segunda-feira, 4 de março de 2013

RELIGIÃO X CIÊNCIA: A "OUTRA LÓGICA"


                                                                                            "Noli foras ire, in interiore homine habitat veritas" 

         (adágio alquimista) 




Pois é, a visão estritamente científica (vide tópico anterior) dá a entender que não se deve misturar "alhos com bugalhos". Até aí nenhuma surpresa: é o que se deve esperar da ciência convencional. O que não quer dizer que esta seja a dona da verdade e que outras posições até mesmo opostas não devam ser consideradas.








Que fique bem claro e que não haja margem para mal-entendidos: no contexto geral eu concordo com  grande parte das declarações do professor (novamente, vide tópico anterior); evidentemente a pesquisa científica deve continuar. A descoberta do 'bóson de Higgs' é uma peça fundamental para o desenvolvimento da física na medida em que o próximo passo das pesquisas de alto nível envolverá muito provavelmente um maior empenho no sentido da tentativa de confirmação empírica da 'Teoria das Cordas', por exemplo (uma das consequências inevitáveis dos atuais experimentos).









Além do que, paralelamente traz um benefício extra e imprevisto (ainda que, sou forçado a admitir, este seja um insight pessoal): o de "abrir portas" inéditas à especulação filosófica. Talvez até no sentido de reabilitar e consolidar o estudo da metafísica em bases estritamente científicas, tanto na teoria (uma 'mitofísica') quanto, - quem sabe? -, na prática (hein!?!), mesmo admitindo-se as evidentes dificuldades inerentes ao manuseio de partículas tão elusivas (calma gente, humor e credibilidade não precisam necessariamente ser auto excludentes).








Mas isso ainda é assunto para ficção-científica, apesar de pertinente. A questão é outra: tem a ver com a guerra surda que a cultura oficial vem travando a séculos contra os poderes da imaginação e que pode levar, eventualmente, à falência do sistema educacional institucionalizado em nível global - alguns sintomas sociais e políticos ao redor do mundo já dão sinais disso - e consequentemente a uma 'desvalorização dos ativos', digamos assim, da assim-chamada Civilização Ocidental (com letras maiúsculas, por favor!). Num paralelo talvez não muito feliz, pode-se dizer que, na bolsa de valores cósmica, as ações do empreendimento CIVILIZATION INC. estão certamente em baixa...






Mas o que isso tem a ver com o título desta postagem? Nada? Talvez tudo. Ignoremos por um momento o 'nada' e concentremo-nos no 'tudo'. Para quem não percebeu ainda e indo além das consequências óbvias, completar o quadro de partículas do 'Modelo Padrão' também significa dar sentido, dar autenticidade, dar legitimidade, enfim, admitir sem dúvidas ou restrições a verdade incontestável desta 'jornada sagrada', a Ciência, que se representa com total isenção e consciência tranquila (alguém aí falou em bomba atômica?).








Em imperfeita sincronia temos a trama paralela e profana que é a vida política, social e econômica não-oficiais, este drama quase shakespeariano que experimentamos como a tão decantada - e decadente - vida cotidiana. 'Deus não joga dados'? Pode apostar que sim! 









Tudo parece muito confuso (e quem disser que não, é muito ingênuo ou está de má fé). Mas ao mesmo tempo é divertido e surpreendente. Quem pode negar a semelhança simbólica - dentro dos parâmetros de uma abordagem apoiada nas mais recentes descobertas de campo de diversas especialidades acadêmicas tão zelosamente cientes de seu positivismo e de sua razão "ciumenta e poderosa" (que Iavé não nos ouça!) - quem pode negar, repetimos, que essa pretensão cientificista a uma verdade única e soberana não tem conotações nítidas e nada sutis com um fenômeno de dimensões religiosas?









O que é a busca científica da tão propalada 'Teoria de Tudo' - que reconhecidamente resolveria problemas importantes como conciliar a teoria quântica com a relatividade geral - do que, também, a renovação do ciclo mítico do Santo Graal?  







"Lógica única?" - poderíamos perguntar a Aristóteles, usando a imaginação a fim de libertar o potencial criativo de uma "outra lógica". Essa mesma imaginação tantas vezes defenestrada, desqualificada e desmoralizada ao longo de uma história do pensamento que se acredita muito correta e, em decorrência, séria demais.








Tudo isso para finalmente dizer que, sim, é possível fazer ciência da religião, bem como ter um sentimento de religiosidade autêntica na nossa relação com a physis, incluindo "no pacote" o respeito ao meio-ambiente, a produção responsável de riquezas e bem-estar para usufruto mútuo de toda a humanidade, a prática de atividades intelectuais e/ou lúdicas (as artes, a matemática, o ócio irresponsável ou a mera diversão), bem como, e acima de tudo, o respeito pelos outros seres humanos, vivos ou mortos.









Neste devir que o dia-a-dia confirma como ciclos dentro de ciclos há que se dar um crédito quase arquetípico à matemática de Cantor e à sua Teoria dos Conjuntos, com seus infinitos dentro de infinitos ainda maiores, ou ao Teorema da Incompletude de Godel, por exemplo, bem como às intuições geniais de homens como Heráclito, Sócrates, Platão, Aristóteles, DaVinci, Giordano Bruno, Galileu, Newton, Freud, Jung, Hegel, Marx, Durkheim, Weber, Nietzsche, Darwin, Plank, Einstein, Bohr e Teilhard de Chardin (entre tantos outros) para citar apenas alguns gigantes aparentemente tão díspares entre si. 







"Samba do crioulo doido?" A Escola de Samba Unidos do Paradoxo apresenta seu enredo para este ano...









Religião? Ciência? Arte? Política? Tais conceitos, assim como os de lógica, racionalidade, evolução, acaso, complexidade, caos, estrutura, ser, vida, morte e Deus, por exemplo, entre tantos outros, já estão há algum tempo passando por revisões inevitavelmente necessárias, desde que as sementes de tal iniciativa foram plantadas nos dois últimos séculos (XIX e XX) por artistas, acadêmicos, filósofos, escritores e até mesmo cientistas que, cada um a seu modo, nos dias de hoje, podemos considerar legítimos herdeiros culturais de movimentos como o Romantismo, o Simbolismo e o Surrealismo, por exemplo, ainda que necessariamente num contexto de pós-modernidade "barroca".








Mas o que é isso que me dizem? O pós-modernismo é uma moda ultrapassada que não chegou realmente a lugar nenhum? O desconstrutivismo é um beco sem saída dentro de um labirinto onde o Minotauro joga cartas com Sísifo? Não importa: como se dizia no século passado, "a luta continua". O problema é a dificuldade cada vez maior em identificar contra quem e o que lutar...






Tá feia a coisa? Tá. Só que não adianta ficar se lamentando ou pondo a culpa nos outros; todos somos responsáveis, em maior ou menor grau, por este vazio inconveniente (digamos assim, para não sermos acusados de exagerados) que já se instalou há um bom tempo nos corações e mentes dos homens e mulheres de nosso tempo. 







Inconveniente este que só se agrava na medida em que o liberalismo triunfante e sem adversários enreda a tudo e a todos, inclusive a si mesmo, nas armadilhas da lógica de mercado, e que não tem pudores ou preconceitos contra a ciência ou a religião.








Que o digam Bill Gates ou o 'bispo' Macedo, para citar dois exemplos bem afastados tanto em termos geográficos quanto em relação às atividades em questão, numa comparação aparentemente estapafúrdia mas ainda assim que remete ao mesmo raciocínio financeiro-especulativo. Vai dizer que não?








Não nos deixemos iludir por nossa própria miopia intelectual: qualquer coisa que poderia ser designada como "espírito" (seja no sentido filosófico quanto religioso), há muito se retirou da nossa realidade mundana e diuturna, ou daquilo a que ainda poderíamos nos referir como "alma do mundo". O dinheiro é o único Deus que é levado a sério: temos que admitir isso se não quisermos passar por hipócritas.








Tal desencantamento funesto, seja em que sentido se prefira acolher, vai continuar nos levando à falência civilizatória e não há argumentos que possam negá-lo. A esperança, de uma forma geral, está em vias de se tornar moribunda, já que o futuro só é considerado no curto prazo dos investimentos monetários, enquanto que a preocupação com as gerações vindouras insensivelmente se dilui num 'projeto às avessas', embasado numa ilusão consumista imediata e idiota.







O fato é que a Modernidade não cumpriu as promessas do Iluminismo e cabe a todos nós darmos uma parada estratégica e analisarmos em profundidade e com consciência crítica (a mais radical possível) os eventuais desvios e as possíveis correções de rumo. 






Aprender com o erro e não ter vergonha de tentar de novo! Pois não podemos continuar nos enganando: vivemos uma intensa crise civilizatória que exige, antes de mais nada e acima de tudo, uma refundação de nossas raízes judaico-cristãs, helenísticas e romanas, conforme sugere Jean-Claude Guillebaud em seu livro "A REINVENÇÃO DO MUNDO", não sem levar em conta toda a autocrítica que se processou no século XX e que precisa continuar, num processo que não pode prescindir das contribuições do Islã, das culturas orientais, da África negra e dos povos indígenas que sobrevivem a duras penas.







Uma refundação de princípios, mas não por um viés nostálgico, ou na aposta sempre provada como ineficaz pela História numa 'terceira via' apaziguante e condescendente, ou muito menos numa derrelição total que conduziria invariavelmente (como já está fazendo lentamente, mas em aceleração constante) a um 'vale-tudo' estúpido que é, em última instância, genocida e suicida. Alguém se habilita a discordar?   







Refundação, sim, pois como diria Nietzsche, "como pudemos nós esvaziar o mar? Quem nos deu a esponja para apagar todo o horizonte?". Ou de forma menos poética Pierre Legendre: "A humanidade está sendo acossada pela necessidade de se alicerçar para poder viver".  









Imbuídos de uma compreensão sagaz ou de uma intuição inconsciente, sabemos que a informação sofre necessariamente um processo comprovado e contínuo de disseminação que não pode ser detido, e cuja flecha do tempo corre oposta àquela que orienta a inevitável decadência decorrente da entropia; assim sendo, temos que manter acesa a chama da Imaginação, acima de toda controvérsia ilusória entre Ciência e Religião, propondo e apresentando um diálogo fecundo entre idéias, algumas geniais, outras "mucho locas", mas acima de tudo visando um maior e melhor entendimento do homem e do mundo.







Mais sobre o assunto futuramente, quando pretendo discutir as idéias do físico indiano Amit Goswami em seu livro "O UNIVERSO AUTOCONSCIENTE". Paz à todos!







POST-SCRIPTUM:




"O que está embaixo é igual ao que está em cima e o que está em cima é igual ao que está embaixo, para realizar o milagre de uma só coisa." (A Tábua de Esmeralda)


    sábado, 23 de fevereiro de 2013

    BÓSON DE HIGGS: "A PARTÍCULA DE DEUS"





    A possível descoberta da partícula Bóson de Higgs mal aconteceu e já causou um efeito de bomba atômica na imprensa mundial. 



    O experimento foi realizado pelo CERN, sigla em francês da Organização Européia para a Pesquisa Nuclear, centro de estudos entre a França e a Suíça. O local é o maior e um dos mais importantes complexos científicos do mundo, com o maior túnel de acelerador de partículas do planeta. O experimento simula, em mínima escala, o 'Big Bang' e proporciona estudos sob diversos aspectos.








    Entre estas pesquisas e experiências, foi encontrada uma partícula que se assemelha muito com o Bóson de Higgs, cuja propriedade é muito simples: dar massa às coisas. Teoricamente, a matéria só difere da luz devido a atuação desta partícula.



    O físico brasileiro Alberto Santoro trabalha no CERN e concedeu esta entrevista, onde falou sobre a partícula (imaginada pelo britânico Peter Higgs, em 1964), que é uma das maiores descobertas da História.






    P: O que é o Bóson de Higgs?



    R: "É a última partícula que faltava para completar o Modelo Padrão. É a partícula que teria dado massa a todas as partículas elementares."



    P: O que a possível descoberta muda ou ajuda na Física atual?



    R: "O nosso conhecimento sobre a natureza e as interações fundamentais aumentam na medida em que, se confirmada a observação, compreenderemos a origem da massa das partículas elementares."   



    P: Como funcionam os túneis do CERN e o que foi feito para ser achada a partícula?



    R: "O Túnel do 'LHC - Large Hadron Collider' tem quatro grandes detectores. Dois deles, o 'ATLAS' e o 'CMS', observaram um objeto. Suas propriedades continuarão sendo estudadas para que possamos afirmar que se trata do Bóson de Higgs."



    P: Para a sociedade, o que pode significar esta possível descoberta? Existem mudanças práticas a curto, médio e longo prazo?



    R: "Não há nada a esperar além do aumento do conhecimento científico. É claro que a sociedade é feita de pessoas mais ou menos curiosas. Mais ou menos cultas. Umas aproveitam mais que outras..."



    P: Qual o sentido deste estudo na História? O que significará no futuro?



    R: "Há milênios o Homem procura responder uma série de questões sobre a origem das coisas. Estamos começando a desvendar alguns desses mistérios e a responder diversas destas questões fundamentais. O que é massa? Como ela surge? É muito excitante saber que podemos estar começando a compreender tudo isto. Mas ainda precisamos de muito mais experiências científicas para chegarmos a uma compreensão satisfatória do Universo; há muitos outras questões tão importantes quanto estas."




    P: Quais são os próximos passos agora?



    R: "Acumular mais dados, analisá-los e confirmar as observações já realizadas até o presente. Diminuir cada vez mais a possibilidade de um erro."



    P: Está sendo muito divulgado o nome "Partícula de Deus", devido ao livro do físico Leon Lederman, vencedor do Nobel. Você concorda com o nome?



    R: "Não concordo, pois confunde ciência com religião. Existe alguma semelhança entre o que a religião diz sobre Deus e as propriedades da partícula? Não tem nada uma coisa com a outra. Religião é uma coisa e ciência é outra."



    P: Ambos são contraditórios?



    R: "Não há contradição nenhuma. Um pintor sempre pode dizer que se inspirou na mensagem de Deus ou dizer que sua criatividade foi exercida plenamente ao pintar o quadro que apresenta. Tudo pode ser dito dessa ou daquela forma. Ciência e religião são duas coisas distintas. Um religioso pode fazer ciência sem problemas. E há muitos cientistas que são religiosos. Mas ninguém confunde as coisas. Nós, na ciência, temos que provar tudo o que fazemos e não podemos dizer que é uma questão de fé. Temos de medir, mostrar o resultado, seja ele qual for."




    P: O CERN já realizou vários feitos práticos para a humanidade: a criação do www, a tecnologia 'touchscreen' e aparelhos relacionados à saúde. Que outros feitos podem ser citados, entre os que a população vê e os que não vê?



    R: "A população vê, mas não é informada. Os aceleradores de partículas servem para a indústria e sobretudo para a terapia do câncer. Não sabe porque não é informada que, quando faz uma ressonância magnética ou uma radiografia, está usando aparelhos que foram originalmente inventados a partir dos detectores de partículas. Não sabe que a WEB também foi inventada no CERN, que revolucionou a relação comercial, social, econômica, de todos os tipos, e isso tudo a uma velocidade incrível."



    P: Como você enxerga o preconceito que existe em algumas camadas da sociedade em relação aos gastos em grande escala da ciência?



    R: "Hoje temos eletricidade e sem ela não sobrevivemos mais. Toda essa tecnologia não acontece do nada, e sim, a partir de invenções que no início são somente para entender a natureza e depois se transformam em revoluções no nosso cotidiano."



    P: Qual o poder dos túneis do CERN? Os impactos das partículas a velocidades absurdas têm alguma potência? Qual é a velocidade e qual é a segurança desses equipamentos do CERN?



    R: "A velocidade dos prótons é praticamente a velocidade da luz. Está funcionando há alguns anos e nada aconteceu, aqueles absurdos que espalharam pelo mundo sobre o LHC do CERN. Os raios cósmicos tem muito mais energia e nos bombardeiam diariamente vindos do espaço. Até hoje não aconteceu nenhuma catástrofe pregada, tipo buracos negros."




    POST-SCRIPTUM:








    Alberto Santoro estudou na Universidade de Brasília, de onde foi obrigado a sair com o irmão, Claudio (que era músico e chefiava o Departamento de Música), devido às perseguições da ditadura militar. Formou-se na UFRJ e começou seu mestrado com o prof. J. Leite Lopes, quando ambos foram caçados e obrigados a ir para o exterior, onde continuou seus estudos. Fez doutorado na França, na Universidade Paris 7 e trabalhou no Departamento de Física Teórica do Centro de Energia Atômica da França. Voltou em 1977 ao Brasil para o CBPF (Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas) e depois a UERJ, onde está até hoje coordenando um grupo de pesquisas que trabalha no experimento CMS do LHC/CERN.    



    [ADAPTADO DE UMA MATÉRIA PUBLICADA NA REVISTA 'PERSONI' Nº 10/AGOSTO/2012]

    domingo, 17 de fevereiro de 2013

    POESIA MATEMÁTICA


    Às folhas tantas
    Do livro matemático
    Um Quociente apaixonou-se
    Um dia
    Doidamente
    Por uma Incógnita.
    Olhou-a com seu olhar inumerável
    E viu-a, do Ápice à Base,
    Uma Figura Ímpar;
    Olhos rombóides, boca trapezóide,
    Corpo ortogonal, seios esferóides.
    Fez da sua
    Uma vida
    Paralela a dela
    Até que se encontraram
    No Infinito.
    "Quem és tu?", indagou ele
    Com ânsia radical.
    "Sou a soma do quadrado dos catetos.
    Mas pode me chamar de Hipotenusa."
    E de falarem descobriram que eram
    - O que em aritmética, corresponde
    A almas irmãs -
    Primos-entre-si.
    E assim se amaram
    Ao quadrado da velocidade da luz
    Numa sexta potenciação
    Traçando
    Ao sabor do momento 
    E da paixão
    Retas, curvas, círculos e linhas sinoidais,
    Escandalizaram os ortodoxos das fórmulas
                                                              euclideanas
    E os exegetas do Universo Finito.
    Romperam convenções newtonianas e 
                                                              pitagóricas.
    E, enfim, resolveram se casar
    Constituir um lar.
    Mais que um lar,
    Uma Perpendicular.

    Convidaram para padrinhos

    O Poliedro e a Bissetriz.
    E fizeram planos, equações e diagramas para 
                                                                      o futuro
    Sonhando com uma felicidade
    Integral
    E diferencial.
    E se casaram e tiveram uma secante e três
                                                                        cones
    Muito engraçadinhos.
    E foram felizes
    Até aquele dia
    Em que tudo, afinal,
    Vira monotonia.
    Foi então que surgiu
    O Máximo Divisor Comum
    Frequentador de Círculos Concêntricos.
    Viciosos.
    Ofereceu-lhe, a ela,
    Uma Grandeza Absoluta,
    E reduziu-a a um Denominador Comum.
    Ele, Quociente, percebeu
    Que com ela não formava mais Um Todo,
    Uma Unidade. Era o Triângulo,
    Tanto chamado amoroso.
    Desse problema ela era a fração
    Mais ordinária.
    Mas foi então que Einstein descobriu a 
                                                            Relatividade
    E tudo que era expúrio passou a a ser
    Moralidade
    Como, aliás, em qualquer
    Sociedade.



    [MILLÔR FERNANDES - PUBLICADA EM 'O PIF-PAF'/'O CRUZEIRO'/1949]

         

    POST-SCRIPTUM:








    Este texto foi extraído da edição "AMOSTRA BEM-HUMORADA", de Millôr Fernandes, publicada pela EDIOURO em 1997 e com a qual fui presenteado pelos colegas da UERJ, no meu aniversário, já lá se vão uma porrada de anos.



    Obrigado Moysés, Viviane, Genilso, Wanderson, Juliana, Sérgio, Elaine, Adilson, Mônica, Nani e todos os outros que eu porventura tenha esquecido depois de tanto tempo. Um beijo pra todos!


    terça-feira, 12 de fevereiro de 2013

    CARNAVAL 2013



    E lá se vai mais um Carnaval. Admito que não sou fanático pela festa, mas costumo sair todo ano num bloco que reúne uma galera da minha adolescência. Além de ser uma boa desculpa pra rever muita gente boa às vezes dá até pra conhecer umas caras novas e... (deixa prá lá!).

    Quanto ao desfile das Escolas de Samba, pra mim não tem mais muita graça não, parece que todo ano é sempre a mesma coisa, apesar de torcer pro Salgueiro. Aliás, foi uma das poucas que eu tive paciência de assistir pela TV, além da Unidos da Tijuca, Mangueira, Beija-Flor e São Clemente, até porque estavam entre as primeiras a desfilar no domingo e na segunda-feira.





    Sem querer ser chato, vou ousar fazer algumas críticas, tanto ao desfile quanto à transmissão da TV Globo. O Salgueiro veio “arrebentando”, com muito luxo e abusando da tecnologia. Nada contra, até porque o desfile é cada vez mais para gringo ver.

    Unidos da Tijuca, idem, muito bonita e cheia de truques tecnológicos. Pena que pecou num detalhe nem tão pequeno assim. A homenagem à Alemanha foi original, mas a Escola cometeu um equívoco logo na Comissão de Frente ao exaltar a mitologia germânica. Thor e Odin, apesar de terem sido reverenciados na antiga Alemanha, eram conhecidos como Donar ou Doner e Wotan ou Woden. Thor e Odin são os nomes pelos quais estas divindades eram conhecidas na Escandinávia (Dinamarca e Noruega, principalmente). Não chegou a tirar o brilho do espetáculo (legal a mágica com o martelo!), mas que foi um tremendo “vacilo” isso foi.






    Mangueira e Beija-Flor: ambas como sempre dignas e belas, candidatas indiscutíveis ao título. Entretanto a Escola de Nilópolis também teve seu equívoco, e não foi pequeno. Um dos destaques foi uma fantasia muito bonita e luxuosa chamada “Dario, Rei da Babilônia”. Hein?!? Dario foi Imperador da Pérsia, gente. Tudo bem que suas conquistas também alcançaram a região entre os rios Tigre e Eufrates (atual Iraque), onde localizava-se a antiga Babilônia, mas, pelo amor de Zaratustra, essa foi imperdoável!





    Outro equívoco, até engraçado, veio de um dos comentaristas da TV Globo. O tema da Beija-Flor era uma homenagem ao cavalo, animal que, desde pelo menos a última Era Glacial, tem sido um parceiro indispensável da humanidade na construção das civilizações. Acontece que uma certa alegoria focalizava a evolução do animal desde seus ancestrais mais longínquos, entre eles o "eohippus", que existiu mais ou menos entre 10 e 20 milhões de anos atrás. Era um animal pequeno em comparação com nosso cavalo, mais ou menos do tamanho de um cachorro médio atual. Durante o desfile, a certa altura, o comentarista declarou que devia ter sido mais fácil para o “homem das cavernas” caçar aqueles “cavalinhos” do que os dinossauros. Putz! Essa foi hilária! Alguém andou vendo desenhos animados demais! Entre a extinção dos últimos dinossauros e o surgimento dos primeiros hominídeos existe um intervalo de, pelo menos, 50 milhões de anos!!! Fala sério...






    Quanto a São Clemente, pessoalmente detestei. Veio homenageando as novelas da TV Globo, num demonstração descarada de “puxa-saquismo” típico. Por sinal, por que só a Globo pode transmitir o desfile das Escolas de Samba? Ah é, muito dinheiro...

    E pra quem não sabe o desfile agora tem patrocínio de empresas privadas. Quem não gosta de dinheiro?



    POST-SCRIPTUM:



    Anyway, parabéns a todas as Escolas de Samba que desfilaram no Sambódromo da Av. Marquês de Sapucaí. E que vença a melhor!

    sábado, 9 de fevereiro de 2013

    INDIGNAÇÃO



    Quando comentei a tragédia do incêndio na boate "Kiss" em Sta. Maria, no RGS, já não aguentava mais ver/ouvir a 'mídia' falar no assunto numa busca acintosa de audiência ou de aumento de vendas como se a coisa toda fosse mais um "Big Brother" da vida!

    Naquela ocasião citei sentimentos de ódio e vingança para caracterizar um estado de espírito que se resumia em indignação profunda, indignação esta que me recusei a comentar por vergonha, não por mim, mas em decorrência de uma espécie de culpa coletiva que se proliferasse por ressonância num país onde o cinismo é praticado como arte.





    No filme "Vanilla Sky" o psiquiatra interpretado por Kurt Russell se dirige ao protagonista, Tom Cruise (numa atuação surpreendente; e não vou contar a trama, quem quiser que veja: só digo que vale à pena) e, numa conversa quase informal, diz-lhe que só existem cinco emoções básicas - e não vem ao caso se tal declaração se baseia em alguma pesquisa científico-acadêmica ou se é mera invenção do roteirista, para o objetivo desta argumentação - , as quais seriam: culpa, ódio, vingança, vergonha e  amor.

    Talvez pelo filme ter me causado, à época de sua exibição (2001), um impacto considerável (isso eu não posso negar) - além de tê-lo revisto há relativamente pouco tempo - , reconheço o 'ato falho' na menção inconsciente aos tais estados emocionais, do que só tomei consciência por estes dias ao reler meu próprio artigo.

    O interessante é que dos cinco, o único não mencionado por mim foi o amor. Não me parece difícil compreender sua ausência, seja no contexto particular daquela tragédia, seja ao reportarmo-nos à triste situação política do Brasil.

    Refiro-me, no caso, especificamente a dois fatos do cenário político que por si só justificam, explicam e amplificam o sentimento de indignação que inevitavelmente teima em instaurar-se com insistência inescapável.

    Um deles é a eleição por seus pares do senhor RENAN CALHEIROS como presidente do Senado Federal. 'Ficha Limpa' pra que?





    O outro é o descaso com que estes mesmos cavalheiros premiam-se com nove dias de "férias carnavalescas", logo após retornarem do recesso parlamentar. Afinal é Carnaval, né?       

    Não deixa de ser significativo o comentário do apresentador de um telejornal, ao divulgar a notícia, de que talvez seja até melhor e mais barato para o contribuinte que os parlamentares não trabalhem mesmo, pois assim corre-se menos riscos deles fazerem MERDA! 

    (Esta é uma interpretação livre e pessoal do que foi dito pelo jornalista; a palavra "merda" é por minha conta e eu assumo...).

    Voltando aos cinco "sentimentos básicos": culpa, ódio, vingança, vergonha e amor.

    Amor? É ruim, hein!

    Onde encaixá-lo nesse contexto esdrúxulo? Só sendo patologicamente ingênuo e otimista...





    POST-SCRIPTUM:


    No âmbito pessoal ainda vá lá, não discuto que o amor é a força que nos mantém de pé, mas como falar de amor onde impera o mais deslavado descaramento e um egoísmo abjeto que faz fronteira com o desprezo e a indiferença pela coisa pública?

    Dá licença que eu também vou pular o Carnaval antes que eu fique louco!




    sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013

    TRAGÉDIA ANUNCIADA

                                                                                                               



    Mais de 200 mortos. 

    Cento e tantos internados, mais de 80 em estado crítico.

    Este é o trágico saldo de vítimas do incêndio na boate "Kiss" em Sta. Maria, município do Rio Grande do Sul.

    Segundo a imprensa, tudo começou com o uso indevido de fogos de artifício exclusivos para ambientes externos usados pela banda contratada para animar uma festa que visava angariar fundos para a formatura de uma turma de universitários.

    De acordo com os relatos, a tal banda tinha consciência da inadequação dos fogos para uso em lugares fechados mas, aparentemente, resolveu arriscar com o objetivo de economizar algum dinheiro. Tal fato, conforme divulgado, era de conhecimento dos proprietários da boate, cuja irresponsabilidade vai mais além por terem instalado aquela espuma inflamável no teto da casa noturna sem autorização das autoridades competentes. 

    Isso tudo sem falar em outras irregularidades, como ausência de saídas de emergência e extintores de incêndio em situação suspeita.

    E agora?

    O que dizer aos familiares das vítimas?

    Alguém será responsabilizado e punido na forma da lei?





    POST-SCRIPTUM:


    Os únicos sentimentos que me assaltam quando penso muito neste assunto são de tristeza, ódio e vingança. Além de muita vergonha e indignação. Vergonha sim, ainda que indireta, pela incompetência generalizada das autoridades que poderiam evitar tais tragédias com providências simples, antes das mesmas acontecerem. Quanto à indignação, é a mesma de todos os brasileiros: melhor nem comentar...


    quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

    FLAMENGO




    Desde meus comentários apaixonados a respeito de um jogo ocorrido ano passado - quando Ronaldinho Gaúcho ainda atuava no rubro-negro - em que fiz "previsões" precipitadas (para dizer o mínimo), prometi a mim mesmo que não mais falaria sobre futebol; mas sabe como é, torcedor é torcedor e não se contenta em ficar calado, principalmente se for flamenguista e às vésperas de um jogo contra o time do Vasco da Gama, sempre um grande rival.

    Entretanto, dessa vez (e em possíveis outras, no futuro) vou procurar ser bem mais comedido e cauteloso, até porque, apesar de ser o segundo colocado no Grupo B, com 7 pontos (a mesma pontuação do líder Fluminense) e vir de uma vitória, por sinal sofrida, o Flamengo encara amanhã, quinta-feira, dia 31 de janeiro, às 19:30 no Engenhão, o líder do Grupo A (com 9 pontos) e o time com melhor aproveitamento no Estadual, o Vasco da Gama.

    Apesar de ambos estarem invictos até agora e bem colocados nos respectivos grupos, trata-se de um clássico carioca, válido pela quarta rodada da Taça Guanabara, e qualquer previsão a respeito do resultado é mera especulação. O máximo que um torcedor pode fazer é justamente aquilo que o define: torcer! Mas sem falar demais, pois quem o faz acaba pagando mico...





    POST-SCRIPTUM:


    O que mais me causa ansiedade no momento é aguardar a estréia do novo camisa 10 do Fla, Carlos Eduardo, emprestado pelo 'Rubin Kazan' da Rússia por, pelo menos, 18 meses. Disputado por diversos clubes brasileiros (Santos, Fluminense e Internacional), o meia-atacante de 25 anos revelado pelo Grêmio espera estrear em "bem menos de um mês" (segundo suas próprias palavras), ou seja, ainda durante a Taça Guanabara. Ibson que se cuide, mas tenho cá minhas dúvidas a respeito do novo reforço, uma vez que ele vem de longa recuperação de uma contusão e não joga há mais de um ano. O jeito é esperar para ver. 





    Nas oito rodadas da fase classificatória da Taça GB, os times do Grupo A enfrentam os do Grupo B, em um único turno. Os dois primeiros colocados de cada grupo se classificam para as semifinais deste turno (primeiro do A x segundo do B, primeiro do B x segundo do A), sendo que os primeiros colocados têm a vantagem do empate. Na decisão, num único jogo, se somente um finalista foi o primeiro colocado de A ou B, joga pelo empate. Se ambos forem primeiros colocados ou segundo colocados em seus respectivos grupos, joga pelo empate aquele que tiver o maior número de pontos. O campeão da Taça GB fica automaticamente classificado para as finais do Estadual, disputando o título em duas partidas contra o vencedor da Taça Rio, o segundo turno do campeonato. Boa sorte a todos!

    segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

    IMPERADOR DO BRASIL?



    Num país como o nosso (não que isso seja um "privilégio" exclusivo) em que a corrupção é a regra, devemos sempre comemorar a condenação pela Justiça (e a consequente prisão) de 'gangsters' como, por exemplo, o bicheiro CARLINHOS CACHOEIRA, mesmo que alguns possam considerar este assunto específico "notícia velha", ainda que relacionado diretamente à postagem anterior e, por isso mesmo, digno de ser comentado.





    Há alguns meses atras, quase no início deste embróglio envolvendo políticos corruptos e o citado indivíduo, o jornalista ROBERTO POMPEU DE TOLEDO escreveu um comentário a respeito em sua coluna na revista VEJA. Apesar de ter sido publicada no final de maio de 2012, há um trecho bastante relevante e irônico que eu faço questão de transcrever:

    "Já que deputados e senadores não se mostram dispostos a debruçar-se sobre as falcatruas atribuídas a Carlos Cachoeira, poderiam inquiri-lo sobre sua infância, os sonhos de adolescente, os amores. A essas questões talvez ele respondesse, e isso ajudaria na decifração do enorme, crucial enigma que nos põe esse personagem: afinal, o que queria ele? Aonde queria chegar? Carlos Cachoeira, segundo o apurado até agora, herdou um ponto do bicho do pai, que por sua vez o tinha recebido do campeão do jogo do bicho carioca, o falecido Castor de Andrade.

    Pois bem, A ambição do bicheiro, normalmente, não vai além de comandar uma escola de samba. Carlos Cachoeira mirou mais alto. Duplicou os negócios ilegais com os legais. Estabeleceu-se na indústria farmacêutica e, ao que tudo indica, na empreiteira de obras públicas. Ao longo do caminho, embrenhou-se entre os políticos. O bicheiro tradicional também recruta políticos, mas não mais do que para proteger suas atividades de contraventor. Cachoeira queria mais. A rede de políticos a seu serviço sugere um aparato de infiltração nas estruturas do estado. As vantagens econômicas daí decorrentes são evidentes. As portas se abrem para negócios em que o estado é o grande comprador, como a indústria farmacêutica e a empreita.

    Mas isso ainda não é tudo. Talvez até seja o de menos. As gravações da Polícia Federal indicam um gosto extremado por essa substância menos palpável, que é o poder. Cachoeira vinha bem nesse quisito. O governador de Goiás, num telefonema, chama-o de "liderança". O senador Demóstenes Torres, em muitos, trata-o de "professor". Nas conversas, os políticos soam como empregados, ou como reverentes vassalos. Mas Cachoeira ainda não estava satisfeito. Numa das gravações, trata com um assesor da compra de um partido político. Há muitos à venda no país, e ele só não fechou negócio porque considerou o preço alto. Sobre a questão: por que quereria um partido político? Essa questão se desdobra em outra: aonde pretendia chegar? E esta em outra ainda: aonde chegaria, caso seu caminho não fosse cortado pelas investigações? Uma aposta razoável é que acabaria imperador do Brasil."      


    [trecho de comentário publicado na revista VEJA]





    POST-SCRIPTUM:






    Espero que outros casos como este (principalmente nesta época de contratos entre governo e iniciativa privada para construções e reformas de estádios para a Copa do Mundo de 2014) venham à tona e que possamos assistir a outros canalhas da mesma estirpe passarem umas "férias" merecidas atrás das grades.

    Fico daquí fazendo figa...

    quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

    RETROSPECTIVA 2012: JOAQUIM BARBOSA É O CARA!



    Neste ano de 2012 que findou muitos assuntos foram dignos de serem considerados especialmente importantes e significativos.




    Tivemos, por exemplo, os aniversários de 50 anos de carreira de Gilberto Gil e Caetano Veloso, bem como o cinquentenário dos Beatles.






    E seria imperdoável esquecer o centenário de nosso grande Jorge Amado, um dos maiores baluartes da literatura brasileira (e por que não dizer universal).








    Tivemos a polêmica com relação à usurpação de grande parte dos royalties decorrentes da comercialização do petróleo explorado na plataforma continental de estados como Rio de Janeiro e Espírito Santo.





    Tivemos a continuação dos conflitos entre populações indignadas e seus governantes tirânicos em diversos países árabes (que levou a morte do ditador Kadafi na Líbia, por exemplo), bem como entre israelenses e palestinos no Oriente Médio.







    Outro que também já foi tarde é o maluco do Bin Laden, enquanto que no Brasil perdemos o genial Oscar Niemeyer, para nossa tristeza. Tivemos o "golpe" em Wall Street e a escalada da crise econômica na Europa.







    Não podemos esquecer também a atuação da Comissão da Verdade que denuncia a atuação criminosa de certas autoridades durante a ditadura militar no Brasil e a colaboração com regimes de exceção de outros países da América do Sul, conforme comprovam documentos revelados pelo atual governo brasileiro referentes a assim chamada "Operação Condor".






    Enfim, como dito no início desta matéria, vários acontecimentos, todos dignos de serem lembrados como excepcionalmente significativos ou indicados como os mais importantes do ano que passou.



    Entretanto, em minha modesta opinião, enquanto brasileiro não posso deixar de considerar com total sinceridade, entre vários motivos mas principalmente por seu significado histórico, que nada superou o julgamento dos envolvidos no "mensalão" e, principalmente, a atuação rigorosa e implacável do juiz e atual presidente do Supremo Tribunal Federal, sua excelência o ministro JOAQUIM BARBOSA.






    Juro que nunca imaginei que viveria para ver o dia em que políticos corruptos fossem condenados pela justiça brasileira! E ainda por cima perdessem seus mandatos enquanto alguns notórios caciques da politicagem tupiniquim acabassem na cadeia! Viva! (Agora só falta prender o Maluf...).



    Parabéns, portanto, à atuação honrada do STF; e aproveito para declarar meu voto simbólico a este fato como o mais importante de 2012 (e quiçá da História do Brasil), enquanto fico na torcida de que o ministro Barbosa se candidate à presidência em 2014, certamente acompanhado de milhões de outros brasileiros que o elegeriam cheios de orgulho e admiração.



    Se bem que, pensando melhor, corremos o risco de que seu substituto imediato na presidencia do STF, o ministro Lewandowski, não seja tão rigoroso (o que ele já deu indicações óbvias de não ser) e que tudo volte a ser como antes, ou seja, acabe sempre em "pizza". Além do mais o ministro Barbosa ainda tem um mandato a cumprir como presidente do STF e, certamente, durante este período, fará um excelente trabalho de cobrança daquela cambada de deputados e senadores em Brasília que, com raras e meritórias exceções, só está no poder para se locupletar (vai olhar no dicionário!). Além do mais, nos dias de hoje, ser presidente da república não é mais lá essas coisas em termos de capacidade para acabar com certos vícios em nossa república. Parece até que o cargo está mais para um agente de relações públicas de luxo...  



    POST-SCRIPTUM:









    Joaquim Barbosa nasceu em Paracatu, noroeste de Minas Gerais. É o primogênito de oito filhos. Pai pedreiro e mãe dona de casa, passou a ser arrimo de família quando estes se separaram. Aos 16 anos foi sozinho para Brasília, arranjou emprego na gráfica do Correio Braziliense e terminou o segundo grau, sempre estudando em colégio público. Obteve seu bacharelado em Direito na Universidade de Brasília, onde, em seguida, obteve seu mestrado em Direito do Estado.


    Foi Oficial de Chancelaria do Ministério das Relações Exteriores (1976-1979), tendo servido na Embaixada do Brasil em Helsinki, Finlândia e, após, foi advogado do Serpro (1979-84).


    Prestou concurso público para procurador da República, e foi aprovado. Licenciou-se do cargo e foi estudar na França, por quatro anos, tendo obtido seu mestrado e doutorado ambos em Direito Público, pela Universidade de Paris-II (Panthéon-Assas) em 1990 e 1993. Retornou ao cargo de procurador no Rio de Janeiro e professor concursado da Universidade do Estado do Rio de Janeiro. Foi visiting scholar no Human Rights Institute da faculdade de direito da Universidade Columbia em Nova York (1999 a 2000) e na Universidade da Califórnia Los Angeles School of Law (2002 a 2003). Fez estudos complementares de idiomas estrangeiros no Brasil, na Inglaterra, nos Estados Unidos, na Áustria e na Alemanha. É fluente em francês, inglês, alemão e espanhol. Toca piano e violino desde os 16 anos de idade. Foi indicado Ministro do STF por Lula em 2003.


    Joaquim Barbosa é o primeiro ministro reconhecidamente negro do STF.


    [DADOS BIOGRÁFICOS OBTIDOS NA WIKIPÉDIA]