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terça-feira, 28 de janeiro de 2014

FENDA NA RAZÃO



Dentre os inúmeros objetivos pretendidos originalmente por este 'blog' sempre esteve a divulgação da cultura em todos (ou pelo menos quase todos...) os seus matizes.   

E um dos mais importantes é a discussão da filosofia, tanto de per se quanto nas manifestações literárias da atualidade pós-moderna a respeito do assunto.

É, portanto, consciente de que não poderia dizer de melhor forma que humildemente passo a palavra ao poeta Alberto Pucheu em sua análise do livro "Um Sábio Não Tem Idéia", da autoria de François Julien e publicado pela Ed. Martins Fontes:

[TEXTO EDITADO DE UMA CRÍTICA PUBLICADA NO CADERNO LITERÁRIO DO JORNAL 'O GLOBO'] 




Já em seu princípio, na Grécia, a filosofia se esforçou por estabelecer uma diferença específica em relação às possibilidades do pensamento até então.

As quatro alteridades fundamentais da filosofia, supostamente estabelecidas: a sabedoria, a poesia, a sofística e a política.

Nada disso é tão simples. Aristóteles chamava boa parte dos pensadores anteriores a ele de filósofos, incluindo até mesmo Hesíodo. Protágoras, no diálogo homônimo escrito por Platão, relaciona o próprio Hesíodo não só à poesia como também à sofística. Se lembrarmos que, posteriormente, Diógenes Laércio afirmou que "sofista" era outro nome para "sábio", "poeta" e "filósofo", a confusão estaria completa. 



Ou melhor: no momento do frescor da filosofia, a encruzilhada tornava as efervescentes experiências do pensamento indiscerníveis.

Além disso, se Platão escreveu sobre o poeta, sobre o sofista e sobre o político, por que não teria elaborado o diálogo sobre o filósofo, conforme o anunciado?

A não ser que, falando dessas supostas alteridades, esteja o tempo todo pensando a filosofia e a impossibilidade de sua apreensão isolada.

 


Esses termos, com o tempo, tornaram-se gastos e perderam complexidades importantes. Isso ocorreu pela insistência de quase toda a tradição ocidental em defini-los uns contra os outros, compartimentando o que, mesmo em Platão, era de definição controversa.

Eis o grande mérito do filósofo e sinólogo francês François Julien: mostrar um fundo de experiência e de pensamento que, por não ter vingado em nossa História, a filosofia enquanto metafísica não pôde conceber.

Um dos preconceitos contra os quais o livro se lança é o de que a sabedoria teria sido superada pela filosofia, como se sua anterioridade cronológica fosse imaturidade de pensamento.



O que ele mostra é justamente a radicalidade dessa experiência na própria condição de possibilidade da filosofia e que foi apagada pelo privilégio da razão européia. Julien retira a sabedoria da perspectiva mística e exótica, afastando-a dos lugares-comuns que as apressadas tentativas de aproximação entre o Ocidente e o Oriente suscitam.

Abrindo uma fenda na razão, transforma-a no que seria sua própria condição de possibilidade, saindo do jogo contraditório entre razão e seu oposto. Trata-se de demarcar uma lógica da sabedoria.



François Julien mantém um diálogo vivo e tenso entre a filosofia e o pensamento chinês.

"Um Sábio Não Tem Idéia", por sua originalidade e força, tem a difícil capacidade de sulcar caminhos impensados e propulsores.




POST-SCRIPTUM:

Um livro extraordinário e indispensável para quem quer ampliar seus horizontes, que busca resgatar um tipo de experiência e de pensamento não absorvidos pela filosofia convencional do Ocidente. 

E que as fendas na razão um dia recuperem a verdadeira Sabedoria!

 

domingo, 9 de outubro de 2011

A LOUCURA É A FONTE DA SABEDORIA



[Adaptado do capítulo I do livro "O NASCIMENTO DA FILOSOFIA" de autoria de GIORGIO COLLI, publiado pela Editora da UNICAMP em 1996, traduzido por Federico Carotti]



Platão chama "filosofia" - o amor à sabedoria - à própria busca, à própria atividade educativa, ligada a uma expressão escrita, à forma literária do diálogo. 

E Platão olha reverente o passado, um mundo em que existiram os verdadeiros "sábios". Por outro lado, a filosofia posterior, a nossa filosofia, é apenas uma continuação, um desenvolvimento da forma literária introduzida por Platão; contudo, esta surge como fenômeno da decadência, na medida em que "o amor à sabedoria" está mais abaixo da "sabedoria".

O amor à sabedoria, para Platão, não significava de fato a aspiração a algo nunca atingido, mas sim uma tendência a recuperar aquilo que já fora realizado e vivido.





Portanto, não há um desenvolvimento contínuo, homogêneo, da sabedoria à filosofia. O que dá origem a esta última é uma reforma expressiva, é a intervenção de uma nova forma literária, um filtro através do qual condiciona-se o conhecimento de todo o precedente.

A tradição, em grande parte oral, da sabedoria, já obscura e escassa pela distância dos tempos, já evanescente e tênue para o próprio Platão, mostra-se, a nossos olhos, francamente falsificada pela inserção da literatura filosófica.

Por outro lado, é muito incerta a extensão temporal dessa época da sabedoria: nela está compreendida a chamada idade pré-socrática, ou seja, os séculos V e VI a.C., mas a origem mais distante nos escapa. É preciso recorrer à mais remota tradição da poesia e da religião grega, mas a interpretação dos dados não pode deixar de ser filosófica. 

Deve-se configurar, mesmo que de modo hipotético, uma interpretação do tipo daquela proposta por Nietzsche para expor a origem da tragédia. Quando um grande fenômeno oferece uma documentação histórica suficiente apenas em sua parte final, só resta a tentativa de interpolar, no que se refere a sua totalidade, certas imagens e conceitos, escolhidos e entendidos como símbolos na tradição religiosa.





Nietzsche parte, como se sabe, das imagens de dois deuses gregos, Dionísio e Apolo, e, aprofundando estética e metafisicamente os conceitos de dionisíaco e apolíneo, esboça, em primeiro lugar, uma doutrina sobre o surgimento e a decadência da tragédia grega; depois uma interpretação geral da grecidade e até uma nova visão de mundo. Assim, igual perspectiva parece abrir-se quando se considera, em vez do nascimento da tragédia, a origem da sabedoria.  

São ainda os mesmos deuses, Apolo e Dionísio, que se encontram no retroceder ao longo das sendas da sabedoria grega. Mas, nessa esfera, a caracterização de Nietzsche deve ser modificada; além disso, a prioridade deve ser concedida a Apolo, e não a Dionísio. De fato, se cabe atribuir a alguém o domínio sobre a sabedoria, é ao deus de Delfos.





Em Delfos se manifesta a vocação dos gregos para o conhecimento: sábio é quem lança a luz na obscuridade, desfaz os nós, manifesta o desconhecido, determina o incerto. Para essa civilização arcaica, o conhecimento do futuro do homem e do mundo pertence à sabedoria. Apolo simboliza esse olho penetrante, seu culto celebra a sabedoria.

Outros povos conheceram, exaltaram a arte divinatória, mas nenhum povo a elevou a símbolo decisivo, pelo qual, no mais alto grau, a potência exprime-se em conhecimento, como aconteceu entre os gregos. Adivinhar implica conhecer o futuro e manifestar, comunicar tal conhecimento. Isso ocorre através da palavra do deus, do oráculo. 

Na palavra manifesta-se ao homem a sabedoria do deus, e a forma, a ordem, o nexo em que se apresentam as palavras revela que não se tratam de palavras humanas, e sim de palavras divinas. Daí o caráter exterior do oráculo: a ambiguidade, a obscuridade, as alusões de árdua decifração, a incerteza.

O deus, portanto, conhece o porvir, manifesta-o ao homem, mas parece não querer que este o compreenda. Há um elemento de maldade, de crueldade na imagem de Apolo, que se reflete na comunicação da sabedoria. E, de fato, diz Heráclito, um sábio: "o senhor, a quem pertence o oráculo que está em Delfos, não diz nem oculta, mas acena".





A esfera do conhecimento e da sabedoria liga-se com muito mais naturalidade a Apolo do que a Dionísio. Dionísio associa-se ao conhecimento enquanto divindade eleusínia: a iniciação aos mistérios de Elêusis culminava numa "epopsia", visão mística de beatitude e purificação que de certa forma pode ser chamada de conhecimento. 

No entanto, o êxtase dos mistérios, na medida em que é alcançado através de um despojamento completo das condições do indivíduo, na medida em que nele o sujeito cognoscente não se distingue do objeto conhecido, deve ser considerado como o pressuposto do conhecimento, e não o próprio conhecimento. 

Pelo contrário, o conhecimento e a sabedoria manifestam-se por meio da palavra, e é em Delfos que é proferida a palavra divina, é Apolo, e certamente não Dionísio, que fala pela sacerdotisa. A palavra de Apolo é uma expressão  em que se manifesta um conhecimento; as palavras de adivinhação na Grécia primitiva reúnem-se em discursos, desenvolvem-se em discussões, elaboram-se no abstrato da razão, símbolos iluminadores de todo o fenômeno da sabedoria.






Outro elemento frágil na interpretação de Nietzsche está em apresentar os impulsos apolíneo e dionisíaco como antitéticos. 

Os estudos mais recentes sobre a religião grega ressaltaram uma origem asiática e nórdica do culto de Apolo. Aqui surge uma nova relação entre Apolo e a sabedoria. Um fragmento de Aristóteles nos informa que Pitágoras - justamente um sábio - foi denominado pelos crotoniatas como Apolo hiperbóreo. 





Os hiperbóreos eram, para os gregos, um povo fabuloso do extremo norte. Daí parece provir o caráter místico, extático, de Apolo, manifestando-se no arrebatamento da pítia, nas palavras delirantes do oráculo délfico.

Nas planícies nórdicas e da Ásia central atesta-se uma longa persistência do xamanismo, uma técnica particular de êxtase. Os xamãs atingem uma exaltação mística, uma condição extática, na qual são capazes de executar curas milagrosas, ver o futuro e profetizar.





Este é o pano de fundo do culto délfico de Apolo. Uma passagem célebre e decisiva de Platão nos ilumina a esse respeito. Trata-se do discurso sobre a "mania", sobre a loucura, que Sócrates desenvolve no Fedro. Logo no início, contrapõe-se a loucura à moderação, ao autocontrole, e, numa inversão paradoxal para nós, modernos, exalta-se a primeira como superior e divina.

Diz o texto: "os maiores dentre os bens chegam a nós por meio da loucura, que é concedida por um dom divino...de fato, a profetisa de Delfos e a sacerdotisa de Dodona, enquanto possuídas pela loucura, proporcionaram à Grécia muitas e belas coisas, tanto para os indivíduos quanto para a comunidade". Coloca-se em evidência, portanto, desde o início, a ligação entre "mania" e Apolo.





Em seguida, distinguem-se quatro tipos de loucura: a profética, a dos mistérios, a poética e a erótica, as duas últimas variantes das duas primeiras. A loucura profética e a dos mistérios são inspiradas por Apolo ou por Dionísio (ainda que este último não seja citado por Platão). 

No Fedro, em primeiro plano está a "mania" profética, tanto que, para Platão, a natureza divina e decisiva da "mania" é atestada pelo fato de essa mania constituir o fundamento do culto délfico. Platão funda seu juízo numa etimologia: a "mântica", isto é, a arte divinatória, deriva de "mania" e é sua expressão mais autêntica.

Portanto, a perspectiva de Nietzsche deve ser não só ampliada, mas também modificada. Apolo não é o deus da medida, da harmonia, mas do arrebatamento, da loucura. Nietzsche considera a loucura pertinente apenas a Dionísio e, além disso, delimita-a como embriaguez. 

Aqui, uma testemunha com o peso de Platão sugere-nos, pelo contrário, que Apolo e Dionísio possuem uma afinidade fundamental, justamente no terreno da "mania"; juntos eles esgotam a esfera da loucura, e não faltam bases para formular a hipótese - atribuindo a palavra e o conhecimento a Apolo, e a imediatez da vida a Dionísio - de que a loucura poética é obra do primeiro, e a erótica, do segundo.

Concluindo, se uma pesquisa sobre as origens da sabedoria na Grécia arcaica leva-nos em direção ao oráculo délfico, ao significado complexo do deus Apolo, a "mania" mostra-se-nos ainda mais primordial, pano de fundo do fenômeno da adivinhação. A loucura é a matriz da sabedoria.     




POST-SCRIPTUM:






Giorgio Colli (1917-1979) é conhecido sobretudo pela edição crítica das obras de Nietzsche, publicada na Alemanha, França e Itália, e por uma edição hoje clássica do Organon, de Aristóteles, tendo dedicado os últimos anos de sua vida à edição dos textos pré-socráticos.

É interessante perceber como o autor interliga a origem da filosofia - identificando-a como um novo gênero literário "inventado" por Platão - com a decadência da antiga sabedoria já então fragmentada e quase esquecida, derivada essencialmente da religião grega, seus mistérios e tradições orais.

Apoiado principalmente em Nietzsche, ele identifica um paralelo originário entre os primeiros refinamentos do pensamento abstrato grego - aquilo que, no ocidente, viria a ser chamado de "razão" ou "racionalidade" - e a tradição poético-religiosa da Grécia antiga, um manancial de sabedoria que permeia toda a sua rica mitologia, relacionada por sua vez com a "mania", ou "loucura" divina.  





Aliás, tal paralelo, penso eu, cabe ao estudo da mitologia e das tradições religiosas de qualquer povo, pois todas as culturas humanas sobre a face da Terra desenvolveram algum tipo peculiar de sabedoria ligada não somente aos cuidados com a esfera do transcendente como com a esfera do dia-a-dia, do conhecimento prático e utilitário, e o que é mais interessante: em todas elas ambas as esferas estão intimamente relacionadas, de uma forma ou de outra.

Uma passagem específica do texto chamou minha atenção por um aspecto curioso: a necessidade de ir procurar tão longe uma tradição religiosa que explique o "transe divinatório" das pitonisas délficas, ou seja, num suposto xamanismo nórdico ou centro-asiático, quando a vizinhança geográfica do Mediterrâneo com a África dá subsídio a hipóteses muito mais plausíveis, em minha modesta opinião.        

E viva a "loucura"!

sábado, 22 de janeiro de 2011

PENSAMENTOS




Em primeiro lugar nasceu o Caos" - Hesíodo







"Não compreendem como o divergente consigo mesmo concorda; harmonia de tensões contrárias, como as do arco e da lira" - Heráclito






"A causa da existência de todas as coisas é o redemoinho incessante a que chamo necessidade; e tudo acontece de acordo com a necessidade. Dessa forma, a criação é constantemente criada e recriada" - Demócrito






"O homem é a medida de todas as coisas, daquelas que são tal como são e das que não são tal como não são" - Protágoras





"O que está embaixo é igual ao que está em cima, e o que está em cima é igual ao que está embaixo, para realizar o milagre de uma só coisa" - A Tábua de Esmeralda




"A analogia dos contrários é a relação que vai da luz à sombra, do vértice ao abismo, do pleno ao vazio. A alegoria, mãe de todos os dogmas, é a mentira da verdade e a verdade da mentira" - Eliphas Levi



"Lá, o olho não alcança, nem a fala, nem a mente, não sabemos ou sequer entendemos como poderia ser ensinado" - Os Upanishads




"Homens sem sabedoria deliciam-se na análise da simples letra dos Vedas" - Os Vedas




"A letra mata, o espírito vivifica" - Paulo de Tarso





"Só sei que nada sei" - Sócrates




"Não há esperança sem medo nem medo sem esperança" - Spinoza




"Que é o tempo? Se ninguém me perguntar, eu sei; mas se tiver que explicar a alguém, não sei" - Santo Agostinho




"O Tempo e o Espaço são modos pelos quais pensamos, e não condições nas quais vivemos" - Albert Einstein





"A Natureza ama esconder-se" - Heráclito





"O Tao que pode ser expresso não é o Tao eterno" - Tao Te Ching




"Deus é uma esfera cujo centro está em toda parte, e a circunferência em lugar nenhum" - Hermes Trimegistus




"Mas onde se achará a sabedoria? E onde está o lugar do entendimento? O homem não lhe conhece o caminho; nem se acha ela na terra dos viventes" - Livro de Jó, 28:12




"I'm looking for the face I had 
Before the world was made" - Yeats ("The Winding Stair")




"A primeira sephirah é Keter, a Coroa, origem de tudo, vácuo primordial. Primeiro criou um ponto, que se tornou o Pensamento, onde imprimiu todas as figuras. Era e não era, encerrado no nome e esquecido no nome, o Não-Movente, que não é corpo, não tem figura, forma, peso, quantidade ou qualidade, e não vê, não sente, não é apreendido pela sensibilidade, não é um lugar, nem um tempo ou um espaço, não é alma, inteligência, imaginação, opinião, número, ordem, medida, substância, eternidade, não é treva nem luz, não é erro nem verdade" - Casaubon ("O Pêndulo de Foucoult", de Umberto Eco)




"No ponto em repouso do mundo em mutação, nem carne nem ausência de carne; nem ida nem volta: no ponto em repouso há dança, mas nem interrupção nem movimento. E não se chame de fixo o lugar em que o passado e o futuro se encontram. Nem movimento de vinda ou de volta, nem ascenção nem declínio. Se não ouvesse o ponto, o ponto em repouso, não haveria dança, e só há dança" - T. S. Elliot



"A Natureza é partes sem um todo. Isto é talvez o tal mistério de que falam" - Alberto Caeiro (vulgo Fernando Pessoa)




"Salomão disse: 'Não há nada de novo sobre a terra'. E tanto assim quanto Platão imaginou, 'que todo conhecimento é apenas recordação'; tanto assim Salomão sentenciou, 'que toda novidade não passa de esquecimento'" - Francis Bacon ("Essays LVIII")




"As convicções são inimigas mais perigosas da verdade do que a as mentiras" - Nietzsche




"As maiores almas são capazes dos maiores vícios tanto quanto das maiores virtudes" - Descartes




"Somos todos cheios de fraquezas e de erros; perdoemo-nos, pois, reciprocamente as nossas tolices" - Voltaire



"Senhor, que tolos são esses mortais..." - William Shakespeare, em "Sonhos de Uma Noite de Verão"




"A Igreja diz que a Terra é achatada, mas eu sei que é redonda, porque eu vi sua sombra na Lua, e eu tenho mais fé numa sombra do que na Igreja" - Fernão de Magalhães




"Jamais houve um vislumbre de evidência de que os Estados cristãos sejam menos belicosos que os demais. De fato, algumas das guerras mais ferozes foram devidas a conflitos entre diferentes tipos de cristianismo" - Bertrand Russell



"Parece-me que a questão decisiva da espécie humana é a de saber se, e em que medida, o seu desenvolvimento cultural será bem-sucedido em dominar o obstáculo à convivência representado pelos impulsos humanos de agressão e de autoaniquilação" - Sigmund Freud




"Para seguir a trilha do conhecimento é preciso ser muito imaginativo. Na trilha do conhecimento, nada é tão claro quanto gostaríamos que fosse" - Don Juan Matus ("A Erva do Diabo", de Carlos Castañeda)



"A natureza é um templo em que pilastras vivas por vezes emitem palavras confusas, e nele o homem passa por florestas de símbolos que o observam com um olhar familiar" - Charles Baudelaire




"Crê naqueles que buscam a verdade. Duvida dos que a encontraram" - André Gide



"Erros são, no final das contas, fundamentos da verdade" - Carl Gustav Jung



"Se cuidarmos da liberdade, a verdade cuida de si mesma" - Richard Rorty




"O passado mostra, invariavelmente, que, quando a liberdade de um povo desaparece, ela não se vai com um estrondo, mas envolta pelo silêncio dos que se sentem confortáveis com os cuidados que estão recebendo. Esse é o extremo perigo da tendência ao estatismo" - Richard Weaver




"A imaginação é a mais importante das faculdades humanas" - Albert Einstein



"Os filósofos têm se limitado a interpretar o mundo de diferentes maneiras; trata-se, entretanto, de transformá-lo" - Karl Marx 




"A Ciência deve começar com os mitos e com a revisão crítica dos mitos" - Karl Popper



"A leitura histórica da tradição nos mostra que os grandes filósofos deixaram a sua marca e influenciaram o desenvolvimento da filosofia na medida em que tiveram idéias originais, foram criativos, abrindo novas possibilidades para o pensamento, mas também na medida em que tiveram bons leitores, isto é, discípulos que souberam, inclusive criticamente, interpretar seu pensamento, tomá-los como ponto de partida para novos desenvolvimentos e encontrar novas dimensões e novas aplicações de suas obras. Encontramos o melhor exemplo disso no período clássico com Platão em relação a Sócrates e, por sua vez, com Aristóteles em relação a Platão. Filosofias que pareciam praticamente extintas, como o ceticismo antigo, ressurgem com novo vigor porque encontram novos leitores; o início do período moderno é um exemplo disso. Assim tradição e criação não se excluem, mas se fecundam mutuamente" - Danilo Marcondes



"Quando Platão tentou abarcar a alma (psyche), recorreu tanto ao mito quanto ao pensamento racional meticuloso. Precisou dos dois caminhos. Plotino recorre ao mito quando discute a alma. Freud também utilizou dois caminhos. Sua linguagem racional é intercalada de imagens míticas, digna dos pré-socráticos" - J. Hillman




"Uma generalização feita não pelo mero prazer de generalizar, mas para resolver problemas previamente existentes, é sempre uma generalização frutífera" - Henri Lebesgue




"Quanto mais a matéria é, em aparência, positiva e sólida, mais sutil e laborioso é o trabalho da imaginação" - Charles Baudelaire



"Se o mundo dos sentidos não se ajusta às matemáticas, tanto pior para o mundo dos sentidos" - Bertrand Russell




"Quando você pode medir algo sobre o qual está falando e expressá-lo em números, você sabe alguma coisa sobre ele" - Lord Kelvin




"Na Natureza nada se cria, nada se perde, tudo se transforma" - Antoine Lavoisier 



"Não pode haver nenhuma certeza apodítica na ciência, nenhuma certeza conclusiva além do alcance da crítica" - Peter Medawar



"A realidade é meramente uma ilusão, ainda que uma muito persistente" - Albert Einstein




"Em termos de tecnologia, o que quer que possa ser imaginado eventualmente será construído" - Andrew S. Grove ("Only the Paranoid Survive")




"Existe um limite para os nossos poderes de observação e para o mínimo de perturbação que acompanha o nosso ato de observação, um limite que é inerente à natureza das coisas e que nunca pode ser vencido pelo aperfeiçoamento da técnica e da habilidade do observador" - Paul Dirac



"Dizer que a história da razão é discontínua pode levar a pensar que, afinal, esta não indica nada de muito preciso, claro ou rigoroso e que, talvez, seja um mito que a cultura ocidental inventou para si mesma. Mas pode significar também algo bem mais importante: que a razão não é a estrutura universal do espírito humano e sim um meio precioso de que dispomos para criar, julgar e avaliar conhecimentos, para dar sentido às coisas, às situações e aos acontecimentos e para transformar nossa existência individual e coletiva" - Marilena Chauí




"Deve-se compreender que há 'mais' e não 'menos' em uma organização quantitativa do real que em uma descrição qualitativa da experiência" - Gaston Bachelard



"Quem não se sentiu chocado com a teoria quântica, não pode tê-la compreendido" - Niels Bohr



"A teoria quântica é sobre a compatibilidade de dois opostos aparentemente irreconciliáveis" - Paul Strathern




"Aprendemos que a verdade é de diferentes tipos, nem todos completamente compatíveis" - Peter Medawar




"Mesmo que se compreenda que o significado de um conceito jamais será definido com precisão absoluta, alguns conceitos são parte integrante dos métodos da ciência, pelo fato de representarem, pelo menos por algum tempo, o resultado final do desenvolvimento do pensamento humano desde um passado assaz remoto; eles podem mesmo ter sido herdados e são, qualquer que seja o caso, instrumentos indispensáveis na execução do trabalho científico em nosso tempo" - Werner Heisenberg



"A compreensão dos fenômenos naturais, dos mais simples aos mais profundos, deveria apenas fortalecer nossa espiritualidade. A racionalidade e a espiritualidade são aspectos complementares" - Marcelo Gleiser



"A Ciência pode impor limites ao conhecimento, mas não deve impor limites à imaginação" - Bertrand Russell




"Só mesmo a obscuridade pode servir de proteção para o que é absurdo" - John Locke




"A primeira obrigação da inteligência é desconfiar de si mesma" - Stanislaw J. Lec




"Não saber do que se fala é uma grande vantagem da qual não se deve abusar" - Régis Debray




"Estude! Não para saber uma coisa a mais, mas para sabê-la melhor" - Sêneca



"Entre compreender e não compreender há um número bastante grande de classes, nas quais 9/10 das pessoas se incluem bastante comodamente" - G. C. Lichtenberg



"A lucidez crônica torna as pessoas mal-humoradas e rabugentas" - Jorge Luis Gutierrez



"A seriedade ontológica precisa de um humor diabólico ou fenomenológico" - Gilles Deleuze




"A retórica, por um lado, é um composto da ciência analítica e da política, por outro, é semelhante ora à dialética, ora aos discursos sofísticos" - Aristóteles



"Sem a loucura que é o homem? Mais que a besta sadia, cadáver adiado que procria?" - Fernando Pessoa




"Honro a filosofia, odeio os filósofos" - Ludwig Boltzmann




"O desacordo entre o sonho e a realidade nada tem de nocivo se, cada vez que sonha, o ser humano acredita seriamente em seu sonho, se observa atentamente a vida, compara suas observações com seus castelos no ar e, de uma forma geral, trabalha conscientemente para a realização de seu sonho. Quando existe contato entre o sonho e a vida, então tudo vai bem" - Vladimir Lênin



"Em geral, pensa-se que o nacional-socialismo significa apenas brutalidade e terror. Mas isso não é verdade. O nacional-socialismo - e, mais amplamente, o fascismo - também significa um ideal, ou ideais que persistem hoje sob outras bandeiras: o ideal da vida como arte, o culto da beleza, o fetichismo da coragem, a dissolução da alienação em sentimentos extáticos de comunidade, o repúdio ao intelecto, a família humana (sob a paternidade de líderes). Esses ideais são vívidos e comoventes para muitas pessoas porque seu conteúdo corresponde a um ideal romântico ao qual muitos continuam ligados e que se expressa em diversas formas de dissidência cultural e de promoção de novas formas de comunidade, como a cultura jovem e do rock, a terapia primal, a antipsiquiatria e a crença no oculto" - Susan Sontag




"Há, soltas no mundo, palavras demais, não querendo dizer absolutamente nada" - Millôr Fernandes




"Há uma tempestade de merda chegando!" - Norman Mailer




"Mundo, mundo, vasto mundo, se eu me chamasse Raimundo, seria uma rima, não seria uma solução..." - Carlos Drummond de Andrade




"Somos todos impostores!" - Roger-Pol Droit



"Os egípcios conheciam a eletricidade?" - Peter Kolosimo




"Dreams are like angels, they keep bad at bay" - Frankie Goes To Hollywood




"O filho-da-puta só prospera onde existe uma massa ignara de idiotas" - Lobão



"Existem três coisas de que você precisa abrir mão: julgar, controlar e ser o dono da verdade. Livre-se das três, e você terá a mente íntegra e vibrante de uma criança" - Hugh Prather



"O propósito da vida não é ser feliz. É ser útil, ser honrado, ser compassivo, fazer a diferença entre ter vivido e ter vivido bem" - Ralph Waldo Emerson




"Talvez eu devesse ter lutado menos e perguntado mais!" - Steven Rogers (Captain America #125, vol. 1, May 1970: "Captured in Vietnam!"; by Stan Lee & Gene Colan)



"Ou você é parte da solução, ou é parte do problema" - Eldridge Cleaver




"Nada se cria, tudo se copia" - Abelardo Barbosa (Chacrinha)




"Seguramente, existem três coisas boas na vida: um uísque antes, e um cigarro depois!" - Anônimo






POST-SCRIPTUM:






O Pensador ('Le Penseur'), uma das mais famosas obras de arte do mundo, é criação do escultor francês Auguste Rodin (1840-1917).