quinta-feira, 10 de março de 2011

OBRIGADO, MULHERES!





Anteontem (08 de março) foi o Dia Internacional da Mulher e, antes de tudo, quero me desculpar com todas elas por esta homenagem ligeiramente atrasada...
Porém, como dizem, antes tarde do que nunca, e, sem receio de parecer clichê, aproveito a oportunidade para agradecer a todas elas por existirem, principalmente àquelas que tiveram uma importância diferenciada em minha vida, de uma forma ou de outra; mas mais especialmente, às várias mães dos meus vários filhos e, correndo o risco de soar mais clichê ainda (tudo bem, hoje estou surpreendentemente generoso e tolerante comigo mesmo...), acima de todas elas, a única mulher que sempre me aturou e ainda me atura até hoje: a minha mãe.
Portanto, dentro deste espírito de generosidade e tolerância que me envolve (mas sem frescura, hein!), resolvi transcrever um trecho do livro “ÁGAPE”, de autoria do padre Marcelo Rossi – que, vejam vocês, minha querida mãezinha me ‘intimou’ a ler (brincadeira, só pediu com muito carinho e eu não me arrependo nem um pouco de tê-la atendido) – e que tem a ver com a data em questão:






“Há uma linda história de mulheres em ‘O Livro das Virtudes II’, de William Bennett, que conta um fato acontecido na Alemanha, na Alta Idade Média. Foi no ano de 1141. Wolf, duque da Bavária, estava cercado em seu castelo, sitiado pelos exércitos de Frederick, duque da Suábia, e de seu irmão, o imperador Konrad.
O cerco vinha de muito tempo e não havia mais nada para ser feito. Wolf resolveu se entregar ao pior de seus inimigos. As mulheres desses homens, entretanto, resolveram enviar uma mensagem a Konrad, pedindo ao imperador um salvo-conduto para elas. Que saíssem do castelo sem nada sofrer e que fossem autorizadas a levar todos os bens que pudessem carregar.
A permissão foi concedida, e os portões do castelo se abriram. As mulheres foram saindo, trazendo uma estranha carga. Não era ouro. Não eram jóias. Não eram pedras preciosas nem vestes ornamentadas. Cada uma vinha curvada com o peso do marido na esperança de salvá-los da vingança do vitorioso.
Diz a história que Konrad, homem bom e piedoso, se comoveu com a linda história de amor. Chorou diante daquela atitude extraordinária e garantiu às mulheres e aos maridos liberdade e segurança. Convidou todos para um banquete e celebrou a paz com o duque da Bavária.
Desde então, o monte de castelo passou a ser chamado de Monte de Weibertreue, que quer dizer ‘lealdade feminina’. Há muitas histórias semelhantes que mostram que não é o ódio que tem o poder de combater o ódio, mas o amor.”

Novamente: OBRIGADO, MULHERES!






POST-SCRIPTUM:


De acordo com pesquisa realizada pela professora de pós-graduação em História Social da USP Maria Regina da Cunha Rodrigues Simões de Paula a primeira mulher diplomada no Brasil foi a médica Rita Lobato Velho Lopes (1867-1960). Segundo pesquisa, com os impedimentos existentes na época, Rita Lobato só pode iniciar seus estudos depois que o imperador D. Pedro II assinasse um decreto-lei. É mole?

domingo, 6 de março de 2011

LÓGICA E FILOSOFIA DAS CIÊNCIAS FORMAIS


[Autoria de: Itala Maria Loffredo D´Ottaviano (diretora do CLE/Unicamp), Walter Alexandre Carnielli (membro do Conselho Científico do CLE/Unicamp) e Jairo José da Silva (membro do Conselho Científico do CLE/Unicamp, secretário geral da Sociedade Brasileira de Fenomenologia e vice-presidente da Sociedade Brasileira de Lógica); publicado no JORNAL DA CIÊNCIA em junho de 2006]


O projeto leibniziano de criar, no século XVII, uma lingua characterica, modelada na linguagem matemática, e um calculus ratiocinatur, também de inspiração matemática, em que se poderiam expressar os juízos simbolicamente e raciocinar corretamente de modo tão mecânico como se calcula algoritmicamente, foi uma idéia filosoficamente tão avançada que demandou cerca de dois séculos para frutificar, no século XIX, nos cálculos lógicos de Boole, Schroeder, Peirce, Peano e, principalmente, Frege.







Assim, a lógica simbólica nasceu, ao menos como idéia, no seio da filosofia, em resposta a um anseio essencialmente filosófico; ou seja, a lógica moderna – não menos que a tradicional lógica aristotélica e seus desenvolvimentos posteriores – pertence ao núcleo duro da filosofia. Se tivesse sido efetivamente levada a cabo por seu idealizador, a idéia que Leibniz – um dos criadores do cálculo diferencial e integral – apenas esboçou teria dado origem a uma revolução sem precedentes na história do pensamento. Teria sido criada uma filosofia simbólica e exata em que opiniões teriam dado lugar a teses demonstráveis (ou refutáveis) e intermináveis debates filosóficos cederiam seu espaço ao cálculo simbólico: “não discutamos, calculemos”, esse seria o mote.








Frege acreditava, no final do século XIX, que havia, pelo menos em parte, realizado o projeto leibniziano. Ao criar um sistema simbólico com uma linguagem adequada ao pensamento matemático e um conjunto de regras para a derivação de expressões simbólicas, Frege queria apenas demonstrar a pura logicidade da aritmética, mas fez mais que isso, apesar de ter malogrado em seus intentos originais. Ele criou a lógica simbólica, formal e matemática moderna, muito além da ciência aristotélica que Kant, no século XVIII, julgara acabada.



O que cabe notar, e que particularmente nos interessa salientar, é que a criação da lógica moderna responde a aspirações fundamentalmente filosóficas e se associa a um projeto fundacional em matemática: reduzir a aritmética à lógica e demonstrar (contra Kant) a tese filosófica da analiticidade da aritmética.






A lógica moderna nasce de braços dados com a filosofia, em particular com a filosofia da matemática e com o que poderíamos chamar da filosofia da computação, entre outras. Além do logicismo fregeano, dois outros grandes projetos fundacionais surgiram em matemática: o formalismo hilbertiano e o intuicionismo brouweriano. Hilbert deu mais uma guinada na lógica no rumo da contemporaneidade: ele a fez estritamente formal, além de criar a metamatemática, isto é, o estudo matemático de teorias matemáticas formalizadas.

O objetivo de formalizar o conhecimento matemático e demonstrar a sua consistência formal por métodos em certa medida intuitivos fracassou frente aos dois teoremas de Gödel, mas tanto o projeto original de Hilbert quanto os resultados de Gödel deixaram marcas na lógica, a teoria da prova e a teoria formal dos procedimentos algorítmicos que temos hoje.




Com a definição formal de verdade de Tarski e a concepção de computabilidade de Turing, mais uma vez o desenvolvimento da lógica respondia a inquietações de natureza filosófica (e reciprocamente, a lógica reforçava a sua contribuição efetiva ao esclarecimento filosófico). O intuicionismo, ainda mais intensamente que o logicismo fregeano e o formalismo hilbertiano, vicejou em campo filosófico. Todo o projeto fundacional de Brouwer respondia à necessidade de refundação epistemológica, ainda que restrita ao domínio do conhecimento matemático. 

E ele também nos legou uma fatia de progresso lógico, ao permitir-nos conceber sistemas lógico-formais alternativos, no caso a lógica intuicionista, e toda uma dimensão de estudos meta-lógicos. Mais uma vez a lógica se beneficiava da labuta fundacional e suas preocupações filosóficas.




Por outras razões, de natureza também filosófica, a primeira metade do século XX assistiu ao eclodir das lógicas não-aristotélicas, conhecidas como lógicas não-clássicas, entre elas as lógicas modais, lógicas intuicionistas, lógica polivalentes, lógicas relevantes, lógicas difusas, entre outras.

Isso tudo nos mostra, inequivocamente, o quão filosófica é na origem a moderna lógica simbólica, e reciprocamente, quão potente é a lógica simbólica como instrumento metodológico da filosofia. Símbolos, como acreditava o próprio Leibniz, são potentes auxiliares do pensamento.






Grande parte da filosofia do século XX não existiria sem o aporte da lógica simbólica e formal; por exemplo, o primeiro Wittgenstein, o projeto filosófico de Carnap e todo o positivismo lógico do círculo de Viena, a filosofia de Russell, a semântica e a filosofia da linguagem modernas, a filosofia formal de Montague, as contribuições extremamente importantes de Kripke e Quine a domínios centrais da filosofia e da lógica, e tantos outros pensadores e perspectivas filosóficas. Além, claro, da filosofia das ciências formais, que teve sua origem nos já mencionados projetos fundacionais do início do século XX.

Há que se salientar, nos anos 50, o surgimento das lógicas paraconsistentes, cujo berço brasileiro projeta nosso país no cenário científico e filosófico mundial; Newton Carneiro Affonso da Costa é um dos seus fundadores. Tanto quanto no caso da concepção intuicionista, a concepção paraconsistentista da lógica levou a uma noção de progresso lógico que se refletiu em particular na comunidade científico-filosófica brasileira. No Brasil sempre foi intensa a interação entre lógicos matemáticos e filósofos cujas preocupações inserem-se na tradição acima referida.




As contribuições originais de da Costa e de sua escola à lógica formal, de notável repercussão internacional, sempre estiveram em diálogo cerrado com problemas filosóficos, e a criação do Centro de Lógica, Epistemologia e História da Ciência (CLE) da Unicamp por Oswaldo Porchat Pereira em 1977, iconiza essa interação entre lógica e filosofia.

Os lógicos brasileiros que se dedicam à pesquisa ativa em lógica contemporânea são altamente considerados pela comunidade científica internacional, com trabalhos inclusive de repercussão em aplicações tecnológicas estratégicas tais como o tratamento de informação em condições de incerteza, teoria de sistema e complexidade, computação quântica, entre outros.








POST-SCRIPTUM:




Para quem nunca ouviu falar em Lógica Paraconsistente aconselho, pelo menos, uma rápida pesquisa no Google. Posso garantir que vale à pena. De qualquer forma voltarei ao assunto em futuras postagens...








quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

CARTÓRIOS, DECRETOS E DIPLOMAS



[Artigo de autoria do antropólogo ROBERTO DaMATTA, publicado na coluna ‘OPINIÃO’ do jornal O GLOBO em 22 de dezembro de 2010]



Em 1968, bastou um humilde requerimento para a Universidade de Harvard me enviar pelo correio o diploma de Master of Arts em Antropologia. Dois anos depois – após escrever uma tese – recebi, com a mesma ausência de pompa, o título de doutor em Filosofia (o tal Ph.D.), que nos anos 70 causava um furor invejoso no Brasil – este país das papeladas e dos papelões. Das carteiras de identidade, alvarás, cartas de motorista, diplomas, certificados, títulos, atestados e certidões que, num sentido preciso e ibero-kafkiano, revelam que a papelada – a carteira e o diploma – conta mais que nós.






Essa é a lógica dos decretos que aumentam absurdamente o salário dos parlamentares. Eles revelam que a lei não tem nada a ver com a economia moral da democracia. A que condiz com uma concepção do serviço público como expressão de uma aliança positiva entre Estado e sociedade. Pois, no Brasil, é a sociedade que sustenta um Estado absurdamente autorreferido e perdulário. Esse é, sem dúvida, o traço distintivo de um presidente que sai registrando a obra em cartório!







Quando recebi o canudo, falei sobre essa informalidade com colegas americanos. A resposta foi dura para os meus ouvidos de brasileirinho socializado para ser um aficionado de títulos: o que vale não é o diploma, mas a obra. Uma outra experiência notável foi ter que reconhecer a firma do presidente da Universidade de Harvard no consulado brasileiro. Sem tal aval, que meus colegas harvardianos achavam absurdo, o diploma não poderia ser levado em conta na universidade que me havia licenciado para a especialização na Harvard. Eis o nosso paradoxo ou ardil 22. Sem um papel você não pode ter o papel que precisa e sem esse papel, você não existe. A vida começa com um papel e você não nasce de uma trepada, mas de uma ida a um cartório.






Pior que isso só a diplomação de Dilma Rousseff, eleita pelo povo a primeira mulher a ocupar a Presidência do Brasil. Pela mesma lógica o voto te fez presidente, mas sem um alvará você não pode exercer o poder que lhe foi dado pelo povo. Essa é uma das provas mais cabais do nosso perverso amor às papeladas que engendram papelões. O povo elege, mas, sem o alvará do Supremo, o eleito não é nada.
Vejam o absurdo: depois de uma eleição nacional, alguém tem que ungir os eleitos com os santos óleos da burocracia, tal como os papas faziam com os imperadores na antiguidade. E depois dizem que eu idealizo e invento um detestável 'Brasil tradicional' na minha modesta e ignorada obra antropoliterária.






Faço questão de notar, porém, que pouco adianta denunciar esse gosto pela papelada se o drama nacional continua sendo gerenciado por esse importante e pouco discutido teatro de burocracias e formalidades. Pois, entre nós, o documento vale mais do que a vida e a história. O alvará que confirma, também libera os candidatos corruptos, condenados pela ‘Lei Ficha Limpa’, na base de detalhes processuais. A gramática, como sempre, elimina a verdade do discurso. Por isso gostamos tanto dos diplomas que dizem que somos o que não somos.





Entrementes, porém, já sucede um entretanto: Lula – que vai saindo como nunca nenhum presidente deixou o cargo neste país – manda registrar em cartório os seus feitos como presidente, exagerando aqui e ali nos eventos e deixando de lado o mais importante: o fato de ter sido o primeiro mandatário de esquerda eleito no Brasil; o fato de ter sido o primeiro presidente de um partido ideológico mas que governou como um coronel político tradicional, aliando-se sem pejo ou dúvida aos outros coronéis do nosso sistema de poder. Que o seu partido, dito o mais moderno do Brasil, fez um mensalão e ama os cartórios luso-brasileiros onde tudo cheira a mofo e não há movimento, mas somente papelada.







O salvador dos pobres consolida o capitalismo financeiro; o autêntico operário – aquele que seria a voz do povo destituído – foi o mais mendaz mandatário da história de nosso país. O registro em cartório prova como somos mais moldura do que quadro; como gostamos mais do vestido do que da dama; como preferimos a forma ao conteúdo. E como pensamos que a verdade é mesmo feita de papeladas e registros com firma reconhecida.






POST-SCRIPTUM:

 
Alguns podem achar que o assunto é datado e que a sucessão presidencial é notícia velha. Mas o ilustre professor, na verdade, vai à raiz dos problemas que tornam nosso país um eterno pretendente ao desenvolvimento real e concreto, o que garante a atualidade deste artigo, na medida em que as situações descritas se repetem sob outras máscaras e em contextos apenas aparentemente diversos.
Além do que, houve outro motivo que me fez lembrar que havia lido e guardado este artigo e que me motivou a postá-lo agora: ultimamente tenho tido repetidos problemas com a odiosa burocracia oficial, tanto na esfera administrativa quanto jurídica, o que é, para dizer o mínimo, tremendamente frustrante e não menos irritante. Quando o direito mais elementar do cidadão é considerado de menor monta ao se defrontar com as exigências e conveniências do poder (supostamente) público, alguma coisa está muito errada...







domingo, 13 de fevereiro de 2011

BIG BANG POETRY




In an Universe
Doomed by entropy,
That cruel and cold 
Unavoidable death

Will dark matter 
Add enough to total mass 
So gravity wins over 
Inflationary expansion?





Forces centrifugal 
Giving way to centripetal, 
Reversing the arrow of time
In a Big Crunch?

Through the nexus of 
A supreme singularity
Into the heart of 
An all-consuming Black Hole






Something called Reality 
(Relatively speaking)
Would fold into itself 
To greet patient Oblivion


When extremities shall meet
Yesterday becomes tomorrow
The all that is nothing, 
The nothing that is all...




Will the mother 
Of all White Holes 
Throw 'It' elsewhere/elsewhen 
In a reverse motion?

Or will the explosive Universe,
Going beyond
Its own event’s horizon,
Get unimaginably bigger and cooler?





To die...  
At last... 
As a timeless and infinite void, 
Devoid of all light and heat?

Or is a cosmological constant 
Reigning over?
Is a systolic/diastolic cosmic metabolism 
The rule?






Will the fabric of reality 
Tear itself apart 
By it's own 
never-ending growth?

Does Eternal Return 
Have anything to do 
With conventional concepts 
Of beginning and end?





Maybe it's all parts 
And no whole
As in the poet's intuition 
About the so-called mystery

Or it could be 
A circular "motu continuo":
The Ouroboros 
Eating its own tail





Be it a non-dimensional zero, 
A complex fractal infinity,
Or even an unthinkable 
Combination of both

According to Heisenberg 
And Bohr’s way
Ying and Yang must preserve 
The equilibrium of the Tao





So, from victorious death
New life must rise 
Again and again 
As ever and ever

Pehaps escaping 
Through myriad Worm Holes
Or replicating itself 
In probability clouds





After No-time 
In No-space,
That never manifested 
Non-being,

(By a Mystery Ineffable 
Fueled by Forces Unknown)
Surfaces from 
The deep Beyond





Creating an Anomaly 
In Hyperspace
And thus igniting 
The eternal Big Bang

A collapsing Chaos 
That died as a Null
Is born again 
As a radiant Unity






Multiplying itself 
In an expanding Cosmos
And generating space-time 
By Necessity

Bringing on inexorable 
Patterns of Order
While opening Fields 
Of interaction




Granted by Chance, 
Blind and mighty,
Creating the Possibility 
Of transformation

Primordial axions 
Coalesce!
Weightless photons 
Coruscate!



Where is all 
The Antimatter 
That should 
Be/Not-be?

What is 
Dark Energy 
And its supposed 
Antigravity?




Why is 
General Relativity 
Incompatible with 
Quantum Mechanics?

Give! 
Me! 
My!
Higg's boson!




Supersimetry, supergravity, superstrings,
Eleven dimensions, p-branas, M-theory,
Mesons and gluons, 
Leptons and quarks

Up, Down 
And Strange! 
Charm, Top 
And Bottom!




If Physics was a religion
All its priests would be praying 
To their gods and saints
In mathemathics' Heaven

Aristotle, Galileo, Newton 
Maxwell, Plank, Einstein
Dirac, Feynman, Hawking
Etcetera, etcetera, etcetera




Heartly pleading 
For the 'Holy Grail' 
Of an unified theory 
Of Everything

In a Multiverse 
Of impossible possibilities, 
Parallel worlds, 
Transfinite sets and open totalities




Schrödinger’s cat dreams 
About imaginary numbers,
Half-dead, half-alive 
Inside a hidden variable

When Energy 
Becomes Mass 
By polarization into 
Opposite particles

And wave patterns 
Interfere among themselves
There is just one thing for sure:
Uncertainty...



Arte: 'DEVIRES', desenho de Aroldo Lacerda




POST-SCRIPTUM:


De vez em quanto gosto de me arriscar a traçar algumas linhas poéticas, seja em português ou em inglês. Neste caso, trata-se de uma tentativa 'filosófica' de abordar a cosmologia a partir de alguns conceitos da física teórica.

BECOMING = DEVIR [do latim ‘devenire’] - Verbo intransitivo; vir a ser, tornar-se, devenir.






sábado, 22 de janeiro de 2011

PENSAMENTOS




Em primeiro lugar nasceu o Caos" - Hesíodo







"Não compreendem como o divergente consigo mesmo concorda; harmonia de tensões contrárias, como as do arco e da lira" - Heráclito






"A causa da existência de todas as coisas é o redemoinho incessante a que chamo necessidade; e tudo acontece de acordo com a necessidade. Dessa forma, a criação é constantemente criada e recriada" - Demócrito






"O homem é a medida de todas as coisas, daquelas que são tal como são e das que não são tal como não são" - Protágoras





"O que está embaixo é igual ao que está em cima, e o que está em cima é igual ao que está embaixo, para realizar o milagre de uma só coisa" - A Tábua de Esmeralda




"A analogia dos contrários é a relação que vai da luz à sombra, do vértice ao abismo, do pleno ao vazio. A alegoria, mãe de todos os dogmas, é a mentira da verdade e a verdade da mentira" - Eliphas Levi



"Lá, o olho não alcança, nem a fala, nem a mente, não sabemos ou sequer entendemos como poderia ser ensinado" - Os Upanishads




"Homens sem sabedoria deliciam-se na análise da simples letra dos Vedas" - Os Vedas




"A letra mata, o espírito vivifica" - Paulo de Tarso





"Só sei que nada sei" - Sócrates




"Não há esperança sem medo nem medo sem esperança" - Spinoza




"Que é o tempo? Se ninguém me perguntar, eu sei; mas se tiver que explicar a alguém, não sei" - Santo Agostinho




"O Tempo e o Espaço são modos pelos quais pensamos, e não condições nas quais vivemos" - Albert Einstein





"A Natureza ama esconder-se" - Heráclito





"O Tao que pode ser expresso não é o Tao eterno" - Tao Te Ching




"Deus é uma esfera cujo centro está em toda parte, e a circunferência em lugar nenhum" - Hermes Trimegistus




"Mas onde se achará a sabedoria? E onde está o lugar do entendimento? O homem não lhe conhece o caminho; nem se acha ela na terra dos viventes" - Livro de Jó, 28:12




"I'm looking for the face I had 
Before the world was made" - Yeats ("The Winding Stair")




"A primeira sephirah é Keter, a Coroa, origem de tudo, vácuo primordial. Primeiro criou um ponto, que se tornou o Pensamento, onde imprimiu todas as figuras. Era e não era, encerrado no nome e esquecido no nome, o Não-Movente, que não é corpo, não tem figura, forma, peso, quantidade ou qualidade, e não vê, não sente, não é apreendido pela sensibilidade, não é um lugar, nem um tempo ou um espaço, não é alma, inteligência, imaginação, opinião, número, ordem, medida, substância, eternidade, não é treva nem luz, não é erro nem verdade" - Casaubon ("O Pêndulo de Foucoult", de Umberto Eco)




"No ponto em repouso do mundo em mutação, nem carne nem ausência de carne; nem ida nem volta: no ponto em repouso há dança, mas nem interrupção nem movimento. E não se chame de fixo o lugar em que o passado e o futuro se encontram. Nem movimento de vinda ou de volta, nem ascenção nem declínio. Se não ouvesse o ponto, o ponto em repouso, não haveria dança, e só há dança" - T. S. Elliot



"A Natureza é partes sem um todo. Isto é talvez o tal mistério de que falam" - Alberto Caeiro (vulgo Fernando Pessoa)




"Salomão disse: 'Não há nada de novo sobre a terra'. E tanto assim quanto Platão imaginou, 'que todo conhecimento é apenas recordação'; tanto assim Salomão sentenciou, 'que toda novidade não passa de esquecimento'" - Francis Bacon ("Essays LVIII")




"As convicções são inimigas mais perigosas da verdade do que a as mentiras" - Nietzsche




"As maiores almas são capazes dos maiores vícios tanto quanto das maiores virtudes" - Descartes




"Somos todos cheios de fraquezas e de erros; perdoemo-nos, pois, reciprocamente as nossas tolices" - Voltaire



"Senhor, que tolos são esses mortais..." - William Shakespeare, em "Sonhos de Uma Noite de Verão"




"A Igreja diz que a Terra é achatada, mas eu sei que é redonda, porque eu vi sua sombra na Lua, e eu tenho mais fé numa sombra do que na Igreja" - Fernão de Magalhães




"Jamais houve um vislumbre de evidência de que os Estados cristãos sejam menos belicosos que os demais. De fato, algumas das guerras mais ferozes foram devidas a conflitos entre diferentes tipos de cristianismo" - Bertrand Russell



"Parece-me que a questão decisiva da espécie humana é a de saber se, e em que medida, o seu desenvolvimento cultural será bem-sucedido em dominar o obstáculo à convivência representado pelos impulsos humanos de agressão e de autoaniquilação" - Sigmund Freud




"Para seguir a trilha do conhecimento é preciso ser muito imaginativo. Na trilha do conhecimento, nada é tão claro quanto gostaríamos que fosse" - Don Juan Matus ("A Erva do Diabo", de Carlos Castañeda)



"A natureza é um templo em que pilastras vivas por vezes emitem palavras confusas, e nele o homem passa por florestas de símbolos que o observam com um olhar familiar" - Charles Baudelaire




"Crê naqueles que buscam a verdade. Duvida dos que a encontraram" - André Gide



"Erros são, no final das contas, fundamentos da verdade" - Carl Gustav Jung



"Se cuidarmos da liberdade, a verdade cuida de si mesma" - Richard Rorty




"O passado mostra, invariavelmente, que, quando a liberdade de um povo desaparece, ela não se vai com um estrondo, mas envolta pelo silêncio dos que se sentem confortáveis com os cuidados que estão recebendo. Esse é o extremo perigo da tendência ao estatismo" - Richard Weaver




"A imaginação é a mais importante das faculdades humanas" - Albert Einstein



"Os filósofos têm se limitado a interpretar o mundo de diferentes maneiras; trata-se, entretanto, de transformá-lo" - Karl Marx 




"A Ciência deve começar com os mitos e com a revisão crítica dos mitos" - Karl Popper



"A leitura histórica da tradição nos mostra que os grandes filósofos deixaram a sua marca e influenciaram o desenvolvimento da filosofia na medida em que tiveram idéias originais, foram criativos, abrindo novas possibilidades para o pensamento, mas também na medida em que tiveram bons leitores, isto é, discípulos que souberam, inclusive criticamente, interpretar seu pensamento, tomá-los como ponto de partida para novos desenvolvimentos e encontrar novas dimensões e novas aplicações de suas obras. Encontramos o melhor exemplo disso no período clássico com Platão em relação a Sócrates e, por sua vez, com Aristóteles em relação a Platão. Filosofias que pareciam praticamente extintas, como o ceticismo antigo, ressurgem com novo vigor porque encontram novos leitores; o início do período moderno é um exemplo disso. Assim tradição e criação não se excluem, mas se fecundam mutuamente" - Danilo Marcondes



"Quando Platão tentou abarcar a alma (psyche), recorreu tanto ao mito quanto ao pensamento racional meticuloso. Precisou dos dois caminhos. Plotino recorre ao mito quando discute a alma. Freud também utilizou dois caminhos. Sua linguagem racional é intercalada de imagens míticas, digna dos pré-socráticos" - J. Hillman




"Uma generalização feita não pelo mero prazer de generalizar, mas para resolver problemas previamente existentes, é sempre uma generalização frutífera" - Henri Lebesgue




"Quanto mais a matéria é, em aparência, positiva e sólida, mais sutil e laborioso é o trabalho da imaginação" - Charles Baudelaire



"Se o mundo dos sentidos não se ajusta às matemáticas, tanto pior para o mundo dos sentidos" - Bertrand Russell




"Quando você pode medir algo sobre o qual está falando e expressá-lo em números, você sabe alguma coisa sobre ele" - Lord Kelvin




"Na Natureza nada se cria, nada se perde, tudo se transforma" - Antoine Lavoisier 



"Não pode haver nenhuma certeza apodítica na ciência, nenhuma certeza conclusiva além do alcance da crítica" - Peter Medawar



"A realidade é meramente uma ilusão, ainda que uma muito persistente" - Albert Einstein




"Em termos de tecnologia, o que quer que possa ser imaginado eventualmente será construído" - Andrew S. Grove ("Only the Paranoid Survive")




"Existe um limite para os nossos poderes de observação e para o mínimo de perturbação que acompanha o nosso ato de observação, um limite que é inerente à natureza das coisas e que nunca pode ser vencido pelo aperfeiçoamento da técnica e da habilidade do observador" - Paul Dirac



"Dizer que a história da razão é discontínua pode levar a pensar que, afinal, esta não indica nada de muito preciso, claro ou rigoroso e que, talvez, seja um mito que a cultura ocidental inventou para si mesma. Mas pode significar também algo bem mais importante: que a razão não é a estrutura universal do espírito humano e sim um meio precioso de que dispomos para criar, julgar e avaliar conhecimentos, para dar sentido às coisas, às situações e aos acontecimentos e para transformar nossa existência individual e coletiva" - Marilena Chauí




"Deve-se compreender que há 'mais' e não 'menos' em uma organização quantitativa do real que em uma descrição qualitativa da experiência" - Gaston Bachelard



"Quem não se sentiu chocado com a teoria quântica, não pode tê-la compreendido" - Niels Bohr



"A teoria quântica é sobre a compatibilidade de dois opostos aparentemente irreconciliáveis" - Paul Strathern




"Aprendemos que a verdade é de diferentes tipos, nem todos completamente compatíveis" - Peter Medawar




"Mesmo que se compreenda que o significado de um conceito jamais será definido com precisão absoluta, alguns conceitos são parte integrante dos métodos da ciência, pelo fato de representarem, pelo menos por algum tempo, o resultado final do desenvolvimento do pensamento humano desde um passado assaz remoto; eles podem mesmo ter sido herdados e são, qualquer que seja o caso, instrumentos indispensáveis na execução do trabalho científico em nosso tempo" - Werner Heisenberg



"A compreensão dos fenômenos naturais, dos mais simples aos mais profundos, deveria apenas fortalecer nossa espiritualidade. A racionalidade e a espiritualidade são aspectos complementares" - Marcelo Gleiser



"A Ciência pode impor limites ao conhecimento, mas não deve impor limites à imaginação" - Bertrand Russell




"Só mesmo a obscuridade pode servir de proteção para o que é absurdo" - John Locke




"A primeira obrigação da inteligência é desconfiar de si mesma" - Stanislaw J. Lec




"Não saber do que se fala é uma grande vantagem da qual não se deve abusar" - Régis Debray




"Estude! Não para saber uma coisa a mais, mas para sabê-la melhor" - Sêneca



"Entre compreender e não compreender há um número bastante grande de classes, nas quais 9/10 das pessoas se incluem bastante comodamente" - G. C. Lichtenberg



"A lucidez crônica torna as pessoas mal-humoradas e rabugentas" - Jorge Luis Gutierrez



"A seriedade ontológica precisa de um humor diabólico ou fenomenológico" - Gilles Deleuze




"A retórica, por um lado, é um composto da ciência analítica e da política, por outro, é semelhante ora à dialética, ora aos discursos sofísticos" - Aristóteles



"Sem a loucura que é o homem? Mais que a besta sadia, cadáver adiado que procria?" - Fernando Pessoa




"Honro a filosofia, odeio os filósofos" - Ludwig Boltzmann




"O desacordo entre o sonho e a realidade nada tem de nocivo se, cada vez que sonha, o ser humano acredita seriamente em seu sonho, se observa atentamente a vida, compara suas observações com seus castelos no ar e, de uma forma geral, trabalha conscientemente para a realização de seu sonho. Quando existe contato entre o sonho e a vida, então tudo vai bem" - Vladimir Lênin



"Em geral, pensa-se que o nacional-socialismo significa apenas brutalidade e terror. Mas isso não é verdade. O nacional-socialismo - e, mais amplamente, o fascismo - também significa um ideal, ou ideais que persistem hoje sob outras bandeiras: o ideal da vida como arte, o culto da beleza, o fetichismo da coragem, a dissolução da alienação em sentimentos extáticos de comunidade, o repúdio ao intelecto, a família humana (sob a paternidade de líderes). Esses ideais são vívidos e comoventes para muitas pessoas porque seu conteúdo corresponde a um ideal romântico ao qual muitos continuam ligados e que se expressa em diversas formas de dissidência cultural e de promoção de novas formas de comunidade, como a cultura jovem e do rock, a terapia primal, a antipsiquiatria e a crença no oculto" - Susan Sontag




"Há, soltas no mundo, palavras demais, não querendo dizer absolutamente nada" - Millôr Fernandes




"Há uma tempestade de merda chegando!" - Norman Mailer




"Mundo, mundo, vasto mundo, se eu me chamasse Raimundo, seria uma rima, não seria uma solução..." - Carlos Drummond de Andrade




"Somos todos impostores!" - Roger-Pol Droit



"Os egípcios conheciam a eletricidade?" - Peter Kolosimo




"Dreams are like angels, they keep bad at bay" - Frankie Goes To Hollywood




"O filho-da-puta só prospera onde existe uma massa ignara de idiotas" - Lobão



"Existem três coisas de que você precisa abrir mão: julgar, controlar e ser o dono da verdade. Livre-se das três, e você terá a mente íntegra e vibrante de uma criança" - Hugh Prather



"O propósito da vida não é ser feliz. É ser útil, ser honrado, ser compassivo, fazer a diferença entre ter vivido e ter vivido bem" - Ralph Waldo Emerson




"Talvez eu devesse ter lutado menos e perguntado mais!" - Steven Rogers (Captain America #125, vol. 1, May 1970: "Captured in Vietnam!"; by Stan Lee & Gene Colan)



"Ou você é parte da solução, ou é parte do problema" - Eldridge Cleaver




"Nada se cria, tudo se copia" - Abelardo Barbosa (Chacrinha)




"Seguramente, existem três coisas boas na vida: um uísque antes, e um cigarro depois!" - Anônimo






POST-SCRIPTUM:






O Pensador ('Le Penseur'), uma das mais famosas obras de arte do mundo, é criação do escultor francês Auguste Rodin (1840-1917).