terça-feira, 12 de fevereiro de 2013

CARNAVAL 2013



E lá se vai mais um Carnaval. Admito que não sou fanático pela festa, mas costumo sair todo ano num bloco que reúne uma galera da minha adolescência. Além de ser uma boa desculpa pra rever muita gente boa às vezes dá até pra conhecer umas caras novas e... (deixa prá lá!).

Quanto ao desfile das Escolas de Samba, pra mim não tem mais muita graça não, parece que todo ano é sempre a mesma coisa, apesar de torcer pro Salgueiro. Aliás, foi uma das poucas que eu tive paciência de assistir pela TV, além da Unidos da Tijuca, Mangueira, Beija-Flor e São Clemente, até porque estavam entre as primeiras a desfilar no domingo e na segunda-feira.





Sem querer ser chato, vou ousar fazer algumas críticas, tanto ao desfile quanto à transmissão da TV Globo. O Salgueiro veio “arrebentando”, com muito luxo e abusando da tecnologia. Nada contra, até porque o desfile é cada vez mais para gringo ver.

Unidos da Tijuca, idem, muito bonita e cheia de truques tecnológicos. Pena que pecou num detalhe nem tão pequeno assim. A homenagem à Alemanha foi original, mas a Escola cometeu um equívoco logo na Comissão de Frente ao exaltar a mitologia germânica. Thor e Odin, apesar de terem sido reverenciados na antiga Alemanha, eram conhecidos como Donar ou Doner e Wotan ou Woden. Thor e Odin são os nomes pelos quais estas divindades eram conhecidas na Escandinávia (Dinamarca e Noruega, principalmente). Não chegou a tirar o brilho do espetáculo (legal a mágica com o martelo!), mas que foi um tremendo “vacilo” isso foi.






Mangueira e Beija-Flor: ambas como sempre dignas e belas, candidatas indiscutíveis ao título. Entretanto a Escola de Nilópolis também teve seu equívoco, e não foi pequeno. Um dos destaques foi uma fantasia muito bonita e luxuosa chamada “Dario, Rei da Babilônia”. Hein?!? Dario foi Imperador da Pérsia, gente. Tudo bem que suas conquistas também alcançaram a região entre os rios Tigre e Eufrates (atual Iraque), onde localizava-se a antiga Babilônia, mas, pelo amor de Zaratustra, essa foi imperdoável!





Outro equívoco, até engraçado, veio de um dos comentaristas da TV Globo. O tema da Beija-Flor era uma homenagem ao cavalo, animal que, desde pelo menos a última Era Glacial, tem sido um parceiro indispensável da humanidade na construção das civilizações. Acontece que uma certa alegoria focalizava a evolução do animal desde seus ancestrais mais longínquos, entre eles o "eohippus", que existiu mais ou menos entre 10 e 20 milhões de anos atrás. Era um animal pequeno em comparação com nosso cavalo, mais ou menos do tamanho de um cachorro médio atual. Durante o desfile, a certa altura, o comentarista declarou que devia ter sido mais fácil para o “homem das cavernas” caçar aqueles “cavalinhos” do que os dinossauros. Putz! Essa foi hilária! Alguém andou vendo desenhos animados demais! Entre a extinção dos últimos dinossauros e o surgimento dos primeiros hominídeos existe um intervalo de, pelo menos, 50 milhões de anos!!! Fala sério...






Quanto a São Clemente, pessoalmente detestei. Veio homenageando as novelas da TV Globo, num demonstração descarada de “puxa-saquismo” típico. Por sinal, por que só a Globo pode transmitir o desfile das Escolas de Samba? Ah é, muito dinheiro...

E pra quem não sabe o desfile agora tem patrocínio de empresas privadas. Quem não gosta de dinheiro?



POST-SCRIPTUM:



Anyway, parabéns a todas as Escolas de Samba que desfilaram no Sambódromo da Av. Marquês de Sapucaí. E que vença a melhor!

sábado, 9 de fevereiro de 2013

INDIGNAÇÃO



Quando comentei a tragédia do incêndio na boate "Kiss" em Sta. Maria, no RGS, já não aguentava mais ver/ouvir a 'mídia' falar no assunto numa busca acintosa de audiência ou de aumento de vendas como se a coisa toda fosse mais um "Big Brother" da vida!

Naquela ocasião citei sentimentos de ódio e vingança para caracterizar um estado de espírito que se resumia em indignação profunda, indignação esta que me recusei a comentar por vergonha, não por mim, mas em decorrência de uma espécie de culpa coletiva que se proliferasse por ressonância num país onde o cinismo é praticado como arte.





No filme "Vanilla Sky" o psiquiatra interpretado por Kurt Russell se dirige ao protagonista, Tom Cruise (numa atuação surpreendente; e não vou contar a trama, quem quiser que veja: só digo que vale à pena) e, numa conversa quase informal, diz-lhe que só existem cinco emoções básicas - e não vem ao caso se tal declaração se baseia em alguma pesquisa científico-acadêmica ou se é mera invenção do roteirista, para o objetivo desta argumentação - , as quais seriam: culpa, ódio, vingança, vergonha e  amor.

Talvez pelo filme ter me causado, à época de sua exibição (2001), um impacto considerável (isso eu não posso negar) - além de tê-lo revisto há relativamente pouco tempo - , reconheço o 'ato falho' na menção inconsciente aos tais estados emocionais, do que só tomei consciência por estes dias ao reler meu próprio artigo.

O interessante é que dos cinco, o único não mencionado por mim foi o amor. Não me parece difícil compreender sua ausência, seja no contexto particular daquela tragédia, seja ao reportarmo-nos à triste situação política do Brasil.

Refiro-me, no caso, especificamente a dois fatos do cenário político que por si só justificam, explicam e amplificam o sentimento de indignação que inevitavelmente teima em instaurar-se com insistência inescapável.

Um deles é a eleição por seus pares do senhor RENAN CALHEIROS como presidente do Senado Federal. 'Ficha Limpa' pra que?





O outro é o descaso com que estes mesmos cavalheiros premiam-se com nove dias de "férias carnavalescas", logo após retornarem do recesso parlamentar. Afinal é Carnaval, né?       

Não deixa de ser significativo o comentário do apresentador de um telejornal, ao divulgar a notícia, de que talvez seja até melhor e mais barato para o contribuinte que os parlamentares não trabalhem mesmo, pois assim corre-se menos riscos deles fazerem MERDA! 

(Esta é uma interpretação livre e pessoal do que foi dito pelo jornalista; a palavra "merda" é por minha conta e eu assumo...).

Voltando aos cinco "sentimentos básicos": culpa, ódio, vingança, vergonha e amor.

Amor? É ruim, hein!

Onde encaixá-lo nesse contexto esdrúxulo? Só sendo patologicamente ingênuo e otimista...





POST-SCRIPTUM:


No âmbito pessoal ainda vá lá, não discuto que o amor é a força que nos mantém de pé, mas como falar de amor onde impera o mais deslavado descaramento e um egoísmo abjeto que faz fronteira com o desprezo e a indiferença pela coisa pública?

Dá licença que eu também vou pular o Carnaval antes que eu fique louco!




sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013

TRAGÉDIA ANUNCIADA

                                                                                                           



Mais de 200 mortos. 

Cento e tantos internados, mais de 80 em estado crítico.

Este é o trágico saldo de vítimas do incêndio na boate "Kiss" em Sta. Maria, município do Rio Grande do Sul.

Segundo a imprensa, tudo começou com o uso indevido de fogos de artifício exclusivos para ambientes externos usados pela banda contratada para animar uma festa que visava angariar fundos para a formatura de uma turma de universitários.

De acordo com os relatos, a tal banda tinha consciência da inadequação dos fogos para uso em lugares fechados mas, aparentemente, resolveu arriscar com o objetivo de economizar algum dinheiro. Tal fato, conforme divulgado, era de conhecimento dos proprietários da boate, cuja irresponsabilidade vai mais além por terem instalado aquela espuma inflamável no teto da casa noturna sem autorização das autoridades competentes. 

Isso tudo sem falar em outras irregularidades, como ausência de saídas de emergência e extintores de incêndio em situação suspeita.

E agora?

O que dizer aos familiares das vítimas?

Alguém será responsabilizado e punido na forma da lei?





POST-SCRIPTUM:


Os únicos sentimentos que me assaltam quando penso muito neste assunto são de tristeza, ódio e vingança. Além de muita vergonha e indignação. Vergonha sim, ainda que indireta, pela incompetência generalizada das autoridades que poderiam evitar tais tragédias com providências simples, antes das mesmas acontecerem. Quanto à indignação, é a mesma de todos os brasileiros: melhor nem comentar...


quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

FLAMENGO




Desde meus comentários apaixonados a respeito de um jogo ocorrido ano passado - quando Ronaldinho Gaúcho ainda atuava no rubro-negro - em que fiz "previsões" precipitadas (para dizer o mínimo), prometi a mim mesmo que não mais falaria sobre futebol; mas sabe como é, torcedor é torcedor e não se contenta em ficar calado, principalmente se for flamenguista e às vésperas de um jogo contra o time do Vasco da Gama, sempre um grande rival.

Entretanto, dessa vez (e em possíveis outras, no futuro) vou procurar ser bem mais comedido e cauteloso, até porque, apesar de ser o segundo colocado no Grupo B, com 7 pontos (a mesma pontuação do líder Fluminense) e vir de uma vitória, por sinal sofrida, o Flamengo encara amanhã, quinta-feira, dia 31 de janeiro, às 19:30 no Engenhão, o líder do Grupo A (com 9 pontos) e o time com melhor aproveitamento no Estadual, o Vasco da Gama.

Apesar de ambos estarem invictos até agora e bem colocados nos respectivos grupos, trata-se de um clássico carioca, válido pela quarta rodada da Taça Guanabara, e qualquer previsão a respeito do resultado é mera especulação. O máximo que um torcedor pode fazer é justamente aquilo que o define: torcer! Mas sem falar demais, pois quem o faz acaba pagando mico...





POST-SCRIPTUM:


O que mais me causa ansiedade no momento é aguardar a estréia do novo camisa 10 do Fla, Carlos Eduardo, emprestado pelo 'Rubin Kazan' da Rússia por, pelo menos, 18 meses. Disputado por diversos clubes brasileiros (Santos, Fluminense e Internacional), o meia-atacante de 25 anos revelado pelo Grêmio espera estrear em "bem menos de um mês" (segundo suas próprias palavras), ou seja, ainda durante a Taça Guanabara. Ibson que se cuide, mas tenho cá minhas dúvidas a respeito do novo reforço, uma vez que ele vem de longa recuperação de uma contusão e não joga há mais de um ano. O jeito é esperar para ver. 





Nas oito rodadas da fase classificatória da Taça GB, os times do Grupo A enfrentam os do Grupo B, em um único turno. Os dois primeiros colocados de cada grupo se classificam para as semifinais deste turno (primeiro do A x segundo do B, primeiro do B x segundo do A), sendo que os primeiros colocados têm a vantagem do empate. Na decisão, num único jogo, se somente um finalista foi o primeiro colocado de A ou B, joga pelo empate. Se ambos forem primeiros colocados ou segundo colocados em seus respectivos grupos, joga pelo empate aquele que tiver o maior número de pontos. O campeão da Taça GB fica automaticamente classificado para as finais do Estadual, disputando o título em duas partidas contra o vencedor da Taça Rio, o segundo turno do campeonato. Boa sorte a todos!

segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

IMPERADOR DO BRASIL?



Num país como o nosso (não que isso seja um "privilégio" exclusivo) em que a corrupção é a regra, devemos sempre comemorar a condenação pela Justiça (e a consequente prisão) de 'gangsters' como, por exemplo, o bicheiro CARLINHOS CACHOEIRA, mesmo que alguns possam considerar este assunto específico "notícia velha", ainda que relacionado diretamente à postagem anterior e, por isso mesmo, digno de ser comentado.





Há alguns meses atras, quase no início deste embróglio envolvendo políticos corruptos e o citado indivíduo, o jornalista ROBERTO POMPEU DE TOLEDO escreveu um comentário a respeito em sua coluna na revista VEJA. Apesar de ter sido publicada no final de maio de 2012, há um trecho bastante relevante e irônico que eu faço questão de transcrever:

"Já que deputados e senadores não se mostram dispostos a debruçar-se sobre as falcatruas atribuídas a Carlos Cachoeira, poderiam inquiri-lo sobre sua infância, os sonhos de adolescente, os amores. A essas questões talvez ele respondesse, e isso ajudaria na decifração do enorme, crucial enigma que nos põe esse personagem: afinal, o que queria ele? Aonde queria chegar? Carlos Cachoeira, segundo o apurado até agora, herdou um ponto do bicho do pai, que por sua vez o tinha recebido do campeão do jogo do bicho carioca, o falecido Castor de Andrade.

Pois bem, A ambição do bicheiro, normalmente, não vai além de comandar uma escola de samba. Carlos Cachoeira mirou mais alto. Duplicou os negócios ilegais com os legais. Estabeleceu-se na indústria farmacêutica e, ao que tudo indica, na empreiteira de obras públicas. Ao longo do caminho, embrenhou-se entre os políticos. O bicheiro tradicional também recruta políticos, mas não mais do que para proteger suas atividades de contraventor. Cachoeira queria mais. A rede de políticos a seu serviço sugere um aparato de infiltração nas estruturas do estado. As vantagens econômicas daí decorrentes são evidentes. As portas se abrem para negócios em que o estado é o grande comprador, como a indústria farmacêutica e a empreita.

Mas isso ainda não é tudo. Talvez até seja o de menos. As gravações da Polícia Federal indicam um gosto extremado por essa substância menos palpável, que é o poder. Cachoeira vinha bem nesse quisito. O governador de Goiás, num telefonema, chama-o de "liderança". O senador Demóstenes Torres, em muitos, trata-o de "professor". Nas conversas, os políticos soam como empregados, ou como reverentes vassalos. Mas Cachoeira ainda não estava satisfeito. Numa das gravações, trata com um assesor da compra de um partido político. Há muitos à venda no país, e ele só não fechou negócio porque considerou o preço alto. Sobre a questão: por que quereria um partido político? Essa questão se desdobra em outra: aonde pretendia chegar? E esta em outra ainda: aonde chegaria, caso seu caminho não fosse cortado pelas investigações? Uma aposta razoável é que acabaria imperador do Brasil."      


[trecho de comentário publicado na revista VEJA]





POST-SCRIPTUM:






Espero que outros casos como este (principalmente nesta época de contratos entre governo e iniciativa privada para construções e reformas de estádios para a Copa do Mundo de 2014) venham à tona e que possamos assistir a outros canalhas da mesma estirpe passarem umas "férias" merecidas atrás das grades.

Fico daquí fazendo figa...

quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

RETROSPECTIVA 2012: JOAQUIM BARBOSA É O CARA!



Neste ano de 2012 que findou muitos assuntos foram dignos de serem considerados especialmente importantes e significativos.




Tivemos, por exemplo, os aniversários de 50 anos de carreira de Gilberto Gil e Caetano Veloso, bem como o cinquentenário dos Beatles.






E seria imperdoável esquecer o centenário de nosso grande Jorge Amado, um dos maiores baluartes da literatura brasileira (e por que não dizer universal).








Tivemos a polêmica com relação à usurpação de grande parte dos royalties decorrentes da comercialização do petróleo explorado na plataforma continental de estados como Rio de Janeiro e Espírito Santo.





Tivemos a continuação dos conflitos entre populações indignadas e seus governantes tirânicos em diversos países árabes (que levou a morte do ditador Kadafi na Líbia, por exemplo), bem como entre israelenses e palestinos no Oriente Médio.







Outro que também já foi tarde é o maluco do Bin Laden, enquanto que no Brasil perdemos o genial Oscar Niemeyer, para nossa tristeza. Tivemos o "golpe" em Wall Street e a escalada da crise econômica na Europa.







Não podemos esquecer também a atuação da Comissão da Verdade que denuncia a atuação criminosa de certas autoridades durante a ditadura militar no Brasil e a colaboração com regimes de exceção de outros países da América do Sul, conforme comprovam documentos revelados pelo atual governo brasileiro referentes a assim chamada "Operação Condor".






Enfim, como dito no início desta matéria, vários acontecimentos, todos dignos de serem lembrados como excepcionalmente significativos ou indicados como os mais importantes do ano que passou.



Entretanto, em minha modesta opinião, enquanto brasileiro não posso deixar de considerar com total sinceridade, entre vários motivos mas principalmente por seu significado histórico, que nada superou o julgamento dos envolvidos no "mensalão" e, principalmente, a atuação rigorosa e implacável do juiz e atual presidente do Supremo Tribunal Federal, sua excelência o ministro JOAQUIM BARBOSA.






Juro que nunca imaginei que viveria para ver o dia em que políticos corruptos fossem condenados pela justiça brasileira! E ainda por cima perdessem seus mandatos enquanto alguns notórios caciques da politicagem tupiniquim acabassem na cadeia! Viva! (Agora só falta prender o Maluf...).



Parabéns, portanto, à atuação honrada do STF; e aproveito para declarar meu voto simbólico a este fato como o mais importante de 2012 (e quiçá da História do Brasil), enquanto fico na torcida de que o ministro Barbosa se candidate à presidência em 2014, certamente acompanhado de milhões de outros brasileiros que o elegeriam cheios de orgulho e admiração.



Se bem que, pensando melhor, corremos o risco de que seu substituto imediato na presidencia do STF, o ministro Lewandowski, não seja tão rigoroso (o que ele já deu indicações óbvias de não ser) e que tudo volte a ser como antes, ou seja, acabe sempre em "pizza". Além do mais o ministro Barbosa ainda tem um mandato a cumprir como presidente do STF e, certamente, durante este período, fará um excelente trabalho de cobrança daquela cambada de deputados e senadores em Brasília que, com raras e meritórias exceções, só está no poder para se locupletar (vai olhar no dicionário!). Além do mais, nos dias de hoje, ser presidente da república não é mais lá essas coisas em termos de capacidade para acabar com certos vícios em nossa república. Parece até que o cargo está mais para um agente de relações públicas de luxo...  



POST-SCRIPTUM:









Joaquim Barbosa nasceu em Paracatu, noroeste de Minas Gerais. É o primogênito de oito filhos. Pai pedreiro e mãe dona de casa, passou a ser arrimo de família quando estes se separaram. Aos 16 anos foi sozinho para Brasília, arranjou emprego na gráfica do Correio Braziliense e terminou o segundo grau, sempre estudando em colégio público. Obteve seu bacharelado em Direito na Universidade de Brasília, onde, em seguida, obteve seu mestrado em Direito do Estado.


Foi Oficial de Chancelaria do Ministério das Relações Exteriores (1976-1979), tendo servido na Embaixada do Brasil em Helsinki, Finlândia e, após, foi advogado do Serpro (1979-84).


Prestou concurso público para procurador da República, e foi aprovado. Licenciou-se do cargo e foi estudar na França, por quatro anos, tendo obtido seu mestrado e doutorado ambos em Direito Público, pela Universidade de Paris-II (Panthéon-Assas) em 1990 e 1993. Retornou ao cargo de procurador no Rio de Janeiro e professor concursado da Universidade do Estado do Rio de Janeiro. Foi visiting scholar no Human Rights Institute da faculdade de direito da Universidade Columbia em Nova York (1999 a 2000) e na Universidade da Califórnia Los Angeles School of Law (2002 a 2003). Fez estudos complementares de idiomas estrangeiros no Brasil, na Inglaterra, nos Estados Unidos, na Áustria e na Alemanha. É fluente em francês, inglês, alemão e espanhol. Toca piano e violino desde os 16 anos de idade. Foi indicado Ministro do STF por Lula em 2003.


Joaquim Barbosa é o primeiro ministro reconhecidamente negro do STF.


[DADOS BIOGRÁFICOS OBTIDOS NA WIKIPÉDIA]

sábado, 29 de dezembro de 2012

E O MUNDO NÃO ACABOU...




Salve, salve, minha gente, estamos aí de novo depois de uma longa ausência.

Alguém poderia pensar que eu estava deprimido com a possibilidade de o mundo acabar mesmo e que resolví abandonar tudo para aproveitar e 'curtir' a vida, fazendo as coisas que sempre tive vontade de fazer mas não tinha coragem (aliás, aquele seriado da TV Globo, "COMO APROVEITAR O FIM DO MUNDO", foi realmente muito legal e engraçado, não?). Ou então para me preparar espiritualmente para encarar o derradeiro final de tudo. Nada a ver...






Se bem que lá no fundo (no bom sentido, é claro), talvez eu desejasse inconscientemente que o mundo fosse mesmo para o beleléu; tá feia a coisa! Mas sempre resta uma esperança...

Na verdade eu precisei me ausentar por motivos puramente pessoais que nem valem a pena mencionar; voltemos, portanto, ao 'fim do mundo'. Esse papo, pra quem não sabe, é antigo. Não me recordo agora quem foi que disse que quando isso acontecer não será com um 'BANG!' e sim com um gemido. De dor e lentamente, com certeza. Mas a sensação é de que essa decadência já começou há muito tempo (aliás, desde o começo do Universo: a entropia é um processo irreverssível, sabiam?). Mas a vida não se dá por vencida e novas estrelas continuam nascendo, assim como novos bebês e novos modelos de carros. É como já dizia o menestrel Belchior na canção "Como Nossos Pais": o novo sempre vem (apesar das inevitáveis resistências).

Este suposto 'fim do mundo' que ocorreria em 21 de dezembro de 2012, na minha opinião, não passou de um malentendido devido à interpretação equivocada (inocente ou proposital?) da mídia em geral com relação ao calendário maia.




Não podemos saber com certeza o motivo das tais inscrições em pedra baseadas na observação precisa dos astros (os maias eram exímios astrônomos, mesmo sem possuir telescópios) terminarem abruptamente naquela data fatídica. Pode até ser que arqueólogos encontrem outros calendários de pedra contendo a continuação das previsões astronômicas a partir daí. Ou não.

Mas isso nem é tão importante assim se você pode acreditar que este 'fim do mundo' não é necessariamente o fim no sentido literal. Na verdade pode ser o início de um novo 'começo', aquela tal Era de Aquário que o Zodíaco determina sem muita precisão em torno de nosso novo século (pra quem acredita em horóscopo) e que é tão cara aos esotéricos de plantão e que vem sendo proclamada desde os anos 1960 do século passado por 'hippies', místicos e similares (não me pergunte se a Lua está na sétima casa ou se Júpiter está alinhado com Marte) com ansiosa antecipação e principalmente bastante fé.





Quem sabe? Pode ser que realmente estejamos entrando numa Nova Era de paz e harmonia. Sou meio cético quanto a isso; entretanto me identifico com Caetano Veloso quando este se diz pessimista a curto prazo mas otimista a longo prazo. Admito que é um 'salto de fé' digno de uma Olimpíada, mas não é esse tipo de coisa que faz as pessoas acreditarem que o sol vai nascer amanhã e que o dia de hoje será melhor do que o de ontem? Pois é.

Então é isso aí: aproveitando a oportunidade concedida pelo Ano Novo que se avizinha vamos torcer para que o 'fim' seja mais um 'começo' e que tudo será melhor daqui pra frente (ainda que com um pé atrás...).

Pois que venha portanto a tão badalada Nova Era, com suas promessas de encanto e felicidade. Amém!



POST SCRIPTUM:



Falando com toda a seriedade (a maioria das pessoas leva esses assuntos na brincadeira, as vezes eu mesmo), nossa cultura ocidental tem o costume de ridicularizar ou diminuir todo tipo de informação derivada de civilizações mais antigas, com base no pensamento "científico" e/ou "racional" predominante em nossa era atual, esquecendo que tudo é uma questão de "modos" de linguagem que remetem a visões de mundo diferentes e nem sempre compatíveis. 






Além do mais, "fim do mundo" não precisa necessariamente ser interpretado literalmente: as "coisas" e pessoas podem continuar todas por aí e, ainda assim, um certo tipo de "mundo" acabar por completo. Ah, e não nos esqueçamos que diversos povos da antiguidade eram excelentes astrônomos, ainda que esta atividade estivesse ligada principalmente à atividades religiosas, mas nem por isso estariam incorretas do ponto de vista científico moderno. 



Mais respeito e um entendimento filosófico mais aprofundado com relação a outros povos e culturas é uma das maiores carências de nossa civilização atual (sem falar em solidariedade, honestidade, coerência, etc, etc, etc; mas isso já é outro assunto. Ou não?).


Mas não fiquem tristes se tudo isso não passar de mais uma jogada de 'marketing' da mídia e dos 'podres poderes' que nos oprimem nas sombras ou mesmo em plena luz do dia...  

  

sexta-feira, 6 de julho de 2012

FECHADO TEMPORARIAMENTE PARA REFORMAS




Dando um tempo, um booom tempo...



Nem é uma questão de assunto, mas há tempos venho percebendo que tanto eu quanto as outras pessoas (aliás o mundo todo em geral), anda meio louco... No mau sentido, claro.



Sei lá, tem alguma coisa muito estranha, muito esquisita acontecendo. Não é nada específico ou fácil de identificar (ou talvez até seja, mas parece que a própria percepção do problema dificulta sua definição e localização). 



Como eu disse, sei lá.



P0ST-SCRIPTUM:



Mais sobre o assunto em futuras postagens (ou não). 



Por enquanto, fuck it.

quarta-feira, 12 de outubro de 2011

CRISTO REDENTOR COMEMORA 80 ANOS


 
[Adaptado de uma reportagem de MAURÍCIO KANNO – FOLHA.COM]


Mundialmente identificado com a imagem do Brasil – e do Rio de Janeiro –, o monumento do Cristo Redentor faz 80 anos hoje, dia 12 de outubro de 2011. É o ponto mais famoso do parque nacional da Tijuca, embora pouca gente saiba que a estátua integra o parque. Imersa na natureza, a estátua tem 30 m sobre um pedestal de 8 m. O conjunto encima o morro do Corcovado, a 709 m de altitude.





O Cristo Redentor foi inaugurado no dia do aniversário do responsável pela abertura da primeira rota para escalar o Corcovado: o imperador Pedro I, que faria, em 2011, no dia 12 de outubro, 213 anos. Foi seu filho, Pedro II, que ordenou o replantio da floresta da Tijuca, então dominada pelo cultivo de café. Mesmo sem uma intenção turística declarada, Pedro I sempre estimulou a visitação local. 





A área depois foi cercada e lá foi instalado um mirante chamado de Chapéu de Sol, que, alguns anos mais tarde, abrigou o primeiro telégrafo do país. Na ocasião da inauguração do monumento do Cristo Redentor, em 1931, tal mirante, que não existe mais, foi remontado morro abaixo.






Nesse evento, coube ao inventor italiano Guglielmo Marconi a tarefa de iluminar o monumento acionando, desde Roma, o mecanismo que trouxe luz ao Cristo carioca. Mas a ideia de se instalar a estátua de Jesus Cristo no Rio data do século 19 e é creditada a outro europeu, o padre francês Pedro Maria Bos.





Houve concurso e diversos projetos foram cotejados. Um deles mostrava uma estátua de Jesus com um globo nas mãos. Venceu o projeto dos braços abertos, creditado ao brasileiro Heitor da Costa e Silva, conforme assegura a coordenadora de Cultura do parque. 








Feito de cimento e revestido de pedra-sabão, mesmo material usado pelo escultor barroco Aleijadinho, o Cristo Redentor, que virou ícone carioca, tem definitivamente um pé na Europa, pois o escultor francês (de origem polonesa) Paul Landowski, foi contratado para criar cabeça e mãos da famosa estátua. 








POST-SCRIPTUM:



Meus parabéns a este monumento que é um dos símbolos da cidade do Rio de Janeiro e uma das sete maravilhas do mundo moderno. 



Ainda bem que a prefeitura e a Arquidiocese do Rio de Janeiro resolveram mudar a iluminação noturna do Cristo, voltando ao sóbrio estilo tradicional. A anterior, colorida e carnavalesca, era mais indicada para um carro alegórico de escola de samba. 


domingo, 9 de outubro de 2011

A LOUCURA É A FONTE DA SABEDORIA



[Adaptado do capítulo I do livro "O NASCIMENTO DA FILOSOFIA" de autoria de GIORGIO COLLI, publiado pela Editora da UNICAMP em 1996, traduzido por Federico Carotti]



Platão chama "filosofia" - o amor à sabedoria - à própria busca, à própria atividade educativa, ligada a uma expressão escrita, à forma literária do diálogo. 

E Platão olha reverente o passado, um mundo em que existiram os verdadeiros "sábios". Por outro lado, a filosofia posterior, a nossa filosofia, é apenas uma continuação, um desenvolvimento da forma literária introduzida por Platão; contudo, esta surge como fenômeno da decadência, na medida em que "o amor à sabedoria" está mais abaixo da "sabedoria".

O amor à sabedoria, para Platão, não significava de fato a aspiração a algo nunca atingido, mas sim uma tendência a recuperar aquilo que já fora realizado e vivido.





Portanto, não há um desenvolvimento contínuo, homogêneo, da sabedoria à filosofia. O que dá origem a esta última é uma reforma expressiva, é a intervenção de uma nova forma literária, um filtro através do qual condiciona-se o conhecimento de todo o precedente.

A tradição, em grande parte oral, da sabedoria, já obscura e escassa pela distância dos tempos, já evanescente e tênue para o próprio Platão, mostra-se, a nossos olhos, francamente falsificada pela inserção da literatura filosófica.

Por outro lado, é muito incerta a extensão temporal dessa época da sabedoria: nela está compreendida a chamada idade pré-socrática, ou seja, os séculos V e VI a.C., mas a origem mais distante nos escapa. É preciso recorrer à mais remota tradição da poesia e da religião grega, mas a interpretação dos dados não pode deixar de ser filosófica. 

Deve-se configurar, mesmo que de modo hipotético, uma interpretação do tipo daquela proposta por Nietzsche para expor a origem da tragédia. Quando um grande fenômeno oferece uma documentação histórica suficiente apenas em sua parte final, só resta a tentativa de interpolar, no que se refere a sua totalidade, certas imagens e conceitos, escolhidos e entendidos como símbolos na tradição religiosa.





Nietzsche parte, como se sabe, das imagens de dois deuses gregos, Dionísio e Apolo, e, aprofundando estética e metafisicamente os conceitos de dionisíaco e apolíneo, esboça, em primeiro lugar, uma doutrina sobre o surgimento e a decadência da tragédia grega; depois uma interpretação geral da grecidade e até uma nova visão de mundo. Assim, igual perspectiva parece abrir-se quando se considera, em vez do nascimento da tragédia, a origem da sabedoria.  

São ainda os mesmos deuses, Apolo e Dionísio, que se encontram no retroceder ao longo das sendas da sabedoria grega. Mas, nessa esfera, a caracterização de Nietzsche deve ser modificada; além disso, a prioridade deve ser concedida a Apolo, e não a Dionísio. De fato, se cabe atribuir a alguém o domínio sobre a sabedoria, é ao deus de Delfos.





Em Delfos se manifesta a vocação dos gregos para o conhecimento: sábio é quem lança a luz na obscuridade, desfaz os nós, manifesta o desconhecido, determina o incerto. Para essa civilização arcaica, o conhecimento do futuro do homem e do mundo pertence à sabedoria. Apolo simboliza esse olho penetrante, seu culto celebra a sabedoria.

Outros povos conheceram, exaltaram a arte divinatória, mas nenhum povo a elevou a símbolo decisivo, pelo qual, no mais alto grau, a potência exprime-se em conhecimento, como aconteceu entre os gregos. Adivinhar implica conhecer o futuro e manifestar, comunicar tal conhecimento. Isso ocorre através da palavra do deus, do oráculo. 

Na palavra manifesta-se ao homem a sabedoria do deus, e a forma, a ordem, o nexo em que se apresentam as palavras revela que não se tratam de palavras humanas, e sim de palavras divinas. Daí o caráter exterior do oráculo: a ambiguidade, a obscuridade, as alusões de árdua decifração, a incerteza.

O deus, portanto, conhece o porvir, manifesta-o ao homem, mas parece não querer que este o compreenda. Há um elemento de maldade, de crueldade na imagem de Apolo, que se reflete na comunicação da sabedoria. E, de fato, diz Heráclito, um sábio: "o senhor, a quem pertence o oráculo que está em Delfos, não diz nem oculta, mas acena".





A esfera do conhecimento e da sabedoria liga-se com muito mais naturalidade a Apolo do que a Dionísio. Dionísio associa-se ao conhecimento enquanto divindade eleusínia: a iniciação aos mistérios de Elêusis culminava numa "epopsia", visão mística de beatitude e purificação que de certa forma pode ser chamada de conhecimento. 

No entanto, o êxtase dos mistérios, na medida em que é alcançado através de um despojamento completo das condições do indivíduo, na medida em que nele o sujeito cognoscente não se distingue do objeto conhecido, deve ser considerado como o pressuposto do conhecimento, e não o próprio conhecimento. 

Pelo contrário, o conhecimento e a sabedoria manifestam-se por meio da palavra, e é em Delfos que é proferida a palavra divina, é Apolo, e certamente não Dionísio, que fala pela sacerdotisa. A palavra de Apolo é uma expressão  em que se manifesta um conhecimento; as palavras de adivinhação na Grécia primitiva reúnem-se em discursos, desenvolvem-se em discussões, elaboram-se no abstrato da razão, símbolos iluminadores de todo o fenômeno da sabedoria.






Outro elemento frágil na interpretação de Nietzsche está em apresentar os impulsos apolíneo e dionisíaco como antitéticos. 

Os estudos mais recentes sobre a religião grega ressaltaram uma origem asiática e nórdica do culto de Apolo. Aqui surge uma nova relação entre Apolo e a sabedoria. Um fragmento de Aristóteles nos informa que Pitágoras - justamente um sábio - foi denominado pelos crotoniatas como Apolo hiperbóreo. 





Os hiperbóreos eram, para os gregos, um povo fabuloso do extremo norte. Daí parece provir o caráter místico, extático, de Apolo, manifestando-se no arrebatamento da pítia, nas palavras delirantes do oráculo délfico.

Nas planícies nórdicas e da Ásia central atesta-se uma longa persistência do xamanismo, uma técnica particular de êxtase. Os xamãs atingem uma exaltação mística, uma condição extática, na qual são capazes de executar curas milagrosas, ver o futuro e profetizar.





Este é o pano de fundo do culto délfico de Apolo. Uma passagem célebre e decisiva de Platão nos ilumina a esse respeito. Trata-se do discurso sobre a "mania", sobre a loucura, que Sócrates desenvolve no Fedro. Logo no início, contrapõe-se a loucura à moderação, ao autocontrole, e, numa inversão paradoxal para nós, modernos, exalta-se a primeira como superior e divina.

Diz o texto: "os maiores dentre os bens chegam a nós por meio da loucura, que é concedida por um dom divino...de fato, a profetisa de Delfos e a sacerdotisa de Dodona, enquanto possuídas pela loucura, proporcionaram à Grécia muitas e belas coisas, tanto para os indivíduos quanto para a comunidade". Coloca-se em evidência, portanto, desde o início, a ligação entre "mania" e Apolo.





Em seguida, distinguem-se quatro tipos de loucura: a profética, a dos mistérios, a poética e a erótica, as duas últimas variantes das duas primeiras. A loucura profética e a dos mistérios são inspiradas por Apolo ou por Dionísio (ainda que este último não seja citado por Platão). 

No Fedro, em primeiro plano está a "mania" profética, tanto que, para Platão, a natureza divina e decisiva da "mania" é atestada pelo fato de essa mania constituir o fundamento do culto délfico. Platão funda seu juízo numa etimologia: a "mântica", isto é, a arte divinatória, deriva de "mania" e é sua expressão mais autêntica.

Portanto, a perspectiva de Nietzsche deve ser não só ampliada, mas também modificada. Apolo não é o deus da medida, da harmonia, mas do arrebatamento, da loucura. Nietzsche considera a loucura pertinente apenas a Dionísio e, além disso, delimita-a como embriaguez. 

Aqui, uma testemunha com o peso de Platão sugere-nos, pelo contrário, que Apolo e Dionísio possuem uma afinidade fundamental, justamente no terreno da "mania"; juntos eles esgotam a esfera da loucura, e não faltam bases para formular a hipótese - atribuindo a palavra e o conhecimento a Apolo, e a imediatez da vida a Dionísio - de que a loucura poética é obra do primeiro, e a erótica, do segundo.

Concluindo, se uma pesquisa sobre as origens da sabedoria na Grécia arcaica leva-nos em direção ao oráculo délfico, ao significado complexo do deus Apolo, a "mania" mostra-se-nos ainda mais primordial, pano de fundo do fenômeno da adivinhação. A loucura é a matriz da sabedoria.     




POST-SCRIPTUM:






Giorgio Colli (1917-1979) é conhecido sobretudo pela edição crítica das obras de Nietzsche, publicada na Alemanha, França e Itália, e por uma edição hoje clássica do Organon, de Aristóteles, tendo dedicado os últimos anos de sua vida à edição dos textos pré-socráticos.

É interessante perceber como o autor interliga a origem da filosofia - identificando-a como um novo gênero literário "inventado" por Platão - com a decadência da antiga sabedoria já então fragmentada e quase esquecida, derivada essencialmente da religião grega, seus mistérios e tradições orais.

Apoiado principalmente em Nietzsche, ele identifica um paralelo originário entre os primeiros refinamentos do pensamento abstrato grego - aquilo que, no ocidente, viria a ser chamado de "razão" ou "racionalidade" - e a tradição poético-religiosa da Grécia antiga, um manancial de sabedoria que permeia toda a sua rica mitologia, relacionada por sua vez com a "mania", ou "loucura" divina.  





Aliás, tal paralelo, penso eu, cabe ao estudo da mitologia e das tradições religiosas de qualquer povo, pois todas as culturas humanas sobre a face da Terra desenvolveram algum tipo peculiar de sabedoria ligada não somente aos cuidados com a esfera do transcendente como com a esfera do dia-a-dia, do conhecimento prático e utilitário, e o que é mais interessante: em todas elas ambas as esferas estão intimamente relacionadas, de uma forma ou de outra.

Uma passagem específica do texto chamou minha atenção por um aspecto curioso: a necessidade de ir procurar tão longe uma tradição religiosa que explique o "transe divinatório" das pitonisas délficas, ou seja, num suposto xamanismo nórdico ou centro-asiático, quando a vizinhança geográfica do Mediterrâneo com a África dá subsídio a hipóteses muito mais plausíveis, em minha modesta opinião.        

E viva a "loucura"!