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domingo, 24 de maio de 2015

DUBAI DE MERDA!

Turista pegou três meses de cadeia após tocar ombro de uma policial de Dubai (Foto: Reuters)
[Publicado em g1.globo.com/Planeta Bizarro]
Um turista de 49 anos pegou três meses de cadeia após tocar no ombro de uma policial em Dubai, nos Emirados Árabes, para pedir informações. O turista do Cazaquistão acabou condenado por abuso sexual.
Ele negou as acusações e disse que só deu um tapinha no ombro da policial, pois queria lhe pedir informações sobre como chegar em um shopping. Apesar de alegar inocência, ele foi condenado e multado por um tribunal de Dubai.
Além de três meses de prisão, o juiz Mohammad Jamal multou o réu em R$ 1.635. Após a decisão da Justiça, o homem deverá ser deportado. Ele tem um prazo de 15 dias para recorrer da sentença.

POST-SCRIPTUM:

Eles podem até ser ricos pra caralho, mas qualquer pessoa com um mínimo de (in)sanidade há de concordar que são muito escrotos, babacas e atrasados socialmente. Com todo o respeito que merece a fé islâmica e as diferenças culturais, etc., etc., este tipo de acontecimento só me traz à mente um tipo de resposta: vão se foder!!!

Fala sério, estupidez tem limite.






terça-feira, 20 de janeiro de 2015

JE SUIS CHARLIE

[Editado de um artigo de autoria de ARNALDO BLOCH, publicado no jornal O GLOBO em 17.01.2015]


Saiu uma tirinha de humor no Facebook (não descobri autoria nem fonte) em que um sujeito pergunta: "Quem somos?". Um grupo responde: "Somos todos Charlie." O sujeito retruca: "Mas o que queremos?". O grupo: "A verdade, a justiça, a liberdade de imprensa e a paz mundial". O sujeito: " "Como vamos conseguir?". No último quadrinho só um texto: "Com a ajuda do Obama,da CIA, do Pentágono, do FBI, do serviço secreto israelense, dos maiores fabricantes de armas do mundo, da mídia ocidental, dos países que colonizaram a África, dos sheiks árabes, da extrema-direita francesa, da Grã-Bretanha".

Estamos ferrados? Bem possível que sim, pois ainda não se provou que a espécie humana, com Deus ou sem Deus, é viável. Porém, por má-fé ou ingenuidade, cria-se a ideia de que os agentes da salvaguarda são um Ocidente malvado, onde toda a mídia é inimiga. Tesouram-se os pacifistas, a ONU, os diplomata que dão o sangue para impedir guerras piores, as conversas multilaterais, os moderados, as campanhas que, nas redes sociais, sobrevivem à estupidez, e a esquerda francesa que chocada com a própria submissão ao lobby extremista, liderou a marcha na Republique.



Óbvio que, na configuração da geopolítica atual, é impossível que a CIA, a Alemanha, o Mossad, os líderes árabes, os sheiks, as ex-colônias na África do Norte e tantas outras esferas não estejam na luta contra o avanço que ameaça o pouco que se conseguiu de coesão entre as nações do mundo. Um mundo que busca um status em que suas terríveis contradições,  suas injustiças, sua loucura corporativa, seu cassino financeiro (que esmaga toda força produtiva) se inspiram em certa ideia de democracia.

Contudo, é terrorismo ideológico dizer que esta é apenas uma guerra entre o perverso Ocidente e a malvada cultura islâmica. Os "malvados" estão dos dois lados, ou de todos os lados que formam o poliedro da grande confusão. Lados que formam alianças tácitas, às vezes inconscientes, com seus inimigos.


O judeu que matou Rabin não integrava qualquer grupo organizado. Era como o louco que matou Lennon. O que se combate, hoje, é, sim, o terrorismo islâmico, como se combateria qualquer terrorismo pancontinental, que reunisse método, massa e distribuição global de células explosivas. De resto Islã é paz, e o diálogo é o antídoto da guerra. Um diálogo paralelo e a longo prazo. Pois, agora, o que temos, que pena, é a batalha.



POST-SCRIPTUM:

Tudo está perdoado. Ou não?








segunda-feira, 2 de novembro de 2009

JUDAÍSMO



























[Adaptado de um artigo publicado na 'Folha de São Paulo' da autoria de Mateus Soares Azevedo, jornalista e ensaísta, mestre em história das religiões pela USP e autor de "Mística Islâmica", Ed. Vozes, 2002]



"Insensatos, prestai atenção: recebei minhas instruções com maior gosto do que se recebêsseis dinheiro, pois a Sabedoria vale mais do que todas as riquezas. Comigo estarão a glória, a opulência e a justiça. Feliz o homem que ouve a Sabedoria."




Extraídas dos Provérbios, de autoria de Salomão, são as palavras da "Sabedoria" personificada. Elas assinalam o lugar privilegiado do conhecimento no judaísmo, tradição monoteísta que tem seu eixo num livro sagrado. A 'Torah' (que corresponde ao Pentatêuco, os cinco primeiros livros da Bíblia) contém os Dez Mandamentos, principal legislação do Ocidente dos últimos 3.000 anos.

Até hoje não colocada em prática ("não matarás, não roubarás..."), é tão central que ultrapassou suas fronteiras originais, sendo incorporada pelo cristianismo e pelo islã. Distintamente dessas religiões missionárias, que buscam prosélitos entre todos os povos, o judaísmo não busca conversos e só raramente os aceita.

O judaísmo legou também os Salmos de Davi, venerados pelos cristãos, e os livros sapienciais de Salomão. Davi fez de Jerusalém sua capital, há 3.000 anos, e Salomão construiu o Templo. Destruído em 600 a.C. e reconstruído, foi arrasado em 66 d.C. pelos romanos. O Muro das Lamentações é o que restou dele.

A derrota para os romanos marca a Diáspora - a difusão dos judeus pelo mundo. Curiosamente, a despeito das tensões, suas comunidades somente prosperaram em terras do islã ou do cristianismo. Vem da Espanha muçulmana um dos ápices de sua cultura, com espetacular florescimento da mística e da filosofia, como testemunhado pelo 'Zohar - Livro do Esplendor' -, principal exposição do esoterismo judaico, e pelas obras de Maimônides.

Há ainda o messianismo. Em oposição ao cristianismo e ao islã, para os quais o Messias já veio, certa vertente do judaísmo sustenta que ele ainda está por vir, não necessariamente na forma de uma pessoa, como Jesus ou Maomé, mas certamente para implantar paz e justiça universais. Algo como uma Nova Era sem data marcada. Imagina-se então o fim da Diáspora.

Não se deve confundir essa concepção com o moderno sionismo. Sua ideologia nacionalista e expansionista é uma secularização do ideal messiânico. O sionismo não é parte constitutiva da religião; ainda hoje rabinos se lhe opõem tenazmente, como Moshe Hirsch, de Jerusalém, que prega a devolução integral das terras tomadas na Palestina.


http://olharglobal.blogspot.com/2008/02/judaismo-anti-semitismo-sionismo.html

domingo, 28 de junho de 2009

APOLOGIA DA PAZ: PALESTINA x ISRAEL (UM DESABAFO)


















Gostaria, antes de tudo, de esclarecer que nem todo judeu é sionista ou apóia a estratégia beligerante do Estado de Israel. O que se passa, hoje, por sionismo, em Israel, é herança do sionismo revisionista, uma facção fascistóide entre inúmeras que existiam, tanto de direita quanto de esquerda (até porque o sionismo nunca foi doutrinariamente unificado e coeso, possuindo diversas versões com propostas divergentes entre si).

Meu pai, ainda hoje vivo, é um judeu polonês naturalizado brasileiro; minha mãe, também viva, é brasileira e nordestina, nascida no estado de Pernambuco, 'meio' católica 'meio' convertida ao judaísmo; e meus avós maternos, ambos já falecidos, eram mestiços (tenho sangue africano, indígena e europeu, com muito orgulho).

Meu pai, apesar de não ter sido uma vítima direta dos campos de concentração nazistas (ao contrário de muitos de seus familiares e vizinhos), então ainda muito jovem, lutou na Segunda Guerra Mundial como sargento do Exército Vermelho soviético contra a ameaça representada por Hitler e sua ideologia criminosa, mesmo não sendo russo e muito menos endossando incondicionalmente as barbaridades cometidas por Stálin, apesar de poder citar muitas de suas realizações em favor do povo nas áreas da educação, da saúde e do bem-estar social (algo que, evidentemente, não justifica os massacres também cometidos por ele contra seus opositores).

Sou, portanto, judeu e (parcialmente) descendente de judeus - meu avô paterno era escritor e tradutor de alguns clássicos da literatura ocidental para o 'iídishe' e meu bisavô um estudioso da 'Kabbalah' - e me identifico com muito do que diz respeito ao judaísmo, mas também sou, antes de tudo, brasileiro e latino-americano. Entretanto, e justamente por minha definição pessoal de judaísmo não estar ligada a uma questão meramente religiosa, cultural ou mesmo étnica, sendo mais uma ligação afetiva que qualquer outra coisa, também me considero um “cidadão do mundo”, cosmopolita, multiétnico e sem ligação formal com qualquer religião organizada ou, mais precisamente, um agnóstico com grande interesse por mitologias comparadas e por todas as antigas doutrinas místicas tanto ocidentais quanto orientais, bem como pelos assim chamados 'fenômenos paranormais' de uma forma geral.

Assim sendo, e tendo em vista minha situação particularmente 'sui generis' no que se refere a experiências pessoais em lidar com diversos tipos de preconceito, sinto-me com isenção suficiente para criticar qualquer manifestação de racismo ou intolerância, venha de onde vier.

Já estou cansado de ouvir pessoas proferirem impropérios contra os judeus ou os muçulmanos em geral e confundirem os atos de alguns grupos e indivíduos com toda uma população, além de fazerem questão de colocarem vendas sobre os olhos para não enxergarem os crimes igualmente condenáveis cometidos por ambos os lados. Não vai ser com acusações unilaterais nem com intolerância preconceituosa que se resolverão os problemas seculares do Oriente Médio.

Acusa-se Israel, por exemplo, e com certa razão, de ter 'roubado, matado e destruído', assim como o povo palestino de ser 'um bando de suicidas irracionais', mas esquece-se de que serão sempre indivíduos e facções a praticar tais atos; não faz sentido, portanto, imputar tais acusações a todo um povo, como não faz sentido acusar a todos os alemães pelo nazismo ou a todos os americanos pela bomba de Hiroshima. E ficar bradando palavras de ordem eivadas de ódio e ressentimento não me parece ser a atitude de alguém que tenha um mínimo de inteligência e bom-senso. Se exageros são cometidos por alguns, eles devem ser expostos e condenados, porém sem essa virulência que põe 'todos os gatos no mesmo saco'.

Diante da complexidade desta situação, quero proclamar em alto e bom som minha posição pessoal em relação ao aqui exposto: sou contra a ação desproporcional e criminosa do exército israelense, assim como também sou contra o Hamas usar a população civil palestina como escudo contra as bombas de Israel; sou contra os ultranacionalistas de direita israelenses que não querem a criação de um estado palestino, assim como sou contra a estupidez dos homens-bomba palestinos que não admitem a existência do estado judeu; sou contra a atitude intransigente dos atuais governantes israelenses, bem como sua falta de visão do futuro, assim como sou contra a prática de ficar revirando o passado a procura de uma justificativa para o ódio, tanto quanto abomino quaisquer tentativas de negar o Holocausto.

Para reforçar ainda mais minha disposição pacifista e conciliatória, concluo fazendo minhas as palavras de Uri Avnery, uma das mais sábias vozes em Israel, quando escreve que, depois de uma vitória militar israelense, “o que ficará marcado na consciência do mundo será a imagem de Israel como um monstro manchado de sangue, pronto para, a qualquer momento cometer crimes de guerra e não preparado para obedecer a quaisquer limites morais. Isso terá consequências graves para nosso futuro no longo prazo, para nossa estada no mundo, para nossa chance de conseguir paz e sossego. No fim, essa guerra é um crime contra nós mesmos também, um crime contra o Estado de Israel”.

Entretanto, seria uma atitude muito ingenua e nem um pouco realista esperar que Israel não se defendesse enquanto sofre atentados terroristas continuamente por parte daqueles que negam até mesmo seu direito à existência. 

Quem se deu ao trabalho de pesquisar o pouco que seja a respeito da história da criação do estado de Israel pela ONU em 1948, conhece a proposta de criação de um estado palestino na mesma época, vizinho ao estado judeu, e que foi rejeitada pela comunidade dos países árabe sob alegações no mínimo discutíveis.

Enquanto ambos os lados não se conscientizarem de que somente através do dialogo e do respeito mútuo às diferenças se poderá conviver em paz e prosperar, ao invés de ceder ao ódio cego e aos interesses escusos de lideranças manipuladoras, seja no Oriente Médio ou em qualquer outro lugar do planeta, tais conflitos irracionais, em nossos dias de armas atômicas, químicas e biológicas, terão eventualmente como consequência inevitável  levar a Humanidade a se aproximar cada vez mais da extinção pura e simples.

Acredito, assim como todo aquele imbuído do mínimo de bom-senso, que tal conclusão não seja do interesse de ninguém. Ou será que a ganância e a estupidez novamente falarão mais alto?           


POST-SCRIPTUM:

Shalom, Salam, Paz a todos.