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terça-feira, 29 de abril de 2014

SAUDADES DO FUTURO (1)


[Editado de um texto de Arnaldo Jabor publicado no Segundo Caderno do jornal O GLOBO]


Sempre falamos em "cultura brasileira", mas não sabemos exatamente o que é isso, hoje em dia. Cultura é o que? Uma senhora grega, de camisola, segurando uma tocha? Cultura é uma índia, negra e portuguesa, de cocar e saiote? Cultura é um museu erudito e paralítico que rima com "sepultura"? Fazemos boquinha elegante para falar em "cultura" mas sempre sobra um gosto de alguma coisa em crise, que deve ser salva.

Na tradição de bacharéis colonizados de cartola e fraque, sempre amamos as "coisas do espírito", "a alma minha gentil" ou o "vai-se a primeira pomba despertada", as poesias com que nos embriagávamos nos botequins da República Velha, em meio à febre amarela e à varíola. 

A impotência política para superar nosso atraso endêmico nos levou a uma supervalorização da "cultura artística". Era nossa ilusão e consolo: "somos pobres, mas com uma cultura rica...". Senti isso em minha juventude, quando um companheiro me disse: "Não temos nada, mas somos o sal da terra". Fazíamos arte, filmes, música como se salvássemos o país. Agora a web é uma cachoeira de criações artísticas. Acabam os poucos artistas criando para muitos.

Antes, o subdesenvolvimento nos dava uma "superioridade" sobre os "falsos problemas europeus", como o absurdismo do teatro de Beckett ou Ionesco, o "existencialismo alienado do social" ou o sinistro comercialismo americano. A pobreza era nossa maior riqueza. Vivíamos na divisão simplista entre "centro e periferia", colonia e metrópole, vítimas santificadas do imperialismo cruel.

Nossos defeitos institucionais seculares ficavam ocultos, já que a culpa era "dos outros". Chegamos a fazer a glamourização da incompetência. Era a poética da precariedade contra a técnica dos países ricos e "decadentes". Achávamos a miséria uma nova estética - o mito de que o tosco, o povo simples e até o burro são ungidos por uma "verdade sagrada".

Essa ideia reacionária rola até hoje, haja visto o carisma triunfal do ex-presidente operário. Minha geração, no cinema e na esquerda, achávamos que teríamos um futuro cultural que nos salvaria; havia um geist artístico em marcha a uma harmonia libertadora. Éramos os "sujeitos" que moldariam a História. Éramos hegelianos e não sabíamos.

No entanto, as mutações culturais mais visíveis (que não enxergávamos) vieram por "irrupções" de causas materiais, de relações de produção industriais e comerciais: a cultura do café e o Modernismo; o crash da bolsa em 29 contribuindo para nossa "identidade" na revolução de 30; a indústria fonográfica americana e o rádio projetando a música popular dos anos de ouro; a industrialização juscelinista possibilitando a arquitetura, a bossa nova, o Cinema Novo; a Philips e outras gravadoras veiculando a música dos anos 1960; a TV ensinando o povo a falar e a ver o país. Não éramos marxistas e não sabíamos.


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 Continua...

 

quarta-feira, 22 de janeiro de 2014

HELLO, CRAZY PEOPLE!

                                                                                 
                                                                                  



Oi, cambada, tô de volta! 

Não que eu tenha estado ausente por algum motivo muito especial, é que simplesmente, por incrível que pareça para alguns, existe uma vida lá fora (fora da internet, quero dizer), ou seja, eu estava vivendo, sofrendo e me divertindo, como todo mortal está destinado a fazer.




Por falar nisso aconteceu uma coisa muito natural mas, ao mesmo tempo, muito triste, durante o tempo em que estive ausente: a morte de um verdadeiro gigante da liberdade, o último herói do século XX, NELSON MANDELA; em compensação devem ter acontecido inúmeras coisas boas, só que não me lembro de nenhuma realmente à altura. 

Bom, a não ser a 'R(e)evolução' da Marvel Comics: "MARVEL NOW!". Ou NOVA MARVEL, no Brasil. Ficou bem legal...





Então é isso. Estamos de volta ao bom combate, mas sem a obrigação de postar regularmente coisa alguma (ainda bem...), dividindo alegrias e tristezas com quem quer que se dê ao trabalho de ler essas linhas, um pouco do bom e um pouco do ruim que fazem parte da vida de todos nós.

E, como diriam os 'Incas Venusianos': AWIKA!!!


 




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Só pra reforçar o argumento: que ninguém espere regularidade por aqui, até porque, como já tive a oportunidade de dizer, eu estou nesta vida a passeio (e detesto ser obrigado a fazer alguma coisa contra minha vontade). 

Portanto, até a próxima 'viagem', sabe-se lá quando. Aguardem...

terça-feira, 12 de fevereiro de 2013

CARNAVAL 2013



E lá se vai mais um Carnaval. Admito que não sou fanático pela festa, mas costumo sair todo ano num bloco que reúne uma galera da minha adolescência. Além de ser uma boa desculpa pra rever muita gente boa às vezes dá até pra conhecer umas caras novas e... (deixa prá lá!).

Quanto ao desfile das Escolas de Samba, pra mim não tem mais muita graça não, parece que todo ano é sempre a mesma coisa, apesar de torcer pro Salgueiro. Aliás, foi uma das poucas que eu tive paciência de assistir pela TV, além da Unidos da Tijuca, Mangueira, Beija-Flor e São Clemente, até porque estavam entre as primeiras a desfilar no domingo e na segunda-feira.





Sem querer ser chato, vou ousar fazer algumas críticas, tanto ao desfile quanto à transmissão da TV Globo. O Salgueiro veio “arrebentando”, com muito luxo e abusando da tecnologia. Nada contra, até porque o desfile é cada vez mais para gringo ver.

Unidos da Tijuca, idem, muito bonita e cheia de truques tecnológicos. Pena que pecou num detalhe nem tão pequeno assim. A homenagem à Alemanha foi original, mas a Escola cometeu um equívoco logo na Comissão de Frente ao exaltar a mitologia germânica. Thor e Odin, apesar de terem sido reverenciados na antiga Alemanha, eram conhecidos como Donar ou Doner e Wotan ou Woden. Thor e Odin são os nomes pelos quais estas divindades eram conhecidas na Escandinávia (Dinamarca e Noruega, principalmente). Não chegou a tirar o brilho do espetáculo (legal a mágica com o martelo!), mas que foi um tremendo “vacilo” isso foi.






Mangueira e Beija-Flor: ambas como sempre dignas e belas, candidatas indiscutíveis ao título. Entretanto a Escola de Nilópolis também teve seu equívoco, e não foi pequeno. Um dos destaques foi uma fantasia muito bonita e luxuosa chamada “Dario, Rei da Babilônia”. Hein?!? Dario foi Imperador da Pérsia, gente. Tudo bem que suas conquistas também alcançaram a região entre os rios Tigre e Eufrates (atual Iraque), onde localizava-se a antiga Babilônia, mas, pelo amor de Zaratustra, essa foi imperdoável!





Outro equívoco, até engraçado, veio de um dos comentaristas da TV Globo. O tema da Beija-Flor era uma homenagem ao cavalo, animal que, desde pelo menos a última Era Glacial, tem sido um parceiro indispensável da humanidade na construção das civilizações. Acontece que uma certa alegoria focalizava a evolução do animal desde seus ancestrais mais longínquos, entre eles o "eohippus", que existiu mais ou menos entre 10 e 20 milhões de anos atrás. Era um animal pequeno em comparação com nosso cavalo, mais ou menos do tamanho de um cachorro médio atual. Durante o desfile, a certa altura, o comentarista declarou que devia ter sido mais fácil para o “homem das cavernas” caçar aqueles “cavalinhos” do que os dinossauros. Putz! Essa foi hilária! Alguém andou vendo desenhos animados demais! Entre a extinção dos últimos dinossauros e o surgimento dos primeiros hominídeos existe um intervalo de, pelo menos, 50 milhões de anos!!! Fala sério...






Quanto a São Clemente, pessoalmente detestei. Veio homenageando as novelas da TV Globo, num demonstração descarada de “puxa-saquismo” típico. Por sinal, por que só a Globo pode transmitir o desfile das Escolas de Samba? Ah é, muito dinheiro...

E pra quem não sabe o desfile agora tem patrocínio de empresas privadas. Quem não gosta de dinheiro?



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Anyway, parabéns a todas as Escolas de Samba que desfilaram no Sambódromo da Av. Marquês de Sapucaí. E que vença a melhor!

domingo, 12 de junho de 2011

TÔ DE SACO CHEIO






É muita aporrinhação de tudo que é lado, muitos compromissos pendentes pra resolver, pouco dinheiro pra gastar e pouca paciência pra poder aturar. Tô me sentindo meio como o velho Sísifo da lenda (para os menos informados, nada a ver com "sifú", mas até que dá pra traçar um paralelo nem tão forçado...) 




Isso prá não falar nas notícias, tanto nacionais quanto internacionais. É o mesmo marasmo de sempre: corrupção, enchente, terremoto, assassinato e por aí vai.




Podem dizer que ando meio depressivo e tal, mas resolví dar um tempo em tudo. Já que nada muda a minha volta, mudo eu.  




Fui, mas volto logo...




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LEVE DESESPERO
(Capital Inicial)

Eu não consigo mais me concentrar

Eu vou tentar alguma coisa para melhorar
É importante, todos me dizem
Mas nada me acontece como eu queria

Estou perdido, sei que estou

Cego para assuntos banais
Problemas do cotidiano
Eu já não sei como resolver

Sob um leve desespero

Que me leva, que me leva daqui

Então é outra noite num bar

Um copo atrás do outro
Procuro trocados no meu bolso
Dá pra me arrumar um cigarro?

Eu não consigo mais me concentrar

Eu vou tentar alguma coisa para melhorar
Já estou vendo TV como companhia

Sob um leve desespero

Que me leva, que me leva daqui

Talvez se você entendesse

O que está acontecendo
Poderia me explicar
Eu não saio do meu canto
As paredes me impedem
Eu só queria me divertir

As paredes me impedem

Já estou vendo TV como companhia

Sob um leve desespero

Que me leva, que me leva daqui

Sob um leve desespero

Que me leva, que me leva daqui

sábado, 26 de março de 2011

LEONARD 'SPOCK' NIMOY FAZ 80 ANOS





Leonard Nimoy,  o  ator  que  encarnou  um  dos personagens  mais  icônicos  da TV, do cinema e da cultura popular em geral  a  partir da década de 1960  e  até os dias de hoje,  o legendário Sr. Spock  de  'Jornada   nas   Estrelas'   (Star Trek), completa 80 anos  de  uma vida plena em que se destacou não  somente como ator e diretor, mas também como um talentoso fotógrafo e escritor.


Nimoy nasceu em 26 de março de 1931 em Boston, Massachusetts, apenas quatro dias depois de William Shatner (seu parceiro de aventuras, o capitão James Kirk, em Star Trek), tendo estreado no cinema no início da década de 1950 fazendo pequenas aparições em filmes como Zombies of the Stratosphere e em seriados de TV como Gunsmoke e Dragnet.






O sucesso veio com a série televisiva de ficção-científica 'Jornada nas Estrelas' (Star Trek), que foi ao ar entre 1966 e 1969 (e que completa, portanto, também neste ano de 2011, seu quadragésimo-quinto aniversário) e logo depois com 'Missão Impossível' (Mission Impossible), seriado de ação ambientado no mundo da espionagem, entre 1969 e 1971. Em 1977 ele estrelou a peça Equus, na Broadway, além de ter apresentado um episódio da série televisiva "In Search Of...", do History Channel, que abordava a vida e a obra do trágico e genial pintor Vincent Van Gogh. No cinema, além de atuar em diversos filmes, foi o diretor de Star Trek III (1984) e Star Trek IV (1986), bem como da comédia de sucesso 'Três Solteirões e Um Bebê' (Three Men and a Baby), em 1987, entre outros.







Autor de diversas coleções de poesia, três livros sobre fotografia e duas autobiografias – 'Eu Não Sou Spock' (I Am Not Spock), de 1975, e 'Eu Sou Spock' (I Am Spock), de 1997 – , Leonard Nimoy não pensa em se aposentar, e há boatos de que estaria no elenco de The Hobbit, 'prequel' de 'O Senhor dos Anéis' (The Lord of The Rings), se não de corpo presente pelo menos dublando a voz do dragão Smaug.







Meus sinceros parabéns a este carismático ator que deixou uma marca indelével no inconsciente coletivo de diversas gerações e na cultura popular do século XX. Seu personagem mais marcante, o mestiço comandante Spock, oficial de ciências da nave estelar Enterprise, filho de mãe terráquea e pai alienígena (um embaixador do povo extraterrestre que habita o fictício planeta Vulcano, localizado fora do sistema solar), tornou-se notável por seu comportamento ditado pela mais pura lógica e supostamente desprovido de emoções. Uma de suas citações favoritas era a exclamação “Fascinante!” quando diante do inesperado ou surpreendente.

Como diria o próprio Sr. Spock em sua saudação tipicamente vulcana: “Vida longa e próspera!”.







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Meus mais sinceros parabéns, Sr. Leonard 'Spock' Nimoy! (Eu adoro esse cara...)



sábado, 11 de dezembro de 2010

QUEM SOU EU?




Aviso aos navegantes: a leitura a seguir, dependendo do temperamento e/ou da (in)formação de cada um, pode parecer completamente incoerente ou uma fonte de surpresas inesperadas e muito agradáveis; fica a critério do freguês:

Quem sou eu?  







Tudo e Nada; Ser e Não-Ser; Caos e Ordem; Silêncio e Som; Sentido e Nonsense; Retórica e Sofística; Dialética e Paradoxo; Simetria e Terceiro Excluído; Eternidade e Devir; Infinito e Singularidade; Vácuo e Verbo; Unidade e Multiplicidade; Espaço e Tempo; Duração e Simultaneidade; Real e Virtual; Harmonia e Dissonância; Coerência e Insensatez; Yin e Yang; Onda e Partícula; Posição e Momentum; Energia e Entropia; Hádron e Lépton; Totalidade e Incompletude; Absoluto e Incerteza; Relatividade e Axiomática; Dúvida e Dogma; Teoria e Práxis; Coração e Mente; Eu e Outro; Sim e Não; Lá e Aqui; Espírito e Matéria; 






Ciência e Arte; Teatro e Política; Logos e Mito; Matemática e Poesia; Música e Pintura; Escultura e Arquitetura; Astronomia e Dança; Estrutura e Acaso; Tragédia e Comédia; Id e Superego; Nous e Psyché; Métron e Hybris; Arethé e Epoché; Capricho e Vontade; Se e Talvez; Classissismo e Hiperrealismo; Impressionismo e Cubismo; Romantismo e Surrealismo; Simbolismo e Realismo; Holismo e Mecânica Quântica; Transfinito e Infinitesimal; Pré-socrático e Pós-moderno; 




Futurista e Anacrônico; Bipolar e Aleatório; Psicodélico e Paranormal; Autodidata e Diletante; Lírico e Satírico; Irônico e Fraterno; Cínico e Crédulo; Indiferente e Heróico; Sublime e Ridículo; Sonhador e Pragmático; Lógico e Louco; Coerente e Caótico; Simples e Complexo; Modesto e Maravilhoso; Arrogante e Humilde; Melhor e Pior; Igual e Diferente; Nós e Eles; Céu e Inferno; Místico e Iconoclasta; Racionalista e Romântico; Sentimental e Cruel; Irascível e Razoável; Distraído e Compenetrado; Superficial e Profundo; Monarquista e Republicano; Anarquista e Totalitarista; Democrático e Tirânico; Multicultural e Tribal; Socialista e Fascista; Liberal e Conservador; Revolucionário e Conformista; Libriano e Cão Chinês; 






Flamengista e Salgueirense; Carioca e Brasileiro; Latino-Americano e Cosmopolita; Judeu e Cristão; Muçulmano e Budista; Camelo e Leão; Criança e Velho; Homem e Mulher; Animal e Vegetal; Mamífero e Réptil; Luz e Sombra; Sol e Lua; 'Thank You' e 'Fuck You'; Pensamento e Ação; Proletário e Burguês; Espectro e Planta; Anjo e Demônio; Último Homem e Homem Superior; Além e Aquém; Ateu e Deísta; Agnóstico e Politeísta; Materialista e Espiritualista; Ecumênico e Herege; 






Tradicionalista e Revisionista; Zen e Bushidô; Yoga e Wushu; Capoeira e Tai Chi Chuan; Krav Magá e Jiu-Jitsu; Muay Thai e Aikidô; Abismo e Espelho; Um e Zero; Gênesis e Big Bang; Apocalipse e Ragnarok; Armagedon e Juízo Final; Dobra e Fissura; Alfa e Ômega; Pi e Aleph; Mi e Ma; Ain Sof e Adam Kadmon; Tzim Tzum e Tehom; Atzmut e Sefirot; Kether e Malkut; Daat e Zohar; Tarot e Torah; Iahu e Yahweh; Jeová e Jove; Jah e Allah; Adonis e Adonai; Trimurti e Tetragramaton; Theos e Daimon; Omphalos e Ouroboros; Tohu va-Vohu e Aletheia; Gaia e Urano; Cronos e Aion; Eros e Tanatos; Apolo e Dionísio; Hermes e Orfeu; Ísis e Osíris; Horus e Ra; Aton e Atman; Thoth e Thor; Zurvan e Zeus; Metatrom e Mitras; Tamuz e Tiwaz; Odin e Elohim; Ymir e Pan-Ku; 






Dyaus Pitar e Júpiter; Marduk e Tiamat; Rama e Brahma; Vishnu e Shiva; Veda e Vedanta; Hagia Sophia e Yemanjá; Ahura Mazda e Angra Maynu; Grande Espírito e Coyote; Tupã e Teutates; Kundalini e Quetzacoatl; Héracles e Gilgamesh; Lúcifer e Prometeu; Bodhidarma e Zarathustra; Yeshua e Oxalá; São Jorge e Xangô; Krishna e Buda; Cristo e Anticristo; Homero e Hesíodo; Heráclito e Pitágoras; Parmênides e Zenão; Demócrito e Anaxágoras; Sócrates e Protágoras; Platão e Aristóteles; Plotino e Epicuro; Heródoto e Hipócrates; Ésquilo e Sófocles; Sun-Tzu e Confúcio; Wong Fei-Hung e Huo Yuanjia; Maimônides e Averróes; Hipácia e Giordano Bruno; 




Arquimedes e Copérnico; Maquiavel e Montaigne; Da Vinci e Rafael; Michelangelo e Rembrandt; Van Gogh e Hieronymus Bosch; Botticelli e Ticiano; El Greco e Caravaggio; Rubens e Velázquez; Goya e Monet; Degas e Renoir; Manet e Seurat; Cézanne e Picasso; Descartes e Francis Bacon; Galileu e Newton; Kant e Spinoza; Hobbes e Locke; Leibniz e Pascal; Hume e Rousseau; Hölderlin e Schelling; Schopenhauer e Mallarmé; Hegel e Nietzsche; Max Weber e Durkheim; Saussure e Schlegel; Freud e Jung; Heidegger e Wittgenstein; Darwin e Husserl; Baudelaire e Bachelard; Leví-Strauss e Merleau-Ponty; 






Bataille e Lacan; Cantor e Frege; Bergson e Sartre; Hannah Arendt e Simone de Beauvoir; Walter Benjamin e Kierkegaard; Bertrand Russell e Richard Rorty; Foucault e Derrida; Deleuze e Lyotard; Euclides e Gauss; Reimann e Fermat; Euler e Lagrange; Bhaskara e Erastótenes; Von Newmann e Hilbert; Gödel e Carnap; Maxwell e Faraday; Einstein e Plank; Heisenberg e Bohr; David Bohm e Fritjof Capra; Mircea Eliade e Ernest Cassirer; Alain Badiou e Jürgen Habermas; Joseph Campbell e Ken Wilber; Gilbert Durand e Bob Black; Karl Marx e Groucho Marx; Salvador Dalí e André Breton; Tim Maudlin e David Albert; 






Aldous Huxley e George Orwell; Frida Khalo e Charles Chaplin; Diego Rivera e Emiliano Zapata; Malcolm X e Mariguella; Vladimir Lenin e Leon Trotsky; Hailé Selassié e Dalai Lama; Viktor Frankl e Nikola Tesla; Steve Jobs e Bill Gates; Steve Wozniak e Mitch Kapor; Jimmy Wales e Sir Tim Berners-Lee; Chad Hurley e Shawn Fanning; Mahatma Ghandi e Che Gevara; Martin Luther King e Chico Mendes; João Cândido Felisberto e Tiradentes; Calabar e D. Pedro II; Simon Bolívar e Antonio Conselheiro; Lampião e Padre Cícero; Butch Cassidy e Sundance Kid; Billy The Kid e Jesse James; Wyatt Earpp e Doc Holliday; Arthur Pendragon e Dom Manoel, o Venturoso; Sir Lancelot du Lac e Eurico, o Presbítero; Vasco da Gama e Fernão de Magalhães; Alexandre e Napoleão; Júlio César e Carlos Magno; 






Churchill e Mussolini; Thomas Jefferson e Benjamin Franklin; Robespierre e Danton; Theodore Joadson e John Quincy Adams; Geronimo e Hiawatha; Raoni e Sitting Bull; Cinque e Zumbi dos Palmares; FDR e JFK; Getúlio Vargas e Juscelino Kubitchek; Joana Angélica e Maria Quitéria; Olga Benário e Anne Frank; Florbela Espanca e Cecília Meireles; Fernando Pessoa e Augusto dos Anjos; Oswald de Andrade e James Joyce; Henry Miller e Philip Roth; Bertold Brecht e Augusto Boal; Rodin e Aleijadinho; Marcel Duchamp e Andy Warhol; Jean-Michel Basquiat e Anaïs Nin; 





Tarcila do Amaral e Candido Portinari; Marcel Proust e Machado de Assis; Heinrich Heine e Lord Byron; Emile Zola e Oscar Wilde; Flaubert e Jorge Amado; Maupassant e Lima Barreto; Albert Camus e Allen Ginsberg; William Burroughs e Jack Kerouac; Henry David Thoreau e Ralph Waldo Emerson; Herman Melville e Ernest Hemingway; Hermann Hesse e Thomas Mann; Kafka e Dostoiévski; Balzac e Dante; Cervantes e Goethe; Tolstói e Shakespeare; Gogol e O. Henry; Joseph Conrad e William Faulkner; Alexandre Dumas e Victor Hugo; Jack London e Charles Dickens; Robert Louis Stevenson e Daniel DeFoe; J. Fenimore Cooper e Walter Scott; Alexandre Herculano e Luis de Camões; Eça de Queirós e Olavo Bilac; Ruy Barbosa e Joaquim Manuel de Macedo; Castro Alves e Manuel Antônio de Almeida; José de Alencar e Euclides da Cunha; Guimarães Rosa e Jorge Luis Borges; Érico Veríssimo e Mario Vargas Llosa; Manuel Bandeira e Gabriel García Márquez; Carlos Drummond de Andrade e Clarice Lispector; Rubem Fonseca e Moacyr Sciliar; Ferreira Gullar e Mário Quintana; Millôr Fernandes e Paulo Leminski; H. P. Lovecraft e Edgar Allan Poe; Lewis Carroll e J. R. R. Tolkien; Hans Christian Andersen e Michael Moorcock; 






Irmãos Grimm e Monteiro Lobato; Giberto Freyre e Mark Twain; Jules Verne e H. G. Wells; Isaac Asimov e Arthur C. Clarke; Ray Bradbury e Phillip K. Dick; Robert E. Howard e Lin Carter; L. Sprague de Camp e Bram Stoker; Louis Pauwels e Jacques Bergier; Theodore Roszak e Timothy Leary; Marshal McLuhan e Henry Jenkins; Fred Alan Wolf e William Tiller; Amit Goswami e Masaru Emoto; Dashiel Hammett e Raymond Chandler; H. R. Giger e Ray Harryhausen; Hitchcock e Fellini; Fritz Lang e John Ford; Sergei Eisenstein e George Lucas; Orson Welles e Glauber Rocha; Alejandro Jodorovski e David Lynch; Ridley Scott e Quentin Tarantino; Woody Allen e Francis Ford Coppola; Stanley Kubrick e Steven Spielberg; Terry Gilliam e Brian DePalma; Martin Scorsese e Sidney Lumet; Clint Eastwood e James Cameron; Irmãos Cohen e Irmãos Wachowski; Alejandro González Iñarritu e José Padilha; Tim Burton e Zack Snyder; Oliver Stone e Bryan Singer; Alan Parker e Roman Polanski; Danny Boyle e David Fincher; George Roy Hill e Milos Forman; Darren Arnofsky e Michael Curtiz; Kevin Smith e Lawrence Kasdan; Cecil B. DeMille e George A. Romero; 







Umberto Eco e Gershom Scholem; Krishnamurti e Mme. Blavatsky; Gurdjieff e Ouspenski; Jacob Boheme e Martin Buber; Allan Kardec e Teilhard de Chardin; Pietro Ubaldi e Ernesto Bozzano; Aleister Crowley e Zé do Caixão; Chico Xavier e Professor X; Stan Lee e Gardner Fox; Jack Kirby e Will Eisner; C. C. Beck e Jack Cole; Steve Ditko e Carmine Infantino; Alex Raymond e Hal Foster; Lee Falk e Chester Gould; Alan Moore e Neil Gaiman; Grant Morrison e Garth Ennis; Ed Brubaker e Chuck Dixon; Arnold Drake e Sergio Bonelli; Bill Watterson e Quino; Robert Crumb e Moebius; Wally Wood e John Severin; Jack Davis e Mort Drucker; Dan Martin e Sergio Aragonés; 






Barry Windsor-Smith e John Buscema; Joe Kubert e Ross Andru; Don Heck e George Tuska; Dave Cockrum e Frank Brunner; Gray Morrow e Matt Wagner; Alex Niño e Tony DeZuñiga; Alex Ross e Neal Adams; Jim Steranko e Guido Crepax; Frank Frazetta e Richard Corben; Darwyn Cooke e Arthur Adams; Jim Lee e John Cassaday; Todd McFarlane e Erik Larsen; Frank Quitely e Bryan Hitch; Mike Weringo e Mike Mignola; Roy Thomas e Steve Englehart; Len Wein e Marv Wolfman; Gerry Conway e Archie Goodwin; Roger Stern e Mark Gruenwald; Steve Gerber e Jim Shooter; Bob Haney e Gary Friedrich; Danny O'Neil e Mark Waid; James Robinson e Kurt Busiek; Brad Meltzer e Geoff Johns; Mark Millar e Brian Michael Bendis; Joss Whedon e Brian Azzarello; Peter David e Rick Remender; Jason Aaron e Greg Pak; Jamie Delano e Brian K. Vaughan; Walter Simonson e Marshall Rogers; Bernie Wrightson e Russ Manning; Frank Miller e George Pérez; Scott Lodbell e Fabian Nicieza; Bill Mantlo e David Antony Kraft; Gil Kane e Gene Colan; Jerry Siegel e Joe Shuster; Kurt Schaffenberger e Wayne Boring; Curt Swan e Murphy Anderson; Jim Aparo e Nick Cardy; Bob Kane e Bill Finger; Dick Sprang e Jerry Robinson; Jim Starlin e José Luis Garcia-Lopés; Terry Austin e José Ladronn; Paul Levitz e Joe Quesada; Bill Everett e Carl Burgos; Larry Lieber e Dick Ayers; Terry Dodson e Michael Lark; Tom deFalco e Axel Alonso; Mike Sekowsky e Joe Orlando; Cary Bates e David Micheline; Vince Coletta e Chic Stone; Mike Zeck e Ed McGinness; Dan Jurgens e Ron Garney; Greg Capullo e Brandon Peterson;  Rick Silvestri e Marc Leonardi;






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James Brown e Carlinhos Brown; Frank Sinatra e Roberto Carlos; David Bowie e Titãs; U2 e Capital Inicial; Amy Winehouse e Ivete Sangalo; Edith Piaf e Elis Regina; 50 Cent e Marcelo D2; 2Pac e Criolo; Sabotage e Chorão; Miles Davis e Arlindo Cruz; Lady Gaga e Mamonas Assassinas; Bill Halley & his Comets e Sérgio Mendes & Brazil '66; Little Richards e Monarco; Elvis Presley e Erasmo Carlos; Michael Jackson e Jackson do Pandeiro; Buena Vista Social Club e Velha Guarda da Portela; The Platters e The Supremes; Diana Ross e Marvin Gaye; Arctic Monkeys e Tom Petty; Emicida e Patty; Malu Magalhães e NX Zero; Cássia Eller e Ed Motta; The Commodores e Beastie Boys; Sonic Youth e Dinosaur; Joy Division e Zombie Nation; Beethoven e Villa-Lobos; Mozart e Ernesto Nazareth; Chopin e Chiquinha Gonzaga; Carlos Gardel e Dorival Caymmi; B.B. King e Pixinguinha; Eric Clapton e Noel Rosa; 






Elton John e Hermeto Pascoal; James Taylor e Adoniran Barbosa; Racionais MC's e R.E.M.; Dire Straits e Martinho da Vila; The Smiths e Clara Nunes; Eminem e Engenheiros do Hawaii; Jorge Aragão e The Cure; Charlie Brown Jr. e Black Eyed Peas; Luis Melodia e Nine Inch Nails; Sepultura e Oasis; Nelson Gonçalves e Foo Fighters; Pato Fu e Nirvana; Biohazzard e Seu Jorge; Linkin Park e Ney Matogrosso; Greenday e Los Hermanos; Iron Maiden e Maria Gadú; Guns & Roses e Maria Rita; Beyoncé e Vanessa da Mata; Coldplay e Ivan Lins; Pearl Jam e Belchior; Slipknot e Ana Carolina; Iggy Pop e The Strokes; Jonah Sharp e Otis Redding; Greenpeace e Wikileaks; World Wide Web e Wikipedia; Napster e YouTube; Spock e Yoda; South Park e Jurassic Park; 






Dr. Who e Godzilla; Serpico e Tony Manero; James Bond e Dirty Harry; Rick Deckard e Hannibal Lecter; HAL9000 e Neo; Alex DeLarge e Tyler Durden; Gandalf e Harry Potter; National Geographic e Scientific American; MTV e History Channel; Túnel do Tempo e Perdidos no Espaço; Viagem ao Fundo do Mar e Terra de Gigantes; Sienfield e Arquivo X; Heroes e Lost; Smallvile e The Big Bang Theory; Two and a Half Man e Bones; House e Dexter; O Bem-Amado e O Auto da Compadecida; Roque Santeiro e O Astro; TV Pirata e A Grande Família; 'Cidade de Deus' e 'Tropa de Elite'; Mowgli e Tarzan; Robin Hood e Sinbad; Conan da Ciméria e Elric de Melniboné; El Zorro e Lone Ranger; The Shadow e Doc Savage; Tintin e Popeye; Mandrake e Fantasma; Flash Gordon e Príncipe Valente; Dick Tracy e The Spirit; Fantastic Four e Doom Patrol; JSA e JLA; The Avengers e WildC.A.T.s; The Authority e X-Men; Planetary e The Defenders; National Kid e Vigilante Rodoviário; Ultraman e Speed Racer; Jiraya e Cavaleiros do Zodíaco; Space Ghost e Thundercats; Starsky & Hutch e Phineas & Ferb;






Jonny Quest e Herculóides; Os Impossíveis e Scooby-Doo; Os Flintstones e Os Jetsons; Akira e Hellboy; Tex e Jonah Hex; Sandman e V for Vendetta; John Constantine e The Simpsons; Monstro do Pântano e Bob Esponja; Homem-Aranha e Freak Brothers; Superman e Mr. Natural; Wolverine e A Garagem Hermética de Jerry Cornelius; Batman e Valentina; Mafalda e Corto Maltese; Dr. Manhattan e Mickey Mouse; Punisher e Howard the Duck; Rorcharch e Galactus; Theorykal e Tiririca; Tudo e Nada...







POST-SCRIPTUM:



“Reality is merely an illusion, albeit a very persistent one.” - Albert Einstein

A identidade talvez seja uma ilusão, “sonho que se sonha junto”, mera sombra na parede da caverna platônica, mas, ainda assim, como que impelida por trágico paradoxo, esta mesma suposta identidade não pode dar-se ao luxo de desprezar a hipótese de ser o reflexo ou a projeção de algo mais sólido, que um dia, quem sabe, acordará e sairá para alcançar o sol. Nem que seja prá pegar uma praia, que ninguém é de ferro. 



Se bem que, num futuro nem tão distante, os implantes cibernéticos, o desenvolvimento da Inteligência Artificial, os computadores quânticos, a engenharia genética, a criação de novas drogas farmacoterápicas e a descoberta de potenciais insuspeitos do binômio mente/cérebro talvez nos obriguem a pensar em novas espécies inteligentes para além do mero 'homo sapiens sapiens' e aí vai ficar difícil dizer que 'ninguém é de ferro' (que o diga Tony Stark...). 






Axé pra todos, um feliz Natal e um próspero Ano Novo. Fui.



terça-feira, 2 de novembro de 2010

O IMAGINÁRIO II



[CONCLUSÃO da obra “O Imaginário: Ensaio Acerca das Ciências e da Filosofia da Imagem”, de Gilbert Durand; tradução de René Eve Levié; Coleção 'Enfoques – Filosofia', da editora Difel; 1998]



Foi assim que, em meados do século 20, os trabalhos pluridisciplinares convergentes permitiram tanto a criação de um balanço heurístico rico em estudos do imaginário como apresentar os conceitos-chaves de uma abordagem metódica das representações do Universo, ou de uma “mitodologia”. O pluralismo taxionômico, a tópica e a dinâmica permitem abarcar as bacias semânticas que articulam aquilo que é “próprio do homem”, o imaginário, com uma precisão mensurável. Este define-se como uma re-presentação incontornável, a faculdade da simbolização de onde todos os medos, todas as esperanças e seus frutos culturais jorram continuamente desde os cerca de um milhão e meio de anos que o homo erectus ficou em pé na face da Terra.

Contudo, não poderíamos concluir com esta constatação triunfalista. Verdade que “a civilização da imagem” permitiu a descoberta dos poderes da imagem há tanto tempo recalcados, aprofundou as definições, os mecanismos de formação, as deformações e as elipses da imagem. Por sua vez, a “explosão do vídeo”, fruto de um efeito perverso, está prenhe de outros “efeitos perversos” e perigosos que ameaçam a humanidade do Sapiens.

Em primeiro lugar porque ela impõe seu sentido a um espectador passivo, pois a imagem “enlatada” anestesia aos poucos a criatividade individual da imaginação, como já apontava Bachelard ao dar preferência à “imagem literária” sobre qualquer outra imagem icônica mesmo animada como a de um filme.

Portanto, a imagem “enlatada” paralisa qualquer julgamento de valor por parte do consumidor passivo, já que o valor depende de uma escolha; o espectador então será orientado pelas atitudes coletivas da propaganda; é a temida “violentação das massas”. Este nivelamento é perceptível no espectador de televisão, que engole com a mesma voracidade, ou melhor, com a mesma falta de apetite, espetáculos de “variedades”, discursos presidenciais, receitas de cozinha e notícias mais ou menos catastróficas... É o mesmo “olho de peixe morto” que contempla as crianças que morrem de fome na Somália, a “purificação étnica” na Bósnia ou o arcebispo de Paris subindo a escadaria da Basílica de Montmartre carregando uma cruz... Esta anestesia da criatividade do imaginário e o nivelamento dos valores, numa indiferença espetacular, são reforçados por outro e último perigo.

Trata-se do anonimato da “fabricação” destas imagens. Elas são distribuídas com tanta generosidade que escapam de qualquer “dignitário” responsável, seja ele religioso ou político, interditando assim qualquer delimitação e qualquer estado de alerta, permitindo, portanto, as manipulações éticas e as “desinformações” por produtores não-identificados. A famosa “liberdade de informação” é substituída por uma total “liberdade de desinformação”. Sub-repticiamente, os poderes tradicionais (éticos, políticos, judiciários e legislativos...) parecem ser os tributários de uma única veiculação de imagens “pela mídia”.

Não deixa de ser paradoxal que tal “poder público”, que se tornou absoluto por técnicas sofisticadas que ele utiliza e por quantias colossais de dinheiro que ele drena, seja abandonado ao anonimato, quando não ao oculto. De modo mais geral, o problema concreto da ruptura entre o poder da mídia e os poderes sociais está ligado ao excesso de “informações” (no sentido muito amplo, formações e desinformações, inclusive) das estruturas das instituições. Como se sabe, por natureza a informação (L. Brouillin) é não-entrópica – isto é, ela aumenta indefinidamente, sem conter em si mesma o germe da sua usura – enquanto as instituições, como qualquer construção humana que precisa gastar suas energias, são entrópicas, isto é, condicionadas ao desaparecimento e a morte. Então, a pletora indefinida de informações poderia ser um fator de entropia para as instituições sociais que ela desestabiliza... Constatamos que quanto mais uma sociedade é “informada” tanto mais as instituições que a fundamentam se fragilizam...

Um perigo tríplice para as gerações do “zapping”: perigoso quando a imagem sufoca o imaginário, perigoso quando nivela os valores do grupo – seja de uma nação, cantão ou “tribo” – e perigoso quando os poderes constitutivos de toda sociedade são submersos e erodidos por uma revolução civilizacional que escapa ao seu controle... Ao menos se formou – como o demonstramos ao longo destas páginas – um “magistério” discreto de sábios competentes aos quais “os políticos”, aqueles que ainda pretendem “governar” os grupos sociais, deveriam prestar atenção...



POST-SCRIPTUM:




Pouco mais a acrescentar, além de recomendar a leitura da postagem O Imaginário I (com a 'Introdução' da obra), algumas páginas atrás e, é claro, o próprio livro de Gilbert Durand...


terça-feira, 13 de julho de 2010

O IMAGINÁRIO I



['INTRODUÇÃO' da obra “O Imaginário: Ensaio Acerca das Ciências e da Filosofia da Imagem”, de Gilbert Durand; tradução de René Eve Levié; Coleção 'Enfoques – Filosofia', da editora Difel; 1998]


Seria muito banal afirmar que os enormes progressos das técnicas de reprodução por imagem (a fotografia, o cinema, os vídeos, “as imagens de síntese”, etc.) e de seus meios de transmissão (o belinógrafo, a televisão, o fax, etc.) permitiram ao século 20 acompanhar a construção de uma “civilização da imagem”. Por conseguinte, torna-se fácil imaginar uma inflação de imagens prontas para o consumo tenha transtornado completamente as filosofias, que até então dependiam do que alguns denominam “a galáxia de Gutenberg”, isto é, a supremacia da imprensa e da comunicação escrita – com sua enorme riqueza de sintaxes, retóricas, e todos os processos de raciocínio – sobre a imagem mental (a imagem perceptiva, das lembranças, das ilusões, etc.) ou icônica (o figurativo pintado, desenhado, esculpido e fotografado...).

As civilizações não-ocidentais nunca separaram as informações (digamos, “as verdades”) fornecidas pela imagem daquelas fornecidas pelos sistemas de escrita. Os ideogramas (o signo escrito copia algo num desenho quase estilizado sem limitar-se a reproduzir os signos convencionais, alfabéticos e os sons da língua falada) dos hieróglifos egípcios ou os caracteres chineses, por exemplo, misturam com eficácia os signos das imagens e as sintaxes abstratas. Em contrapartida, antigas e importantes civilizações como a América pré-colombiana, a África negra, a Polinésia, etc., mesmo possuindo uma linguagem e um sistema rico em objetos simbólicos, jamais utilizaram uma escrita.

Todas estas civilizações não-ocidentais, em vez de fundamentarem seus princípios de realidade numa verdade única, num único processo de dedução da verdade, num modelo único do Absoluto sem rosto e por vezes inominável, estabeleceram seu universo mental, individual e social em fundamentos pluralistas, portanto diferenciados.

Aqui, toda diferença (alguns mencionariam um “politeísmo de valores”) é percebida como uma figuração diferenciada com qualidades figuradas e imaginárias. Portanto, todo politeísmo ipso facto é receptivo às imagens (iconófilo) quando não aos ídolos (êidolon, em grego, significa “imagem”). Ora, o Ocidente, isto é, a civilização que nos sustenta a partir do raciocínio socrático e seu subseqüente batismo cristão, além de desejar ser considerado, e com muito orgulho, o único herdeiro de uma única Verdade, quase sempre desafiou as imagens. É preciso frisar que este paradoxo de uma civilização, a nossa, que por um lado, propiciou ao mundo as técnicas, em constante desenvolvimento, de reprodução da comunicação das imagens e, por outro, do lado da filosofia fundamental, demonstrou uma desconfiança iconoclasta (que “destrói” as imagens ou, pelo menos, suspeita delas) endêmica.