terça-feira, 4 de março de 2014

ROMÃ: PROTEÇÃO CONTRA O CÂNCER


[Editado a partir de um reportagem publicada no jornal MEIA HORA]

Estudos mostram que substâncias presentes na romã apresentam efeito protetor contra o câncer e as doenças cardiovasculares. O fruto, segundo cientistas, possui três vezes mais capacidade antioxidante do que o vinho e o chá verde.

O alimento ainda tem papel anti-inflamatório, contribuindo, principalmente, para que o câncer de próstata não desenvolva novos focos de tumor, ou seja, a metástase nos ossos.

Além do câncer, a romã tem papel antioxidante, prevenindo contra danos neurológicos e reduzindo as taxas de colesterol no organismo. Sendo assim, o fruto também funciona como um aliado à saúde do coração.

Apesar de seus efeitos benéficos, a romã deve ser evitada por quem tem diverticulite, ou seja, inflamação no intestino grosso. Como possui sementes, elas não são digeridas e chegam inteiras ao organismo, podendo agravar ou facilitar o surgimento de crises inflamatórias.


POST-SCRIPTUM:


Este foi mais um serviço gratuito de utilidade pública prestado por nosso blog. Não precisam agradecer...

CASO RIOCENTRO


[Adaptado de uma notícia publicada no jornal O GLOBO em 16.02.2014]


Após dois anos de investigação, em nova tentativa de punir os culpados pelo atentado à bomba no Riocentro na época da ditadura militar, o Ministério Público Federal obteve provas inéditas e denunciou cinco militares reformados e um ex-delegado, entre eles três generais.


Entre os depoimentos inéditos, um dos mais importantes é o do major Divany Barros, que confessou ter ido ao local da explosão para retirar provas da participação de militares.



Com a nova denúncia, o Ministério Público tenta reabrir o caso, pois entende que o atentado, de 1981, não está coberto pela Lei da Anistia, de 1979.


POST-SCRIPTUM:

E depois o outro lado é que leva a fama de terrorista. Um clássico caso de "dois pesos e duas medidas"...

domingo, 2 de março de 2014

O ATO ANALÍTICO (3)


[Trecho extraído do livro 'short story: os princípios do ato analítico', de Graciela Brodsky, publicado pela Contra Capa Livraria]


O que distingue um ato de uma ação? Um ato não é equiparável a uma ação porque as coordenadas são coordenadas simbólicas, ou seja, o ato é significativo, significa, é interpretável.

Lacan repetidamente exemplifica o que seria um ato: o momento em que César atravessa o Rubicão. Não creiam que saltar por cima do Rubicão é algo semelhante à travessia dos Andes. Nada disso, não é necessário nenhum esforço físico para atravessar o Rubicão, basta um salto.

Por isso o que é o ato? Não há nenhuma ação grandiosa em César que permita dizer que ele passou para a História por causa dela. Trata-se simplesmente do fato de que o Rubicão demarcava o limite que não podia ser atravessado pelo exército da República. César, então, desafia as leis da República, indo além das coordenadas simbólicas que regiam as leis da época.

 

De fato, antes de atravessar o Rubicão, César era um soldado da República; depois, tornou-se um rebelde. Não é mais o mesmo.

Pois bem, esse é o exemplo utilizado por Lacan para explicar que um ato se mede pelas coordenadas simbólicas, não representa nenhuma ação, nenhum gasto físico. 

Entende-se, contudo, que, para ultrapassar as leis, devemos tê-las no horizonte, devemos situar o Outro e ir além dele. Isso permite pressupor que o Outro sempre acompanha a dimensão do ato, precisamente para que se vá além dele. Não há ato sem o Outro.


Deve-se traçar o limite, para se ver depois como retraçá-lo. É preciso a lei simbólica para que se possa ver como transgredi-la, como ultrapassá-la. Não há ato de outra forma.


POST-SCRIPTUM:

Continua...


ABSURDO



[Editado do artigo "Absurdo do absurdo" de Arnaldo Bloch, publicado no 'Segundo Caderno' do jornal O GLOBO em 01.02.2014]


No comando de um Brasil no qual as prisões emulam cenas de masmorras medievais, país em que o saneamento não chega a mais da metade da população e o modelo energético do futuro (e a propaganda totalitária que o acompanha) é todo calcado no petróleo, os discursos de Dilma pintando o Brasil como Terra Prometida (na esteira da balela da "Copa das Copas") soam como o absurdo dos absurdos.

Se a incomunicabilidade iminente vista pelo teatro de Ionesco nos anos 1950 era um alerta que denunciava a falência da linguagem, transformada numa colagem de fórmulas e convenções para preencher o vazio existencial e a falta do que dizer, o que vivemos hoje é uma exacerbação deste status, por um caminho inverso: o vazio está superlotado de informações que pretendem tudo esclarecer e explicar simultaneamente por todos os caminhos possíveis.

O absurdo saiu de uma dinâmica bidimensional, dualista, para um ambiente pseudoquântico, no qual todos os cenários de significados são passíveis de serem possíveis e lógicos, sem qualquer centralidade de valores, digamos, universais, aos quais se agregarem.


POST-SCRIPTUM:


Enquanto isso permanecemos empacados na perplexidade do existir, desde que haja carnaval, futebol e cerveja...

sábado, 1 de março de 2014

DECEPÇÃO



[Editorial publicado no jornal O DIA em 19.02.2014: "Um acinte à economia nacional"]


Reiteradas vezes se afirmou que o Congresso brasileiro é um dos mais caros do mundo: em 2013, a estrutura bicameral sugava, por dia, R$ 23 milhões do Erário. A salgada conta punha o país no topo do ranking dos gastos em relação ao PIB. 

À época, a cada R$ 100 produzidos para a riqueza nacional, 19 centavos iam para os ralos do Legislativo. É pertinente relembrar essas cifras de tempos em tempos. Ainda mais agora, quando o ministro Marco Aurélio Mello liberou o pagamento dos acintosos supersalários a barnabés. A benevolência do magistrado permite excrescências como vencimentos de R$ 30 mil ou mais.

Em outubro, o Tribunal de Contas da União recomendara o corte dos salários de 1,8 mil funcionários que ganhavam acima do teto - o parâmetro é o vencimento dos ministros da Corte. A Câmara e o Senado ratificaram. Até então, desperdiçavam-se, anualmente, R$ 517 milhões com o pagamento dessa gente.




Na liminar, o juiz do STF alegou que os servidores deveriam ter sido avisados do corte. Daí ter restituído a gastança. Estranha um dos julgadores do Mensalão, saga contra o vazadouro de recursos para financiar uma política escusa, manifestar-se a favor de um acinte à população, numa época em que a economia rateia, o cenário externo não ajuda e os gastos da máquina só incham.

Os funcionários agraciados com os supersalários deveriam ter sido os primeiros a expor as irregularidades. Mas no Brasil, pátria-mãe da Lei de Gérson e das farras bancadas com o dinheiro dos contribuintes, empreendem-se esforço hercúleo para ocultar o malfeito.

É pena que o Judiciário prenda-se a ritos e a justicismos mesmo diante de uma aberração. É ilegal haver salários acima do teto. É escandaloso que quase dois mil servidores o recebam. É imoral que se mantenham a canetadas.

Espera-se que o Pleno do Supremo reveja essa decisão e dê aos trabalhadores brasileiros uma justa e necessária economia.


POST-SCRIPTUM:

Depois de nos dar motivo de orgulho com a condenação da camarilha do Mensalão, agora um ministro do STF sai com uma dessas. Fica difícil engolir. Decepção, pura decepção...

Infelizmente a decisão é embasada em critérios jurídicos, já que uma mudança como essa, em princípio, não pode retroagir. Grande parte desses supersalários existe porque a lei permitiu o acúmulo de vencimentos. Se algo tiver que mudar terá de ser para frente.

Que sejam urgentemente mudadas, então, as leis para que se evite o surgimento de novos marajás ganhando acima do teto. 

sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014

O ATO ANALÍTICO (2)


[Trecho extraído do livro 'short story: os princípios do ato analítico', de Graciela Brodsky, publicado pela Contra Capa Livraria]


Passemos a 1912. "Recordar, repetir e elaborar" é a segunda grande entrada para a questão do ato no ensino de Freud. Nesse texto, há uma mudança de perspectiva.

Freud não se contradiz, mas é importante reconhecer que ele elabora o ato de outro lugar, baseando-se no que se opõe à rememoração.

Ele introduz a famosa expressão agieren, termo traduzido em inglês por Strachey como acting out. Agieren provém do latim agere: ato, atuação, ativo, atividade, ator, atriz.



A mesma raiz abarca essas diferentes modalidades do ato. Quando Freud o trabalha em "Recordar, repetir e elaborar", não o faz como o ato interpretável, mas sim como o ato que se opõe à rememoração que desenbocaria na interpretação.

Em outros termos, situa no ato algo contrário à lógica do inconsciente, uma vez que o inconsciente tem uma maneira de repetir-se e o ato, outra. Lacan aborda essas duas formas de repetição em O Seminário, livro 11, ao estabelecer a diferença entre tykhé e automaton.

Essas são, portanto, as duas grandes perspectivas de Freud sobre o ato: na condição de interpretável, remete a "A psicopatologia da vida cotidiana"; como o que se opõe ao inconsciente, a "Recordar, repetir e elaborar".



POST-SCRIPTUM:

Continua...

terça-feira, 18 de fevereiro de 2014

PRECATÓRIOS


[Texto adaptado de notícia veiculada pelo jornal EXTRA]


Os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) retomaram os trabalhos há duas semanas atrás, após recesso.

Com esse retorno, quatro recursos e uma ação que pedem a restituição das perdas das cadernetas de poupança por ocasião dos Planos Bresser, Verão e Collor I e II, nas décadas de 1980 e 1990, devem voltar à pauta de votações. Quase 400 mil processos em tribunais do país estão parados, aguardando a decisão da Corte.

O presidente do Supremo, ministro Joaquim Barbosa, garantiu que terão prioridade, em 2014, os julgamentos dos processos com repercussão geral. Esse tipo de decisão precisa ser repetido por outros juízes de todo o país, na análise de ações semelhantes.


POST-SCRIPTUM:

Fico daqui torcendo por aqueles que tem um interesse pessoal no assunto.

Mas será que eles terão que esperar por mais uma ou duas décadas?

Quem viver, verá...

segunda-feira, 17 de fevereiro de 2014

FIM OU COMEÇO?


[Adaptado de uma notícia publicada no jornal EXTRA]

A delegacia do Catete continua investigando a agressão a um adolescente espancado e preso, nu, a um poste com um a trava de bicicleta, na Av. Rui Barbosa, no Flamengo. A delegada Monique Vidal, abriu inquérito para apurar o crime de lesão corporal.

Nas redes sociais, internautas apoiaram a ação: "Acordem seus tapados... quem anda no Flamengo sabe... isso aí é ladrão que assalta senhoras e mulheres todos os dias... ele tem uma gangue... fizeram foi pouco... faltou álcool e isqueiro para 'esterilizar' o meliante..."

Pelas ruas do bairro da Zona Sul, moradores também reclamaram que a quantidade de usuários de 'crack' no Flamengo aumentou consideravelmente, trazendo a sensação de insegurança e desconforto:

   - A polícia não faz nada. Aí, chega um grupo de pessoas, que deve ter sido assaltada por alguns deles, e mete a porrada. É o jeito que arrumaram para se defender. Fazer o que? - afirmou um morador do bairro, que preferiu não se identificar.

POST-SCRITUM:

"Os Vingadores" tupiniquins? 

O fim não virá numa explosão pirotécnica de fogos de artifício, mas talvez num surdo gemido de agonia, melancólico e agonizante, lento e interminável...

Ou quem sabe um improvável cruzamento do "super-homem" de Nietzsche com o "cristo cósmico" de Teilhard de Chardin virá salvar a todos no último instante?

Não percam os próximos episódios!

sábado, 15 de fevereiro de 2014

O ATO ANALÍTICO (1)



[Trecho extraído do livro 'short story: os princípios do ato analítico', de Graciela Brodsky, publicado pela Contra Capa Livraria] 


O tema do ato está presente em Freud e tem duas grandes entradas. A primeira está situada no começo de seu ensino, em  "A psicopatologia de vida cotidiana", de 1901. É um grande escrito sobre o ato, que pode ser posto na mesma série de outras formações do inconsciente, ou seja, em série com "A interpretação dos sonhos" (1900) e "Os chistes e sua relação com inconsciente" (1905), três textos que compõe a primeira tópica de Freud e a grande variedade que traz ao mundo: a ideia de que o inconsciente é interpretável, não se manifesta a céu aberto a não ser em seus retornos, em suas formações, sendo por meio desses que se pode explicar a hipótese do inconsciente.




Assim, é na perspectiva do ato falho ou do ato sintomático que o ato surge na psicanálise freudiana. "A psicopatologia da vida cotidiana" é uma grande classificação - não inteiramente segura - dos atos. 

Freud é guiado pela idéia de que os atos não são inocentes, não são meros movimentos e tem uma significação. Esta é a porta pela qual o ato entra na psicanálise. A partir de então, ninguém pode mais dizer que tomou um ônibus errado para ir a sua sessão porque dormiu pouco e estava cansado; ou que pega sua chave de casa ao chegar ao consultório do analista por hábito. Todos esses hábitos são interpretáveis, do mesmo modo que um sonho.

POST-SCRIPTUM:

Continua...

sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014

QUE CALOR!!!




E o calor continua sem dar trégua aqui no Rio de Janeiro. 

Em 3 de fevereiro a temperatura chegou a 40,9 graus centígrados no bairro da Vila Militar, a marca mais alta desde 8 de janeiro de 2013 quando os termômetros chegaram a 40,9 graus, com sensação térmica de 52 graus!

Entretanto, a maior temperatura no Rio nesta época do ano foi em 26 de dezembro de 2012 quando a meteorologia registrou a marca de 43,2 graus centígrados no bairro de Santa Cruz.
Foi a mais alta temperatura registrada desde 1915, quando começaram as medições.      





Os metereologistas ligados à Prefeitura explicam que uma massa da ar seco sobre as regiões Sul e Sudeste estava impedindo a chegada de frentes frias, mantendo bem altas as temperaturas nestas regiões, com picos de até 42 graus.

Mas parece que vem um refresco por aí: a temperatura deve dar uma amenizada nos próximos dias com, finalmente, a chegada de uma frente fria vinda do sul do continente.


POST-SCRIPTUM: 

Agora só falta torcer prá não cair um toró daqueles de causar enchentes quando as águas de março e o Carnaval chegarem...


quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014

MANIFESTAÇÃO POPULAR OU GUERRA CIVIL?



Antes de tudo quero esclarecer que não apoio a velha tradição do "olho por olho, dente por dente". 

A morte do cinegrafista da Rede Bandeirantes, Santiago Andrade, foi um acontecimento lamentável que poderia ter sido evitado.



A "autoridade" pública provocou, em certa medida, novas manifestações de protesto ao aumentar o preço das passagens de ônibus municipais para R$ 3,00, mesmo sabendo que existem estudos que comprovam que o valor de R$ 2,50 já seria suficiente para cobrir as despesas das empresas. Ou seja, deveria, isto sim, BAIXAR o preço anterior de R$ 2,75 para R$2,50 e não AUMENTAR para R$ 3,00!!!

Quer dizer que foi uma provocação? Claro! E não esperava-se consequências? É óbvio que sim, até mesmo contava-se com elas.


 


O que os governos municipal e estadual do Rio de Janeiro queriam era só uma desculpa para endurecer contra os manifestantes, "descer o cacete", lançar bombas de gás e dar tiros com balas de borracha (que podem aleijar e até mesmo matar, sabiam?).

Só que eles não sonhavam que seus desejos seriam atendidos com tanta precisão. Os dois idiotas que participaram do atentado com o tal "rojão" que matou o jornalista "entregaram de bandeja" tudo que as "autoridades" queriam e muito mais.



O resultado é um inocente morto, os dois patetas na cadeia por uma boa temporada e o governo tirando uma de "bom moço", levando sua pseudojustiça "até as últimas consequências".

E A PASSAGEM CONTINUA A TRÊS REAIS!!! Maravilha, né? Fala sério...

 

Quando de minha postagem sobre o livro "Groucho-Marxismo", de Bob Black, ao conclamar os anarquistas a se unirem, estava naturalmente sendo irônico (pra quem não entendeu), até mesmo porque o anarquismo não possui uma única vertente, uma "doutrina codificada" (axé, Bakunin!) que una todos os que pensam diferente da mesmice entranhada nos corações e mentes das massas.

É, na verdade, um paradoxo, conclamar os anarquistas a se unirem, a não ser por breves momentos e por causas específicas. E é claro que eu sei disso.



  


Que ninguém se iluda: o sistema não vai cair se você jogar uma bomba nele. Ele simplesmente te joga 10, 100, 1.000 bombas e ainda conta com o apoio natural da mídia e da população, chocadas com a morte de alguém cujo único interesse era registrar fatos, informar no interesse até mesmo e principalmente dos manifestantes nos casos de violência policial.

Estes rapazes que agora serão tratados como criminosos comuns não passam de "bucha de canhão" numa estratégia imbecil e equivocada, incentivada sabe-se lá por quais interesses escusos.




Quanto pior, melhor? É, o PT já pensou assim também e olha aonde ele chegou. Bem alto, né? Só que, quanto maior a altura, maior a queda...

Resumindo, tudo tem sua hora e seu lugar. O movimento de rebelião tem sangue nas mãos e deu vários passos atrás com todo esse quadro lamentável.

O sistema ainda vai cair. Mas será de podre, sob seu próprio peso, e não sob pauladas e pedradas ou mesmo em consequência de "coquetéis moltov" ou fogos de artifício.

Li, não me lembro onde, que dar a outra face não é sinal de fraqueza, mas de protesto; pode bater o quanto quiser: daqui não saio, daqui ninguém me tira!

Que o exemplo de Gandhi e de Nelson Mandela nos inspirem no futuro e não o de uma dupla de garotos irresponsáveis e mal orientados.


POST-SCRIPTUM:

A luta continua. Mas é uma luta de consciências e não uma guerra civil. Infelizmente, parece que tem gente interessada na segunda opção...

E, com certeza, não é com isso que o povo brasileiro sonha.  



terça-feira, 4 de fevereiro de 2014

MACONHA LIBERADA!



Sei que é notícia velha, mas foda-se: nunca é tarde demais para comemorar o bom-senso!

O Uruguai regulamentou (ou está prestes a fazê-lo) o uso da cannabis e, paralelamente, vários estados nos EUA também, ao longo do último ano.

Até que enfim está entrando na cabeça dos políticos que a proibição é o pior caminho para encarar o problema do eventual abuso e dependência.

Com a regulamentação legal torna-se muito mais fácil o controle da venda (com as respectivas vantagens fiscais decorrentes) e do uso desta erva que "ameniza a pressão", como diria o bom e velho RAPPA.
      
Agora só resta esperar que no Brasil os políticos e falsos moralistas abram os olhos e "façam a cabeça".


POST-SCRIPTUM:

Não tem nada a ver com o assunto, mas, mesmo assim, lá vai: tô com uma leve desconfiança de que essa Copa do Mundo vai ser, no mínimo, complicada. 

Isso se não for um fracasso total, com tanta roubalheira, atraso em obras e descaso com a população.   

Até que seria uma boa lição pra quadrilha do Congresso...


sexta-feira, 31 de janeiro de 2014

ESQUERDA, DIREITA: BABACAS, MARCHEM!

Groucho-Marxismo


[EDITADO E ADAPTADO A PARTIR DO ARTIGO "RITOS DE ESQUERDA" PUBLICADO NO LIVRO "GROUCHO-MARXISMO" DA AUTORIA DE BOB BLACK E PUBLICADO PELA ED. CONRAD]



Na astronomia, "revolução" se refere a uma volta ao mesmo lugar. Para a esquerda, parece significar mais ou menos a mesma coisa. O esquerdismo é literalmente reacionário. Assim como os generais estão sempre uma guerra atrasados, os esquerdistas estão sempre em busca de uma revolução.



Eles a vêem como bem-vinda porque sabem que já nasceu fracassada. São vanguardistas porque estão sempre atrás de seu tempo. Como todos os líderes, os esquerdistas são menos intragáveis quando seguem seus seguidores, mas, em certas crises, eles tomam a frente para fazer o sistema funcionar.

Se a metáfora esquerda/direita tem algum significado, ele só pode ser que a esquerda fica à esquerda da mesma coisa da qual a direita fica à direita. Mas e se "revolução" significar sair da linha?



Se não houvesse direita, a esquerda teria que inventá-la - e ela muitas vezes o fez (exemplos: a histeria calculada com os nazistas e a KKK, que concede a esses covardes retardados a notoriedade de que precisam). A direita, da mesma forma, precisa da esquerda: sua definição operacional é sempre "anticomunismo" ou seus vários sinônimos baratos. Assim, a esquerda e a direita pressupõem e recriam uma à outra.



Um efeito negativo dos tempos difíceis é que eles tornam a oposição fácil demais, como (por exemplo) a atual crise econômica, que é encaixada em categorias marxistas arcaicas, populistas ou sindicalistas. A esquerda, portanto, se posiciona para cumprir seu papel histórico de reformista desses males incidentais (embora agonizantes), os quais, devidamente abordados, escondem as injustiças essenciais do sistema: a hierarquia, o moralismo, a burocracia, a mão-de-obra assalariada, a monogamia, o governo, o dinheiro (o marxismo poderá ser um dia algo mais do que a maneira mais sofisticada de o capital pensar sobre si mesmo?).


O desemprego é ruim. Mas a isto não se segue, fora do dogma direito-esquerdista, que o emprego seja bom. Não é. O "direito ao trabalho", talvez um slogan adequado em 1848, está obsoleto. As pessoas não precisam de trabalho. Nós precisamos é da satisfação das necessidades de subsistência, por um lado, e, por outro, de oportunidades de atividade criativa, de convivência, educativa, diversificada e apaixonante.



A mais de cinquenta anos atrás, estimou-se que 5% do trabalho existente na época atenderia às necessidades mínimas de sobrevivência, um índice que deve ser mais baixo hoje; obviamente, ramos inteiros de atividade não servem para nada mais do que atender às finalidades predatórias do comércio e da coerção. 



Essa é uma infra-estrutura ampla a ser modificada para criar um mundo de liberdade, comunidade e prazer no qual a "produção" de usos-valores seja o "consumo" de atividades gratificantes livres. Transformar o trabalho em brincadeira é um projeto para um proletariado que rejeita essa condição, não para esquerdistas que não têm mais o que conduzir.


O pragmatismo, como um rápido olhar no seu funcionamento torna óbvio, é uma armadilha ilusória. A utopia não passa de senso-comum. A escolha entre o "pleno emprego" e o desemprego  - escolha à qual a esquerda e a direita colaboram entre si para nos confinar - é a escolha entre o Gulag e a sarjeta. Não admira que, depois desses anos todos, uma população sufocada e sofredora esteja cansada da mentira democrática. Há cada vez menos pessoas que querem trabalhar  - até entre aquelas que têm motivos para temer o desemprego - e cada vez mais pessoas que querem fazer maravilhas.



Por favor, vamos fazer barulho para obter concessões, redução de impostos, amostras grátis, pão e circo - por que não morder a mão que nos alimenta, se seu sabor é excelente? -mas sem ilusões.

A pérola (sur)racional da verdade dentro da mística ostra marxista é esta: a "classe trabalhadora" é o lendário "agente revolucionário", mas somente se, parando de trabalhar, abolir as classes. "Ativismo" é idiotice quando enriquece nossos inimigos e lhes dá poder.



O esquerdismo, esse parasita de símbolos doloridos, teme a deflagração do incêndio que vai consumir seus partidos e sindicatos junto com as corporações, exércitos e igrejas atualmente controlados por seu ostensivo oponente.

Hoje em dia, você precisa ser estranho para ser efetivo. O esquerdismo cinzento, com suas listas de antagonismos obrigatórios (contra issismos, aquilismos e aquiloutrismos) não tem nenhum humor, nenhuma imaginação; portanto, não pode preparar revoluções, só golpes, que mudam as mentiras, mas não a vida.



Mas o ímpeto de criar é também um ímpeto destrutivo. Mais um esforço, esquerdistas, se quiserem ser revolucionários! Se vocês não se revoltarem contra o trabalho, estarão trabalhando contra a revolta.


POST-SCRIPTUM:






ANARQUISTAS DO MUNDO, UNÍ-VOS! (Mas sem sindicatos ou partidos, ok?)



terça-feira, 28 de janeiro de 2014

FENDA NA RAZÃO



Dentre os inúmeros objetivos pretendidos originalmente por este 'blog' sempre esteve a divulgação da cultura em todos (ou pelo menos quase todos...) os seus matizes.   

E um dos mais importantes é a discussão da filosofia, tanto de per se quanto nas manifestações literárias da atualidade pós-moderna a respeito do assunto.

É, portanto, consciente de que não poderia dizer de melhor forma que humildemente passo a palavra ao poeta Alberto Pucheu em sua análise do livro "Um Sábio Não Tem Idéia", da autoria de François Julien e publicado pela Ed. Martins Fontes:

[TEXTO EDITADO DE UMA CRÍTICA PUBLICADA NO CADERNO LITERÁRIO DO JORNAL 'O GLOBO'] 




Já em seu princípio, na Grécia, a filosofia se esforçou por estabelecer uma diferença específica em relação às possibilidades do pensamento até então.

As quatro alteridades fundamentais da filosofia, supostamente estabelecidas: a sabedoria, a poesia, a sofística e a política.

Nada disso é tão simples. Aristóteles chamava boa parte dos pensadores anteriores a ele de filósofos, incluindo até mesmo Hesíodo. Protágoras, no diálogo homônimo escrito por Platão, relaciona o próprio Hesíodo não só à poesia como também à sofística. Se lembrarmos que, posteriormente, Diógenes Laércio afirmou que "sofista" era outro nome para "sábio", "poeta" e "filósofo", a confusão estaria completa. 



Ou melhor: no momento do frescor da filosofia, a encruzilhada tornava as efervescentes experiências do pensamento indiscerníveis.

Além disso, se Platão escreveu sobre o poeta, sobre o sofista e sobre o político, por que não teria elaborado o diálogo sobre o filósofo, conforme o anunciado?

A não ser que, falando dessas supostas alteridades, esteja o tempo todo pensando a filosofia e a impossibilidade de sua apreensão isolada.

 


Esses termos, com o tempo, tornaram-se gastos e perderam complexidades importantes. Isso ocorreu pela insistência de quase toda a tradição ocidental em defini-los uns contra os outros, compartimentando o que, mesmo em Platão, era de definição controversa.

Eis o grande mérito do filósofo e sinólogo francês François Julien: mostrar um fundo de experiência e de pensamento que, por não ter vingado em nossa História, a filosofia enquanto metafísica não pôde conceber.

Um dos preconceitos contra os quais o livro se lança é o de que a sabedoria teria sido superada pela filosofia, como se sua anterioridade cronológica fosse imaturidade de pensamento.



O que ele mostra é justamente a radicalidade dessa experiência na própria condição de possibilidade da filosofia e que foi apagada pelo privilégio da razão européia. Julien retira a sabedoria da perspectiva mística e exótica, afastando-a dos lugares-comuns que as apressadas tentativas de aproximação entre o Ocidente e o Oriente suscitam.

Abrindo uma fenda na razão, transforma-a no que seria sua própria condição de possibilidade, saindo do jogo contraditório entre razão e seu oposto. Trata-se de demarcar uma lógica da sabedoria.



François Julien mantém um diálogo vivo e tenso entre a filosofia e o pensamento chinês.

"Um Sábio Não Tem Idéia", por sua originalidade e força, tem a difícil capacidade de sulcar caminhos impensados e propulsores.




POST-SCRIPTUM:

Um livro extraordinário e indispensável para quem quer ampliar seus horizontes, que busca resgatar um tipo de experiência e de pensamento não absorvidos pela filosofia convencional do Ocidente. 

E que as fendas na razão um dia recuperem a verdadeira Sabedoria!