quarta-feira, 14 de abril de 2010

NOVOS PLANETAS

























O universo está coalhado de estrelas e de planetas que orbitam ao redor delas. Segundo os astrônomos, aproximadamente 400 já foram descobertos e estima-se como praticamente certo que eles sejam, na verdade, bilhões.

Parece-nos impossível, à luz da lei das probabilidades, que muitos desses planetas não apresentem condições favoráveis à vida.

À parte seu extraordinário valor científico, a descoberta dos exoplanetas (planetas exteriores ao nosso sistema solar) deveria servir também para outro tipo de reflexão: não apenas é altamente improvável que estejamos sós no universo, como, diante da pluralidade quase infinita de corpos celestes existentes, nós e nossa Terra parecemos apenas pequenos grãos de poeira vagando no espaço.

Que isso nos faça refletir sobre o quanto é relativa nossa existência e o quanto nossa arrogância de senhores do mundo é descabida e ridícula.

BARACK OBAMA E A CÚPULA SOBRE SEGURANÇA NUCLEAR


































O presidente americano, Barack Obama, disse nesta terça-feira que a Cúpula sobre Segurança Nuclear realizada durante dois dias em Washington foi um exemplo do que é possível quando as nações trabalham juntas e que o mundo ficará mais seguro após a reunião.


"Essa noite, eu posso relatar que aproveitamos essa oportunidade e por causa dos passos que tomamos como nações individuais e como uma comunidade internacional, que os americanos terão mais segurança e que o mundo estará mais seguro", disse o presidente no discurso de encerramento da Cúpula.

Obama afirmou ainda que houve um consenso sobre a seriedade de ameaça nuclear.

"Primeiramente, concordamos com a urgência e seriedade da ameaça. Declaramos hoje que o terrorismo nuclear é uma das maiores ameaças para a segurança internacional", disse ele, afirmando ainda que os 47 países presentes concordaram que o fortalecimento dos controles sobre materiais nucleares é a melhor forma de evitar que criminosos adquiram-os.

Obama elogiou a meta ratificada pelos participantes de garantir a segurança de materiais nucleares em um prazo de quatro anos.

"Reconhecemos que, mesmo se cumprirmos com nossas responsabilidades, essa meta não pode ser alcançada por países que trabalhem em isolamento", disse. "Portanto, estamos comprometidos com um programa efetivo de cooperação e convidamos outras nações a se juntarem a nós", completou.

Os 47 países presentes na Cúpula se comprometeram a trabalhar juntos para que todo o material nuclear vulnerável esteja protegido no prazo de quatro anos.

Durante dois dias, a reunião organizada pelo governo americano discutiu medidas para impedir que materiais nucleares - como plutônio ou urânio altamente enriquecido - caiam em poder de organizações consideradas extremistas.

No documento final do encontro, os países se comprometem em "aumentar a segurança nuclear e reduzir a ameaça de terrorismo nuclear".

Os participantes da cúpula estabeleceram ainda um plano de trabalho com medidas nacionais e internacionais para levar o compromisso adiante.

Também ficou marcada uma nova reunião para 2012, na Coréia do Sul.

Obama pediu para que a comunidade internacional trabalhe "rápida e decididamente" para impor novas sanções contra o Irã por causa de seu programa nuclear.

"Meu interesse não é ter um processo que se arraste por meses", disse ele, afirmando ainda desejar que o governo iraniano perceba que desenvolver um programa nuclear traz mais custos do que benefícios.

O presidente americano disse que a China está cooperando nos esforços para estipular sanções nas Nações Unidas contra o Irã.

"Os chineses estão obviamente preocupados com as ramificações que isso pode ter para sua economia. O Irã é um produtor de petróleo. Acho que muitos países no mundo têm relações comerciais com o Irã e estamos cientes disso", afirmou.

O presidente americano elogiou a forma como o Paquistão vem mantendo seu arsenal nuclear.

"Tenho confiança na segurança paquistanesa em relação ao seu programa nuclear mas não significa que não existam melhorias possíveis de serem feitas em todos os nossos programas nucleares", afirmou.

Obama pediu para que a Coréia do Norte volte a negociar seu programa nuclear, afirmando que o país "escolheu o caminho do isolamento radical".


(BBC Brasil - 13/04/2010)


POST-SCRIPTUM:




Que se danem os governos do Irã e da Coréia do Norte, o Talibã e o Bin-Laden: pelo menos no que se refere a este assunto, estou com o Obama e não abro!

Apesar de discordar veementemente da lógica grotesca que procura justificar a manutenção dos arsenais nucleares, dos males o menor: antes viver sob o jugo da exploração mal-disfarçada que sustenta a falida democracia ocidental (onde, pelo menos, me é permitido o luxo de criticá-la), que submetido a tirania explícita de ditaduras que cinicamente se autoproclamam como "socialistas" ou de teocracias medievais asfixiantes e repressoras.


terça-feira, 13 de abril de 2010

FILÓSOFOS EM AÇÃO!








































Gostaria de indicar um livrinho muito legal, do qual eu já tinha conhecimento há algum tempo, mas não conseguia encontrar de jeito nenhum no Rio de Janeiro. Finalmente, agora, adquiri um exemplar, e posso dizer que valeu a espera. É realmente muito bom!

Trata-se de FILÓSOFOS EM AÇÃO (‘Action Philosophers!’), da autoria de Fred Van Lente (roteiro) e Ryan Dunlavey (arte), com tradução de Eliane Gallucci, e publicado pela GAL Editora (ISBN 978-85-61780-00-5) em 2008.

O enredo da obra trata do desenvolvimento do pensamento de diversos filósofos ao longo da História, desde Platão até Freud, passando por Nietzsche e Santo Agostinho, por exemplo, com bom humor e através da linguagem dos quadrinhos!

Além de divertidíssimo é altamente informativo e didático: em minha opinião, deveria ser de leitura obrigatória nas escolas secundárias, ou mesmo no curso básico das faculdades de filosofia e comunicação social. Tente encontrar um exemplar; pode ser difícil, mas você não vai se arrepender. Só pra dar uma idéia melhor, aqui vai a transcrição da contra-capa:

Quem disse que a filosofia não pode ser muito divertida?

PLATÃO: campeão de luta-livre na Grécia antiga! NIETZSCHE: o super-homem! BODHIDHARMA: grão-mestre do kung fu! SANTO AGOSTINHO: santo... mas nem tanto! FREUD: o homem que mudou o sexo! JUNG: descobridor do inconsciente coletivo! JOSEPH CAMPBELL: o especialista em mitologia que inspirou a saga ‘Star Wars’... e não ganhou um centavo por isso!

Conheça as idéias e as vidas destes e de outros filósofos que ajudaram a mudar as mentes do mundo em ‘Filósofos em Ação’, um grande sucesso de público e crítica nos Estados Unidos. Criada por Fred Van Lente (Contos da Cripta, 'Wolverine: First Class') e Ryan Dunlavey ('Comic Book Comics', 'Diarrhea Dog'), a obra ganhou o prestigiado Prêmio Xeric de incentivo aos quadrinhos em 2004 e vem conquistando fãs com sua mistura inusitada de filosofia e bom-humor. Usando conceitos modernos e referências a filmes, histórias-em-quadrinhos e cultura pop, os autores levam a um novo patamar o conceito de “ensina e diverte”.

“Engraçado e inteligente. Totalmente irreverente e criativo.” – Publisher’s Weekly

“Nunca foi tão divertido compreender as grandes idéias que fizeram de nosso mundo a bagunça que é hoje!” – Tom Morris, autor de ‘E Se Harry Potter Dirigisse a General Electric?’

“Exageros e linguagem moderna são usados para criar explicações de maneira memorável. A imagem do Village People nos banhos gregos é hilariante. A seção sobre Santo Agostinho é quase visualmente indescritível, com personagens que lembram robôs gigantes japoneses, os Novos Deuses de Jack Kirby e os Smurfs.” – Comics Worth Reading

“Quer uma ótima história contada com humor e que ainda ensina algo? Quer gastar seu dinheiro com uma história em quadrinhos e não pensar depois ‘Droga, que desperdício!’? Leia Filósofos em Ação.” – Silverbulletcomics.com

“Filósofos em Ação é uma das melhores misturas entre educação e diversão que os quadrinhos já viram.” – Érico Assis, Omelete.com.br

É isso aí!


OS QUATRO JUDEUS QUE MUDARAM O MUNDO





































Primeiro veio Moisés e disse: as leis são TUDO!

Depois veio Jesus e disse: o amor é TUDO!

Aí veio Freud e disse: sexo é TUDO!

Quando TUDO estava se acalmando, veio Einstein e ferrou de vez dizendo: TUDO É RELATIVO...


domingo, 11 de abril de 2010

O RIO TEVE DUAS ENCHENTES: A CHATA E A DRAMÁTICA

































No Rio de Janeiro há duas enchentes, duas. Uma delas é drama. Atingiu a mim, por exemplo, que moro na Lagoa e fiquei ilhado. Chato, muitos outros perderam a hora, tiveram de andar de barquinho, carros boiando. Super chato.


A outra enchente é a tragédia. Barracos deslizando, famílias morrendo na lama. A catástrofe natural ilumina a catástrofe social. As pessoas não estão lá por imprudência, como dizem as autoridades, “ah, não medem o perigo”.

Não são imprudentes, são pobres, não tem onde morar com segurança. A diferença entre drama e tragédia é que tragédia se encerra com a morte inevitável. No Rio há um tipo de tragédia que se repete como um drama sem fim. 

O Rio fica mais visível não a luz do sol, com barquinhos na baia a deslizar. O Rio fica mais claro na chuva. Vemos a verdade que se esconde na paisagem. Uma cidade com a grande maioria de pobres e desamparados, a mercê de décadas de governantes irresponsáveis e corruptos.

Mas eles estão tranquilos, suas fichas sujas jamais serão exibidas, como vimos hoje (07/04/2010) na Câmara Federal, que adiou o desejo de um milhão e meio de brasileiros.


Os irresponsáveis são até abraçados por político em campanha. Eles só esperam as águas baixarem e as notícias sumirem. Até outra tragédia em que a culpa é dos mortos.

(Arnaldo Jabor, 'Jornal da Globo', 08/04/2010)




POST-SCRIPTUM:




Pois é.

Só quero ver em 2014, durante a Copa do Mundo, ou em 2016, durante as Olimpíadas, se cair um "toró" como esse, o que as "autoridades" vão dizer pra encobrir sua incompetência e venalidade...


sábado, 10 de abril de 2010

A BÍBLIA

























Faz-se urgentemente necessário parar de ler a Bíblia como se fosse uma descrição textual de fatos consumados. Tal interpretação é um grande equívoco, ou deveria ser considerada como tal, pelo menos entre aquelas pessoas que, como eu, não a vêem como uma "revelação divina", a não ser em um sentido metafórico e alegórico.

Muitas de suas passagens, desde que abstraídas do contexto referente à questão das intervenções divinas, podem realmente ser consideradas como relatos mais ou menos fidedignos de acontecimentos históricos, conforme demonstram inúmeros exemplos arqueológicos. 

Porém, em sua maior parte, ela deve ser interpretada como contendo alegorias e metáforas para a transmissão e preservação de certas idéias de cunho filosófico, algumas comprovadamente herdadas de fontes bem mais antigas e adaptadas por seus redatores, incluindo-se aí preceitos éticos e conceitos metafísicos (e mesmo de noções de higiene e profilaxia que pareceriam rudimentares aos nossos olhos modernos), que a população a que era direcionada, na época, por diversos motivos teria dificuldades em compreender ou praticar, a não ser que envoltas no véu do mistério, bem como um dos principais veículos da manifestação artística, pela via literária, de um povo proibido por sua própria crença de fazer esculturas de si mesmo e de sua divindade, além, é claro, de ser uma excelente ferramenta de controle social e político, no âmbito coletivo (como também de conforto psicológico, no âmbito individual), em momentos de crise, uma circunstância que não era incomum no dia-a-dia dos hebreus.

É neste contexto, portanto, que volto a insistir: A Bíblia é um livro que precisa ser lido com seriedade, PRINCIPALMENTE no se refere ao seu aspecto mitológico.

Pois eu entendo o mito não como uma "mentira", mas como um símbolo manifesto do inconsciente coletivo, portanto dotado de uma verdade psicológica relevante e autêntica.

Assim como entendo o valor do sentimento religioso como uma realidade psíquica sujeita a uma metodologia de estudo própria e fundamentalmente filosófica, cujo estatuto estaria para a ciência na mesma proporção que a arte, por exemplo.

E, embora os três (o mistério, a ciência e a arte) estejam em perpétuo conflito ideológico, a filosofia não se deixa prender por nenhum de seus parâmetros conceituais, transitando entre eles e servindo como "fio de Ariadne" que põe em contato suas respectivas verdades, aparentemente contraditórias.

O exemplo mais simples é o de que todas as religiões ditas primitivas procuravam explicar certos fenômenos atmosféricos (a chuva, o relâmpago, etc.) através de 'racionalizações' mágicas (e é claro que não se resumiam só a isso, certamente).

Além do mais, no início do pensamento filosófico na Grécia, entre os Pré-socráticos (mais ou menos no século 6 a.C.), o que veio a ser considerado como 'racional' estava ainda vinculado a hipóteses e explicações um tanto quanto 'místicas' na aparência, apesar da maioria destes filósofos poderem já ser considerados como ateus, pelo menos para os padrões da religiosidade oficial grega da época.

Resumindo: a Bíblia e, por extensão, qualquer texto de inspiração religiosa, entre tantos outros produzidos pelas mais diversas culturas na Antiguidade (como, por exemplo, o Alcorão, o Tao Te Ching, os Upanishads, o Bhagavad Gita, etc.), enquanto produtos da cultura humana e material de pesquisa sociológico e antropológico, estão longe de ser inúteis.

Entretanto, há que separar o Antigo do Novo Testamento, com vistas a uma melhor compreensão de ambos. No meu entender, se pusermos de lado certas idiossincrasias inevitáveis, é possível argumentar que, nas produções literárias que caracterizam tanto um quanto o outro, estão presentes motivações políticas e religiosas bastante similares, pelo menos a princípio, já que a raiz de muito do que prega o cristianismo e suas derivações seculares, como por exemplo no aspecto da igualdade perante a lei ou da atitude fraternal ante a necessidade dos menos favorecidos, já estar presente no judaísmo, sendo antes uma questão de envolvimento pessoal maior ou menor, decorrente muitas vezes de sutis diferenças de interpretação dadas à lei mosaica pelas diversas facções políticas e religiosas existentes à época da dominação romana na Palestina, quando teria surgido Jesus, que muitos supõe ter sido integrante da seita conhecida como 'essênios', cujos preceitos seriam semelhantes aos que ele teria divulgado.

Por outro lado, não há como escapar do fato de que os conteúdos simbólicos presentes nos dois Testamentos produziram resultados diferentes, e até certo ponto inusitados e surpreendentes, ao longo da história, que divergem em maior ou menor grau de sua proposta inicial, quando analisadas no contexto de sua inserção e adaptação a outras culturas que não a especificamente judaica.

Nesta perspectiva pode-se dizer que o Antigo Testamento cumpriu seu papel com mais eficiência e durante um tempo maior (apesar de toda sua ambivalência e contradição interna), sendo mais fiel ao que se propunha, ou seja, criar um forte vínculo cultural e étnico que servisse como estímulo psico-social à perseverança diante de antagonismos de todo tipo, enquanto circunscrito aos judeus, reforçado pelo Talmude e por tradições místicas ligadas à Cabala durante a Diáspora, pelo menos até o advento do Holocausto e da criação do estado de Israel.

Além do mais, enquanto fundamento do cristianismo e um dos pilares da civilização ocidental (juntamente com o legado da cultura greco-romana), o Antigo Testamento teve preservado muito de seu simbolismo exterior pelo ‘status quo’ dominante ao longo da história, enquanto que seu simbolismo esotérico foi perpetuado por geração após geração de místicos (inclusive cristãos e muçulmanos) e cultivado zelosamente por instituições semi-clandestinas e fraternidades pseudo-secretas, ao lado de outras tradições arcaicas das mais variadas origens.

Já no caso do Novo Testamento, por mais que este possa ser redimido por uma interpretação que valorize os elementos revolucionários de generosidade e tolerância universais contidos em sua mensagem - o que não é irrelevante, muito pelo contrário, mas, em minha modesta opinião, de aplicação quase impossível, na prática -, não resta dúvida de que o mesmo foi e tem sido, pelo menos desde a promulgação do Édito de Constantino em 321, vítima da mais abjeta deturpação e manipulação possíveis, até o ponto de quase total descaracterização de sua suposta intenção original, cujo cerne seria, penso eu, promover a convivência pacífica e a boa-vontade entre os homens, algo que pouquíssimas vezes (na realidade quase nunca), o cristianismo institucional, seja em sua vertente católica ou protestante, praticou de forma franca e sem subterfúgios.

Se bem que para sermos totalmente justos há que reconhecermos também que nenhuma outra religião institucional derivada da Bíblia, seja a judaica ou a islamica, praticou seus ensinamentos éticos de forma coerente, em todos os tempos e em todos os lugares onde prosperaram, talvez, suponho, em virtude da própria incoerência, patente ou aparente, inerente tanto à seus textos quanto à 'relação conflituosa' entre a Divindade Única e seu séquito.   

Voltando ao Novo Testamento, talvez em virtude mesmo daquela dificuldade de concretização total e absoluta de sua doutrina, intrinsecamente exigida pela mesma a qualquer custo e, mais ainda, em espírito de sincera devoção, entusiasmo juvenil e arrebatamento espiritual, impermeável, portanto, a qualquer tipo de hipocrisia, interesse egoísta ou veleidade material, ou seja, tudo aquilo que nos torna demasiadamente humanos, talvez, repito, em virtude de tudo isso é que a “boa nova” presente nos Evangelhos seja um ideal inatingível, uma promessa sem esperança de realização, pelo menos enquanto o homem não encontrar os meios necessários para transcender sua própria natureza animal, se é que tal coisa é desejável ou mesmo possível, algo que é, no mínimo, discutível sob vários aspectos.

Que fique claro que não duvido absolutamente da sinceridade de algum crente isolado, mas nunca em minha vida encontrei um que não tivesse deslizes, brechas ou dúvidas em sua fé, por mínimas que fossem. Honestamente, não me arriscaria a 'por a mão no fogo' por nenhum deles...

Aliás, pode-se afirmar categoricamente que exista algo como uma 'natureza humana' imutável?

Ou o ser humano é capaz de construir-se e desconstruir-se a seu bel-prazer, influenciado por suas experiências, sejam elas materiais ou espirituais?

Será que o ideal professado por Jesus não tinha mais a ver com a humildade em aceitar a própria imperfeição de cada um e, ainda assim, procurar fazer sempre o melhor possível do que com a arrogância em propalar uma suposta superioridade, conforme fez a igreja romana e, posteriormente, as confissões protestantes, durante vários séculos?

E os judeus, será que realmente seguem as leis mosaicas ou, em sua maioria, ainda idolatram o 'bezerro de ouro'?

E quanto a certos fundamentalistas muçulmanos que identificam assassinato com zelo religioso?

É possível justificar com total honestidade intelectual tais comportamentos através de textos considerados sagrados por seus seguidores na atualidade, sejam eles a Bíblia, o Alcorão ou qualquer outro?

E será que arrogar-se como crente, praticante ou não, de uma determinada fé religiosa, ou, analogamente, como ateu, é garantia de atitudes e comportamentos éticos perante a vida e o mundo?

Ou será que o ser humano é naturalmente hipócrita, egoísta e imbecil?

Questões e mais questões...


sábado, 27 de março de 2010

RENATO RUSSO




































Porta-voz de uma geração, Renato Mandredini Júnior nasceu em 27 de março de 1960 no Rio de Janeiro. O cantor e compositor completaria hoje, portanto, 50 anos de idade.

Conhecido como Renato Russo, uma maneira que o músico encontrou de homenagear os filósofos Jean-Jacques Rousseau e Bertrand Russell, este carioca, que viveu sua adolescência em Brasília, é considerado um dos mais importantes compositores do rock nacional.








PAIS E FILHOS
(Legião Urbana)

Estátuas e cofres e paredes pintadas
Ninguém sabe o que aconteceu
Ela se jogou da janela do quinto andar
Nada é fácil de entender


Dorme agora, é só o vento lá fora
Quero colo!
Vou fugir de casa
Posso dormir aqui com vocês


Estou com medo, tive um pesadêlo
Só vou voltar depois das três
Meu filho vai ter nome de santo
Quero o nome mais bonito


É preciso amar as pessoas
Como se não houvesse amanhã
Porque se você parar prá pensar
Na verdade não há


Me diz por que o céu é azul
Explica a grande fúria do mundo
São meus filhos que tomam conta de mim
Eu moro com a minha mãe mas meu pai vem me visitar


Eu moro na rua, não tenho ninguém
Eu moro em qualquer lugar
Já morei em tanta casa que nem me lembro mais 
Eu moro com os meus pais


É preciso amar as pessoas
Como se não houvesse amanhã
Porque se você parar prá pensar
Na verdade não há


Sou uma gota d'água
Sou um grão de areia
Você me diz que seus pais não entendem
Mas você não entende seus pais


Você culpa seus pais por tudo
Isso é absurdo
São crianças como você
O que você vai ser quando você crescer?



sexta-feira, 5 de março de 2010

ESPÍRITO E MATÉRIA





































Eu não diria todos, mas a grande maioria dos teístas acredita que a sua visão metafísica seja a única capaz de autorizar o estabelecimento de uma realidade não-material a partir de conceitos que, apesar de marginalmente relacionados com a experiência empírica, não encontram espaço no paradigma tradicional que rege as atuais ciências acadêmicas. Não é bem o caso. 

A filosofia pós-estruturalista, entendida de uma forma mais ampla, amparada pela psicologia analítica, pela antropologia cultural e pelos estudos de Cantor, tem espaço para desenvolvimentos pós-metafísicos, intuídos a partir de uma ontologia compreendida em termos matemáticos, que não prescindem do reconhecimento de dimensões da realidade que poderiam ser, de certa forma, caracterizadas como 'espirituais' (no sentido que se pode encontrar em certas concepções do assim-chamado misticismo oriental, ou mesmo em certos pensadores pré-socráticos).

O desafio é tornar este desenvolvimento consequente ao momento histórico, interpretando-o num contexto paradoxal em que se manifestariam simultaneamente tanto a matéria quanto o espírito (entendido como uma manifestação do psiquismo humano), e buscando uma sincera disposição ética, tanto individual quanto coletiva, em que se fundamentar.

O fato de o mundo ser eminentemente materialista no sentido comum do termo também não é impedimento a que busquemos, pelo menos, e de forma eminentemente pragmática, por alguns momentos de tranquilidade espiritual na correria do dia-a-dia. 

Temos que superar a crença industrialista de que somos análogos a máquinas que, uma vez programadas e acionadas (estimuladas), continuam invariavelmente em seu trajeto até a morte, como que ligadas no 'piloto-automático'.

A idealização de perfeição que, a meu ver, melhor representa a natureza é a de perfeita liberdade. Chegar aonde chegou dentro de meros 13,5 bilhões de anos a partir da explosão de uma quase singularidade, ainda que cerceada pela determinação imposta pelos parâmetros supostamente aleatórios de sua condição inicial, só com muita liberdade de atuação.

Como dizia Gandhi, "de nada adianta a liberdade se não temos liberdade de errar". Entretanto, pelo menos no caso da humanidade, uma verdade parece ser inescapável: em quaisquer circunstâncias onde se exercite a liberdade, assim como em decorrência de toda ação perpetrada no âmbito material, sempre haverá consequências.

Que existam tais consequências é o preço que todos pagamos, seja o homem ou a natureza, por nossos 'erros' e 'acertos'?

Podemos imaginar que tal situação seja verdadeira tanto para o homem quanto para a natureza, em decorrência da inexorabilidade cega da entropia, ou mesmo por conta de seu oposto, o fenômeno da complexidade, onde a vida encontra seu nicho?

Seria a natureza capaz de 'errar' de forma tão patente, ou é tão somente a visão limitada de alguns que os leva a enxergar a humanidade como um câncer a ser extirpado da face da Terra ou um vírus para o qual o universo ainda não encontrou a vacina?

Neste cenário, não caberia mais humildade em relação a tudo aquilo que desconhecemos no âmbito espiritual (o aspecto psíquico que define os seres humanos como tal e, quiçá, a própria vida)? Ou mesmo em relação à própria matéria (todo 'o resto'), essa realidade sobre a qual supomos saber tanto, mas que, no entanto, sabemos tão pouco, haja vista, por exemplo, as recentes especulações da cosmologia a respeito da matéria e da energia escura?

Até que ponto espírito e matéria seriam fenômenos distintos?

Afinal que sabemos nós realmente sobre perfeição ou imperfeição para além (e aquém) dos limites do meramente humano?


sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

RORSCHARCH







































DIÁRIO DE RORSCHARCH - 12 DE OUTUBRO DE 1985:


Esta manhã, no beco, havia um cão morto com marcas de pneu no ventre rasgado.

A cidade tem medo de mim. Eu vi o rosto dela.

As ruas são sarjetas dilatadas e essas sarjetas estão cheias de sangue.

Quando os bueiros finalmente transbordarem, todos os ratos irão se afogar.

A imundície acumulada de todo o sexo e matanças que praticaram vai espumar até suas cinturas e todos os políticos e rameiras olharão para cima, gritando: "salve-nos"...

...E do alto eu vou sussurrar: "não".



(MOORE, Alan & GIBBONS, Dave: "WATCHMEN"; capítulo I; setembro/1986; DC Comics; edição brasileira: Panini Brasil Ltda.-2009)




POST SCRIPTUM:




“Não penseis que eu vim trazer paz à terra; eu não vim trazer a paz, e sim a espada.” (Mateus 10:34)

Por um curioso fenômeno de sincronicidade, ao me deparar novamente, há alguns dias atrás, com esta passagem dos Evangelhos, uma bizarra associação inconsciente me remeteu ao personagem Rorscharch de ‘Watchmen’ - que por sinal é um cara meio louco, meio religioso, mas que não deixa de ter uma lógica própria bastante consistente - e me inspirou a transcrever este trecho da aclamada HQ com intenções propositalmente ambíguas, pois, ainda que seja o retrato sombrio de certo tipo de fanatismo, é também um reconhecimento e uma deferência a toda atitude corajosa contra certas iniquidades excessivamente toleradas em nossa sociedade ocidental, supostamente democrática e ética, mas, assim como aquelas de outros tempos e lugares, extremamente hipócrita e inegavelmente decadente.

Tem muita ‘erva daninha’ nesse mundo que só entende a linguagem da força; quem quiser que se iluda acreditando no contrário.


quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

KURT COBAIN





Se estivesse vivo, o líder da banda Nirvana, Kurt Cobain, teria feito 43 anos no dia 20 de fevereiro. Considerado símbolo do movimento grunge e da Geração X, o guitarrista norte-americano não era de aparecer muito, apesar de liderar uma das maiores bandas da história do rock. O Nirvana saiu do anonimato em 1991 para vender quase nove milhões de cópias do álbum ‘Nevermind’.

Em 5 de abril de 1994, o jovem músico foi encontrado morto em sua casa em Seattle, vítima de um tiro de espingarda na cabeça. Até hoje sua morte é discutida por seus fãs, que não acreditam no laudo de suicídio dado pelo legista. Mesmo sem querer, o líder do Nirvana acabou se tornando um mártir e porta-voz de toda uma geração.


POST-SCRIPTUM:









SMELLS LIKE TEEN SPIRIT
(Kurt Cobain)



Load up on guns and bring your friends
It's fun to lose and to pretend
She's over bored and self assured
Oh, no, I know a dirty word

Hello, hello, hello, how low
Hello, hello, hello, how low
Hello, hello, hello, how low
Hello, hello, hello...

With the lights out it's less dangerous
Here we are now entertain us
I feel stupid and contagious
Here we are now entertain us
A mulatto, an albino, a mosquito, my libido
Yeah! Yay! Yay!

I'm worse at what I do best
And for this gift I feel blessed
Our little group has always been
And always will until the end

Hello, hello, hello, how low
Hello, hello, hello, how low
Hello, hello, hello, how low
Hello, hello, hello...

With the lights out it's less dangerous
Here we are now entertain us
I feel stupid and contagious
Here we are now entertain us
A mulatto, an albino, a mosquito, my libido
Yeah! Yay! Yay!

And I forget just why I taste
Oh yeah, I guess it makes me smile
I found it hard, it's hard to find
Oh well, whatever, nevermind

Hello, hello, hello, how low
Hello, hello, hello, how low
Hello, hello, hello, how low
Hello, hello, hello...

With the lights out it's less dangerous
Here we are now entertain us
I feel stupid and contagious
Here we are now entertain us
A mulatto, an albino, a mosquito, my libido

A denial - (9x)



terça-feira, 3 de novembro de 2009

GAIA CIÊNCIA





































MINHA FELICIDADE

Depois de estar cansado de procurar
Aprendi a encontrar.
Depois que um vento se opôs a mim
Navego com todos os ventos.



AOS VIRTUOSOS

Até mesmo nossas virtudes devem ter o passo leve:
Para ir e vir, como os versos de Homero.



O DESDENHOSO

Como ando semeando ao acaso
Tratam-me de desdenhoso.
Aquele que bebe em copos muito cheios
Deixa-os transbordar ao acaso -
Não continuem a pensar mal do vinho.



A PALAVRA AO PROVÉRBIO

Severo e suave, grosseiro e fino,
Familiar e estranho, sujo e puro,
Lugar de encontro dos loucos e dos sábios:
Eu sou, quero ser tudo isso,
Ao mesmo tempo pomba, serpente e porco.



O CORAJOSO

Mais vale uma inimizade de boa madeira
Que uma amizade feita de madeira colada!



FERRUGEM

Necessitas também de ferrugem: ser cortante não basta!
Senão dirão sempre de ti: "É muito jovem!"



ALMAS PEQUENAS

Odeio as almas pequenas:
Não tem nada de bom e quase nada de mau.



CONTRA A VAIDADE

Não te infles, caso contrário,
A menor picada te fará explodir.



INTERPRETAÇÃO

Se vejo claro em mim, eu me envolvo em mim mesmo,
Não posso ser meu próprio intérprete.
Mas aquele que se eleva sobre seu próprio caminho
Leva com ele minha imagem à luz.



REMÉDIO PARA O PESSIMISTA

Tu te queixas porque não encontra nada a teu gosto?
Então, são sempre teus velhos caprichos?
Ouço-te praguejar, gritar, escarrar -
Perco a paciência, meu coração se despedaça.


Ouve, meu amigo, decide-te livremente,
A engolir um pequeno sapo gordo,
Depressa e sem quere olhar para ele! -
É remédio soberano contra a dispepsia.



O VIAJANTE

"Acabou o atalho! Abismo em volta e silêncio de morte!"
Assim o quiseste! Por que deixas-te o atalho?
Atrevido! É o momento! O olhar frio e claro!
Estás perdido se acreditas no perigo.



O SOLITÁRIO

Detesto tanto seguir como conduzir.
Obedecer? Não! E governar, nunca!
Aquele que não é terrível para si, não incute terror a ninguém,
E só aquele que inspira terror pode comandar os outros.
Já detesto guiar-me a mim próprio!


Gosto, como os animais da floresta e dos mares,
De me perder durante um bom tempo,
Acocorar-me, sonhando, em desertos encantadores,
De me chamar a mim mesmo, por fim, de longe,
E de me seduzir a mim mesmo.



SEM VONTADE

Seu olhar é sem vontade e vocês o honram por isso?
Pouco lhe importam suas honras;
Tem o olho da águia, olha para longe,
Não os vê! Apenas vê estrelas, estrelas!



HERACLITISMO

Toda a felicidade na terra
Amigos, está na luta!
Sim, para tornar-se amigo
É necessária a fumaça da poeira!


Em três casos os amigos estão unidos:
Irmãos diante da miséria,
Iguais diante do inimigo,
Livres - diante da morte!



CONSELHO

Aspiras à glória?
Escuta, pois, um conselho:
Renuncia a tempo, livremente,
À honra!



JUÍZO DOS HOMENS FATIGADOS

Todos os esgotados amaldiçoam o sol:
Para eles o valor das árvores - é a sombra!



O CÉTICO FALA

A metade de tua vida já passou,
O ponteiro avança, tua alma estremece!
Há muito tempo já ela gira,
Ela procura e não encontrou - e ainda hesita?


A metade de tua vida passou:
Foi dor e erro, de hora em hora!
Que procuras ainda? Por quê?
- É justamente o que procuro - o que eu procuro!



ECCE HOMO

Sim, sei de onde venho!
Insatisfeito como a labareda,
Ardo para me consumir.
Aquilo em que toco torna-se luz,
Carvão aquilo que abandono:
Sou certamente labareda.



(Trechos selecionados de "Brincadeira, Astúcia e Vingança - Prelúdio em Rimas Alemãs" in Nietzsche, "A Gaia Ciência")