americano e Cosmopolita; Judeu e Cristão; Muçulmano e Budista; Camelo e Leão; Criança e Velho; Homem e Mulher; Animal e Vegetal; Mamífero e Réptil; Luz e Sombra; Sol e Lua; 'Thank You' e 'Fuck You'; Pensamento e Ação; Proletário e Burguês; Espectro e Planta; Anjo e Demônio; Último Homem e Homem Superior; Além e Aquém; Ateu e Deísta; Agnóstico e Politeísta; Materialista e Espiritualista; Ecumênico e Herege; 






Tradicionalista e Revisionista; Zen e Bushidô; Yoga e Wushu; Capoeira e Tai Chi Chuan; Krav Magá e Jiu-Jitsu; Muay Thai e Aikidô; Abismo e Espelho; Um e Zero; Gênesis e Big Bang; Apocalipse e Ragnarok; Armagedon e Juízo Final; Dobra e Fissura; Alfa e Ômega; Pi e Aleph; Mi e Ma; Ain Sof e Adam Kadmon; Tzim Tzum e Tehom; Atzmut e Sefirot; Kether e Malkut; Daat e Zohar; Tarot e Torah; Iahu e Yahweh; Jeová e Jove; Jah e Allah; Adonis e Adonai; Trimurti e Tetragramaton; Theos e Daimon; Omphalos e Ouroboros; Tohu va-Vohu e Aletheia; Gaia e Urano; Cronos e Aion; Eros e Tanatos; Apolo e Dionísio; Hermes e Orfeu; Ísis e Osíris; Horus e Ra; Aton e Atman; Thoth e Thor; Zurvan e Zeus; Metatrom e Mitras; Tamuz e Tiwaz; Odin e Elohim; Ymir e Pan-Ku; 






Dyaus Pitar e Júpiter; Marduk e Tiamat; Rama e Brahma; Vishnu e Shiva; Veda e Vedanta; Hagia Sophia e Yemanjá; Ahura Mazda e Angra Maynu; Grande Espírito e Coyote; Tupã e Teutates; Kundalini e Quetzacoatl; Héracles e Gilgamesh; Lúcifer e Prometeu; Bodhidarma e Zarathustra; Yeshua e Oxalá; São Jorge e Xangô; Krishna e Buda; Cristo e Anticristo; Homero e Hesíodo; Heráclito e Pitágoras; Parmênides e Zenão; Demócrito e Anaxágoras; Sócrates e Protágoras; Platão e Aristóteles; Plotino e Epicuro; Heródoto e Hipócrates; Ésquilo e Sófocles; Sun-Tzu e Confúcio; Wong Fei-Hung e Huo Yuanjia; Maimônides e Averróes; Hipácia e Giordano Bruno; 




Arquimedes e Copérnico; Maquiavel e Montaigne; Da Vinci e Rafael; Michelangelo e Rembrandt; Van Gogh e Hieronymus Bosch; Botticelli e Ticiano; El Greco e Caravaggio; Rubens e Velázquez; Goya e Monet; Degas e Renoir; Manet e Seurat; Cézanne e Picasso; Descartes e Francis Bacon; Galileu e Newton; Kant e Spinoza; Hobbes e Locke; Leibniz e Pascal; Hume e Rousseau; Hölderlin e Schelling; Schopenhauer e Mallarmé; Hegel e Nietzsche; Max Weber e Durkheim; Saussure e Schlegel; Freud e Jung; Heidegger e Wittgenstein; Darwin e Husserl; Baudelaire e Bachelard; Leví-Strauss e Merleau-Ponty; 






Bataille e Lacan; Cantor e Frege; Bergson e Sartre; Hannah Arendt e Simone de Beauvoir; Walter Benjamin e Kierkegaard; Bertrand Russell e Richard Rorty; Foucault e Derrida; Deleuze e Lyotard; Euclides e Gauss; Reimann e Fermat; Euler e Lagrange; Bhaskara e Erastótenes; Von Newmann e Hilbert; Gödel e Carnap; Maxwell e Faraday; Einstein e Plank; Heisenberg e Bohr; David Bohm e Fritjof Capra; Mircea Eliade e Ernest Cassirer; Alain Badiou e Jürgen Habermas; Joseph Campbell e Ken Wilber; Gilbert Durand e Bob Black; Karl Marx e Groucho Marx; Salvador Dalí e André Breton; Tim Maudlin e David Albert; 






Aldous Huxley e George Orwell; Frida Khalo e Charles Chaplin; Diego Rivera e Emiliano Zapata; Malcolm X e Mariguella; Vladimir Lenin e Leon Trotsky; Hailé Selassié e Dalai Lama; Viktor Frankl e Nikola Tesla; Steve Jobs e Bill Gates; Steve Wozniak e Mitch Kapor; Jimmy Wales e Sir Tim Berners-Lee; Chad Hurley e Shawn Fanning; Mahatma Ghandi e Che Gevara; Martin Luther King e Chico Mendes; João Cândido Felisberto e Tiradentes; Calabar e D. Pedro II; Simon Bolívar e Antonio Conselheiro; Lampião e Padre Cícero; Butch Cassidy e Sundance Kid; Billy The Kid e Jesse James; Wyatt Earpp e Doc Holliday; Arthur Pendragon e Dom Manoel, o Venturoso; Sir Lancelot du Lac e Eurico, o Presbítero; Vasco da Gama e Fernão de Magalhães; Alexandre e Napoleão; Júlio César e Carlos Magno; 






Churchill e Mussolini; Thomas Jefferson e Benjamin Franklin; Robespierre e Danton; Theodore Joadson e John Quincy Adams; Geronimo e Hiawatha; Raoni e Sitting Bull; Cinque e Zumbi dos Palmares; FDR e JFK; Getúlio Vargas e Juscelino Kubitchek; Joana Angélica e Maria Quitéria; Olga Benário e Anne Frank; Florbela Espanca e Cecília Meireles; Fernando Pessoa e Augusto dos Anjos; Oswald de Andrade e James Joyce; Henry Miller e Philip Roth; Bertold Brecht e Augusto Boal; Rodin e Aleijadinho; Marcel Duchamp e Andy Warhol; Jean-Michel Basquiat e Anaïs Nin; 





Tarcila do Amaral e Candido Portinari; Marcel Proust e Machado de Assis; Heinrich Heine e Lord Byron; Emile Zola e Oscar Wilde; Flaubert e Jorge Amado; Maupassant e Lima Barreto; Albert Camus e Allen Ginsberg; William Burroughs e Jack Kerouac; Henry David Thoreau e Ralph Waldo Emerson; Herman Melville e Ernest Hemingway; Hermann Hesse e Thomas Mann; Kafka e Dostoiévski; Balzac e Dante; Cervantes e Goethe; Tolstói e Shakespeare; Gogol e O. Henry; Joseph Conrad e William Faulkner; Alexandre Dumas e Victor Hugo; Jack London e Charles Dickens; Robert Louis Stevenson e Daniel DeFoe; J. Fenimore Cooper e Walter Scott; Alexandre Herculano e Luis de Camões; Eça de Queirós e Olavo Bilac; Ruy Barbosa e Joaquim Manuel de Macedo; Castro Alves e Manuel Antônio de Almeida; José de Alencar e Euclides da Cunha; Guimarães Rosa e Jorge Luis Borges; Érico Veríssimo e Mario Vargas Llosa; Manuel Bandeira e Gabriel García Márquez; Carlos Drummond de Andrade e Clarice Lispector; Rubem Fonseca e Moacyr Sciliar; Ferreira Gullar e Mário Quintana; Millôr Fernandes e Paulo Leminski; H. P. Lovecraft e Edgar Allan Poe; Lewis Carroll e J. R. R. Tolkien; Hans Christian Andersen e Michael Moorcock; 






Irmãos Grimm e Monteiro Lobato; Giberto Freyre e Mark Twain; Jules Verne e H. G. Wells; Isaac Asimov e Arthur C. Clarke; Ray Bradbury e Phillip K. Dick; Robert E. Howard e Lin Carter; L. Sprague de Camp e Bram Stoker; Louis Pauwels e Jacques Bergier; Theodore Roszak e Timothy Leary; Marshal McLuhan e Henry Jenkins; Fred Alan Wolf e William Tiller; Amit Goswami e Masaru Emoto; Dashiel Hammett e Raymond Chandler; H. R. Giger e Ray Harryhausen; Hitchcock e Fellini; Fritz Lang e John Ford; Sergei Eisenstein e George Lucas; Orson Welles e Glauber Rocha; Alejandro Jodorovski e David Lynch; Ridley Scott e Quentin Tarantino; Woody Allen e Francis Ford Coppola; Stanley Kubrick e Steven Spielberg; Terry Gilliam e Brian DePalma; Martin Scorsese e Sidney Lumet; Clint Eastwood e James Cameron; Irmãos Cohen e Irmãos Wachowski; Alejandro González Iñarritu e José Padilha; Tim Burton e Zack Snyder; Oliver Stone e Bryan Singer; Alan Parker e Roman Polanski; Danny Boyle e David Fincher; George Roy Hill e Milos Forman; Darren Arnofsky e Michael Curtiz; Kevin Smith e Lawrence Kasdan; Cecil B. DeMille e George A. Romero; 







Umberto Eco e Gershom Scholem; Krishnamurti e Mme. Blavatsky; Gurdjieff e Ouspenski; Jacob Boheme e Martin Buber; Allan Kardec e Teilhard de Chardin; Pietro Ubaldi e Ernesto Bozzano; Aleister Crowley e Zé do Caixão; Chico Xavier e Professor X; Stan Lee e Gardner Fox; Jack Kirby e Will Eisner; C. C. Beck e Jack Cole; Steve Ditko e Carmine Infantino; Alex Raymond e Hal Foster; Lee Falk e Chester Gould; Alan Moore e Neil Gaiman; Grant Morrison e Garth Ennis; Ed Brubaker e Chuck Dixon; Arnold Drake e Sergio Bonelli; Bill Watterson e Quino; Robert Crumb e Moebius; Wally Wood e John Severin; Jack Davis e Mort Drucker; Dan Martin e Sergio Aragonés; 






Barry Windsor-Smith e John Buscema; Joe Kubert e Ross Andru; Don Heck e George Tuska; Dave Cockrum e Frank Brunner; Gray Morrow e Matt Wagner; Alex Niño e Tony DeZuñiga; Alex Ross e Neal Adams; Jim Steranko e Guido Crepax; Frank Frazetta e Richard Corben; Darwyn Cooke e Arthur Adams; Jim Lee e John Cassaday; Todd McFarlane e Erik Larsen; Frank Quitely e Bryan Hitch; Mike Weringo e Mike Mignola; Roy Thomas e Steve Englehart; Len Wein e Marv Wolfman; Gerry Conway e Archie Goodwin; Roger Stern e Mark Gruenwald; Steve Gerber e Jim Shooter; Bob Haney e Gary Friedrich; Danny O'Neil e Mark Waid; James Robinson e Kurt Busiek; Brad Meltzer e Geoff Johns; Mark Millar e Brian Michael Bendis; Joss Whedon e Brian Azzarello; Peter David e Rick Remender; Jason Aaron e Greg Pak; Jamie Delano e Brian K. Vaughan; Walter Simonson e Marshall Rogers; Bernie Wrightson e Russ Manning; Frank Miller e George Pérez; Scott Lodbell e Fabian Nicieza; Bill Mantlo e David Antony Kraft; Gil Kane e Gene Colan; Jerry Siegel e Joe Shuster; Kurt Schaffenberger e Wayne Boring; Curt Swan e Murphy Anderson; Jim Aparo e Nick Cardy; Bob Kane e Bill Finger; Dick Sprang e Jerry Robinson; Jim Starlin e José Luis Garcia-Lopés; Terry Austin e José Ladronn; Paul Levitz e Joe Quesada; Bill Everett e Carl Burgos; Larry Lieber e Dick Ayers; Terry Dodson e Michael Lark; Tom deFalco e Axel Alonso; Mike Sekowsky e Joe Orlando; Cary Bates e David Micheline; Vince Coletta e Chic Stone; Mike Zeck e Ed McGinness; Dan Jurgens e Ron Garney; Greg Capullo e Brandon Peterson;  Rick Silvestri e Marc Leonardi;






John Romita e Eugenio Colonnesse; John Byrne e Mike Deodato; Alan Davis e Ivan Reis; Fabio Moon e Gabriel Ba; Charles Schultz e Maurício de Souza; Hergé e Ziraldo; Milo Manara e Carlos Zéfiro; Robert Crumb e Gilbert Shelton; William Hanna e Joseph Barbera; Walt Disney e Carl Barks; Sexo dos Anjos e Oficina do Diabo; Rock e Samba; Übermensch e Macunaíma; Casa Grande e Senzala; Conde Drácula e Curupira; Ubirajara e Tibicuera; Seu Madruga e Chacrinha; Mohammad Ali e Bruce Lee; Jet Li e Tony Jaa; Pelé e Maradona; Garrincha e Neymar; Mike Tyson e Anderson Silva; The Beatles e João Gilberto; Rolling Stones e Cartola; Pink Floyd e Cazuza; Kiss e Legião Urbana; Led Zeppelin e Bezerra da Silva; Uriah Heep e Tom Zé; Black Sabbath e Cauby Peixoto; Crosby, Still, Nash & Young e Vinícius de Moraes & Toquinho; Credence Clearwater Revival e Tom Jobim; King Crimson e Os Mutantes; Focus e Secos & Molhados; The Doors e Chico Buarque de Hollanda; Deep Purple e Paulinho da Viola; The Animals e Luis Gonzaga; Ray Charles e Frank Zappa; Scott Joplin e Jerry Lee Lewis; Bob Dylan e Raul Seixas; Bread e Waldick Soriano; Sid Vicious e Michel Teló; Tom Waits e Tim Maia; AC/DC e Caetano Velloso; Yes e Gilberto Gil; Genesis e Gonzaguinha; Janis Joplin e Gal Costa; Carole King e Maria Betânia; 






Aretha Franklin e Elza Soares; Queen e Zeca Pagodinho; Madonna e Cindy Lauper; Negra Li e Rita Lee; Peter Frampton e Djavan; Carlos Santana e MPB-4; Bee Gees e Zélia Duncan; Supertramp e Ultraje a Rigor; B-52 e Camisa de Vênus; Jim Morrison e Barão Vermelho; Faith No More e Metallica; John Lennon & Yoko Ono e Paul McCatney & The Wings; George Harrison e Ravi Shankar; Ringo Starr e Keith Richards; Mick Jagger e Prince; Barry White e Billy Paul; Doobie Brothers e Afrika Bambaataa; Fletwood Mac e Rage Against The Mahine; Dead Kennedys e Bad Company; Rush e Greatful Dead; Nick Cave e Telonious Monk; John Coltrane e Woodie Gunthrie; Baden Powell e Naná Vasoncelos; Charles Mingus e Dizzy Gillespie; Louis Armstrong e Jacó do Bandolim; Sex Pistols e Paralamas do Sucesso; Kraftwerk e Rogério Skylab; Bob Marley e Chico Science; Jimi Hendrix e Wilson Simonal; Lou Reed e Jorge Ben Jor; Ramones e Raimundos; The Clash e O Rappa; 






James Brown e Carlinhos Brown; Frank Sinatra e Roberto Carlos; David Bowie e Titãs; U2 e Capital Inicial; Amy Winehouse e Ivete Sangalo; Edith Piaf e Elis Regina; 50 Cent e Marcelo D2; 2Pac e Criolo; Sabotage e Chorão; Miles Davis e Arlindo Cruz; Lady Gaga e Mamonas Assassinas; Bill Halley & his Comets e Sérgio Mendes & Brazil '66; Little Richards e Monarco; Elvis Presley e Erasmo Carlos; Michael Jackson e Jackson do Pandeiro; Buena Vista Social Club e Velha Guarda da Portela; The Platters e The Supremes; Diana Ross e Marvin Gaye; Arctic Monkeys e Tom Petty; Emicida e Patty; Malu Magalhães e NX Zero; Cássia Eller e Ed Motta; The Commodores e Beastie Boys; Sonic Youth e Dinosaur; Joy Division e Zombie Nation; Beethoven e Villa-Lobos; Mozart e Ernesto Nazareth; Chopin e Chiquinha Gonzaga; Carlos Gardel e Dorival Caymmi; B.B. King e Pixinguinha; Eric Clapton e Noel Rosa; 






Elton John e Hermeto Pascoal; James Taylor e Adoniran Barbosa; Racionais MC's e R.E.M.; Dire Straits e Martinho da Vila; The Smiths e Clara Nunes; Eminem e Engenheiros do Hawaii; Jorge Aragão e The Cure; Charlie Brown Jr. e Black Eyed Peas; Luis Melodia e Nine Inch Nails; Sepultura e Oasis; Nelson Gonçalves e Foo Fighters; Pato Fu e Nirvana; Biohazzard e Seu Jorge; Linkin Park e Ney Matogrosso; Greenday e Los Hermanos; Iron Maiden e Maria Gadú; Guns & Roses e Maria Rita; Beyoncé e Vanessa da Mata; Coldplay e Ivan Lins; Pearl Jam e Belchior; Slipknot e Ana Carolina; Iggy Pop e The Strokes; Jonah Sharp e Otis Redding; Greenpeace e Wikileaks; World Wide Web e Wikipedia; Napster e YouTube; Spock e Yoda; South Park e Jurassic Park; 






Dr. Who e Godzilla; Serpico e Tony Manero; James Bond e Dirty Harry; Rick Deckard e Hannibal Lecter; HAL9000 e Neo; Alex DeLarge e Tyler Durden; Gandalf e Harry Potter; National Geographic e Scientific American; MTV e History Channel; Túnel do Tempo e Perdidos no Espaço; Viagem ao Fundo do Mar e Terra de Gigantes; Sienfield e Arquivo X; Heroes e Lost; Smallvile e The Big Bang Theory; Two and a Half Man e Bones; House e Dexter; O Bem-Amado e O Auto da Compadecida; Roque Santeiro e O Astro; TV Pirata e A Grande Família; 'Cidade de Deus' e 'Tropa de Elite'; Mowgli e Tarzan; Robin Hood e Sinbad; Conan da Ciméria e Elric de Melniboné; El Zorro e Lone Ranger; The Shadow e Doc Savage; Tintin e Popeye; Mandrake e Fantasma; Flash Gordon e Príncipe Valente; Dick Tracy e The Spirit; Fantastic Four e Doom Patrol; JSA e JLA; The Avengers e WildC.A.T.s; The Authority e X-Men; Planetary e The Defenders; National Kid e Vigilante Rodoviário; Ultraman e Speed Racer; Jiraya e Cavaleiros do Zodíaco; Space Ghost e Thundercats; Starsky & Hutch e Phineas & Ferb;






Jonny Quest e Herculóides; Os Impossíveis e Scooby-Doo; Os Flintstones e Os Jetsons; Akira e Hellboy; Tex e Jonah Hex; Sandman e V for Vendetta; John Constantine e The Simpsons; Monstro do Pântano e Bob Esponja; Homem-Aranha e Freak Brothers; Superman e Mr. Natural; Wolverine e A Garagem Hermética de Jerry Cornelius; Batman e Valentina; Mafalda e Corto Maltese; Dr. Manhattan e Mickey Mouse; Punisher e Howard the Duck; Rorcharch e Galactus; Theorykal e Tiririca; Tudo e Nada...







POST-SCRIPTUM:



“Reality is merely an illusion, albeit a very persistent one.” - Albert Einstein

A identidade talvez seja uma ilusão, “sonho que se sonha junto”, mera sombra na parede da caverna platônica, mas, ainda assim, como que impelida por trágico paradoxo, esta mesma suposta identidade não pode dar-se ao luxo de desprezar a hipótese de ser o reflexo ou a projeção de algo mais sólido, que um dia, quem sabe, acordará e sairá para alcançar o sol. Nem que seja prá pegar uma praia, que ninguém é de ferro. 



Se bem que, num futuro nem tão distante, os implantes cibernéticos, o desenvolvimento da Inteligência Artificial, os computadores quânticos, a engenharia genética, a criação de novas drogas farmacoterápicas e a descoberta de potenciais insuspeitos do binômio mente/cérebro talvez nos obriguem a pensar em novas espécies inteligentes para além do mero 'homo sapiens sapiens' e aí vai ficar difícil dizer que 'ninguém é de ferro' (que o diga Tony Stark...). 






Axé pra todos, um feliz Natal e um próspero Ano Novo. Fui.